Março de luta: ações intensificam combate à violência contra a mulher

DIREITOS HUMANOS

Brasília (DF), 27/12/2026 - Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante entrevista com a TV Brasil e Agência Brasil. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante entrevista com a TV Brasil e Agência Brasil. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

“Não podemos admitir retrocessos”, diz ministra Márcia Lopes

Da Agência Brasil

O governo federal iniciou, nesta semana, as mobilizações de luta que marcam todo o mês de março pelo Dia Internacional das Mulheres, celebrado no dia 8.

Em 2026, o contexto mais evidenciado é o combate à violência contra a mulher, diante dos índices crescentes de feminicídios.

O ato inaugural foi organizado pelo Ministério das Mulheres, no domingo (1º), em memória da jovem Tainara Souza Santos, de 31 anos, que morreu em dezembro do ano passado, dias após ser atropelada pelo ex-companheiro, Douglas Alves da Silva, e ser arrastada por mais de 1 quilômetro na Marginal Tietê, na zona norte da cidade de São Paulo, ao ficar presa ao carro dele.

Nesta quarta-feira (4), o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, conhecido como Conselhão, realizou o Seminário “Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres”, como parte das atividades do Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio.

Os veículos da comunicação pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – Agência Brasil, TV Brasil e Rádio Nacional – entrevistaram a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, para entender melhor os principais desafios do país para pôr fim à violência contra as mulheres e para a promoção da igualdade de gênero.

Confira os principais trechos da entrevista: 

Agência Brasil: Em 2025, o Brasil registrou o número recorde de 1.548 feminicídios, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Em média, são quatro mulheres por dia e sabemos que as estatísticas são subnotificadas. O que falta para essas mulheres serem salvas e para terem o direito de continuar existindo?

Ministra Márcia Lopes: Sabemos que os processos de submissão, de subalternidade, de inferioridade, de discriminação das mulheres têm uma raiz estrutural. Desde a continuidade das várias formas da apropriação do corpo da mulher, da vida dela pelos homens e parceiros. O patriarcado cresce em todo o mundo e, com isso, o machismo, a misoginia.

Agência Brasil: Vivemos tempos mais difíceis?

Ministra Márcia Lopes: Recentemente, de 2016 a 2022, vivemos um processo total de destruição da democracia, das relações, de absoluto desrespeito à vida das mulheres. A intolerância total, a impaciência, valores [retrocederam] e certas atitudes passaram a ser cotidianas, normalizadas. Isso é uma porta aberta para todas as violências, inclusive na própria relação afetiva, por exemplo, de uma paquera entre os adolescentes.

Agência Brasil: Quais retrocessos foram observados?

Ministra Márcia Lopes: O que aconteceu no governo anterior foi péssimo, nós retrocedemos, porque aquilo que tínhamos avançado e feito para que os conselhos funcionassem, as conferências falassem, que tivessem as denúncias, que os serviços fossem ampliados, que a gente tivesse escala nacional retrocedeu. Todas nós adoecemos.

A partir de 2023, essa reconstrução que o presidente Lula assumiu não é simples. Desde então, voltamos ao processo de acordo, de negociação, de entendimento, de boa vontade.

Agência Brasil: Como reagir às violências que não recuam?

Ministra Márcia Lopes: Nós não podemos admitir nenhum tipo de retrocesso em relação às conquistas das mulheres. Esse é um embate permanente, porque ao mesmo tempo em que as mulheres passam a ser a comandante do avião, por exemplo, ou chegam à Presidência da República ou a qualquer outro cargo, por outro lado, isso ainda incomoda muitos homens que ficam indignados. Há um ressentimento mesmo.

Agência Brasil: Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) estabelece medidas protetivas de urgência para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. No entanto, a falta ou a demora na concessão de medidas protetivas de urgência expõe as vítimas a riscos severos. Mesmo as mulheres que contam com esses recursos concedidos pelo Judiciário não estão totalmente protegidas. Porque os agressores ignoram o monitoramento de tornozeleiras eletrônicas e voltam a representar uma ameaça; rondam o lar ou o trabalho da vítima; e praticam violências. A falha nesse ponto reforça a sensação de impunidade?

Ministra Márcia Lopes: Depois da denúncia, há municípios em que a medida protetiva é concedida em quatro horas. Mas há lugares que demoram até 20 dias e isso interfere e custa a vida de mulheres. Comentaram comigo em uma localidade que, com a Patrulha Maria da Penha, não houve nenhum feminicídio com mulheres com medidas protetivas em execução.

Nós precisamos de delegacias especializadas que funcionem nos fins de semana, nos feriados, justamente quando mais acontecem as situações de violência. Às vezes, as mulheres vão às delegacias registrar queixa, os próprios agentes ou delegados perguntam: “Mas, você tem certeza que você quer denunciar? Isso não vai te prejudicar?”

Nós temos lacunas: precisamos de muito mais equipes da Patrulha Maria da Penha nos municípios, precisamos do sistema de justiça e de quem vai fazer o julgamento, que cumpra o protocolo de gênero.

Agência Brasil: Há cerca de um mês, os Três Poderes assinaram o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. Este compromisso representa a compreensão de que a violência contra mulheres exige ação contínua e conjunta, responsabilidade institucional e mudança de comportamentos?

Ministra Márcia Lopes: Nós temos leis, resoluções e regras importantíssimas, mas faltam, de fato, escala e uma postura de responsabilidade de todos os sistemas. Sem essa integração entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, a gente não caminha. Por isso, esse Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio é tão importante e decisivo.

Agora, estamos fazendo esse mapeamento para saber qual é o fluxo, para onde a mulher tem que ser encaminhada, o que compete a cada área fazer nas localidades. Em cada estado é diferente.

Brasília (DF), 27/12/2026 - Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante entrevista com a TV Brasil e Agência Brasil. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante entrevista com a TV Brasil e Agência Brasil. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Agência Brasil: Muitos casos de feminicídios aparecem nas estatísticas como homicídios, sem considerar que está caracterizada ali a violência de gênero, a misoginia. Como mudar a realidade da subnotificação de casos para que os números reais contribuam para a construção de políticas públicas de proteção efetiva e de responsabilização dos agressores?

Ministra Márcia Lopes: A Lei do Feminicídio (Nº 13.104) de 2015 fez a tipificação do feminicídio, o que facilitou muito [o registro de casos]. Talvez, também por isso, os números [de feminicídios] tenham aumentado.

Se toda morte de mulher for imediatamente registrada como feminicídio, isso nos ajuda, porque depois, com a investigação e com o processo concluído, é possível dizer se foi feminicídio ou não. Toda vez que viajo para um estado, nossa equipe [do MMulheres] conversa com as autoridades para entender como os registros são feitos em cada município.

Agência Brasil: O relatório “Mulheres, Empresas e o Direito”, publicado anualmente pelo Banco Mundial, com cerca de 190 países, revela que nenhuma economia do planeta garante igualdade plena de direitos profissionais e econômicos entre mulheres e homens. Mesmo nos países com melhor desempenho, as mulheres detêm, no máximo, dois terços dos direitos legais concedidos aos homens.

O relatório estima que fechar essa lacuna de gênero poderia aumentar o PIB – (Produto Interno Bruto – riqueza produzida no país) global em mais de 20%. Embora tenha havido, no mundo, evolução na criação de leis (como a de igualdade salarial no Brasil), existem problemas graves na implementação e na execução dessas políticas como fiscalização e transparência. O que acontece no Brasil e o que tem sido feito para reparar os desequilíbrios, ministra?

Ministra Márcia Lopes: A Lei de igualdade salarial é uma responsabilidade dos Ministérios das Mulheres e do Trabalho e Emprego e outras pastas. O quarto relatório [de Transparência Salarial] mostra uma diferença de 21,2% de salário a menor para as mulheres que têm a mesma função dos homensNão tem razão para isso.

O presidente Lula falou: “A lei é clara, é a mesma função, o mesmo salário. Se não tiver isso, tem que pagar multa, tem que ser penalizado.” Isso é uma responsabilidade.

Agência Brasil: A independência financeira contribui para que a mulher saia de um relacionamento abusivo e possa garantir sua sobrevivência e a de seus dependentes. Mas, sozinha não é suficiente para romper ciclos de violência. Quais são as alternativas?

Ministra Márcia Lopes: O Brasil tem criado mecanismos e espaços. Outra lei federal determina que todas as empresas que ganham licitação de órgãos públicos, 8% das contratações têm que ser para as mulheres vítimas de violência. Agora, precisa ser absorvido, ser assimilado pela economia, pela sociedade. Como ter um compromisso ético-político. Senão, as mesmas pessoas que reclamem e que criticam o feminicídio e as violências, ajudam a reproduzir essas mesmas violações, se não cumprirem aquilo que lhe cabe enquanto empresários, agentes públicos ou parlamentares. A defesa da igualdade de gênero tem que ser uma meta, um desejo, um compromisso de toda a sociedade.

Sao Paulo (SP)-01/03/2026. Um ato no domingo em memória de Tainara Souza Santos, de 31 anos, que morreu após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro em São Paulo, irá marcar o início das mobilizações pelo Dia Internacional das Mulheres. Organizado pelo Ministério das Mulheres, o local escolhido para o ato é a Marginal Tietê, na zona norte da cidade de São Paulo, onde Tainara foi agredida, atropelada pelo ex-companheiro Douglas Alves da Silva e arrastada por mais de 1 quilômetro ao ficar presa ao carro dele, em 29 de novembro do ano passado. O ato contou com a presença das ministras Márcia Lopes, Marina Silva , Sônia Guajajara e do Ministro Paulo Teixeira e a mãe Luciane ( mãe da vítima Taynara). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Ato em memória de Tainara Souza Santos marcou o início das mobilizações pelo Dia Internacional das Mulheres. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

*Com Kelly Oliveira, repórter da TV Brasil; e

*Sayonara Moreno, repórter da Rádio Nacional.

Investigação das mortes em operação no RJ tem graves falhas, diz ONG

DIREITOS HUMANOS 

Rio de Janeiro (RJ), 29/10/2025 - Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção.Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil
Dezenas de corpos são trazidos por moradores para a Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Operação Contenção. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

Perícia tardia ou insuficiente deixa mais perguntas que respostas

A Organização Não Governamental (ONG) Human Rights Watch afirmou que a polícia do Rio de Janeiro cometeu falhas “cruciais” na investigação de 121 mortes ocorridas durante a Operação Contenção, em 28 de outubro. Em nota pública, a organização relacionou estas falhas a um “desinteresse proposital”, por envolverem população de maioria negra e de baixa renda.

Segundo a Human Rights Watch, a polícia “não preservou o local dos tiroteios para análise, uma medida muito importante para determinar as circunstâncias das mortes”.

“Estamos muito preocupados com o fato de que etapas cruciais da investigação não foram realizadas e que provas importantes podem já ter sido perdidas”, declarou César Muñoz, diretor da Human Rights Watch no Brasil.

A operação

A Operação Contenção, que integrou 2500 policiais de diversas unidades fluminenses para atacar pontos estratégicos da facção Comando Vermelho em bairros dos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, teve tiroteios intensos e registrou a morte de 64 pessoas em seu primeiro dia, inclusive civis desarmados e crianças.

As demais mortes foram registradas em área de mata na serra da Misericórdia, após uma emboscada do Bope, tropa de elite da polícia, em uma das rotas de fuga da facção. As mortes, principalmente desse grupo, foram descobertas após moradores carregarem os corpos para uma praça no bairro da Penha, não sem antes fazerem vasto registro do cenário de barbárie em celulares.

Antes do meio do dia 29, quarta-feira, essas imagens já circulavam, inclusive fora do Rio de Janeiro. Familiares dos mortos relataram sinais de rendição, como mãos e pernas amarrados, e de execução e tortura de seus entes, aos jornalistas que registraram a fileira de corpos. Há ainda, afirma a Human Rights Watch, uma predominância de negros e uma quase totalidade de pobres entre as vítimas.

Na avaliação da entidade, a ausência de perícia e de isolamento dos locais de morte concorre para que se percam informações cruciais, como a de que os mortos realizaram ou não disparos de armas de fogo.

“As autoridades brasileiras devem garantir uma investigação rápida, completa e independente de cada uma das mortes, bem como das decisões e do planejamento que levaram a uma operação tão desastrosa”, disse Muñoz.

“O caso também mostra a necessidade urgente de o governador do Rio de Janeiro apresentar um projeto de lei para separar a perícia da Polícia Civil e investir em análises forenses independentes e de alta qualidade, que são uma parte fundamental de qualquer investigação criminal”, acrescentou.

A ONG criticou ainda a dificuldade de acesso da Defensoria Pública e de observadores independentes ao Instituto Médico Legal, para onde os corpos foram removidos. Entre as medidas recomendadas pela Human Rights Watch está a presença de peritos independentes e a condução das investigações pelo Ministério Público.

Procuradas, as polícias civil e militar do Rio de Janeiro não se manifestaram sobre as críticas relatadas nesta reportagem.

Da Agência Brasil

Segurança alimentar avança e Brasil segue fora do mapa da fome

DIREITOS HUMANOS 

Foto: Fernando Luz Venâncio/Arquivo Pessoa

IBGE aponta melhora; 76% dos lares têm comida suficiente e de qualidade

Lares onde há comida suficiente e de qualidade para todos os moradores são considerados com segurança alimentar. E essa é a realidade de quase 76% das famílias brasileiras, um avanço em relação ao índice anterior de 73%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Este 16 de outubro é o Dia Mundial da Alimentação. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para mobilizar governos e instituições de todo o mundo em torno do direito humano à alimentação adequada.

O Brasil vem cumprindo a meta das Nações Unidas. No ano passado, o país saiu novamente do mapa da fome da ONU, onde ficam as nações com mais de 2,5% da população em insegurança alimentar grave.

A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento Social, Valéria Buriti, explica que a conquista foi resultado de políticas econômicas e sociais adotadas pelo governo federal.

Essa conquista é fruto direto das políticas implementadas pelo governo do presidente Lula. O plano Brasil Sem Fome articulou várias ações para garantir acesso à renda, proteção social e também a produção e o consumo de alimentos adequados e saudáveis. Além disso, o país tem uma política econômica que garantiu o crescimento, com queda do desemprego, aumento da renda dos mais pobres e controle da inflação dos alimentos.”

Nesta semana, o presidente Lula participou em Roma, na Itália, da segunda reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, da qual o Brasil faz parte. Durante o encontro, o presidente destacou que acabar com a fome exige vontade política.

A fome não é um problema econômico. A fome é um problema político. Se houver interesse político dos governantes do mundo inteiro, se encontrará um jeito de colocar o café da manhã, o almoço e a janta para o povo pobre do mundo inteiro.”

Mas o cenário nem sempre foi positivo. Em 2021, durante a pandemia de covid-19, o país voltou ao mapa da fome por causa do aumento da pobreza e das mudanças nas políticas públicas.

O diretor executivo da ONG Ação da Cidadania, Kiko Afonso, relembra o período.

A gente passou, no governo anterior, por uma piora muito significativa em relação aos investimentos nas políticas públicas de segurança alimentar e assistência social, chegando a 33 milhões de pessoas em situação de fome no Brasil e 160 milhões de brasileiros em algum grau de insegurança alimentar. São dados absolutamente assustadores, que fizeram com que a gente percebesse a importância dessas políticas públicas.”

O Brasil é um dos líderes da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada no ano passado. O grupo já conta com 200 países e tem metas ambiciosas: até 2030, garantir transferência de renda para 500 milhões de pessoas e ampliar o acesso à alimentação escolar de qualidade para mais 150 milhões de crianças.

Edição: Aline Cordeiro / L. Pedrosa/Rádio Agência Nacional

Brasil adere à declaração por direitos das pessoas LGBTQIA+

DIREITOS HUMANOS

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Declaração proposta pela Espanha foi assinada por 15 países

O Ministério das Relações Exteriores informou, pelas redes sociais, que o Brasil aderiu à declaração conjunta proposta pela Espanha em favor dos direitos das pessoas LGBTQIA+.

Além dos governos brasileiro e espanhol, o comunicado foi assinado pelos representantes da Colômbia, Austrália, Bélgica, Cabo Verde, Canadá, Chile, Eslovênia, Islândia, Irlanda, Noruega, Holanda, Portugal e Uruguai.

De acordo com o texto divulgado pelo governo espanhol, o Brasil e mais 14 países unem esforços pela promoção de políticas de diversidade e de combate à violência. O comunicado foi elaborado em alusão ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, comemorado no último sábado (28).

“Reiteramos nosso compromisso com o respeito aos direitos humanos das pessoas LGBTQIA+ para que sua igualdade na lei seja indiscutível e para que nenhuma pessoa seja criminalmente perseguida ou discriminada por razão de sua orientação sexual e identidade de gênero”, diz a declaração.

De acordo com o governo brasileiro, a adesão mostra o comprometimento do país com a promoção da igualdade e o combate à discriminação.

“Ao apoiar essa declaração, o Brasil reafirma o seu compromisso em atuar no plano multilateral para promover avanços e impedir retrocessos nos direitos da população LGBTQIA+”, declarou o Itamaraty.

Por Agência Brasil

Minha Casa, Minha Vida doará casas a pessoas em situação de rua

DIREITOS HUMANOS 

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Expectativa é de cerca de 1 mil unidades no primeiro lote

O Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) destinará 3% das moradias subsidiadas pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) a pessoas em situação ou trajetória de rua. Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, o imóvel será gratuito, assim como os processos de acompanhamento e reinserção social dos beneficiários.

A expectativa é de que cerca de 1 mil unidades habitacionais sejam destinadas a este público nesta primeira leva. Inicialmente, essa vertente do MCMV vai priorizar 38 municípios, abrangendo, além de todas as capitais, cidades com mais de mil pessoas cadastradas como “sem moradia” no CadÚnico.

“Essas cidades têm a obrigação de distribuir, no mínimo, 3% de todos os empreendimentos do Minha Casa Minha Vida [a serem lançados nos municípios] aos moradores que estão em situação de rua. Veja bem: isso não é o limite, mas o piso a ser atendidos nessas 38 cidades”, disse nesta quarta-feira (23) Jader Filho durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Essas cidades foram selecionadas por meio de levantamentos feitos por várias pastas ministeriais, tendo por base cidades com maior concentração de pessoas em situação ou em trajetória de rua.

Portaria 

A portaria interministerial que destina este mínimo de 3% das moradias foi assinada na terça-feira (22). O texto define critérios para escolha e priorização dos beneficiários, que inclui famílias com crianças e adolescentes, mulheres, pessoas trans, grávidas, indígenas, pessoas idosas e pessoas com deficiência.


“As casas serão doadas, a partir do MCMV com orçamento da União. Terá também acompanhamento e trabalho prévio com as famílias, de forma a inseri-las no mercado de trabalho; de colocar as crianças na escola”, disse o ministro.

“E vamos sempre verificar quais são os equipamentos que precisam estar por perto dessas famílias”, acrescentou referindo-se, especialmente, a equipamentos de saúde e educação, bem como aos processos de avaliação e acompanhamento social que será feito junto às famílias.

Peso do setor 

Jairo Filho lembrou que o MCMV é responsável por mais de 50% dos lançamentos imobiliários feitos no Brasil. “Isso nos dá ideia do peso que esse setor tem para o emprego e para a economia”.

Segundo o ministro, o programa superará as metas estabelecidas pelo governo. “A meta inicial era a de o programa alcançar 2 milhões de contratos. Já estamos chegando a 1,5 milhão. Ampliamos então a meta para 2,5 milhões, mas devemos chegar perto de 3 milhões de unidades habitacionais contratadas pelo governo federal”, complementou.

PAC

O ministro reiterou que não faltarão recursos para o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Quero dar um recado aqui a prefeitos, prefeitas, governadores e governadoras: não haverá falta de recurso para as obras do PAC. Isso é um compromisso do governo do presidente Lula”, disse.

“Podem ficar tranquilo. Toquem as obras; avancem com elas. Pode ser que alguns empresários tenham receio. Mas eles podem avançar porque não haverá falta de recurso. Pelo contrário: precisamos na verdade acelerar ainda mais esse processo para entregar obras à sociedade brasileira”, complementou.

Confira abaixo a lista dos municípios beneficiados pela nova portaria do Minha Casa, Minha Vida:

  1. Aracaju (SE);
  2. Belém (PA);
  3. Belo Horizonte (MG);
  4. Boa Vista (RR);
  5. Brasília (DF);
  6. Campinas (SP);
  7. Campo Grande (MS);
  8. Cuiabá (MT);
  9. Curitiba (PR);
  10. Feira de Santana (BA);
  11. Florianópolis (SC);
  12. Fortaleza (CE);
  13. Foz do Iguaçu (PR);
  14. Goiânia (GO);
  15. Guarulhos (SP);
  16. João Pessoa (PB);
  17. Joinville (SC);
  18. Juiz de Fora (MG);
  19. Macapá (AP);
  20. Maceió (AL);
  21. Manaus (AM);
  22. Natal (RN);
  23. Osasco (SP);
  24. Palmas (TO);
  25. Porto Alegre (RS);
  26. Porto Velho (RO);
  27. Recife (PE);
  28. Rio Branco (AC);
  29. Rio de Janeiro (RJ);
  30. Salvador (BA);
  31. Santos (SP);
  32. São José do Rio Preto (SP);
  33. São José dos Campos (SP);
  34. São Luís (MA);
  35. São Paulo (SP);
  36. Teresina (PI);
  37. Uberlândia (MG); e
  38. Vitória (ES).

Por Agência Brasil

Brasil registra 1.450 feminicídios em 2024, 12 a mais que ano anterior

DIREITOS HUMANOS

Brasília (DF) 11/02/2025 – O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) assinou, nesta terça-feira (11), acordo de cooperação com a plataforma de entregas iFood para combater a violência contra a mulher.Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Foto: Joédson Alves

Por Agência Brasil

Somados a outros tipos de morte feminina, o número caiu

Dados do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam) 2025, lançado pelo Ministério das Mulheres, nesta terça-feira (25), em Brasília, apontam que, em 2024, foram registrados 1.450 feminicídios e 2.485 homicídios dolosos (com a intenção de matar) de mulheres e lesões corporais seguidas de morte.

Os registros representam uma diminuição de 5,07% em todos os casos de violência letal contra as mulheres, em relação aos registros de 2023, quando foram contabilizados 1.438 casos de feminicídio e outros 2.707 casos de homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte de mulheres.

Ainda sobre formas de violência contra as mulheres, o relatório anual mostra que o Brasil registrou o equivalente a 196 estupros por dia, em 2024, o que totalizou 71.892 casos de estupro de mulheres em todo o ano passado. Apesar do alto número de registros, houve uma queda de 1,44% em relação ao ano de 2023.

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, explica que a queda nos números da violência de gênero é reflexo dos esforços das políticas públicas, da mobilização nacional pelo feminicídio zero, de debates nacionais e da mudança de comportamento sobre a hora de intervir nos casos de violência.

“Isso significa que alguém está intervindo antes que o fato aconteça, que alguém está tomando uma iniciativa. É disso que nós precisamos: de uma sociedade que não se cale, que não diga que isso é só responsabilidade do Estado. Prioritariamente, é do Estado, mas é de toda a sociedade o papel de intervir, de ligar, de orientar e de falar sobre.”

Segundo os registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan/MS), nos casos de violência contra mulheres adultas (20 a 59 anos), 60,4% foram contra mulheres pretas e pardas, enquanto 37,5% contra mulheres brancas. De acordo com o Ministério das Mulheres, os dados evidenciam a sobreposição de vulnerabilidades para mulheres negras.

Em 76,6% dos registros de violências domésticas, sexual e/ou outras violências contra mulheres, o agressor é do sexo masculino. E a residência é um local de maior risco para as mulheres, porque é onde ocorrem 71,6% das notificações, como registrou o Sinam/MS, em 2023.

Durante a divulgação do relatório Raseam 2025, a ministra Cida Gonçalves enfatizou que o enfrentamento à violência contra mulheres, crianças e adolescentes passa pelo fortalecimento das políticas públicas.

“Agora, o desafio é como manter o processo de diminuição [da violência]. Isso não significa que é para a gente se aquietar. Mas, significa que o que nós fazemos, com um pouco de recurso que nós temos, nós temos dado mensagens e obtido resultados”, diz Cida Gonçalves.

Raseam 2025

Os dados de violência de gênero do Relatório Anual Socioeconômico da Mulher 2025 compõem um dos sete eixos temáticos do documento: o de enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres.

Os demais eixos são: estrutura demográfica; autonomia econômica e igualdade no mundo do trabalho; educação; saúde integral, direitos sexuais e direitos reprodutivos; mulheres em espaços de poder e decisão; e mulheres no esporte.

Ao todo, o documento reúne 328 indicadores de diversas bases de dados oficiais do governo brasileiro produzidos a partir de 2022, referentes ao perfil demográfico e socioeconômico das brasileiras. Em 2023, eram 270 indicadores analisados.

Entre os principais destaques socioeconômicos do relatório estão que as mulheres são maioria entre as pessoas responsáveis pelos domicílios brasileiros; as mulheres ganhavam, em média, o equivalente a 79,3% do rendimento dos homens em estabelecimentos formais com 100 ou mais empregados; e as mulheres tiveram maior sucesso nas eleições de 2024 do que em 2020. Do total de candidatas a prefeita, 30,6% se elegeram.

A ministra das Mulhere destaca que o Raseam 2025 ajudará a subsidiar a elaboração e implementação de políticas públicas, pesquisas e estudos de diferentes naturezas. “O relatório vai nos ajudar a fazer o grande debate que nós precisamos nesse país. Nós queremos o feminicídio zero, mas nós queremos feminicídio zero com democracia com as mulheres e com igualdade, onde as mulheres, de fato, sejam iguais [aos homens] neste país.”

Lançada campanha que quer proteger crianças e adolescentes no Carnaval

DIREITOS HUMANOS

Brasília - Crianças que integram o bloco Baratinha, brincam o carnaval no Parque da Cidade (Antônio Cruz/Agência Brasil)
Brasília – Crianças que integram o bloco Baratinha, brincam o carnaval no Parque da Cidade (Antônio Cruz

Por Agência Brasil

Orientação é ligar para Disque 100 para denunciar violações de direito

O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) lançou neste sábado (15), em Belo Horizonte (MG), a campanha “Pule, Brinque e Cuide – Unidos pela proteção de crianças e adolescentes” para o carnaval de 2025.

De acordo com a ministra da pasta, Macaé Evaristo, o carnaval deve ser “um espaço de diversão, de encontro, da convivência democrática e a gente pula o carnaval, mas defende e protege cada uma das nossas crianças.”

A principal preocupação é a ocorrência de trabalho infantil e exploração sexual de crianças e adolescentes. O propósito é mobilizar quem trabalha e quem festeja no carnaval para proteger seus filhos e também estar atento aos riscos que outras crianças e adolescentes possam correr na folia.

A campanha orienta que se um folião, comerciante, turista, passageiro de ônibus ou de avião perceber alguma violação dos direitos de crianças e adolescentes informem imediatamente Disque 100 – o serviço telefônico gratuito pelo MDHC para a coleta de denúncias, mesmo que anônimas, de violações de direitos humanos.

“A gente convida para que eles venham ser nossos aliados nessa campanha porque a vigilância precisa ser permanente de todo mundo”, destaca a ministra.

O serviço Disque 100 funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo sábados, domingos e feriados.

As denúncias acionam as redes de proteção social, como explica Macaé Evaristo: “aqui em Belo Horizonte a gente tem um esquema de plantão dos conselhos tutelares que se articulam com todos os conselhos tutelados da região metropolitana. Então, se tem alguma criança perdida, esses conselhos comunicam entre si para que essa criança chegue segura em casa.”

O lançamento da campanha “Pule, Brinque e Cuide” ocorreu no ensaio do bloco de carnaval Todo Mundo Cabe No Mundo.

MPPE e Secretaria da Mulher firmam acordo e reforçam o enfrentamento à violência contra a mulher

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Confira mais detalhes sobre o acordo - Foto: Wagner Ramos / Prefeitura do Recife
Foto: Wagner Ramos

Por Yan Lucca

A cooperação será entre a Secretaria da Mulher (Semul) e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE)

Nesta semana a Secretaria da Mulher do Recife firmou um acordo de cooperação técnica com o Ministério Público do estado visando assegurar a priorização na contratação de mulheres vítimas de violência doméstica. As ações de enfrentamento à violência contra a mulher incluem a reservar pelo menos 5% das vagas em contratos de serviços contínuos para mulheres em situações de vulnerabilidade.

A iniciativa faz parte do Programa Brotar criado pelo MPPE em julho de 2024, visando ampliar a inserção dessas mulheres no mercado de trabalho e promover autonomia econômica.

O acordo foi celebrado pela secretária da Mulher do Recife, Glauce Medeiros, que destacou que a medida pode romper ciclos de abuso com a promoção de autonomia econômica das mulheres. “Essa parceria com o Ministério Público é motivo de muita satisfação para a Secretaria da Mulher do Recife. Embora a violência contra a mulher alcance todos os recortes sociais, sabemos que a dependência econômica é um dos principais obstáculos que impedem muitas vítimas de romper os ciclos de abuso. O acordo de cooperação representa um passo essencial para restaurar a autonomia e dignidade dessas mulheres, oferecendo uma oportunidade concreta de recomeço”, afirmou Glauce Medeiros.

Com o auxílio de um banco de dados da Prefeitura do Recife, a secretaria irá disponibilizar apenas ao MPPE uma relação de mulheres em situação de violência doméstica e/ou familiar. O órgão assegura que as identidades das mulheres contratadas estejam preservadas e mantidas em sigilo.

Aplicação da Medida:

  • Contratos com regime de dedicação exclusiva de mão de obra.
  • Válido para contratos com pelo menos 25 colaboradores(as).
  • Priorização para mulheres pretas, pardas, cisgênero, transgênero, travestis e demais identidades de gênero feminino.

O acordo de cooperação foi assinado pelo Procurador-Geral de Justiça, Marcos Carvalho; a Secretária de Políticas para as Mulheres, Glauce Medeiros; e a Gerente do Centro Clarice Lispector, Avani Santana. Estiveram presentes o Chefe de Gabinete da PGJ, Promotor de Justiça José Paulo Cavalcanti Xavier Filho; o Subprocurador-Geral de Justiça em Assuntos Institucionais, Renato da Silva Filho; e as Coordenadoras do NAM e do Núcleo de Apoio às Vítimas de Crimes (NAV), Promotoras de Justiça Maísa Oliveira e Ana Clézia Ferreira Nunes.

Defensoria Pública de Pernambuco garante emissão gratuita de documentos para população em situação de rua

DIREITOS HUMANOS

Defensoria Pública de Pernambuco garante emissão gratuita de documentos para população em situação de rua
Foto/Divulgação

A decisão favorável resulta de uma ação civil pública promovida pelo Núcleo de Defesa e Promoção de Direitos Humanos da Defensoria

Defensoria Pública de Pernambuco obteve, em decisão liminar proferida pela 6ª Vara da Fazenda Pública, a determinação de que o Estado viabilize a emissão gratuita e prioritária de novas vias da Carteira de Identidade Nacional para pessoas em situação de rua. Essas pessoas são definidas como aquelas munidas de encaminhamento oriundo do Centro Pop, da Defensoria Pública ou de outro órgão de proteção da população em situação de rua.

A decisão resulta de uma ação civil pública promovida pelo Núcleo de Defesa e Promoção de Direitos Humanos da Defensoria, que solicitava a gratuidade das novas vias da cédula de identidade para essa população.

Após os atendimentos descentralizados da Defensoria Pública, realizados em parceria com órgãos públicos, organizações da sociedade civil e com a própria Arquidiocese de Olinda e Recife, verificou-se que aproximadamente 40% das demandas apresentadas pela população em situação de rua envolviam o acesso à documentação civil básica.

Diante da extrema pobreza que caracteriza essa população, é comum que as pessoas não possuam os recursos necessários para a obtenção de novas vias de documentos, o que prejudica o acesso a outros direitos, como benefícios socioassistenciais.

“Acreditamos que o acesso gratuito à documentação civil básica é um pilar essencial para garantir outros direitos da população em situação de rua e, por isso, a decisão proferida na ação civil pública é fundamental. A partir de agora, poderemos buscar soluções efetivas para as demandas dessa população”, afirma Henrique da Fonte, coordenador do Núcleo de Defesa e Promoção de Direitos Humanos.

Vale ressaltar que entre 2021 e 2024, o Núcleo já registrou mais de 800 atendimentos de pessoas em situação de rua. A decisão ainda está sujeita a recurso. Fonte: JC.

Campanha contra trabalho infantil e defesa dos direitos das crianças é promovida pela Alepe

CIDADANIA

A iniciativa inclui cartazes, adesivos e folders que serão divulgados em espaços público - 📸 Giovanni Costa/Alepe
A iniciativa inclui cartazes, adesivos e folders que serão divulgados em espaços público – Foto/Giovanni Costa/Alepe

Alepe promove campanha contra trabalho infantil ao longo do mês de outubro em parceria com entidades de defesa da infância e adolescência

Ao longo de todo o mês de outubro, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a campanha “Criança é Cheia de Direito”, em parceria com várias entidades voltadas à defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

Na próxima quinta-feira (17), ocorre o início da ação no auditório Sérgio Guerra, localizado na Alepe, com o lançamento do livro infantil ‘Cheia de Direito’.

Este livro é o terceiro publicado do selo ‘Alepinha Literária’, que trata sobre o trabalho infantil sob a perspectiva de uma criança privada de brincar em seu tempo livro.

A coleção conta com outras publicações como ‘Quem Mora no Palácio Azul’ e ‘Os Donos do Parquinho’, ambos escritos pela jornalista Carly Falcão e ilustrados pela designer Laura Morgado.

Segundo a deputada Simone Santana (PSB), coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Primeira Infância, toda criança tem direitos assegurados. “Quanto mais cedo meninas e meninos aprenderem isso, melhor será. O novo livro da coleção ‘Alepinha Literária’ trata de alguns dos direitos básicos das crianças em relação aos seus corpos e suas vidas. Cada volume do selo nos impressiona, sempre abordando temas essenciais”, afirmou.

Espaços públicos e divulgação digital

A campanha “Criança é Cheia de Direito” também conta com materiais de apoio como cartazes, adesivos e folders, que serão divulgados em locais públicos e de grande circulação. O objetivo da campanha é conscientizar sobre os direitos fundamentais de crianças e adolescentes, informar os canais de denúncia e destacar a importância desses direitos para garantir uma infância plena e saudável.

Além disso, serão realizadas postagens nas redes sociais em colaboração com as entidades parceiras, reforçando a importância de proteger e cuidar da infância.

  • Leia também: Alepe aprova lei de enfrentamento à violência contra pessoas LGBTQIA+

Na cerimônia de lançamento, representantes das instituições parceiras e funcionários da Alepe estarão presentes. Entre os parceiros estão o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o Ministério Público do Trabalho (MPT-PE), a Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE), o Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT6), o Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil em Pernambuco (Efetive), o Movimento Pró-Criança e o Projeto Cata-vento. Por Yan Lucca.

Mais de 20 trabalhadores estavam submetidos a condições análogas à escravidão em Pernambuco, de acordo com MTE

DIREITOS HUMANOS

Em todo o Brasil, 176 empregadores foram incluídos na "Lista Suja", sendo 20 deles por práticas de trabalho análogo à escravidão no âmbito doméstico
Em todo o Brasil, 176 empregadores foram incluídos na “Lista Suja”, sendo 20 deles por práticas de trabalho análogo à escravidão no âmbito doméstico – Secretaria de Inspeção do Trabalho/Reprodução

Casos foram registrados no Recife, em Olinda, Paulista, Cabo de Santo Agostinho, Bezerros, Petrolina, Araripina, Trindade, Sertânia e Ibimirim

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho, publicou a atualização da “Lista Suja”, como é conhecido o Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão.

Em todo o Brasil, foram registrados 176 empregadores, sendo 20 deles por práticas de trabalho análogo à escravidão no âmbito doméstico.

No estado de Pernambuco, 26 trabalhadores estavam submetidos a condições análogas à escravidão, de acordo com o documento. Dois deles atuavam em residências.

Os casos foram registrados no Recife, em Olinda, Paulista, Cabo de Santo Agostinho, Bezerros, Petrolina, Araripina, Trindade, Sertânia e Ibimirim. A lista completa está disponível no site do MTE, neste link.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho, são exemplos de trabalho em condições análogas à escravidão:

  • Jornada de trabalho exaustivas, a qualquer hora do dia ou da noite, sem direito a folgas ou pagamento de hora extra;
  • Oferta de moradia em cômodo com péssimas condições de higiene e conforto;
  • Restringir alimentação ou acesso a serviços públicos e de assistência à saúde;
  • Proibir saída do ambiente de trabalho em função de dívidas, com retenção de documentos;
  • Não receber salário ou ter acesso a direitos por ser considerada “da família” são alguns indícios.

DENÚNCIAS DE TRABALHO ESCRAVO

As denúncias de trabalho escravo podem ser feitas ao MPT em Pernambuco através do site do MPT, ou pelo aplicativo Pardal, disponível para sistemas Android e IOS. O denunciante pode optar pelo anonimato no momento do registro.

Outras formas de denunciar são pelo formulário do Sistema Ipê e pelo Disque 100.

LISTA SUJA

A “Lista Suja” é atualizada semestralmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego em ação fiscal da Inspeção do Trabalho. São lavrados autos de infração para cada irregularidade trabalhista encontrada com a existência de graves violações de direitos e cada auto gera um processo administrativo.

Durante o processamento dos autos de infração, são assegurados aos autuados garantias processuais constitucionais, como o contraditório e a ampla defesa em duas instâncias administrativas. Por Laís Nascimento/JC/NE.

Brasil registra um crime de estupro a cada seis minutos em 2023

DIREITOS HUMANOS

Brasil registra um crime de estupro a cada seis minutos em 2023; as mulheres são a maioria das vítimas
Brasil registra um crime de estupro a cada seis minutos em 2023; as mulheres são a maioria das vítimas – Foto: Freepik

Perfil dos agressores é constante; quase a totalidade é homem

O Brasil registrou um crime de estupro a cada seis minutos em 2023. Com um total de 83.988 casos de estupros e estupros de vulneráveis registrados e um aumento de 6,5% em relação a 2022 o país atingiu um triste recorde.

As mulheres são a maioria das vítimas e os agressores estão, na maior parte das vezes, dentro de casa.

Os dados são do 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (18), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Além do recorde em estupros, a publicação aponta o aumento dos registros em todas as modalidades de violência contra a mulher no país e mostra que o perfil dos agressores é constante: quase a totalidade é homem – algo que pode parecer óbvio sobretudo para as mulheres, mas, como defende o Fórum, é preciso ser lembrado principalmente quando se pensa em políticas públicas para prevenir esse crime.

Segundo o anuário, de todas as ocorrências de estupro verificadas em 2023, 76% correspondem ao crime de estupro de vulnerável, tipificado na legislação brasileira como a prática de conjunção carnal ou ato libidinoso com vítimas menores de 14 anos ou incapazes de consentir por qualquer motivo, como deficiência ou enfermidade.

Perfil
O perfil das vítimas não mudou significativamente em relação aos anos anteriores. São meninas (88,2%), negras (52,2%), de no máximo 13 anos (61,6%).

Também não houve, de acordo com a publicação, variações na autoria e no local do crime: 84,7% dos agressores são familiares ou conhecidos, que cometem a violação nas próprias residências das vítimas (61,7%). As vítimas de até 17 anos compõem 77,6% de todos os registros.

O anuário chama a atenção para a prevalência de estupros de crianças e adolescente na faixa de 10 a 13 anos, com 233,9 casos para cada 100 mil habitantes, uma taxa quase seis vezes superior à média nacional, de 41,4 por 100 mil.

No caso de bebês e crianças de 0 a 4 anos, a taxa de vitimização por estupro chegou a 68,7 casos por 100 mil habitantes, 1,6 vezes superior à média no país.

A maioria dessas vítimas é do sexo feminino. Entre os meninos, a maior incidência de estupros ocorre entre os 4 e os 6 anos de idade, caindo drasticamente à medida que se aproxima a vida adulta.

A taxa média nacional de estupros e estupros de vulnerável foi de 41,4 por 100 mil habitantes.

Os estados com as maiores taxas isoladas foram Roraima, com 112,5 por 100 mil; Rondônia, com 107,8 por 100 mil; Acre, com 106,9 por 100 mil; Mato Grosso do Sul, com 94,4 por 100 mil; e Amapá, com 91,7 por 100 mil. Em relação aos municípios, Sorriso (MT) lidera a lista, com 113,9, seguido por Porto Velho (RO), com 113,6, Boa Vista (RR), com 101,5, Itaituba (PA), com 100,6, e Dourados (MS), com 98,6.

Violência contra a mulher
O anuário mostra ainda o aumento em todas as modalidades de violência registradas no país. O crime de importunação sexual foi um dos que mais cresceu, 48,7% em um ano. Em números absolutos, 41.371 ocorrências.

O crime é referente a atos libidinosos indesejados, como apalpar, lamber, tocar sem permissão e até mesmo se masturbar em público. Já os crimes de stalking, ou seja, de perseguição, tiveram 77.083 registros, um crescimento de 34,5%.

Segundo o Fórum, esse dado é relevante porque esse crime pode ser o primeiro passo de outras violências e até mesmo de feminicídio – assassinato de mulheres.

Segundo a publicação o crime de assédio sexual aumentou 28,5% nesse período, totalizando 8.135 casos. Tentativas de homicídio cresceram 9,2%, com um total de 8.372 vítimas.

A violência psicológica aumentou em 33,8%. Houve 38.507 desses registros. As agressões decorrentes de violência doméstica, cresceram 9,8%, chegando a 258.941 registros.

Os feminicídios tiveram alta de 0,8%. No total, 1.467 mulheres foram mortas no país em crimes de violência doméstica e outros por simplesmente serem mulheres. Mais da metade das mortes ocorre na residência – 64,3%.

Entre as que morreram, 63% foram vítimas do parceiro íntimo; o ex-parceiro é o autor do crime em 21,2% dos casos. Nove em cada dez autores de assassinatos de mulheres são homens.

O número 190 foi acionado 848.036 vezes para reportar episódios de violência doméstica. Outras 778.921 ligações reportaram ameaças. Já as medidas protetivas de urgência ultrapassaram a barreira do meio milhão, ao todo, 540.255 foram concedidas em 2023.

O papel dos homens
Segundo o coordenador de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, David Marques, o aumento das ocorrências pode estar relacionado tanto a um aumento dos crimes quanto ao aumento das denúncias e ocorrências policiais.“Por um lado, vários trabalhos estão tentando discutir a respeito do crescimento da própria violência, do fenômeno da violência, e por outro lado, também com variáveis que indicam também um maior nível de registro desse fenômeno acontecendo”.
Ele ressalta que é preciso se atentar ao fato de quem comete esses crimes é, na grande maioria dos casos, homem. É preciso, portanto, medidas voltadas para eles.

“O que é incontornável, quando a gente olha para o perfil, por exemplo, dos agressores, sempre são os homens. 90% dos assassinos das mulheres são homens. E geralmente é parceiro íntimo, ex-parceiro íntimo. Em outras modalidades também, o homem aparece como o agressor.

Por um lado, é necessário que falemos em relação ao aprimoramento das políticas públicas para o atendimento dessas mulheres vítimas de violência, por outro lado, a gente tem que sim falar do papel do homem como o autor das violências”, diz.

É necessário, de acordo com o coordenador, que os homens participem ativamente do debate de medidas para acabar com a violência contra mulheres:

“Os homens precisam participar desse debate e a gente precisa pensar, enquanto sociedade, em como ter ações, ter proposições para que a gente mude, inclusive socialmente, o papel dos homens como nessa posição de autores de violência. Porque, de fato, nesse contexto, só por meio dos registros que a gente tem, já fica bastante evidente que alguma coisa precisa mudar, senão o debate vai ser sempre apenas como melhor atender as vítimas de violência, e não o que a gente pode fazer para tentar evitar que essas tendências, que esse fenômeno da violência contra a mulher, violência doméstica e assim por diante, continue crescendo”. *Por Agência Brasil

Conferência Nacional pede recursos para direitos de pessoas com deficiência

DIREITOS HUMANOS

Brasília 14/07/20224 Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, faz palestra magna de abertura da 5ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Foto Antônio Cruz/Agência Brasil.
Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, faz palestra magna de abertura da 5ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Foto Antônio Cruz/Agência Brasil

Ministro quer diálogo com governadores para implementar políticas

“Não existe política de direitos humanos sem orçamento. O resto é fantasia. Fantasia perversa, que faz as pessoas acreditarem em coisas que nunca vão se realizar. Peço a todos e todas que tenham em mente que a luta pelos direitos humanos é uma luta no campo da economia política, no campo financeiro-orçamentário.”

Com essas palavras, o ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, abriu a 5ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que começou neste domingo (14) e vai até quarta-feira (17).

Além de pedir mais recursos para os direitos humanos, Silvio Almeida garantiu que o governo federal está aberto ao diálogo com todos os governadores para implementar o plano Novo Viver sem Limite, lançado em 2023. Com R$ 6,5 bilhões em investimentos de diversos ministérios em 95 ações em todo o país, o Novo Viver sem Limites tem, até agora, a adesão de cinco estados: Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba e Piauí. Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Alagoas e Pará estão em processo de adesão.

“O Novo Viver sem Limite depende dessa repactuação depois do que nos devastou nos últimos anos. Nós vamos conversar com todos os governadores e governadoras que queiram fazer da política de direitos humanos e de pessoas com deficiência uma realidade. Não quero saber de que partido é. Se é governador, nós vamos conversar. Não haverá nenhum óbice do governo federal para a implementação das políticas públicas”, declarou o ministro.

Fundo especial

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados, o deputado Weliton Prado (Solidariedade-MG) se disse comprometido com a criação do Fundo Nacional para as Pessoas com Deficiência. “Nossa prioridade máxima na Câmara dos Deputados é garantir o Fundo Nacional para as Pessoas com Deficiência. Isso é fundamental. Temos fundos para a Criança, os Idosos. Temos que garantir um fundo para garantir que as políticas para as pessoas com deficiência saiam do papel”, destacou.

O parlamentar lembrou que a comissão aprovou um fundo de 0,5% dos prêmios de loteria para as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). “A gente está tentando aprovar no Plenário da Câmara para que isso vire lei”, ressaltou.

Ele citou como desafios conjuntos do governo federal e da Câmara dos Deputados o mapeamento das pessoas com deficiência, com a unificação nacional dos cadastros, o aumento do limite de renda per capita por família para receber Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a regulamentação da avaliação biopsicossocial do Novo Viver Sem Limites.

Com 1,2 mil participantes de todo o país, a 5ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência marca a volta desse tipo de evento depois de oito anos. O encontro é resultado de 453 conferências municipais, 51 conferências ou fóruns regionais, uma conferência livre de acessibilidade cultural e 27 conferências realizadas em todas as unidades federativas.

Maria da Penha

A ativista Maria da Penha, que batizou a lei de combate à violência contra a mulher após ficar paraplégica por um ataque do então marido, participou do evento de abertura por meio de um vídeo. Ela recordou que os desafios para assegurar os direitos das pessoas com deficiência são antigos.

“No início da minha paraplegia, participei aqui em Fortaleza da militância da causa das pessoas com deficiência. Dentre outras conquistas, como a dos transportes públicos acessíveis, conseguimos, no fim da década de 80, que os lesados medulares recebessem os insumos para a realização do cateterismo vesical e garantissem a não perda da função renal”, lembrou.

Maria da Penha destacou a falta de acessibilidade em meio às viagens pelo país após a sanção da lei, em 2006. “Com o advento da Lei Maria da Penha, comecei a viajar por todo o Brasil. Quando necessário, eu mencionava as falhas sobre acessibilidade encontradas naquela cidade. Em uma das minhas primeiras viagens, ao chegar depois da meia-noite no hotel, não consegui entrar no apartamento porque a porta de entrada era estreita demais. Aguardei um longo tempo até encontrarem um outro hotel disponível”, relembrou.

Brasília 14/07/20224 Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, faz palestra magna de abertura da 5ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Foto Antônio Cruz/Agência Brasil.
Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, faz palestra magna de abertura da 5ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Foto Antônio Cruz/Agência Brasil.

Luta de décadas

Vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Décio Gomes Santiago destacou que a luta para garantir os direitos da categoria vem de décadas. “A geração de ouro [das pessoas com deficiência] não tinha ponto de negociação. Essa geração, na Constituição de 1988, conseguimos colocar um artigo para as pessoas com deficiência sem nenhum deputado federal, junto com toda a sociedade civil”, frisou.

A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Anna Paula Feminella, recordou que os próprios participantes da conferência enfrentaram desafios para virem a Brasília.

“Saímos dos nossos territórios, das nossas famílias, das nossas instituições. Saímos de barco, saímos para uma situação de incerteza. Isso exigiu de muitos de nós muito esforço, muita audácia também. Muitos de vocês vieram de barco, de balsa, de ônibus, de bicicleta, de avião e, nessas viagens, encontraram muitas pessoas que ficaram surpresas em nos ver a caminho de Brasília”, destacou.

Próximas ações

Além da implementação do Novo Viver sem Limite, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania listou ações a serem adotadas pelo governo federal. Em breve, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará decreto que regulamentará a instituição do cordão de girassóis para a identificação de pessoas com deficiências ocultas. Outro decreto criará o Sistema Nacional de Cadastro da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, para facilitar a emissão da carteira nacional de identificação desse segmento da sociedade.

O ministério também prometeu ampliar a cooperação com organismos multilaterais para garantir os direitos das pessoas com deficiência. A pasta também abrirá uma consulta pública sobre o 4º Relatório Nacional sobre o Cumprimento da Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas com Deficiência.

Por fim, uma portaria conjunta dos Ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania e da Gestão e Inovação em Serviços Públicos estabelecerá os procedimentos para melhorar a acessibilidade em prédios públicos.

Brasília 14/07/20224 Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, faz palestra magna de abertura da 5ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Foto Antônio Cruz/Agência Brasil.
Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, faz palestra magna de abertura da 5ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Foto Antônio Cruz/Agência Brasil

Cuidados

O evento está sendo realizado com todos os cuidados para garantir o entendimento pelas pessoas com deficiência auditiva e visual. Após a exibição do vídeo do Hino Nacional na abertura, um grupo de intérpretes executou a versão do Hino na Língua Brasileira de Sinais (Libras), com um pedido para que o público não ficasse de pé em respeito aos cadeirantes.

Os demais números musicais, a execução de Asa Branca pelo sanfoneiro Luzico do Acordeon e duas canções do rapper brasiliense Felipe Costa, que tem parte da perna direita amputada, também foram interpretadas em Libras. Antes da exibição do vídeo de Maria da Penha, uma voz relatou a audiodescrição do cenário. Todos os discursos têm intérpretes em língua de sinais.

Programação

Na segunda-feira (15), palestras abordarão os cinco eixos temáticos da conferência. As discussões pretendem fortalecer a construção de políticas públicas inclusivas e assegurar os direitos das pessoas com deficiência no Brasil.

Os cinco eixos temáticos são os seguintes:

•     Estratégias para manter e aprimorar o controle social assegurando a participação das pessoas com deficiência;

•     Garantia de acesso das pessoas com deficiência às políticas públicas e avaliação biopsicossocial unificada;

•     Financiamento da promoção de direitos da pessoa com deficiência;

•     Cidadania e Acessibilidade;

•     Os desafios para a comunicação universal.

A terça-feira (16) será dedicada ao aprofundamento dos debates sobre os eixos temáticos pelos grupos de trabalho. A plenária final será realizada no último dia, na quarta-feira, seguida pela apresentação da Carta de Brasília. O encerramento da conferência está previsto para as 17h. *Por Agência Brasil.

Brasil sobe 10 posições em ranking mundial de liberdade de imprensa

DIREITOS HUMANOS

O documento foi divulgado nesta sexta-feira, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
Foto/Divulgação

Levantamento foi divulgado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras

O Brasil subiu dez posições no ranking de liberdade de imprensa e chegou ao 82º lugar entre 180 países citados em levantamento da organização não governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Trata-se da melhor colocação do Brasil nos últimos dez anos. Desde o último relatório divulgado pela entidade, o país recuperou, ao todo, 28 posições. O documento foi divulgado nesta sexta-feira (3), Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Segundo o jornalista Artur Romeu, diretor do escritório da Repórteres Sem Fronteiras para a América Latina, o resultado confirma uma tendência registrada no ano passado, com a percepção dos especialistas após o fim do governo de Jair Bolsonaro. “Foi um governo que exerceu uma forte pressão sobre jornalismo de diferentes formas, com uma postura e um discurso público orientado pela crítica à imprensa”, afirmou. Romeu contextualiza, entretanto, que a pontuação brasileira ficou praticamente estável, com acréscimo de 0,08 de 2023 para 2024, mas outros países caíram mais, o que levou à subida do Brasil.

O chefe do escritório da RSF explica que os especialistas consultados entendem que a melhora que tinha sido antecipada para o Brasil se confirmou, como cenário geral. Ele salienta que o ranking é baseado em um conjunto de indicadores que avaliam as pressões sobre a liberdade de imprensa. “Essa subida das posições é mais uma sinalização de estabilidade do que necessariamente de progresso.  É importante reforçar que se trata de uma estabilização em relação a uma perspectiva de melhora que se concretizou”, acrescenta.

A coleta foi feita nos meses de dezembro e janeiro a partir de 120 perguntas traduzidas em 26 idiomas com milhares de respondentes. “Cada especialista aborda o próprio país em que vive”, diz Romeu. Publicado anualmente, desde 2002, o ranking é feito a partir de índices que consideram questões políticas, sociais e diferentes ordens econômicas. Romeu explica que o documento é utilizado por organizações internacionais como o Banco Mundial, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e agências de cooperação internacional como um indicador de referência sobre as garantias para que os jornalistas possam atuar livremente.

Distensionamento

A posição do Brasil, segundo Romeu, estaria relacionada a uma postura pública de reconhecimento e valorização do trabalho da imprensa e se traduziu inclusive em medidas concretas como a criação, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores. “Houve melhorias também no âmbito da garantia de acesso à informação e à transparência pública. Houve um distensionamento em parte desse cenário. Então, isso tudo tem um reflexo nas condições que estão colocadas para os jornalistas e os meios de comunicação operarem no país.”

Arthur Romeu cita também que o Brasil estruturalmente mantém concentração midiática, na mão de poucos grupos, e que os problemas econômicos deixam o setor mais vulnerável. “Isso se reflete na capacidade de ingerência ou de pressão sobre os veículos”, observa. Uma pressão que vem de agentes econômicos como anunciantes, que exercem ação sobre as linhas editoriais dos veículos.

Insegurança

Outro ponto negativo que foi levado em conta no relatório tem relação com a percepção de insegurança. “O Brasil é o segundo país da América Latina com o maior número de jornalistas assassinados e com uma cadeia de violências muito ampla. São ameaças, perseguições, assédio oficial e moral e agressões físicas, por exemplo.” Nesse sentido, a violência contra a imprensa se traduz na consolidação de um ambiente mais desfavorável para a profissão.

Desinformação

Outra questão central, para avalia Artur Romeu, é a necessidade de regulação das plataformas para garantia da integridade informativa, em um cenário de desinformação. “O canal de distribuição não é mais a banca de jornal na esquina. As grandes plataformas operam ainda no Brasil num cenário ainda marcado por um processo de, supostamente, autorregulação.”

Ele considera que exista um vazio regulatório, com o não aprovação até hoje do Projeto de Lei das Fake News (PL 2.630) pelo Congresso, em torno de temas como desinformação e inteligência artificial. “É preocupante que o Brasil dê um passo atrás no momento em que parecia ter chegado em um texto que trazia ali um arcabouço que se fundamentava em boas práticas.”

Ações de políticos

O diretor do escritório da RSF para a América Latina explica que a principal tendência que o ranking mundial da liberdade de imprensa traz é que a maior queda de indicador “político”, dentre os cinco utilizados no levantamento.

“Há uma percepção de que os atores políticos dos estados, que seriam aqueles que deveriam ser os responsáveis por garantir as condições para um livre exercício de jornalismo, estão se tornando cada vez mais os causadores dessa fragilização do direito à liberdade de imprensa”. Ele aponta que existe essa queda generalizada em todas as regiões do mundo.

O caso da Argentina é um exemplo na América Latina desse cenário. O país vizinho caiu 26 posições e teve a maior queda de pontuação na região (10 pontos). Saiu da posição de número 40 e agora ocupa a 66ª. “Está associada à chegada ao poder do presidente Javier Milei. Ele alimenta a polarização e faz ataque a meios de comunicação específicos.” Uma dessas ações foi o encerramento das atividades da agência pública de notícias do país, a Télam.

Outro país que registrou queda acentuada foi o Peru, que caiu 48 posições nos últimos dois anos, também em face de crises políticas.

Os Estados Unidos, por exemplo, caíram dez posições, e chegaram ao 55º lugar. “Os EUA estão também num cenário de polarização, têm uma ala mais radical do Partido Republicano, que é favorável à prisão de jornalistas. É uma posição historicamente baixa”, comenta Artur Romeu.

Segundo ele, a situação fica mais tensionada em função de ser um ano com o maior número de eleições na história. “A metade da população mundial vai às urnas. Há uma intensificação de pressão sobre o jornalismo.”

Só 1%

Outro dado do relatório é que, no mundo, somente 1% da população está em países em que a situação é considerada boa para os jornalistas. Dos 180 países, somente oito estão nessa escala. Os três primeiros colocados são Noruega, Dinamarca e Suécia.

“No final do ranking, países asiáticos como China, Vietnã e Coreia do Norte dão lugar a três países que viram o seu indicador político despencar”, aponta o relatório.

Os últimos colocados são Afeganistão (que caiu 44 posições) por causa da repressão ao jornalismo desde o regresso ao poder dos talibãs, a Síria (menos oito posições) e Eritreia (última classificação geral). “Os dois últimos países se tornaram zonas sem lei para os meios de comunicação, com um número recorde de jornalistas detidos, desaparecidos ou reféns”, destaca o levantamento. *Por Agência Brasil.

Ministério pede ônibus gratuito para eleição de conselheiros tutelares

DIREITOS HUMANOS 

Recomendação foi enviada às prefeituras

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) recomendou, nesta terça-feira (26), que as prefeituras em todo o país disponibilizem transporte público gratuito para a eleição dos novos conselheiros tutelares, no domingo (1º), das 8h às 17h. O objetivo é reforçar a participação popular na escolha dos mais de 30 mil conselheiros que vão compor a rede de proteção de crianças e adolescentes.

“A ausência de política pública de concessão de transporte gratuito no dia das eleições pode criar, na prática, uma privação do direito ao voto, que retira dos mais pobres a possibilidade de participar desse importante processo eleitoral”, diz o documento enviado aos municípios.

A recomendação solicita também que o serviço de transporte, na data de votação, seja mantido nos mesmos padrões dos dias úteis, na quantidade e frequência necessárias ao deslocamento dos eleitores. O transporte deve ser feito de forma impessoal, sem qualquer tipo de favorecimento ou prejuízo aos votantes, independentemente de eventuais manifestações contrárias ou favoráveis a um determinado candidato ao conselho.

O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, destacou no documento que, apesar de facultativo, o voto para escolha dos membros dos conselhos tutelares é importante. “Configura um direito fundamental do cidadão de influir na promoção, defesa e controle social dos direitos das crianças e dos adolescentes, de modo que compete ao Poder Público propiciar condições que assegurem o exercício do direito, sobretudo para os que se encontram em situação de vulnerabilidade, considerando o princípio da isonomia.”

O documento alerta, ainda, que o número de seções eleitorais para a eleição dos novos conselheiros tutelares é menor do que nas eleições gerais, o que pode dificultar o acesso dos eleitores a determinados locais.

Outro pedido feito pelo MDHC aos prefeitos se refere à divulgação da função do Conselho Tutelar, como são realizadas as eleições para membro do conselho, quem pode votar e os locais de votação.

Conselheiro tutelar

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera criança, para os efeitos desta lei, a pessoa até 12 anos de idade incompletos, e adolescente, aquela entre 12 e 18 anos de idade.

O Conselho Tutelar é o órgão colegiado encarregado pela sociedade de zelar pelos direitos de crianças e adolescentes, de acordo com o ECA. São atribuições dos conselheiros tutelares atender crianças e adolescentes com direitos violados ou sob ameaça. Além disso, o conselheiro tutelar é responsável por promover o encaminhamento de situações aos pais ou responsáveis, mediante termo de responsabilidade.

A atuação deles vai além da proteção deste público, em casos de violência, omissão e de guarda de filhos. A maior parte dos atendimentos está na plena garantia de direitos fundamentais. Como parte das atribuições do cargo, os eleitos pelo voto democrático devem também orientar, prestar apoio e fazer acompanhamento temporários; realizar a matrícula e acompanhar a frequência obrigatórias em estabelecimento de ensino, se necessário; e, ainda, incluir a criança ou adolescente em serviços e programas oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da família. Além disso, é trabalho dos conselheiros direcionar as demandas aos órgãos competentes para completar o atendimento, nas ocorrências necessárias.

Outras funções incluem o pedido de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial e a inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento de pessoas alcoólatras e dependentes químicos. É possível que o conselheiro tutelar atue também em situações de desastres naturais, como fortes chuvas e enchentes, entre outras competências.

Participação social

Além das observações aos governos locais para o dia da votação, o MDHC tem mobilizado, desde abril deste ano, os cidadãos para se engajem no processo de escolha dos conselheiros e, após o resultado das urnas, acompanhem o trabalho deles. O governo federal pretende valorizar a eleição de domingo como um ato da democracia e como um dever de cidadania.

A escolha dos conselheiros tutelares ocorre a cada quatro anos, no primeiro domingo do mês de outubro, do ano seguinte ao da eleição presidencial. Em 2023, será neste domingo (1º). O voto sigiloso e facultativo definirá pelo menos cinco representantes que irão compor a nova equipe do Conselho Tutelar de cada município e região administrativa.

A escolha dos membros do Conselho Tutelar neste domingo será para o quadriênio 2024-2027. Todos os cidadãos maiores de 16 anos que estejam com o título eleitoral em situação regular poderão votar nos candidatos de sua preferência. No dia da eleição, será necessária a apresentação de um documento original com foto ou e-título.

Para ser candidato a uma vaga de conselheiro tutelar, os interessados tiveram que cumprir critérios como: residir no município há pelo menos três anos; residir na região do conselho ao qual se candidatou; ser brasileiro nato ou naturalizado; ter no mínimo 21 anos completos à data da candidatura; experiência comprovada de três anos em atividades de defesa, atendimento ou promoção dos direitos da criança e do adolescente; ter reconhecida idoneidade moral; ter ensino médio completo; estar em dia com os direitos políticos e com as obrigações militares (no caso de candidatos do sexo masculino).

A função de conselheiro tutelar é remunerada. Os valores mensais recebidos mensalmente e a carga horária de trabalho dos eleitos em 2023 variam conforme edital do processo seletivo, publicado em cada cidade.

Justiça Eleitoral 

Neste ano, o processo contará com uso de urnas eletrônicas em todo o país, pois a Justiça Eleitoral apoia, pela primeira, vez o processo de escolha de membros dos conselhos tutelares em todo o território nacional. A mobilização do MDHC com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pretende tornar o processo de escolha amplo, qualificado, transparente, seguro e participativo.

Pela Resolução nº 23.719/2023 do TSE, o apoio prevê o empréstimo e a preparação de urnas eletrônicas, o treinamento das pessoas que comporão as mesas receptoras de votos, a prestação de suporte técnico ao voto informatizado, a definição dos locais de votação e a cessão das listas de eleitores.

Porém, a apuração e a totalização dos votos são de inteira responsabilidade das comissões especiais encarregadas da realização do processo de escolha.

Os locais de votação podem ser consultados nos sitesdos tribunais regionais eleitorais de cada estado e das prefeituras. Para conhecer os nomes de candidatos e candidatas ao posto, os eleitores devem procurar a administração municipal também.

Para saber mais sobre o processo de escolha dos conselhos tutelares, clique aqui.

As informações são da Agência Brasil. 

 

Pesquisa de medicamentos do Procon-PE demonstra variação de mais de 500% nos genéricos

PESQUISA

Pesquisa de medicamentos do Procon-PE demonstra variação de mais de 500% nos genéricos
Foto/Divulgação

O Procon-PE, órgão ligado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), realizou, entre os dias 12 e 15 de setembro, uma pesquisa de medicamentos genéricos, onde foram pesquisados 26 tipos de medicamentos. Durante a pesquisa foram identificadas diferenças de valores para um mesmo medicamento, que chegaram a até 544,13%, a exemplo do Hemitartarato de Zolpidem, de 10mg, com 30 comprimidos, que pôde ser encontrado em farmácias diferentes nos valores de R$ 8,00 e R$ 51,53.

Os fiscais do órgão de defesa do consumidor passaram por 13 farmácias nos bairros de bairros de Boa Viagem, São José, Encruzilhada, Casa Amarela, Torre, Madalena e Iputinga. O levantamento mostra que, entre os medicamentos, a diferença percentual é grande. Um exemplo é o Cloridrato de Fluoxetina, utilizado para tratar transtornos como: humor, síndromes psicóticas, depressão e ansiedade. A caixa de 20 mg, com 30 comprimidos, varia entre R$ 6,00 e R$ 38,05. Uma diferença percentual de 534,17%.

Outros medicamentos também chamaram a atenção com variações que ultrapassam 400%. O Maleato Enalapril, usado para controle da pressão arterial, a caixa de 20mg, com 30 comprimidos,  apresentou uma variação de 495,42%. O Ácido acetilsalicílico (ASS), a cartela do analgésico, com dez comprimidos, chegou a apresentar uma variação de 460% . Ainda na casa de variações acima de 400%, está a Rosuvastatina Cálcica, utilizada na redução dos níveis elevados de colesterol total e gordura no sangue, encontrada por R$ 11,99 em uma farmácia, e por R$ 61,93, em outra representando uma diferença percentual de  416,51%.

“O objetivo da pesquisa é oferecer ao consumidor pernambucano um instrumento auxiliar para a determinação de compras mais racionais do ponto de vista do preço”, explicou Hugo Souza, Gerente Geral do Procon-PE.

O consumidor pode ter acesso a pesquisa completa no site do Procon, no seguinte endereço: www.procon.pe.gov.br.

*Assessoria de comunicação do Procon-PE

População de rua do Recife chega a 1,8 mil com maioria de homens e negros; confira imagens

DIREITOS HUMANOS

Foto da matéria: População de rua do Recife chega a 1,8 mil com maioria de homens e negros
Foto Renato Ramos/JC

Dados foram revelados pelo Censo da População de Rua do Recife, estudo inédito feito pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) em parceria com a Prefeitura.

Há 1.806 pessoas em situação de rua na capital pernambucana, segundo o Censo da População de Rua do Recife. O estudo, inédito no Estado, foi tocado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) em parceria com a Prefeitura do Recife e divulgado na última sexta-feira (25).

RENATO RAMOS/JC IMAGEM
Foto Renato Ramos/JC

O número é 30% maior que o da última contagem feita pela gestão municipal. Em 2019, eram 1.400 pessoas vivendo ao relento. A metodologia utilizada à época, contudo, foi diferente e apenas quantitativa.

O recenseamento foi feito entre setembro e outubro de 2022 com pessoas que usam as ruas para dormir ou tirar o sustento, de forma permanente ou temporária. Após a contagem, em dezembro e janeiro deste ano, foi aplicado o formulário de pesquisa amostral sociodemográfica nas ruas da cidade durante à noite, nas unidades de acolhimento e nas quatro unidades do Centro Pop do município.

RENATO RAMOS/JC IMAGEM
Região central é a que mais concentra a população de rua no Recife – Foto/Renato Ramos/JC

“A forma como o documento foi construído também foi muito importante, porque contou com a participação de profissionais e colaboradores que já tem a vivência com a população de rua, o que tornou o processo muito mais valoroso. O documento será essencial para agregar valor às nossas atividades e qualificar os nossos serviços”, afirmou a secretária Ana Rita Suassuna, da SDSDHJPD.

RENATO RAMOS/JC IMAGEM
Região central é a que mais concentra a população de rua no Recife – Foto/Renato Ramos/JC

PERFIL DA POPULAÇÃO DE RUA DO RECIFE

O Censo 2022 mostrou que essa população tem cor, gênero e idade bem definidos. A maioria, 76%, é do sexo masculino, 80% autodeclarou-se preta ou parda e 83% é adulta. Apesar dos homens cisgêneros representarem 75%, a presença de mulheres cisgêneros e de mulheres trans têm crescido, correspondendo a 25%.

Foi constatado que um quarto das pessoas estava na rua há menos de um ano, o que indicou uma condição recente. Cerca de 19% vive entre um e três anos nas ruas, 13% entre três e cinco anos e 35% há mais de cinco anos. Quase metade veio de outras cidades, a maioria (33%) em busca de emprego. Conflitos familiares são o principal motivo (50%) de atração às ruas.

“As pessoas em situação de rua estão e são provenientes de contextos periféricos e de trajetórias intergeracionais de violação de direitos”, disse o estudo. “Nesse sentido, é sempre importante reafirmar que sociedades extremamente desiguais não são capazes de produzir condições de vida digna e partilhadas.”

A região com maior concentração dessa população (623) é a Região Político-Administrativa (RPA 1), que compreende a região central da cidade. Depois, está a RPA 6, na Zona Sul do Recife.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES: MÚLTIPLAS VIOLAÇÕES

Ainda que as crianças e adolescentes sejam o grupo etário com o menor percentual da população de rua na cidade (5,1%), a presença deles representa uma violação de direitos ainda mais intensa. Exemplo disso é que 90% não frequentam instituições de ensino regular, como obriga a legislação.

“Rapaz, para mim que passei mais de um ano e pouco na rua, a rua não é nada bom”, dise um dos adolescentes entrevistados. “Só tem tráfico. Só tem morte. A pessoa não pode estar deitado no canto que a outra pessoa chega para mexer com o cara. Isso daí eu tiro por mim.”

A maioria dos menores é do sexo masculino (75%), mas o estudo chama atenção para a vulnerabilidade marcada pela violência que é vivida pelas meninas. “Quando eu era pequena, eu saía muito e passei por uma situação que quase que morria. Mas, graças a Deus, Deus me deixou, né”, contou uma das adolescentes acolhidas.

“Pegavam mulher grávida e estupravam. Já mataram um monte de gente. Abusaram do meu irmão de nove anos. Degolaram o pescoço dele, mas Graças a Deus ele está vivo. Fui para rua, passava necessidade, tenho meu filho de dois anos e dois meses, porque o pai dele não queria dar a pensão”, completou.

AUSÊNCIA DO PODER PÚBLICO

Os pesquisadores chamaram atenção para o fato de que “não há soluções simples” para uma questão complexa; todavia, a ausência do poder público transparece nos números. Um exemplo é que 48% da população de rua do Recife não recebe benefícios sociais, como o Bolsa Família, mesmo tendo direito a ele. Ainda, grande parte sequer tem um local para fazer as necessidades fisiológicas, tendo que defecar ou urinar na própria rua.

“Moradia” aparece como a principal necessidade das pessoas em situação de rua durante as entrevistas, seguido por “trabalho e renda”. Ambos são problemas históricos em Pernambuco, que hoje tem um déficit habitacional de 326 mil moradias e apontou com a pior taxa de desemprego do País em agosto de 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Essa pesquisa nos despertou a sensibilidade que o problema das pessoas em situação de rua é de todos nos, executivo, legislativo, judiciário, da Sociedade Civil Organizada, mas também do cidadão que transita pelas rua do Recife e que não pode se conformar com essa situação”, disse Humberto.

A UFRPE também se colocou à disposição de outras prefeituras que queiram contabilizar a sua população de rua e já desenvolve, hoje, o Plano Municipal das Crianças e Adolescentes em Situação de Rua.

PREFEITURA PROMETE MELHORIAS

Hoje, a rede de acolhimento institucional da Prefeitura do Recife não abrange toda a população de rua. São 619 vagas, das quais 80% delas estão ocupadas, em 17 locais diferentes. Entre eles, estão as duas pousadas credenciadas que, juntas, disponibilizam 100 vagas.

Com base no Censo, o município lançou novas iniciativas para a população em situação de rua. Uma delas é o projeto Moradia Primeiro Recife, que pretende ofertar 50 moradias permanentes para famílias nessa situação que não aderem aos atuais modelos de acolhimento.

Outra promessa é a construção do Centro Popinho, uma unidade do Centro de Referência de Atendimento à População em situação de Rua (Centro Pop) destinada ao atendimento de crianças e adolescentes, entre 11 e 17 anos, que estejam dormindo nas ruas desacompanhados de adultos responsáveis.

Também foi anunciado o Programa Pão e Letra para promover ações educativas e comunicativas com a população em situação de rua.do Recife, focadas em práticas de cuidado, alfabetização, letramento e promoção da cidadania, ofertando bolsas de estudo para garantir a permanência. *As informações são do Jornal do Commercio.

 

Ayres Britto entrega a Elton John acórdão que legalizou união homoafetiva no Brasil

DIREITOS HUMANOS

Ayres Britto entrega a Elton John acórdão que legalizou união homoafetiva no Brasil
Ex-ministro do STF entregou documento que reconheceu a união homoafetiva no Brasil nas mãos do artista Elton John. Foto: Nara Ayres Britto/Arquivo pessoal/Instagram

Após um show em Paris na última terça-feira (28), o ex-ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF), entregou nas mãos do músico Elton John uma cópia do acórdão que reconheceu a união estável entre casais LGBTQIA+ no Brasil. O documento tornou o Brasil o segundo país da América do Sul a reconhecer tal tipo de união, atrás apenas da Argentina, que legalizou o casamento homoafetivo um ano antes e já mantinha diversas leis provinciais para tratar da união estável.

Elton Jhon e David Furnish estão casados desde 2014. Foto: Instagram

Ayres Britto foi o relator das duas ações que resultaram no acórdão, em que deu voto favorável à legalização durante o julgamento em maio de 2011. Ele defende que a definição de união estável estabelecida no Código Civil vigente era plurissignificativa, e uma interpretação restritiva representaria uma violação à Constituição, uma vez que sua proibição representaria uma ruptura do princípio da dignidade humana e do direito à busca pela felicidade.

O ministro também chamou atenção para o fato de a Constituição não fazer qualquer “desigualação jurídica” entre homens e mulheres, salvo em determinação expressa em lei. Sendo assim, fica anulado “qualquer significado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como ‘entidade familiar’, entendida esta como sinônimo perfeito de ‘família’”.

A advogada Nara Ayres Britto, filha do ex-ministro, registrou a entrega da cópia do acórdão ao músico, que é referência mundial na defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+ em suas redes sociais, relembrando que o documento é reconhecido pela Organização das Nações Unidas como Patrimônio Documental e Arquivístico da Humanidade. “Elton ficou muito emocionado com o nosso gesto e nós mais ainda. Dia inesquecível”, declarou.

Elton John e seu companheiro, David Furnish, foram um dos primeiros casais homossexuais a ter a união civil reconhecida no Reino Unido em 2005 e se casaram nove anos depois, em 21 de dezembro de 2014. As informações são do (Congresso em Foco).

Transição acusa Bolsonaro de não fornecer cestas básicas a indígenas

DIREITOS HUMANOS

Técnicos da equipe de transição apontam omissão do governo Bolsonaro para garantir cestas básicas a indígenas, apesar da verba disponível

Cestas básicas entregues no Palácio da Alvorada
Cestas básicas entregues no Palácio da Alvorada. Foto: Igo Estrela

O Grupo Técnico (GT) de Desenvolvimento Social e Combate à Fome da Transição aponta que o governo de Jair Bolsonaro (PL) tem descumprido decisões judiciais para fornecer cestas básicas a povos tradicionais no país.

“O orçamento da Ação nº 2.792 (Cestas Básicas) vem sendo composto basicamente por créditos extraordinários, e há sistemático descumprimento de decisões judiciais de fornecimento de cestas para famílias indígenas e quilombolas”, assinala o GT, em ofício enviado ao economista Aloizio Mercadante, coordenador dos grupos técnicos do Gabinete de Transição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com o documento obtido pelo Metrópoles, o governo federal também não tomou providências para utilizar recursos disponíveis desde junho, e pode deixar populações vulneráveis sem alimentos nos primeiros meses do próximo ano.

“O orçamento previsto para 2023 no PLOA [Projeto de Lei Orçamentária Anual] enviado ao Congresso, R$ 18,3 milhões, é insuficiente para fazer frente às demandas acumuladas para fornecimento de cestas para famílias em situação de insegurança alimentar e em emergência, e o Ministério [da Cidadania] não executará neste ano os quase R$ 150 milhões ainda disponíveis na Ação nº 2.792″, acrescenta o grupo técnico no ofício.

A falta de repasse deixou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) sem estoque de cestas básicas.

A economista e ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (2011-2016) Tereza Campello considerou a situação como “gravíssima”, uma vez que o governo tinha recursos disponíveis desde o meio do ano para tomar providências.

A questão se torna ainda mais delicada, uma vez que os primeiros meses do ano geralmente são marcados por fortes chuvas e deslizamentos.

“O atual governo não tem desculpa para não ter tomado atitude. Nenhuma desculpa. Tinha recursos, tinha recursos humanos, tinha capacidade para fazer isso, mas não fez porque decidiu não fazer – seja por incompetência, seja para deixar armada essa bomba no colo do futuro presidente Lula”, afirma Campello, cotada para assumir o Ministério da Cidadania.

“Poderiam ter repassado os recursos para a Conab tomar providências, mas não fizeram isso. Então, soma-se um conjunto de não ações que são gravíssimas na nossa avaliação, pois podem não somente prejudicar a população, como certamente recairão com ônus enorme no próximo governo, que não terá como atuar. Na prática, estão nos impedindo de atender à população”, prossegue a economista.

Procurado, o Ministério da Cidadania não se manifestou. O espaço segue aberto.

Metrópoles