Conta de luz não deve cair tão cedo, dizem especialistas

ECONOMIA

Conta de luz
Conta de luz — Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Globo

Energia deve ficar mais cara nos próximos meses devido à utilização das usinas termelétricas, que serão acionadas para poupar o volume de água das usinas hidrelétricas

Apesar das discussões em torno da adoção ou não do horário de verão, especialistas acreditam que a bandeira vermelha patamar 2, em vigor neste mês de outubro, deve se manter até dezembro deste ano. Com os níveis dos reservatórios da região Sudeste/Centro-Oeste em torno de 44%, os próximos meses serão marcados por uma conta de energia mais cara devido à utilização das usinas térmicas, que serão acionadas para poupar o volume de água das usinas hidrelétricas.

Para Mayra Guimarães, diretora de Regulação e Mercado da consultoria Thymos, a expectativa é que a bandeira vermelha patamar 2 se mantenha na conta de luz até dezembro. Isso ocorre apesar da expectativa de que as chuvas previstas para o próximo período úmido (que começa neste mês e vai até março) se mantenham dentro da média histórica dos últimos 30 anos.

Segundo ela, o nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste neste mês de outubro está menor do que os 73% registrados no mesmo período do ano passado, mas ainda é maior do que os 24% registrados em 2021, ano da última crise do setor. Além disso, os rios da região Norte atingiram o pior nível dos últimos 100 anos.

Não é um cenário de racionamento, mas de atenção e preços elevados. O ONS acionou as térmicas para poupar os reservatórios para a chegada do período úmido, que vai até março. No último período seco, o volume de chuvas foi muito fraco. Para a temporada de chuvas, a previsão é positiva, mas podemos ver uma demora no início das chuvas, talvez mais para o fim do mês.

O acionamento das usinas térmicas impacta diretamente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), calculado diariamente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), e que baliza o preço da energia no mercado à vista (spot).

Segundo Mayra, o PLD hoje está no teto, especialmente entre 16h e 22h, para atender ao maior consumo. O PLD interfere diretamente no acionamento das bandeiras tarifárias, e ela explica que o PLD deve permanecer elevado até dezembro, voltando a cair apenas em fevereiro.

— Até dezembro, há uma perspectiva de manutenção da bandeira vermelha patamar 2. Se as chuvas acontecerem, em janeiro poderemos ter bandeira amarela. Será um verão de energia cara, como em 2022.

Alexandre Nascimento, diretor da Nottus, de previsão climática, lembra que, mesmo com a previsão de chuvas a partir das próximas semanas, não haverá um aumento da vazão de forma tão rápida.

— Até dezembro, há uma perspectiva de manutenção da bandeira vermelha patamar 2. Se as chuvas acontecerem, em janeiro poderemos ter bandeira amarela. Será um verão de energia cara, como em 2022.

Alexandre Nascimento, diretor da Nottus, de previsão climática, lembra que, mesmo com a previsão de chuvas a partir das próximas semanas, não haverá um aumento da vazão de forma tão rápida.

— As primeiras chuvas selam o fundo das bacias e só depois começam a se acumular nos reservatórios do país, exceto nas usinas a fio d’água, que não possuem reservatórios. Nesses locais, a água corre imediatamente, gerando energia. Este ano, as chuvas devem estar dentro da média.

 

Nos últimos anos, os impactos do El Niño aumentaram o volume de chuvas no Sul e elevaram a temperatura no Norte, gerando fenômenos climáticos mais intensos. Agora, o fenômeno La Niña, que está gerando menos alterações que o previsto, não deve travar a frente fria do Sul para o Norte. No entanto, os meses serão mais quentes.

— Devemos ter uma temperatura de dois a três graus acima da média histórica, mas não será como os oito graus acima registrados no ano passado.

Edvaldo Santana, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e doutor em Engenharia de Produção, destaca que as condições dos reservatórios ainda são muito incertas para o mês de novembro. Para ele, a tendência é que siga como em outubro, com a bandeira vermelha patamar 2.

— Não será surpresa a manutenção do nível 2 da bandeira vermelha em novembro. Também não é descartável esse mesmo cenário em dezembro. No dia 5 de outubro, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste estavam em 44,5% e devem chegar ao fim do mês com 37%. Se chover na média de longo prazo em novembro, há grandes chances de bandeira vermelha patamar 2 também em dezembro. Novembro, mês de transição, é um mês-chave.

Clarice Ferraz, economista e diretora do Instituto Ilumina, destaca, por sua vez, que o cenário climático está cada vez mais imprevisível. Ela cita os efeitos das secas prolongadas, o que pode agravar ainda mais a recuperação dos reservatórios:

— O preço da energia vai depender do retorno das chuvas. A recomposição dos reservatórios está cada vez mais complexa por conta dos processos de seca. Com o aumento da temperatura, os solos estão mais ressacados, o que toma mais tempo para recompor o lençol freático e as bacias onde estão os reservatórios, a maioria no Sudeste. Além disso, é preciso que chova no lugar certo. Portanto, depende de uma série de variáveis.

Segundo ela, a bandeira tarifária é uma sinalização feita de forma antecipada para indicar a situação do setor:

— A recomposição dos reservatórios fará com que carreguemos a bandeira até o fim do ano. E hoje já vemos o impacto sobre a inflação da eletricidade provocado pela bandeira nível 1, e há um aumento maior por vir. Isso é uma pressão inflacionária vinda da nossa estrutura produtiva, e não de demanda. A eletricidade está em tudo. Quando sobe a eletricidade, o índice de inflação também sobe.

E acrescenta:

— É a repetição de um problema que já vimos no passado, e quem paga é o consumidor, sobretudo o regulado. É ele quem está assumindo todo o preço da garantia do sistema, com as térmicas, que é compensado pelas bandeiras. E não é todo mundo que paga a bandeira.

 

— É a repetição de um problema que já vimos no passado, e quem paga é o consumidor, sobretudo o regulado. É ele quem está assumindo todo o preço da garantia do sistema, com as térmicas, que é compensado pelas bandeiras. E não é todo mundo que paga a bandeira. Por Agência O Globo.

Sudene aprova consultas prévias para projetos de energia solar em Pernambuco

ENERGIA

Sudene aprova consultas prévias para projetos de energia solar em Pernambuco - Folha PE
A geração de energia solar fotovoltaica tem sido a solução ideal para economizar e ao mesmo tempo descarbonizar o mundo – Foto: Freepik

O Estado vai receber dois novos projetos de energia solar que vão resultar no investimento total de R$ 717,63 milhões

Com financiamento da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene)Pernambuco vai receber dois novos projetos de energia solar que vão resultar no investimento total de R$ 717,63 milhões. Além disso, eles devem gerar mais de 1,3 mil empregos diretos e indiretos.

Os dois projetos tiveram suas consultas prévias aprovadas nesta quinta-feira (11) pela Diretoria Colegiada da Sudene. Após essa decisão, as empresas deverão agora apresentar o projeto do empreendimento a uma instituição financeira federal – que será o agente operador e fará a análise técnico-econômico-financeira e de risco. Feita a análise do banco, a Sudene volta a avaliar o projeto e, então, decide sobre a autorização do financiamento.

Os dois empreendimentos, que serão capitaneados pelas empresas Solar do Agreste Geração de Energia e Sol do Agreste Geração de Energia, poderão ser beneficiados com um investimento de R$ 424,10 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Além das usinas de Pernambuco, a Sudene também aprovou as consultas prévias de outros três projetos de energia eólica, sendo dois na Paraíba e um no Rio Grande do Norte.

Todos os projetos preveem contrapartidas econômicas, sociais e ambientais, que incluem, entre outras ações, assegurar o monitoramento ambiental e a documentação rigorosa de todas as ações desenvolvidas, garantindo a inclusão de critérios ambientais em todas as fases do processo de detalhamento do projeto executivo. Além disso, também deverão garantir a criação de empregos na região e entorno, a geração de energia limpa/renovável e diversificação da matriz elétrica brasileira. *Por Portal Folha de Pernambuco.

Altas temperaturas fazem com que consumo de energia aumente nas casas

ECONOMIA

População busca alternativas para economizar em outras contas para fechar o mês

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Foto/Tânia Rêgo/Agência Brasil

O consumo de energia elétrica no Brasil subiu pelo sexto mês seguido. Em outubro, o volume foi 6,2% maior do que no mesmo período do ano passado.

As informações são do Boletim InfoMercado Quinzenal, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), divulgadas pelo Brasil 61.

Um dos fatores que contribuem para o aumento nos últimos meses são as ondas de calor que elevam as temperaturas e atingiram diversas cidades do país. Com isso, o uso de equipamentos como ventiladores e ar-condicionado foram mais necessários nos ambientes.

A estudante universitária Sendy Lopes diz que a conta tem aumentado por causa do consumo em casa. “Eu moro em Salvador que é uma cidade bem quente e agora com o calor, a gente tende a consumir mais energia, ventilador ligado o dia inteiro, além da geladeira que tem que ficar na potência máxima para não estragar os alimentos”, conta.

Com exceção do Amapá, todos os estados e o Distrito Federal tiveram uma demanda maior de energia. Acre (24,1%), Mato Grosso (21,1%) e Maranhão (20,4%) lideram o ranking.

O economista Raimundo Souza enfatiza que por ser um item de primeira necessidade, qualquer aumento na conta de luz impacta nas finanças das famílias. Ele aponta algumas dicas para reduzir o consumo.

“O ar condicionado deve ficar em uma temperatura entre 23 e 24 graus, que é uma temperatura de conforto. Ao passar ferro é importante passar as roupas mais pesadas primeiro e juntar o máximo possível para economizar, assim como a máquina de lavar. As lâmpadas de led são mais econômicas”, orienta.

Além das residências, o boletim analisou que o consumo também cresceu nas pequenas empresas. O segmento utilizou 44.448 MW, um aumento de 7,6% no comparativo anual. Já nas indústrias e grandes empresas, o consumo foi de 25.599 MW médios, 3,8% maior do que em 2022. Os três maiores avanços foram registrados nos setores de extração de minerais metálicos (10,4%), comércio (9,4%) e bebidas (8,5%).

Além de tentar economizar na energia elétrica, é possível também equilibrar as demais contas da casa para fechar o mês sem cair no endividamento. De acordo com o economista Raimundo Souza, tudo deve ser planejado e o diálogo sempre deve ser priorizado entre as famílias.

“Fazer um planejamento especificando as despesas, utilizando uma planilha, por exemplo. Ter contas separadas para cada membro da família, onde cada um pode decidir os seus gastos e também evitar compras desnecessárias, principalmente neste período de grande apelo comercial”, pontua. Ele ainda orienta que quem tem dívidas, neste momento, pode optar por utilizar o 13º salário para quitar as parcelas com desconto.

*Fonte: Brasil61

Vídeo: Bairros de SP estão sem luz há mais de 20 horas; Enel diz que restabelecimento de energia será gradual

ENERGIA 

Segundo balanço da Sabesp, só na capital há 18 bairros em que o fornecimento de água tem problemas; empresa pede economia

Foto/Divulgação

Regiões mais afetadas foram as zonas sul e oeste da cidade, que estão sem energia desde 16h de sexta (3) após tempestade atingir a capital paulista.

Moradores de bairros de São Paulo permanecem sem energia, após danos provocados pelas fortes chuvas que atingiram a capital paulista na tarde de sexta-feira (3). Há relatos de imóveis no Morumbi, City América e Vila Romana que estão desde as 16 horas sem luz, ou seja, há mais de 20 horas.

Segundo a Enel Distribuição São Paulo, as regiões mais afetadas foram as zonas sul e oeste da cidade, embora também haja relatos de falta de energia nas zonas leste e norte na noite de sexta. A empresa disse que o restabelecimento de energia será gradual, e ainda pode levar tempo.

As chuvas que atingiram a capital na tarde de ontem afetaram a distribuição principalmente na zona Sul e Oeste “danificando trechos inteiros da rede de distribuição em diversos pontos”, disse.

A companhia reforçou as equipes em campo, nos canais de atendimento e no centro de controle e está trabalhando de forma ininterrupta para normalizar o fornecimento de energia para todos.”

Ainda segundo a empresa, as chuvas e ventos que chegaram a derrubar árvores em diversos pontos da cidade vão exigir a reconstrução de muitos trechos da rede. A concessionária classificou os reparos como “complexos”.

Na Rua Crítios, no Morumbi, na zona sul, a luz acabou por volta das 16 horas de sexta. Moradores se queixam da demora no atendimento para a resolução do problema, assim como dificuldade no atendimento.

Na Vila Romana, na zona oeste, também há locais sem energia. Morador da Rua Jaricunas, Sérgio Luís Petrasso também cobra estimativa para a energia se restabelecida. Segundo ele, os telefones da concessionária não estão funcionado nem serviço de SMS e atendimento por WhatsApp. “A energia nos arredores foi reestabelecida, mas a Rua Jaricunas continua sem luz”, afirma ele.

As fortes chuvas e rajadas de vento que atingiram grande parte do Estado de São Paulo na sexta-feira também deixaram ao menos seis pessoas mortas. Em Osasco, na Grande São Paulo, duas árvores caíram sobre um muro na Avenida Luiz Rink, atingindo um veículo e matando uma pessoa que estava no interior do automóvel de acordo com a Defesa Civil.

Fonte/CNN