No início de 2024, o Ministério da Previdência Social informou que iria realizar um pente-fino nos beneficiários do INSS em uma tentativa do governo de economizar recursos; na imagem, fachada do edifício-sede do INSS – Foto/Reprodução
Mudanças nas regras do benefício foram publicadas no Diário Oficial; governo está implementando um pente-fino no órgão.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) publicou uma portaria que limita a quantidade de vezes em que é possível prorrogar o auxílio doença. A mudança na regra foi publicada no Diário Oficial da União.
quando o tempo de espera para realização da avaliação médico-pericial for menor ou igual a 30 dias, o benefício irá durar até a data de cessação, quando deve ser realizada uma nova perícia;
quando for maior que 30 dias, o benefício será prorrogado por 30 dias, sem agendamento da avaliação médico-pericial.
As prorrogações quando o período de espera for superior a 30 dias ficam limitadas a duas por requerente, menor se houver restabelecimento ou reativação por decisão judicial. A portaria determina também que, caso o segurado se sinta apto, poderá retornar ao trabalho sem necessidade de nova perícia médica, formalizando o pedido de cessação do benefício.
No início do ano, o Ministério da Previdência Social informou que iria realizar um pente-fino nos beneficiários do INSS, em uma tentativa do governo de economizar cerca de R$ 10 bilhões em 2024.
De janeiro a agosto, governo federal economizou pouco mais de R$ 3,3 bilhões com a implantação do Atestmed, sistema que concede auxílio-doença por meio da análise documental, e a reavaliação dos benefícios por incapacidades concedidos pelo INSS. Fonte: Poder 360.
Fachada da Previdência Social, em Brasília – Foto/Reprodução
Além de vazamento de dados, problemas em funcionalidades do sistema Dataprev dificultam a avaliação de benefícios
O Ministério da Previdência Social reconhece falhas no sistema Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) que têm prejudicado o acesso de beneficiários a pedidos de aposentadoria e outros auxílios. A companhia pública é responsável por prover soluções digitais e de Tecnologia da Informação (TI) para programas usados pelo governo na administração de políticas sociais.
Benefícios previdenciários, Benefício de Prestação Continuada (BPC), abono salarial e seguro-desemprego estão entre as medidas cobertas. As falhas incluem vazamento de dados, o que tem feito a empresa ser chamada internamente no ministério de “Vazaprev”.
As dificuldades causam problemas no enfrentamento da fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), especialmente no auge. Quedas no sistema também afetam a própria perícia médica: quando isso se dá, o perito não precisa voltar a fazer atendimentos no dia.
Pessoas que estavam há meses aguardando por atendimento e se submetem à avaliação médica também passavam para o fim da fila com falhas do sistema. Em 2020, o então presidente, Jair Bolsonaro (PL), incluiu a Dataprev no Programa Nacional de Desestatização.
O secretário-executivo da Previdência, Wolney Queiroz, afirma que a tentativa de privatizar a Dataprev teve consequência na qualidade dos serviços apresentados pela empresa pública.
“Sabemos que o sistema Dataprev tem tido falhas desde o início do ano passado, na nossa gestão. Precisamos lembrar que a Dataprev estava sendo preparada para ser vendida. O governo anterior deixou a obsolescência tomar conta do órgão para vender. O presidente do Dataprev, Rodrigo Assumpção, tem feito um trabalho para readequar todo o parque tecnológico e conseguir suprir essas coisas. Essas falhas são inegáveis, mas são uma circunstância”, declarou.
Wolney disse que Assumpção é uma “pessoa muito séria e comprometida”. A Previdência pediu ao governo mais investimentos.
Houve uma solicitação de empréstimo ao Banco Interamericano de Desenvolvimento de cerca de R$ 250 milhões no 2º semestre de 2023 para que parte do dinheiro fosse para o parque tecnológico do INSS. Uma parte iria para a infraestrutura do Ministério da Previdência e a maior fatia para modernizar a Dataprev. O financiamento, contudo, não foi concedido e haverá uma nova tentativa. *Por Poder360.
Ministro da Previdência deu a declaração em evento com aprovados no último concurso do INSS. Há um ano, quando tomou posse, Lupi disse que pretendia acabar com as filas em 2023.
O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, em imagem de 2023 — Foto: Basílio Magno/TV Diário
O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, afirmou nesta quarta-feira (03) que a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) “nunca vai acabar”. Para 2024, a meta traçada pelo ministro é a de que o tempo de espera seja reduzido a 30 dias.
Segundo Lupi, atualmente a fila de espera pela análise de pedido de benefício assistencial ou previdenciário é de 49 dias. O ministro deu as declarações em Brasília durante cerimônia de abertura do curso de formação dos aprovados no último concurso do INSS.
“Eu quero, nesse ano de 2024, chegar à data de 30 dias de espera para conclusão do benefício. O que quer dizer? Que no próprio mês que a pessoa dê entrada, conclua o processo”, disse o ministro.
“Vencendo a etapa da fila quilométrica… e nunca vai acabar a fila. E prestem atenção: quem diz que vai acabar a fila é mentiroso. Todo mês entram 900 mil pedidos, 1 milhão de pedidos novos, então todo mês terão pelo menos 900 mil a 1 milhão de pessoas pedindo e ninguém resolve assim, tem que conferir documento, tem que ser justo”, completou.
Quando assumiu o Ministério da Previdência Social, no começo de 2023, Lupi havia prometido zerar a fila até o final de 2023, o que não ocorreu.
“Com automação e com esse mutirão, eu pretendo rapidamente ainda esse ano acabar com a fila”, afirmou o ministro na ocasião.
A jornalistas, nesta quarta-feira, o ministro afirmou que nunca falou, literalmente, em zerar a fila, mas reduzir o tempo de espera para os 45 dias definidos em lei.
“Nunca falei em zerar, sempre falei em colocar o prazo de 45 dias. Por que digo que nunca vai zerar? Porque todo mês entram 900 mil, 1 milhão de pedidos inicias, então a cada mês você vai rodando, entra mais 900 mil, 1 milhão de pedidos”, declarou.
De acordo com o ministro, o tempo de espera médio estava em torno de 80 a 100 dias no início do ano. Ao final de 2023, caiu para 49 dias, afirma. “A fila também caiu, vamos ter os dados finais de dezembro, e caiu bem.”
Nesta quarta-feira, o ministro disse que, depois de reduzir o tempo de espera na fila, o desafio será “humanizar” o atendimento do INSS.
‘Fila vergonhosa’, afirmou Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia prometido, em seu discurso de posse, acabar com o que chamou de “vergonhosa fila do INSS”.
Em abril de 2023, Lupi afirmou que não havia recursos suficientes para zerar a fila. O governo então editou uma medida provisória criando o Programa de Enfrentamento à Fila da Previdência Social (PEFPS). A MP virou lei em novembro, depois de aprovação pelo Congresso.
Em setembro, segundo dados do INSS, 1,5 milhão de pessoas aguardavam atendimento para concessão de benefícios.
30 milhões de pessoas receberão os valores, em duas parcelas. Abono anual é pago a quem tiver recebido benefícios como aposentadoria ou auxílio-acidente durante este ano.
O governo federal antecipou o pagamento do abono anual, informalmente conhecido como décimo terceiro, para beneficiários do INSS para os meses de maio e junho. O decreto prevendo o pagamento do benefício foi assinado no início do mês pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os pagamentos começam nesta quinta-feira (25).
Têm direito ao abono os segurados do INSS que durante este ano tenham recebido auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente, aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-reclusão.
Segundo o governo federal, o valor será pago em duas parcelas, em maio e junho, de acordo com o calendário habitual de pagamentos do INSS. O benefício normalmente é pago apenas no segundo semestre do ano. Ao todo, serão pagos R$ 62,6 bilhões.
No governo Bolsonaro, o pagamento do 13º aos beneficiários do INSS também foi antecipado para estimular a economia.
Em 2020, as parcelas foram pagas entre abril e junho. Já em 2021, o pagamento aconteceu em maio e julho. Em ambos os anos, a justificativa foi à pandemia de Covid-19. Já em 2022, ano de eleições gerais, o pagamento se deu em maio e junho
Veja as datas de pagamentos
O INSS começa a pagar o benefício no dia 25 de maio. A segunda parcela será paga no mês seguinte, em junho. São dois calendários, para quem recebe 1 salário mínimo e outro para quem recebe mais.
Veja abaixo:
13º do INSS – para quem recebe 1 salário mínimo
Final do NIS
1ª parcela
2ª parcela
1
25 de maio
26 de junho
2
26 de maio
27 de junho
3
29 de maio
28 de junho
4
30 de maio
29 de junho
5
31 de maio
30 de junho
6
1 de junho
3 de julho
7
2 de junho
4 de julho
8
5 de junho
5 de julho
9
6 de junho
6 de julho
0
7 de junho
7 de julho
Fonte: INSS
13º do INSS – para quem recebe acima de 1 salário mínimo
Final do NIS
1ª parcela
2ª parcela
1 e 6
1 de junho
3 de julho
2 e 7
2 de junho
4 de julho
3 e 8
5 de junho
5 de julho
4 e 9
6 de junho
6 de julho
5 e 0
7 de junho
7 de julho
Reajuste
O piso previdenciário, valor mínimo dos benefícios do INSS, passou a ser de R$ 1.320 em 1º de maio – acompanhando o novo valor do salário mínimo nacional. Até abril, o piso era R$ 1.302.
Segundo o Ministério da Previdência Social, ao longo de 2023, o novo valor do piso previdenciário corresponderá a um aumento de R$ 3,29 bilhões na renda dos beneficiários do INSS que recebem benefícios iguais ao salário-mínimo.
O aumento, contudo, não alterou os valores dos benefícios do INSS acima do salário-mínimo, já que esses benefícios são reajustados conforme a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). fonte (G1).
Chefe da pasta da Previdência Social afirma que vai dispensar avaliação do INSS quando houver parecer de outros órgãos do governo sobre direito dos segurados e promete agilizar a concessão de benefícios até o fim do ano.
“O maior programa social das Américas” é como define a Previdência brasileira o ministro da pasta, Carlos Lupi. O pedetista comanda o ministério com o maior orçamento na Esplanada, de R$ 888 bilhões em 2023, já calculado o aumento do salário mínimo para R$ 1.320, mas diz enfrentar dificuldades de caixa para reduzir a fila por concessões de benefícios. Mesmo assim, promete reduzir para 45 dias, até o fim do ano, o tempo de espera pelas aposentadorias.
Confiante no objetivo, Lupi antecipou ao Correio que pretende assinar convênios para simplificar a concessão de benefícios como o de invalidez, que poderá ser concedido mediante atestado de um médico do SUS, sem perícia do INSS.
Sobre a crise no crédito consignado, ele aponta que a iniciativa do ministério conseguiu reduzir os juros desses empréstimos e insiste que ainda havia margem para um corte maior, como proposto inicialmente, mas não sabe o motivo da falta de apoio do Banco do Brasil e da Caixa. Confira os principais pontos da entrevista do ministro:
O que foi apresentado nos primeiros 100 dias?
Nós não apresentamos nada, quem apresentou foi o presidente Lula. Na área da Previdência, um fato muito importante foi o fim da prova de vida, logo nos primeiros 15 dias. Havia a exigência de o segurado ir ao banco para provar que está vivo e, assim, poder continuar recebendo o benefício. Isso era um absurdo, porque, se eu morrer amanhã, isso será registrado no cartório, e já existem convênios e acordos de cooperação técnica que fazem a informação ser automaticamente enviada ao INSS. Também estamos retomando toda a organização do Ministério da Previdência. Pegamos uma terra arrasada e uma fila imensa. Eu vou anunciar a organização dessa fila, como é composta, por setor, por tempo, tudo discriminado, para, até o fim do ano, ter uma equação melhor da que temos hoje.
Como vai ser essa organização?
Lembra do Caged, que eu fazia lá no (Ministério do) Trabalho? Vou fazer aqui o Cageb, o Cadastro Geral dos Benefícios, organizar a fila, fazer uma fotografia. Tem pessoas que estão aguardando perícia há 45 dias, que é muito tempo, mas tem alguns que aguardam há mais de um ano, aí já é extrapolar…
Como vai ser priorizada a fila?
Pelo tempo e pelas exigências, porque, conforme o tipo de fila em que você está esperando, tem um tipo de demanda, que vai desde a falta de documentação. Então, vai depender muito da demanda e do tempo para a gente colocar essa fila em um patamar razoável. Para mim é razoável, não bom, até 45 dias.
Até a concessão da aposentadoria?
Não é só aposentadoria, todo o tipo de benefício. Tem aposentadoria, tem pensão, tem salário maternidade, salário doença, benefício de prestação continuada (BPC), que depende da perícia, seguro defeso, tem vários tipos de benefício. Nossa intenção é organizar esses dados e mostrar, claramente, o que é de cada um.
Isso traz impacto no orçamento?
De imediato, não tem um impacto maior, quer dizer, sempre tem algum impacto, porque você sempre está aumentando o número de aposentados. Para se ter uma ideia, nós tínhamos uma demanda média por mês, até o ano passado, de 620 mil pessoas entrando com algum pedido no INSS. Em março último, passou de 900 mil. A Previdência, hoje, despende R$ 60 bilhões por mês com todos os benefícios pagos. Este ano, eu posso te afirmar que a Previdência terá um orçamento de 720 bilhões.
A Previdência teve mais agilidade no período eleitoral?
Isso é uma coisa que a gente ouviu especificamente quanto ao BPC. Tem vários tipos de benefícios da Previdência. Aposentadoria e pensão são os principais pedidos e dependem exclusivamente do INSS, mas são 10 ou 11 tipos.
Quais são?
Tem aqueles que não dependem exclusivamente do INSS, como o Benefício da Prestação Continuada. O BPC depende da Previdência e do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS), que faz o primeiro exame da condição social do cidadão para saber se ele pode receber. Tem o Ministério do Desenvolvimento Agrário, porque todo trabalhador agrícola, na Constituinte (1988), passou a ter direito a aposentadoria. Importante dizer que tanto o deficiente como o trabalhador agrícola, 90% deles não foram contribuintes da Previdência. Na verdade, são benefícios sociais bancados pelo Orçamento Geral da União, mas são colocados como despesa contábil da Previdência. No caso dos agricultores, quem atesta que eles são trabalhadores do campo, e o tempo de trabalho, é o MDA. Depois de passar pelo MDA, vem para a Previdência para fazer um novo exame.
Um caminho longo, então?
Em primeira mão, te digo que estamos organizando quatro acordos de cooperação técnica. No MDS, a assistência social, que faz a entrevista com o beneficiário da prestação continuada do deficiente, se atestar no cadastro único, vai valer para a Previdência. Por que fazer uma segunda confirmação se um órgão público já está atestando isso? Já no MDA está andando um acordo com essa mesma intenção, que vai atestar a condição e o tempo do agricultor para ele poder se aposentar. Validado pelo MDA, vai valer para mim. E também estamos fazendo um acordo com o Ministério da Saúde, para criar o AtestaMed: com um atestado de um médico do SUS, não vou ter que fazer uma perícia para atestar um acidente. Tudo está em fase de construção, mas o que for atestado no Ministério da Saúde vai ter validade na Previdência. Todas essas ações implicam diminuir a fila.
E o quarto convênio?
É para o defeso, com a Marinha, que dá o atestado para os barcos. Se eu tenho a informação que está tudo cadastrado, eu não preciso fazer um novo cadastro para saber quem é o pescador ou não do seguro defeso. Até o fim deste mês (abril), será a formalização. Isso vai diminuir o impacto do trabalho. Só esse mês, foram 920 mil pedidos, se eu conto com o MDS, com o MDA, com a Saúde, e com a Marinha, vai diminuir muito a demanda mensal, e eu coloco nosso pessoal para trabalhar na fila das demandas represadas.
Isso resolve a fila?
Outra coisa que vamos fazer é um mutirão com um bônus (para o servidor). Em janeiro, fevereiro e março eu não consegui, mas está para sair uma medida provisória do presidente até o fim do mês. Esse mutirão é só para a fila, só para esses 1,8 milhão de pedidos represados. Fonte: (Correio Brasiliense).