Transição começa com foco no Auxílio Brasil e no reajuste do mínimo

ELEIÇÕES 2022

Na estreia como coordenador da transição do novo governo, vice-presidente eleito Geraldo Alckmin inicia hoje negociações por mudanças no Orçamento para manter benefício de R$ 600 e aumentar salário acima da inflação

 (crédito: Juca Varella/Divulgação )
(crédito: Juca Varella/Divulgação )

O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB-SP) estreia, hoje, no papel de coordenador-geral da equipe de transição do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma missão prioritária: negociar mudanças no projeto do Orçamento da União para 2023, em tramitação no Congresso, para viabilizar o pagamento de R$ 600 do Auxílio Brasil e o aumento do salário mínimo acima da inflação a partir do ano que vem.

Correio Brasiliense

PT inicia transição de governo nesta quinta; Lula chega a Brasília na 2ª

EELEIÇÕES 2022

Lula deve desembarcar na capital federal para articular novo governo na próxima semana. Alckmin, Gleisi e Mercadante fazem reuniões nesta 5ª

Vinícius Schmidt/Gustavo Moreno/Daniel Ferreira

São Paulo e Brasília – A transição entre o governo de Jair Bolsonaro (PL) e o do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa nesta quinta-feira (3/11), em Brasília. Segundo apurou o Metrópoles, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, receberá às 14h o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-ministro Aloizio Mercadante.

Lula deve desembarcar na capital federal na segunda-feira (7/11), quando retomará as articulações do processo de transição. O petista passa alguns dias de descanso na Bahia com a esposa, Rosângela Silva, a Janja.

Em Brasília, o próximo chefe do Planalto pretende se reunir na terça-feira (8/11) com a ministra Rosa Weber, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF); com Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado e do Congresso Nacional; e com Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados.

A equipe de transição do petista também tem um encontro marcado nesta quinta com o Tribunal de Contas da União (TCU) e com o relator-geral do Orçamento, Marcelo Castro (MDB-PI). A prioridade inicial do grupo será analisar a situação fiscal do país, para tentar realizar ajustes que permitam manter o Auxílio Brasil em R$ 600 e aumentar o salário mínimo no primeiro ano de mandato, compromissos feitos durante a campanha.

Em entrevista ao Metrópoles, Castro adiantou que a equipe de transição terá um desafio pela frente: “No Orçamento não tem espaço para nada”. Segundo o emedebista, faltam soluções e sobram problemas.

A transição de governo é prevista em lei e em decreto. Cabe à Casa Civil coordenar a entrega de documentos à equipe do presidente eleito. Os nomes de até 50 dirigentes, em diversos setores, devem ser publicados no Diário Oficial da União. Todos os nomeados trabalham até a posse, em 1º de janeiro de 2023, em preparação do novo mandato.

Prioridades

A ideia da equipe petista é começar a transição com foco no acesso a dados do governo federal e sem pressa para anunciar o nome de ministros, até porque essa articulação passa pela prioridade do governo eleito no momento, que é buscar a maioria no Congresso em 2023. A estratégia para facilitar o processo de transição inclui suavizar o discurso bélico com o presidente Bolsonaro.

Gleisi Hoffmann adiantou que “todos os partidos” que apoiaram a candidatura de Lula irão participar da equipe de transição. Ela ressaltou, contudo, que os nomes indicados não devem ser considerados prováveis integrantes do futuro governo. Lula anunciou durante a campanha que pretende governar com ao menos 13 ministérios — mas, evita citar nomes, apesar de possibilidades terem sido ventiladas.

Metrópoles

 

Bolsonaro diz que vai cumprir a Constituição; Ciro Nogueira inicia a transição

ELEIÇÕES

Dois dias após perder a eleição, presidente fez pronunciamento de dois minutos, agradeceu os votos que recebeu e não citou o presidente eleito, Lula. Bolsonaro criticou atitudes como invasão de propriedade e cerceamento do direito de ir e vir.

Bolsonaro fez pronunciamento no Palácio da Alvorada — Foto: REUTERS/Adriano Machado

O presidente Jair Bolsonaro (PL) fez nesta terça-feira (1º), dois dias após o resultado do segundo turno, o primeiro pronunciamento após perder a eleição. Bolsonaro leu um discurso curto, de dois minutos, em que disse que continuará cumprindo a Constituição. Depois, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, afirmou que dará início à transição de governo.

Bolsonaro também disse que “manifestações pacíficas são bem-vindas” e criticou ocupações. Caminhoneiros que apoiam o presidente fazem bloqueios em rodovias do país desde o fim do domingo (30).

“Quero começar agradecendo os 58 milhões de brasileiros que votaram em mim no último dia 30 de outubro. Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir”, continuou.

O resultado das eleições foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 19h57 de domingo, quando 98,81% das urnas já tinham sido apuradas. Àquela hora, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva tinha 50,83% dos votos válidos e não poderia mais ser alcançado por Bolsonaro, que contabilizava 49,17% de votos válidos.

Ao todo, com 100% das urnas apuradas, Lula obteve 60,3 milhões de votos, e Bolsonaro, 58,2 milhões de votos.

Em seu pronunciamento, Bolsonaro discordou de ser chamado de antidemocrático e disse que sempre jogou “dentro das quatro linhas da Constituição”“Sempre fui rotulado como antidemocrático e, ao contrário dos meus acusadores, sempre joguei dentro das quatro linhas da Constituição. Nunca falei em controlar ou censurar a mídia e as redes sociais. Enquanto presidente da República e cidadão, continuarei cumprindo todos os mandamentos da nossa Constituição”, afirmou.

Bolsonaro também disse que “manifestações pacíficas são bem-vindas” e criticou ocupações. Caminhoneiros que apoiam o presidente fazem bloqueios em rodovias do país desde o fim do domingo (30).
“Quero começar agradecendo os 58 milhões de brasileiros que votaram em mim no último dia 30 de outubro. Os atuais movimentos populares são fruto de indignação e sentimento de injustiça de como se deu o processo eleitoral. As manifestações pacíficas sempre serão bem-vindas, mas os nossos métodos não podem ser os da esquerda, que sempre prejudicaram a população, como invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir”, continuou.

O resultado das eleições foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 19h57 de domingo, quando 98,81% das urnas já tinham sido apuradas. Àquela hora, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva tinha 50,83% dos votos válidos e não poderia mais ser alcançado por Bolsonaro, que contabilizava 49,17% de votos válidos.

Ao todo, com 100% das urnas apuradas, Lula obteve 60,3 milhões de votos, e Bolsonaro, 58,2 milhões de votos.

No pronunciamento, Bolsonaro não citou o nome de Lula. Tradicionalmente, candidatos derrotados ligam para os vitoriosos. De acordo com o PT, Bolsonaro não havia procurado Lula até a tarde desta terça.

Transição 

Logo após a breve fala de Bolsonaro, Ciro Nogueira assumiu o microfone no púlpito para falar sobre a transição de governo, tema que não foi abordado pelo presidente.

“O presidente Jair Bolsonaro autorizou, quando for provocado, com base na lei, a iniciarmos o processo de transição”, disse o ministro.

“A presidente do PT [Gleisi Hoffmann], segundo ela em nome do presidente Lula, disse que na quinta-feira será formalizado o nome do vice-presidente Geraldo Alckmin. Aguardaremos que isso seja formalizado para cumprir a lei do nosso país”, completou Nogueira.

Movimentação no Alvorada 

A primeira fala pública de Jair Bolsonaro após a derrota nas eleições foi antecedida de uma intensa movimentação no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, onde ele se fechou nos últimos dias.

No início da tarde, carros de vários ministérios chegaram ao local, levando os ministros para a companhia do presidente.

Bolsonaro discursou ao lado de auxiliares diretos. Entre os ministros presentes estavam Ciro Nogueira (Casa Civil), Marcelo Queiroga (Saúde), Paulo Guedes (Economia), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), Anderson Torres (Justiça), Marcelo Sampaio (Infraestrutura), Joaquim Leite (Meio Ambiente), Carlos França (Relações Exteriores), Célio Faria (Secretaria de Governo) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral).

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também esteve no Alvorada, mas deixou o prédio antes do pronunciamento de Bolsonaro.

g1

 

 

 

 

 

 

Aliados do presidente Bolsonaro no DF sinalizam com oposição propositiva

ELEIÇÕES

Parlamentares da base de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados avaliam posicionamento da bancada do DF no governo petista. Maioria sugere um tom conciliatório, mas algumas pautas serão inegociáveis

Gilvan diz que Republicanos avaliará os projetos de acordo com o que for melhor para o povo - (crédito: )
Gilvan diz que Republicanos avaliará os projetos de acordo com o que for melhor para o povo – (crédito: )

Com a vitória de Lula (PT) no segundo turno das eleições, os parlamentares eleitos pelo Distrito Federal começam a avaliar o papel da oposição nos próximos quatro anos. A capital do país elegeu, em sua maioria, deputados federais apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL). Devido a isso, o espaço de diálogo se tornou tema central para o sucesso das articulações políticas. O Correio procurou os parlamentares ao longo do dia e as respostas, de bastidores e oficiais, garantiram em sua maioria o tom conciliatório, apesar de algumas ressalvas.

Deputado federal Alberto Fraga (PL) avaliou ser prematuro fazer uma análise do comportamento da bancada do DF ao lidar com Lula. “Temos que ver como o Congresso vai se comportar. Precisamos aguardar alguns acontecimentos, qual será o comportamento dos presidentes dos partidos a nível nacional. Mas pela força que o Congresso tem, o Lula não governa sem o apoio dele. E essa bancada não vai aceitar retrocesso, não vamos admitir invasão de terra, ideologia de gênero nas escolas, essas pautas idealizadas”, garantiu Fraga.

Gilvan Máximo, deputado federal pelo Republicanos, afirmou que o partido vai trabalhar pelo que for bom para o Brasil e criticar o que for ruim. “Vamos seguir com responsabilidade, porque esse momento requer muito cuidado com o povo brasileiro”, pontuou Gilvan. O parlamentar acrescentou que reconhece a vitória de Lula e parabenizou o presidente Bolsonaro pela disputa, além de avaliar o cenário do governo do DF com o presidente Lula: “Ibaneis demonstrou durante os quatro anos que é de diálogo, e tenho certeza que ele vai dialogar com o presidente (eleito), porque assim vamos ganhar o melhor para o DF, para o Brasil e para o povo”.

A mesma opinião foi defendida por Júlio César (Republicanos). “Vou seguir trabalhando e buscando o diálogo para que o país continue crescendo”, pontuou. O deputado federal disse que seguirá na linha da independência, “claro que mantendo a coerência”. “O que for bom para o país estarei pronto para aprovar no Congresso, assim como o que for ruim, estarei pronto para criticar, bem como me posicionar contra”, disse.

Fraga diz que não aceitará retrocesso com pautas ideológicas. foto: Narcelo Ferreira/CD/D.A pres

À disposição

Chefe do Palácio do Buriti, Ibaneis se colocou “à disposição para trabalhar ao lado do presidente eleito”. O pronunciamento foi dado pelas redes sociais logo após a apuração dos votos. Ibaneis acrescentou que o presidente da República reside no DF e, “como governador reeleito, farei tudo para que tenhamos — e tenho certeza de que teremos — uma convivência harmônica para que possamos governar para todos”.

O governador não foi o único a se posicionar pelas redes. A senadora Damares Alves (Republicanos) também se manifestou, mas não em tom conciliatório. “Os 14 anos do PT no poder, resultaram em fome, miséria e corrupção. Nos quatro anos do governo Bolsonaro, o Brasil avançou 40 anos!”, escreveu.

Aproximação 

Professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Frederico Bertholini destacou que, “embora a maior parte dos parlamentares esteja em um campo antagônico ao presidente Lula, não tem como definir que são oposição”. “Isso será decidido com o começo do governo e os arranjos da Câmara. Temos que lembrar que essa oposição não é completamente linear e não existe uma ausência total de cooperação entre o governo e esse setor de parlamentares”, avaliou.

Frederico também citou sobre o orçamento secreto. “Não sabemos como vai funcionar isso no novo governo, mas essa tem sido uma forma dos políticos conseguirem retornos sem passar necessariamente pelo presidente da República, mas passando pelo presidente da Câmara e pelo relator. Essa é uma possibilidade dos parlamentares do DF conseguirem recursos a despeito do aparente antagonismo entre a maior parte deles e o presidente”, observou.

Cientista política, Noemi Araujo pontuou que Lula enfrentará dificuldades em seu terceiro mandato na Presidência. “Em um contexto novo e desafiador sem a maioria dos parlamentares do espectro da esquerda, mas Lula sempre teve traquejo político e habilidade de interlocução mesmo com seus opositores, haja vista a Frente Ampla que conseguiu unir para o segundo turno e sair vitorioso”, afirmou. A especialista também analisou a situação do ponto de vista de Ibaneis Rocha, e opinou que deve haver uma aproximação entre presidente e chefe do Buriti. “Visto que o seu partido (MDB) foi peça fundamental na eleição de Lula, por meio, principalmente, da figura da senadora Simone Tebet”, disse.

A reportagem também buscou o posicionamento da deputada Bia Kicis (PL) e de Fred Linhares (Republicanos), mas até o fechamento desta edição, não obteve retorno.

Edis Henrique Peres/ CB

FLÁVIO BOLSONARO quebra o silêncio e fala sobre a DERROTA DE BOLSONARO; veja o que ele disse

ELEIÇÕES 2022

No Twitter, Flávio foi o primeiro integrante do núcleo familiar que evolve Bolsonaro e os filhos a falar abertamente sobre a derrota do pai

Jane de Araújo/Agência Senado
Como senador, Flávio Bolsonaro recebe salário bruto de R$ 33,7 mil, que cai para R$ 24,9 mil após os descontos – FOTO: Jane de Araújo/Agência Senado

Após 19h de silêncio do presidente Jair Bolsonaro (PL), após derrota para o presidente Lula (PT) nas urnas, um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), veio a público nas redes sociais falar sobre o resultado das eleições 2022.

“Obrigado a cada um que nos ajudou a resgatar o patriotismo, que orou, rezou, foi para as ruas, deu seu suor pelo país que está dando certo e deu a Bolsonaro a maior votação de sua vida! Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil! Deus no comando!”, afirmou Flávio Bolsonaro.

“Obrigado a cada um que nos ajudou a resgatar o patriotismo, que orou, rezou, foi para as ruas, deu seu suor pelo país que está dando certo e deu a Bolsonaro a maior votação de sua vida! Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil”! Deus no comando! escreveu.

Lucas Moraes/JC

Não só Marcia Conrado, o empresário Marcos Oliveira também saiu vitorioso com Raquel Lyra em Serra Talhada

ELEIÇÕES 2022

O ex-vereador, empresário e radialista serra-talhadense, Marcos Oliveira, comemorou a vitória de Raquel Lyra ao governo de Pernambuco. O empresário iniciou sua caminhada para deputado federal e não obteve êxito, porém, a vitória de Raquel Lyra abrilhanta, não só a prefeita Marcia Conrado, mas também a Marcos Oliveira o seu prestígio junto a futura governante.

Foto: Divulgaçõ

“Marcos Oliveira era visto em todo Sertão do Pajeú com bandeiras levantadas acenando para a governadora eleita, uma campanha muito bem organizada, Marcos defendeu com garra o nome de Raquel Lyra por onde passou. Parabéns, o fruto de uma disputa é a vitória”, disse em seu site o blogueiro Evandro Lyra.

“Com raízes no Sertão do Estado e com história política e também profissional, na área da comunicação, Marcos conhece de perto os problemas de sua região, as dores e esperanças da sua gente e chega para fortalecer a nossa chapa como representante do Sertão do nosso Estado”, frisou Raquel Lyra quando anunciou Marcos Oliveira como candidato a deputado federal no início da campanha.

Por Pedro Araújo

PT abre diálogo para transição de governo, mas Bolsonaro mantém silêncio

ELEIÇÕES 2022

Coordenador da campanha do presidente eleito Lula, Edinho Silva diz ter conversado com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, a pedido do próprio integrante da atual gestão, para tratar da mudança de comando do país

 (crédito: Ricardo Stuckert/Divulgação)
(crédito: Ricardo Stuckert/Divulgação)

Eleito presidente da República com 50,9% dos votos, Luiz Inácio Lula da Silva vira a página da disputa eleitoral e começa a planejar o governo que herdará a partir de janeiro. Sai a equipe de campanha, entra o time da transição. O presidente Jair Bolsonaro se mantém em silêncio desde o fim da apuração dos votos, no domingo, mas o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), recebeu, ontem, um telefonema de um dos coordenadores da campanha petista, o prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT-SP), para uma primeira conversa sobre a transição. Em nota, Edinho Silva informou que ligou para Nogueira “a pedido do próprio” e que ele se dispôs a conduzir o processo de diálogo do governo Bolsonaro com a equipe de Lula.

“De imediato, repassei a informação para a deputada federal Gleisi Hoffmann, nossa coordenadora da campanha Lula presidente, para que os encaminhamentos necessários fossem combinados. Ressalto aqui a postura republicana e democrática do ministro Ciro Nogueira”, declarou o prefeito. A expectativa é de que da conversa entre Hoffmann e Nogueira saiam os nomes que atuarão no gabinete da transição.

A passagem de bastão de um governo para outro está prevista em lei de 2002, regulamentada por um decreto presidencial de 2010, que elenca as regras para que o time do presidente eleito possa ter acesso a informações do governo que se despede e as condições de trabalho para funcionar, como espaços físicos, cargos e estrutura de comunicação.

Paralelamente, Lula já está escalando interlocutores para conversar com lideranças no Congresso, a começar pelos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), visando a construção de uma pauta mínima de consenso que possa ser aprovada com rapidez nas primeiras semanas da nova legislatura, cuja prioridade é a adequação do Orçamento do ano que vem às demandas do governo eleito.

O nome mais cotado para pilotar o governo de transição é o do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, um político experiente, com ótimo trânsito entre as forças políticas de centro que se aliaram à campanha de Lula no decorrer do processo eleitoral. O coordenador do programa de governo petista, o ex-ministro Aloísio Mercadante, também terá papel de comando no gabinete provisório.

Para o coordenador da campanha de Lula no Distrito Federal, o ex-deputado Geraldo Magela, a transição se dará por duas vias: a técnica, que cuidará da análise e do diagnóstico das contas e políticas públicas do atual governo, e a política, responsável pela formação da equipe ministerial e da interlocução com o Legislativo.

“É preciso que o governo Bolsonaro abra suas portas para permitir que a transição seja feita tecnicamente, que todos os dados sejam liberados e, politicamente, Lula vai cuidar de como compôr o governo e como restabelecer as pontes com os segmentos que ficaram, neste momento, conflitados”, declarou Magela em entrevista ao CB.Poder.

Livre acesso

Conforme a lei, a equipe de transição “tem por objetivo inteirar-se do funcionamento dos órgãos e entidades que compõem a Administração Pública federal e preparar os atos de iniciativa do novo presidente da República, a serem editados imediatamente após a posse”, entre outras prerrogativas. O livre acesso aos dados do governo, incluindo os considerados sensíveis, estratégicos e sigilosos, também está assegurado na lei, com obrigação de “manter sigilo dos dados e informações confidenciais a que tiverem acesso, sob pena de responsabilização”.

Pelo lado do Palácio do Planalto, o processo deve ser coordenado pela Casa Civil, ocupada por Ciro Nogueira (PP-PI), um dos líderes do Centrão e responsável pela articulação política de Bolsonaro. A primeira medida administrativa será a criação de 50 cargos comissionados para abrigar a equipe do futuro governo. Esses cargos serão extintos em até 10 dias após a posse de Lula. Para o governo que sai, um dos objetivos desse diálogo é listar as políticas públicas que estão em andamento para evitar solução de continuidade a partir de janeiro.

O histórico das mudanças de comando no Brasil pós-redemocratização não tem registro de problemas na relação entre o governo que entra e o que sai. O primeiro gabinete formal de transição foi criado após a vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2002, quando o petista derrotou o candidato do PSDB José Serra. O então presidente Fernando Henrique Cardoso não só sancionou a legislação que rege o processo como facilitou o acesso a informações do governo e trabalhou para minimizar a desconfiança internacional que pairava sobre o país após a vitória do candidato de esquerda.

Com a eleição de Dilma Rousseff, em 2010, a transição foi interna, quase uma continuidade da estrutura montada nos oito anos em que Lula ocupou o Palácio do Planalto. Com o impeachment da presidente, em 2016, o cargo passou para o vice, Michel Temer (MDB-SP), que também patrocinou uma troca de bastão tranquila para o vencedor das eleições de 2018: Bolsonaro.

Desta vez, poucos apostam, porém, em uma troca de guarda serena. Até agora, Bolsonaro não deu sinais sobre a instalação formal do gabinete provisório nem quem pretende escalar para fazer a interlocução com a equipe de Lula. Como o processo é regido por lei, há a possibilidade de o Judiciário ser acionado para assegurar acesso aos dados de governo.

… E Bolsonaro mantém silêncio

O presidente Jair Bolsonaro (PL) manteve silêncio, ontem, sobre o resultados das eleições, nas quais perdeu para o agora presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nem protestos de caminhoneiros, que fecharam rodovias pelo país desde o fim das apurações, fizeram com que o chefe do Executivo se pronunciasse.

No Palácio da Alvorada, ontem pela manhã, Bolsonaro recebeu aliados, como o vice de sua chapa, Braga Netto, além do filho 01, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); o ajudante de ordens, Major Cid, e outros assessores. Depois, cumpriu expediente no Planalto, onde se reuniu com o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR); os ministros das Comunicações, Fábio Faria, e da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; e a ex-ministra da Secretaria de Governo Flávia Arruda.

Ao retornar à residência oficial, Bolsonaro recepcionou os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). A expectativa é de que o pronunciamento do presidente ocorra hoje.

Enquanto Bolsonaro mantém silêncio, o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos), eleito senador pelo Rio Grande do Sul, conversou ontem por telefone com o vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), para se colocar à disposição da equipe de transição.

A primeira-dama Michelle Bolsonaro foi a primeira da família a comentar o resultado das urnas. Ela compartilhou um trecho bíblico sobre a “verdade”. “Salmos 117: Louvai ao senhor todas as nações, louvai-o todos os povos. Porque a sua benignidade é grande para conosco, e a verdade do Senhor dura para sempre. Louvai ao Senhor”, escreveu nos stories.

Já Flávio Bolsonaro agradeceu aos eleitores pela “maior votação” da vida do chefe do Executivo, com 58.206.354 milhões de votos, e pediu que os apoiadores “erguessem a cabeça” e “não desistissem do Brasil”.

“Obrigado a cada um que nos ajudou a resgatar o patriotismo, que orou, rezou, foi para as ruas, deu seu suor pelo país que está dando certo e deu a Bolsonaro a maior votação de sua vida! Vamos erguer a cabeça e não vamos desistir do nosso Brasil! Deus no comando!”, escreveu.

Minutos depois, Flavio escreveu uma mensagem direcionada ao presidente. “Pai, estou contigo pro que der e vier”, pontuou.

Bolsonaro é o presidente que mais demorou a reconhecer o resultado das urnas e o primeiro no comando do país a não ser reeleito. A expectativa no QG bolsonarista, no entanto, é que o presidente não conteste o pleito. Assessores disseram que ele passou o dia redigindo o pronunciamento e ouvindo conselhos da base aliada e de ministros.

No dia 30, data do segundo turno, Bolsonaro preferiu se recolher e não recebeu aliados nem conversou com simpatizantes.

C B

BRs bloqueadas: STF forma maioria para confirmar decisão de Moraes

ELEIÇÕES 2022 

Ministros do STF votaram sobre decisão monocrática do TSE assinada por Alexandre Moraes que determinou fim imediato de bloqueios de rodovias

Protesto fecha rodovias do DF e Entorno
Vinícius Schmidt/Metrópoles

Em sessão extraordinária virtual, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria (seis votos), nas primeiras horas desta terça-feira (1º/11), para referendar a decisão do ministro Alexandre de Moraes sobre bloqueios em rodovias pelo país.

Moraes determinou, na noite dessa segunda-feira (31/10), que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) adote “todas as medidas necessárias e suficientes” para desobstruir as rodovias bloqueadas.

Em 20 estados, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) impediram o trânsito rodoviário após sua derrota nas eleições para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser anunciada. Em São Paulo, uma manifestação bloqueia o acesso ao Aeroporto de Guarulhos e já causou o cancelamento de ao menos quatro voos.

Os integrantes do STF têm até as 23h59 desta terça para divulgar o voto. Até a 0h30, os ministros Roberto Barroso, Edson Fachin, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Rosa Weber acompanharam o voto do relator, Alexandre de Moraes.

Decisão do TSE

Em sua decisão, Moraes citou que a PRF foi “omissa” e “inerte” e determinou que o Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal adote todas as medidas necessárias para a desobstrução de vias sob pena de R$ 100 mil de multa por hora. A decisão ainda sugere que, caso não sejam cumpridas as determinações, há possibilidade de afastamento do Diretor-Geral das funções e prisão em flagrante de crime desobediência.

“No caso vertente, entendo demonstrado o abuso no exercício do direito de reunião direcionado, ilícita e criminosamente, para propagar o descumprimento e desrespeito ao resultado do pleito eleitoral para Presidente e vice-Presidente da República”, diz a decisão de Moraes.

Governadores que fizeram campanha para Bolsonaro fazem acenos a Lula

POLÍTICA

Governadores que fizeram campanha para Bolsonaro fazem acenos a Lula

Governador: Ibaneis Rocha (DF), Wilson Lima (AM) e Romeu Zema (MG)
Governador: Ibaneis Rocha (DF), Wilson Lima (AM) e Romeu Zema (MG) Foto: Arte

Após terem trabalhado no segundo turno pela reeleição de Jair Bolsonaro (PL) e integrarem campo político oposto ao de Lula, ao menos 11 governadores eleitos já adotaram discurso de cooperação e trabalho conjunto com o próximo governo federal. Todos refutam qualquer tipo questionamento ao resultado eleitoral e, em alguns casos, telefonaram para dar parabéns ao petista, contra quem trabalharam em seus estados.

Entre todos os 14 governadores eleitos que apoiaram Bolsonaro nas eleições, até a noite de ontem apenas Cláudio Castro (RJ), Marcos Rocha (RO) e Jorginho Mello (SC) não haviam feito ainda um aceno a Lula. O governador do Rio, porém, fez diversas vezes durante a campanha acenos a Lula, de olho numa relação amistosa se os dois saíssem vencedores.

Mesmo os que tinham mais proximidade com Jair Bolsonaro, tendo integrado seu governo, ou que assumiram postos-chave no segundo turno da disputa presidencial já abriram portas a Lula. Historicamente, governadores e prefeitos buscam manter boa relação com o Palácio do Planalto porque seus governos são dependenter do repasse de recursos federais

Governador reeleito em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que coordenou a campanha de Bolsonaro no estado, se manifestou no Twitter desejando sucesso ao presidente eleito. Ele também se disse “aberto ao diálogo” com Lula. Ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, Tarcísio de Freitas (Republicanos) falou em “alinhamento” com o governo federal após ter sido eleito em São Paulo. No Paraná, Ratinho Jr. (PSD) era um dos governadores mais próximo ao presidente. No Twitter, ele se posicionou logo após o resultado. “Hoje o povo brasileiro se manifestou. Agora é hora de continuar trabalhando juntos por um Brasil unido e em paz. Pra frente, Paraná. Pra frente, Brasil”, postou ele. Ratinho Jr. trabalhou pela reeleição de Jair Bolsonaro, reuniu prefeitos e foi votar com a camisa da seleção brasileira.

Governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União) parabenizou Lula pela vitória e disse que “venceu o desejo soberano do povo”. Gladson Cameli (PP), que venceu a disputa no Acre, foi na mesma linha e emitiu uma nota na qual diz estar pronto para trabalhar em “harmonia”.

Aliado de primeira hora de Bolsonaro, o governador do Amazonas, Wilson Lima (União), disse que vai continuar apoiando o candidato derrotado por Lula, mas que pretende conversar com o novo presidente.

— Eu sigo aliado do presidente Jair Bolsonaro, mas fui eleito governador do estado do Amazonas. Para defender o estado do Amazonas eu não tenho dificuldade de conversar com quem quer que seja. Todo mundo sabe que eu sou governador do diálogo, principalmente se tratando dos interesses do povo do Amazonas — garantiu.

Pronunciamentos similares fizeram os vencedores no Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PSDB), e no Mato Grosso, Mauro Mendes (União). Vencedor em Roraima, Antonio Denarium (PP) desejou “paz e sabedoria” a Lula. Na mesma linha foi Wanderlei Barbosa (Republicanos), eleito pelo Tocantins. Reeleito pelo Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que se alinhou a Bolsonaro no segundo turno, também recorreu às redes sociais para reconhecer a vitória de Lula. “Fim das disputas político-partidárias. Desejo sorte, ao mesmo tempo em que me coloco à disposição para trabalhar ao lado do Lula”

EXTRA

Eleições apertadas são a representação de um Brasil dividido

ELEIÇÕES

A estreita margem de votos, no segundo turno, que garantiu a Lula o terceiro mandato de presidente da República – pouco mais de dois milhões em relação a Bolsonaro -, é o retrato da cisão que tomou conta do Brasil

 (crédito: Andre Borges / AFP e Caio Guatelli / AFP)
(crédito: Andre Borges / AFP e Caio Guatelli / AFP)

A eleição mais violenta e polarizada da história do país chega ao fim e expõe em números frios a divisão profunda de um país que não sabe ainda o caminho da reconciliação. Levará algum tempo para que vencedores e derrotados metabolizem o resultado das urnas em favor de um futuro mais fraterno. A estreita margem de votos que assegurou a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) um terceiro mandato é o retrato dessa cisão. Pouco mais de dois milhões de votos o separaram de Jair Bolsonaro (PL), o primeiro incumbente a perder uma disputa pela reeleição ao cargo de presidente da República. Mesmo assim, o chefe do Executivo sai da contenda com o apoio de 58,2 milhões de pessoas, 49,1% do eleitorado. Mas a vitória do petista, ontem, já estava prevista com razoável grau de confiabilidade desde o fim do primeiro turno.

O resultado do primeiro turno apontou para as duas campanhas quais eram os desafios que cada uma teria de enfrentar. Faltaram a Lula cerca de 1,8 milhão de votos para vencer na rodada inicial. Bolsonaro chegou em segundo lugar com uma diferença de pouco mais de seis milhões de votos para o adversário. Estava dada, em números, a meta de cada um. O presidente, para se reeleger, precisaria ganhar quatro de cada cinco votos ainda disponíveis na prateleira do eleitorado para virar o placar. Para Lula, a tarefa era bem mais fácil.

No segundo turno, o ex-presidente jogou para não errar. E conseguiu incorporar à sua candidatura uma constelação de nomes da centro-esquerda à centro-direita — incluindo adversários do primeiro turno, como Simone Tebet (MDB) e o PDT de Ciro Gomes —, além de lideranças da sociedade civil, influenciadores digitais, artistas e intelectuais, que deu densidade ao conceito de frente ampla pela democracia.

Bolsonaro também se movimentou no lado direito do espectro político e angariou apoios de políticos eleitos na onda do bolsonarismo (ou do antipetismo), como os governadores reeleitos de Minas Gerais, Romeu Zema, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, detentores de uma máquina azeitada e influente em dois dos três maiores colégios eleitorais do país.

Foi na campanha do segundo turno que Lula apareceu em sua melhor forma: retomou os comícios de rua e as caminhadas com militantes para catalisar o que o PT tem de mais poderoso, que é a mobilização popular. A estratégia rendeu as melhores imagens para a propaganda eleitoral e alimentou as redes sociais, até então dominadas pela máquina bolsonarista comandada pelo filho 03 do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro. Para esse enfrentamento no ringue digital, Lula também contou com o reforço de dois influenciadores que ajudaram a mudar o jogo, o deputado André Janones (Avante-MG) e Felipe Neto.

Nomes influentes

Nos bastidores, o núcleo duro do PT deu lugar ao candidato a vice, Geraldo Alckmin, e a nomes influentes da política e da economia, que tinham a missão de mostrar que a candidatura de Lula era maior do que a frente de esquerda que disputou o primeiro turno. Uma das primeiras e mais comemoradas adesões foi da senadora Simone Tebet, que assumiu um protagonismo poucas vezes visto em campanhas petistas.

Os votos que a senadora conseguiu transferir para o petista foram fundamentais para a vitória de ontem. Assim como a captura de parte do eleitorado de Ciro Gomes, que, mesmo ressentido, engoliu a orientação do partido dele, o PDT, de apoiar a chapa Lula-Alckmin.

Segundo levantamentos feitos pela equipe de campanha de Lula, os votos dos dois candidatos derrotados em 2 de outubro já seriam suficientes para ele atingir a marca de 1,8 milhão de votos que o separaram da vitória no primeiro turno. No cômputo geral, o ex-presidente amealhou 3,1 milhões de votos a mais do que obteve na primeira ronda, ou 1,1 milhão de votos a mais do que precisava para ultrapassar a marca de 50% dos votos válidos (59,2 milhões).

Um dado relevante dessa apuração foi o número de abstenções, que derrubou uma série histórica que parecia consolidada como tendência. Neste ano, caiu de 21% no primeiro turno para 20,6% no segundo.

Além da polarização, a oferta de transporte público gratuito na maioria das grandes e médias cidades brasileiras também contribuiu para estimular o eleitor a ir às urnas.

Bolsonaro chegou perto da vitória. Bem perto. Conseguiu reduzir a diferença para Lula de 6,1 milhões de votos no primeiro turno para apenas 2,1 milhões de votos no segundo. Mas a um preço nunca visto na história do país, com o uso intensivo da máquina do Estado para angariar apoios e votos.

Ainda na pré-campanha de primeiro turno, o governo aprovou um pacote de bondades com dinheiro público, sem lastro no Orçamento, voltado para a população mais pobre, como o aumento do Auxílio Brasil para R$ 600 e benefícios como o vale-gás. Também usou o Congresso e a Petrobras para segurar artificialmente os preços dos combustíveis. O mercado estima que o rombo orçamentário fique entre R$ 200 bilhões e R$ 400 bilhões, uma conta que cairá no colo do próximo presidente.

A estratégia do Palácio do Planalto de abrir o cofre, comandada pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), quase deu resultado. Junto com os bons números da economia na área da geração de emprego e no controle da inflação (já são três meses de deflação seguidos), que impactam diretamente na vida das pessoas, Bolsonaro escalou nas pesquisas, mas não na velocidade e na intensidade desejadas.

No fechamento da conta, Bolsonaro agregou 7,1 milhões de votos no segundo turno em relação ao primeiro, apesar de toda uma onda de notícias negativas no período, como a frase infeliz dele sobre adolescentes venezuelanas (“pintou um clima”), declarações desastrosas do ministro da Economia, Paulo Guedes (“roubamos menos que eles”), e cenas assustadoras envolvendo aliados, como o ataque de Roberto Jefferson a agentes da Polícia Federal e a perseguição da deputada bolsonarista Carla Zambelli, armada, a um homem negro que a teria “provocado” em São Paulo. Nada disso colou em Bolsonaro.

Vinicius Doria / Correiio Brasiliense

Lula precisará dialogar com Centrão e ampliar alianças no Congresso para governar

ELEIÇÕES 2022

Cenário no Legislativo é adverso para presidente eleito, que precisará dialogar com partidos de centro em busca de governabilidade

O ex-presidente e candidato à presidência Lula participa de ato em defesa da democracia e do Brasil ao lado de correligionários. Ele gesticula e segura microfone enquanto discursa - Metrópoles
Fábio Vieira/Metrópoles

Com o nome avalizado nas urnas, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), terá como um dos primeiros desafios de seu novo mandato a construção de uma base de apoio sólida em um Congresso Nacional marcado pela polarização.

Especialistas ouvidos pelo Metrópoles apontam que, para conseguir governabilidade nos próximos quatro anos, o petista precisará acenar aos partidos do chamado Centrão e que buscam desvincular a sua imagem de um derrotado Jair Bolsonaro (PL).

No primeiro turno, brasileiros elegeram a nova composição do Legislativo. No entanto, diferentemente do que ocorreu nas eleições presidenciais, foi Bolsonaro quem melhor performou nas urnas ao eleger quantidade significativa de parlamentares aliados.

Tanto a Câmara quanto o Senado tiveram candidatos bolsonaristas como os mais votados: Nikolas Ferreira (PL-MG) para a cadeira de deputado federal e Marcos Pontes (PL-SP) para senador por São Paulo. O desempenho é apenas um dos bons números contabilizados na disputa pelo comando do Parlamento.

Pertencem ao PL as maiores bancadas da Câmara e do Senado. Isso porque o partido de Bolsonaro conseguiu eleger 99 deputados e oito senadores neste ano. Estes se somarão às siglas PP e Republicanos, que compuseram a coligação bolsonarista na corrida ao Planalto.

Os resultados ampliaram as dificuldades do petista em conseguir alavancar apoio para aprovar pautas de interesse de seu governo. Mesmo com o cenário ainda adverso, Lula tem motivos para apostar em uma mudança de panorama, uma vez que o PT também se saiu bem nas eleições para o Congresso.

Em comparação com a bancada atual, especialmente na Câmara, a legenda de Lula terá apoio de 69 deputados petistas, que se somarão aos 12 eleitos pelos partidos da coligação que o apoiaram à Presidência (são eles: PV, PT, PCdoB, Solidariedade, PSol, Rede, PSB, Agir, Avant e Pros), totalizando 81 congressistas. Hoje, os cálculos de Lula incluem 123 deputados aliados ao governo e, pelo menos, 12 senadores apoiadores.

Ambiente adverso

Para o cientista político Eduardo Galvão, Lula encontrará um ambiente entre congressistas diferente dos antigos governos petistas. “É um Congresso muito mais forte do que ele está acostumado, com um papel do presidente com protagonismo muito menor. Lula terá de atualizar esse sistema de presidencialismo de coalização para encontrar moedas de troca com o Parlamento”, avalia o professor de políticas públicas e relações institucionais do Ibmec.

“A partir do governo Bolsonaro, o Congresso passou a ter uma escalada de poder, principalmente com as emendas de relator, o chamado orçamento secreto. O orçamento secreto é o Congresso definindo para onde vão as verbas do recurso, dando destinos aos recursos do orçamento da União. Antes, isso era feito pelos ministérios. De uma forma ou de outra, essa verba tem sido usado como moeda de barganha, moeda de troca, no sistema de presidencialismo de coalizão”, prossegue.

Um personagem central para o novo mandatário do país será Arthur Lira (PP-AL) – atual presidente da Câmara e candidato à reeleição. “Lula precisará conversar com Lira até para se proteger de eventuais pedidos de impeachment. E o Lula ainda não tem uma base tão boa no Congresso quanto Bolsonaro tem”, frisa Galvão.

Governadores

Nos estados, o recém-criado União Brasil estreou no pleito deste ano vencendo os governos em quatro das 27 unidades da Federação. Já o PT de Lula repetiu o feito da eleição passada e também levou a melhor em quatro estados.

Resultado da fusão entre o antigo DEM e o PSL, ex-reduto de Bolsonaro, o partido do União não declarou apoio no segundo turno e ficou neutro, longe de Lula e do atual mandatário.

A sigla conseguiu a reeleição de quatro governadores no segundo turno: Wilson Lima, no Amazonas; Marcos Rocha, em Rondônia; Ronaldo Caiado, em Goiás; e Mauro Mendes, no Mato Grosso.

O União Brasil abocanhou a maior fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) — mais conhecido como Fundo Eleitoral ou Fundão — nas eleições deste ano: R$ 782,5 milhões, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De outro lado, o Republicanos vai governar para 35 milhões brasileiros. A legenda venceu a disputa em São Paulo, com Tarcísio de Freitas, e em Tocantins, com Wanderlei Barbosa. Juntos, os estados somam 35,7 milhões de eleitores. O partido é reduto de aliados do atual presidente.

Os petistas apoiados por Lula tiveram vantagem em estados do Nordeste. A sigla levou a melhor no Ceará, com Elmano de Freitas, no Piauí de Rafael Fonteles, e no Rio Grande do Norte, onde reelegeu Fátima Bezerra. No segundo turno, elegeu Jerônimo Rodrigues, na Bahia. Com isso, a legenda governará para 23 milhões de eleitores.

Lula e o Centrão

A cientista política Priscila Lapa avalia que, para além da construção de bases de apoio, o maior desafio de Lula será lidar com o avanço da pauta conservadora impulsionada pelo bolsonarismo. “Bolsonaro impôs dificuldades não apenas no tamanho da bancada, mas há uma tendência de um ciclo mais conservador. Lula teria que reconstruir sua capacidade de diálogo, que ele tem”, defende.

“Parecido com o que visualizamos no processo eleitoral, existe, atualmente, oposição ferrenha ideológica que favorece Bolsonaro, porque o PT e Lula possuem uma agenda que, hoje, parece mais difícil de se reconstruir na sociedade. Houve uma proliferação mais forte da agenda conservadora, e o bolsonarismo possui raízes profundas que não irão se diluir do dia pra noite”, explica a especialista.

Priscila Lapa destaca que é “inescapável” a Lula abrir negociações com o Centrão. “É um grupo político muito poderoso. O próprio Bolsonaro só passou a governar mais claramente a partir do momento que o Centrão retomou seu papel no governo, como ocorreu em anos passados. O Centrão é o grande ator político do momento e está fortalecido”, finaliza.

Metrópoles

Nikolas Ferreira, Zambelli e Ricardo Salles: veja reação de tropa de choque bolsonarista após vitória de Lula

ELEIÇÕES 2022

Após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ter sido declarado presidente eleito do Brasil, o deputado federal e bolsonarista Ricardo Salles (PL) comentou o resultado das eleições no Twitter. Conhecido por declarações polêmicas, sobretudo enquanto era ministro do Meio Ambiente na gestão do atual chefe do executivo, Jair Bolsonaro (PL), o parlamentar manteve um discurso moderado e afirmou que “é hora de serenidade”.

A deputada Carla Zambelli e o deputado eleito Nikolas Ferreira
A deputada Carla Zambelli e o deputado eleito Nikolas Ferreira Foto: Divulgação

“O resultado da eleição mais polarizada da história do Brasil traz muitas reflexões e a necessidade de buscar caminhos de pacificação de um País literalmente dividido ao meio. É hora de serenidade”, publicou Salles.

Já Carla Zambelli (PL), outra integrante fervorosa da tropa de choque bolsonarista, prometeu que será “a maior oposição que Lula jamais imaginou ter”. Junto a ela, o Ministro das Comunicações Fábio Faria (PP), disse a Bolsonaro pelas redes: “você resgatou o nosso orgulho de ser brasileiro. Obrigado, Jair”.

O parlamentar mais votado dessas eleições, Nikolas Ferreira (PL), se manifestou pouco antes das 21 horas, com um vídeo publicado no Twitter:

“Os gritos de comemoração hoje se tornarão gritos de desespero amanhã. A esquerda vai plantar muita semente ruim, e cabe a nós não deixar florescer. O trabalho continua, e eles saberão o que é oposição”, disse o parlamentar.

Outro bolsonarista com grande presença na internet, o deputado federal eleito Gustavo Gayer (PL) também publicou um vídeo. Nas imagens, o parlamentar aparece dizendo que ficou “desvatado”, e sem entender como um “criminoso” conseguiu se eleger:

“Mais do Congresso é de direita. Não vamos deixar o Lula governar. Lula não vai durar muito tempo na Presidência, e falo isso como deputado federal eleito que vai trabalhar ativamente pelo seu impeachment. E nós vamos conseguir. E, se vier o Alckmin, nós vamos fazer o impeachment do Alkckmin também”, disse Gayer.

Já a senadora eleita pelo Distrito Federal Damares Alves (Republicanos), soltou uma nota nas redes após a vitória de Lula. Em primeiro momento, a parlamentar tuitou uma passagem bíblica e escreveu que “Ele continua sendo Deus”. Após alguns minutos da primeira publicação, a ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos defendeu o atual chefe do executivo e concluiu afirmando que “ora para que Deus traga paz para a nossa nação”.

“Os 14 anos do PT no poder, resultaram em fome, miséria e corrupção. Nos 4 anos do governo Bolsonaro, o Brasil Avançou 40 anos. Diferente de Lula, Bolsonaro deixou um legado e formou líderes que hoje são Senhores, Deputados e Governados. Perdemos uma eleição, mas não perdemos o amor pelo país”, escreveu a parlamentar eleita.

10 ex-ministros de Bolsonaro saíram vitoriosos nas eleições 2022

ELEIÇÕES 2022

Dos 17 ex-ministros do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) que disputaram as eleições deste ano, dez foram eleitos nos dois turnos do pleito. Do total, nove saíram vitoriosos em 2 de outubro. Outros dois concorriam hoje (30): o ex-titular da Infraestrutura Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo e Onyx Lorenzoni (PL) no Rio Grande do Sul. Apenas Tarcísio levou

Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro da Infraestrutura - Flickr/TF10 Campanha
Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro da Infraestrutura Imagem: Flickr/TF10 Campanha

Onyx, que passou por quatro pastas —Casa Civil, Secretaria-Geral da Presidência, Cidadania e Trabalho e Previdência Social—, perdeu para Eduardo Leite (PSDB). O tucano ganhou as eleições com 57,12% dos votos ante 42,88% do bolsonarista, uma das quatro viradas neste ano.

Apoiado por Bolsonaro, Tarcísio venceu a corrida pelo estado paulista com 55,3% contra Fernando Haddad (PT), aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu 44,7% dos votos. Na primeira etapa da eleição, o ex-ministro obteve 42,32% dos votos; o petista, 35,70%.

O ex-ministro da Casa Civil e da Defesa Walter Braga Netto (PL), que concorria como vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PL), também perdeu o pleito. Lula venceu a corrida presidencial com 50,9% contra 49,10% de Bolsonaro, que tentava a reeleição ao Palácio do Planalto.

Ex-ministros eleitos ao Senado. Cinco ex-ministros de Bolsonaro foram eleitos senadores no último 2 de outubro. São eles:

Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos; Marcos Pontes (PL-SP), ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações; Rogério Marinho (PL-RN), ex-ministro do Desenvolvimento Regional; Sergio Moro (União Brasil-PR), ex-ministro da Justiça e Segurança Pública; Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Eleitos na Câmara. Quatro ex-ministros saíram vitoriosos nas urnas e se elegeram deputados federais. São eles:

Eduardo Pazuello (PL-RJ), ex-ministro da Saúde; Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG), ex-ministro do Turismo; Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro da Cidadania; Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do Meio Ambiente.

Quem saiu derrotado? Sete ex-ministros saíram derrotados das urnas no primeiro turno. São eles:

Abraham Weintraub (PMB), candidato a deputado federal por São Paulo e ex-ministro da Educação; Flávia Arruda (PL), candidata a senadora federal pelo Distrito Federal e ex-ministra da Secretaria de Governo; Gilson Machado (PL), candidato a senador por Pernambuco e ex-ministro do Turismo; João Roma (PL), candidato ao governo da Bahia e ex-ministro da Cidadania; Luiz Henrique Mandetta (União), candidato a senador pelo Mato Grosso do Sul e ex-ministro da Saúde; Onyx Lorenzoni (PL), candidato a governador pelo Rio Grande do Sul e ex-ministro da Casa Civil, Secretaria-Geral da Presidência, Cidadania e Trabalho e Previdência Social; Walter Braga Netto (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro e ex-ministro da Casa Civil e da Defesa.

UOL

General do Ministério da Defesa protesta contra eleição de Lula

PROTESTO
Rodrigo Vergara, chefe de comunicação do Ministério da Defesa, postou imagem de luto pela vitória do petista
ministério da defesa
Hugo Barreto/Metrópoles

Um dos nomes mais próximos do atual ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, o general da reserva Rodrigo Vergara protestou contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República.

Chefe do setor de Comunicação Social do Ministério da Defesa, Vergara postou em sua foto de perfil do WhatsApp uma imagem da bandeira do Brasil em preto e branco com a frase: “No meu país o crime compensa. Luto”.

Imagem usada em perfil de WhatsApp de general do Ministério da Defesa
Imagem usada em perfil de WhatsApp de general do Ministério da Defesa

A imagem foi postada no telefone particular do militar, o qual ele também costuma usar para atender integrantes da imprensa, e não no número funcional. À coluna Vergara disse se tratar de uma opinião pessoal.

Por Igor Gadelha/Metrópoles

Demitido por Bolsonaro, Mandetta provoca com imagem de hidroxicloroquina

POLÍTICA

O ex-ministro da saúde da gestão de Jair Bolsonaro (PL), Henrique Mandetta (União Brasil), publicou uma indireta ao atual chefe do executivo após o seu revés nas urnas para o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Mandetta publicou ironia a Bolsonaro em referência ao período da pandemia - ADRIANO MACHADO
Mandetta publicou ironia a Bolsonaro em referência ao período da pandemia Imagem: ADRIANO MACHADO

O ex-ministro da saúde da gestão de Jair Bolsonaro (PL), Henrique Mandetta (União Brasil), publicou uma indireta ao atual chefe do executivo após o seu revés nas urnas para o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por meio dos stories, no Instagram, Mandetta postou uma imagem de uma caixa de hidroxicloroquina – o remédio que Bolsonaro divulgou erroneamente para a população como método de combate da covid-19 no Brasil no início da pandemia.

O médico virou um dos desafetos de Jair Bolsonaro após sair do Ministério da Saúde em meio a crise sanitária causada pela pandemia da covid-19.

Mandetta posta indireta para Bolsonaro após derrota nas urnas para Lula - Divulgação/Instagram - Divulgação/Instagram
Mandetta posta indireta para Bolsonaro após derrota nas urnas para Lula Imagem: Divulgação/Instagrama

Ele alegou que optou em sair do cargo por divergências entre as decisões do governo e as orientações científicas para combate à doença.

Ele também utilizou o seu perfil no Twitter para parabenizar Luiz Inácio Lula da Silva pela vitória nas eleições e exaltou o trabalho da Justiça Eleitoral.

“Parabéns ao Lula, eleito pelo povo brasileiro. Vida longa à democracia. Viva às urnas eletrônicas. Viva ao respeito à vida”, escreveu o ex-ministro.

Henrique Mandetta disputou as eleições de 2022 como senador e ficou em segundo lugar na disputa no estado do Mato Grosso do Sul. Ele recebeu um total de 15,46% dos votos válidos.

 

Governo Lula deve ter 40% mais ministérios para acomodar aliados; veja os cotados

POLÍTICA

Ao longo da campanha, Luiz Inácio Lula da Silva evitou antecipar quais nomes pretende levar para compor o seu novo governo, mas revelou a intenção de aumentar em até 40% o número de ministérios. Serão ao menos mais nove pastas além das atuais 23.

Lula, acompanhado de aliados, após discurso da vitória
Lula, acompanhado de aliados, após discurso da vitória Foto: Edilson Dantas

O novo formato possibilitará ao petista acomodar aliados dos dez partidos da coligação e novas legendas que devem ser agregadas durante a formação do governo. Lula deu algumas dicas de quem poderá levar para sua equipe. Para comandar a economia, por exemplo, afirmou que pretende colocar um político com conhecimento técnico. Os nomes para ocupar os postos-chave da administração, porém, continuam em aberto.

Lula já indicou que recriará ministérios como os do Planejamento, Fazenda e Pequenas Empresas (fundidas pela Economia); Igualdade Racial, Direitos Humanos e Mulher (também unificados no governo Bolsonaro); Previdência Social, Segurança Pública e Povos Originários (área hoje subordinada à Justiça), além de Pesca (hoje anexada à Agricultura) e Cultura (que passou a integrar a estrutura do Turismo).

É consenso que o terceiro governo de Lula terá uma participação menor de representantes do PT em relação às gestões de 2003 e 2007, em virtude da formação de um leque mais amplo de alianças. Também haverá necessidade de abrir mais espaço para mulheres, apesar de o candidato ter evitado se comprometer com um governo paritário, e para negros.

Embora o presidente eleito não tenha anunciado nomes, as relações e tarefas delegadas por Lula ao longo do período eleitoral permitem que seja elaborada uma lista de cotados para formar o primeiro escalão do novo governo.

Cotados para o novo governo

Flávio Dino (PSB)

Senador eleito pelo Maranhão, é ex-juiz federal e foi o único nome sinalizado por Lula publicamente para assumir uma função em seu governo. Poderá ocupar o Ministério da Justiça ou uma pasta técnica, como Cidades ou Integração Nacional, se esses ministérios forem recriados.

Jaques Wagner (PT)

Amigo de Lula há 40 anos, senador conta já ter dito a ele que gostaria de ser uma espécie de secretário pessoal do presidente com status de ministro. Tem bom trânsito para atuar na articulação política, é um dos interlocutores de Lula junto às Forças Armadas e poderá ter papel nas relações internacionais.

Rui Costa (PT)

Governador da Bahia por dois mandatos, é economista e foi deputado federal. Gestor bem avaliado pelos baianos, é um dos citados para ocupar cargo na economia. Também pode ocupar uma pasta técnica como Cidades ou Integração Nacional.

Aloizio Mercadante (PT)

Ao lado da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, foi o integrante da campanha mais próximo de Lula e coordenou o programa de governo. É certo, porém, que não irá para o Ministério da Fazenda, por ser conhecido como um economista desenvolvimentista. É cotado para assumir o do Planejamento.

Gleisi Hoffmann (PT)

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, durante a convenção partidária de sua siglaA presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, durante a convenção partidária de sua sigla Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena/Agência O Globo

Presidente do PT é considerada nome certo no governo pela relação próxima com Lula nos últimos anos. É esperado, porém, que não ocupe novamente a Casa Civil, como na gestão Dilma Rousseff, quando não foi bem avaliada. Pode assumir uma das pastas de auxílio à Presidência, como a Secretaria-Geral.

Alexandre Padilha (PT)

O deputado federal atuou na interlocução da campanha com empresários e agentes econômicos. Já foi cotado como ministro da Fazenda. Lula também costuma elogiar o seu trabalho como Ministro das Relações Institucionais em seu segundo governo. O presidente eleito gosta da sua habilidade em negociações.

Fernando Haddad (PT)

Derrotado para o governo de São Paulo, é nome certo no Ministério de Lula, com boas chances de ocupar a Fazenda. Mostrou-se um aliado fiel do presidente eleito e ganhou pontos ao ser o principal responsável pela articulação que levou o ex-governador Geraldo Alckmin para o posto de vice da chapa presidencial.

Edinho Silva (PT)

Para assumir um cargo, teria que renunciar à prefeitura de Araraquara (SP). Durante a campanha, foi responsável por coordenar a comunicação. Tem muita proximidade com Lula. Pode ocupar um dos ministérios de auxílio à Presidência; da Comunicação Social, como no governo Dilma, ou de articulação política.

Marina Silva (Rede)

Marina Silva (Rede - SP) é ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora

Marina Silva (Rede – SP) é ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo

Ex-ministra do Meio Ambiente de Lula, é o quadro mais importante da Rede, partido que espera integrar o novo governo. Eleita deputada federal por São Paulo, participou de debates sobre a agenda verde e também sobre a aproximação da candidatura do eleitorado evangélico.

Wellington Dias (PT)

Senador eleito pelo Piauí foi um dos nomes responsáveis por fazer a interlocução de Lula com empresários durante a campanha. É considerado coringa para a articulação do governo com o Congresso e já teve seu nome citado entre as bolsas de apostas para a economia.

Izolda Cela

Atual governadora do Ceará, fez carreira na área de Educação. Comandou a pasta da área no estado, com bons resultados nas provas de avaliação. Mostrou fidelidade ao PT ao romper com a família de Ciro Gomes por não ter sido escolhida para disputar a reeleição pelo PDT. Ocuparia o Ministério da Educação.

Sônia Guajajara (PSOL)

Sonia Guajajara foi eleita pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo

Sonia Guajajara foi eleita pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo Foto: Gabriel Monteiro / Agência O Globo

A líder indígena poderia ocupar o Ministério dos Povos Originários, já anunciado por Lula como uma nova pasta em seu governo. O petista também disse que poderia colocar um indígena no cargo. Membro do povo Guajajara/Tentehar, no Maranhão, Sônia é formada em Enfermagem e Letras.

Márcio França (PSB)

O ex-governador de São Paulo foi um dos principais negociadores da aliança nacional entre o PT e o PSB. Por ser um dos políticos mais poderosos do principal partido da coligação de Lula, a expectativa é que tenha lugar de destaque no governo.

Tereza Campello (PT)

Coordenadora do programa Brasil Sem Miséria no governo Dilma Rousseff, liderou as discussões do novo Bolsa Família durante a campanha e foi uma das porta-vozes para tratar de propostas de combate à fome. A economista foi ministra de Desenvolvimento Social no primeiro mandato de Dilma.

Paulo Câmara (PSB)

O governador de Pernambuco foi o primeiro nome dentro de seu partido a defender uma aproximação com Lula na disputa pelo Palácio do Planalto. Seu mandato à frente do governo do estado termina em 1º de janeiro. Ele pode ocupar o Ministério da Ciência e Tecnologia.

José Guimarães (PT)

Deputado federal reeleito, ganhou prestígio ao articular a candidatura de Elmano Freitas, eleito governador do Ceará no primeiro turno. Faz parte do grupo de confiança de Lula e pode ocupar um ministério de articulação política ou a liderança do governo na Câmara dos Deputados.

Simone Tebet (MDB)

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) 07/10/2022

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) 07/10/2022 Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

Após ficar em terceiro lugar na corrida presidencial, a senadora entrou de cabeça na campanha de Lula. Ela já disse que pode contribuir na área de educação e agricultura, mas ressaltou não precisar de cargo para isso . Lula, por sua vez, afirmou precisar de Tebet para “construir e reconstruir o Brasil”.

Humberto Costa (PT)

Ministro da Saúde no primeiro mandato de Lula, o senador foi responsável, durante a campanha, por centralizar as informações da área. Aprofundou as discussões sobre as políticas públicas que deverão guiar a atuação da pasta, como o desenho de um novo Mais Médicos.

 

A turma da abstenção: conheça baianos que faltaram aos últimos pleitos

ABSTENÇÕES 

No segundo turno desta eleição, a cabeleireira Roxana Pereira, 61 anos, chega ao seu oitavo pleito presidencial. Isso significa ter vivido todas as disputas ocorridas após a ditadura militar brasileira – de 1964 a 1985 – e a promulgação da Constituição Federal de 1988. No entanto, em nenhuma delas – desde 1989 – a eleitora compareceu à urna para votar. Não por integrar a lista facultativa, mas por opção.

Roxana não se orgulha de nunca ter ido votar, mas ainda não achou razão para participar de um pleito (Foto: arquivo pessoal)

“Tenho vergonha de ter chegado na idade que tenho e nunca ter votado. Isso é frustrante, pois eu gostaria de um dia votar e dizer: ‘esse será o cara, vai fazer pelo menos 50% do que está prometendo’, mas só o que vemos é a esculhambação do país”, rejeita a eleitora. Ainda assim, o fato de Roxana nunca ter votado não significa que ela jamais demonstrou sua opinião eleitoral.

Apta ao voto desde que o método era em cédulas de papel, ao invés de usar o documento para sinalizar o candidato que mais lhe agradava, optou – ao menos duas vezes – por registrar sua revolta contra os postulantes. “Eu escrevia palavrões no papel e inseria na urna. Pronto, meu voto estava dado. A raiva que eu tenho dos políticos sempre foi mais forte do que eu”, conta a cabeleireira que não votou ontem, nem no dia 2 de outubro.

Na Bahia, outros três milhões de baianos aptos a votar não compareceram às urnas eletrônicas no primeiro turno desta eleição, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). O número corresponde a 27% dos 11 milhões de eleitores em situação regular no estado. Já o total de ausências no segundo turno ainda não havia sido divulgado pelo órgão até o fechamento desta matéria, às 14h de ontem (30).

Apesar disso, a projeção do cientista político André Carvalho, é de que a ausência cresça em 1%. Isto porque o índice variou da mesma maneira em eleições anteriores. Ele ainda explica que o primeiro turno da eleição costuma ter mais adesão devido ao número de candidatos estimulando o eleitor a exercer o voto.

Razão que para o fotógrafo Gabriel Nascimento, 32 anos, já não é suficiente para fazê-lo ir votar há três eleições, incluindo os dois turnos de 2022 – que ele também não compareceu. Sua decisão foi motivada pelos escândalos de corrupção revelados pelas investigações da  operação Lava Jato que, a partir daí, nunca mais o fez deixar de ver condutas irregulares dos postulantes seguintes.

“Parei de acreditar na política desde que votei três vezes no PT [Partido dos Trabalhadores], e vi que eles roubaram. Então eu desisti e parei de votar, porque eu vi que todo mundo que estava [no regime político] fazia a mesma coisa. Sem uma mudança no sistema, não chegaremos a lugar nenhum”, afirma o fotógrafo.

Descrença política  
Menor nível de escolaridade, pobreza, deslocamento até os locais de votação e proximidade de feriados são os principais fatores relacionados à ausência no pleito, de acordo com o sociólogo, pesquisador do Laboratório de Estudos do Poder e da Política da Universidade Federal de Sergipe (Lepp-ufs), Saulo Barbosa.

Mas quando nenhuma destas questões estão em jogo, é a descrença na política e, em menor medida, a polarização, que aparecem como os propulsores da decisão de não votar. “Na medida em que a pessoa rejeita as duas opções [de candidatos], a polarização pode impedi-la de votar, mas também pode mobilizar ainda mais as bases que optaram por exercer o ato, a repeti-lo no turno seguinte”, explica Saulo.

Foi essa rejeição que manteve a relações públicas e executiva internacional de suporte ao cliente, Thaise Campos, 39 anos, em casa, ontem, enquanto a maioria dos baianos saía para votar. Por causa da falta de opção, essa é a segunda eleição presidencial em que a eleitora não registra uma predileção na urna eletrônica.

Por não querer votar em nenhum dos candidatos a presidente, Thaise também desistiu de ir votar em um governador

(Foto: arquivo pessoal)

Além da escolha do novo presidente, a Bahia também teve disputa de segundo turno para governador. Em tese, como Saulo Barbosa também explica, a corrida ao governo do estado junto com a presidencial tende a estimular a ida do eleitor às urnas nessa fase. Por ter a escolha do candidato ao cargo regional bem definida, Thaise até cogitou ir votar nele, mas o desgosto pelos postulantes federais falou mais alto.

“Eu não ajudei a eleger o senhor mau caráter que está como presidente [Jair Bolsonaro], e também não vou ajudar a tirá-lo, nem a colocar outro mais mau caráter [no lugar]. Como não vou sair para anular um voto, que já não conta de qualquer jeito, em casa fico”, afirma Thaise.

Correio 24 Horas

“Povo atestou credibilidade das urnas”, diz Moraes após resultado das eleições

ELEIÇÕES 2022

Presidente do TSE enalteceu processo eleitoral brasileiro e destacou redução do número de abstenções no pleito. Ele ainda disse que ligou para Lula e Bolsonaro depois do resultado

 (crédito: Antonio Augusto/Secom/TSE)
(crédito: Antonio Augusto/Secom/TSE)

Em pronunciamento após o resultado das eleições — que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como presidente da República, na noite deste domingo (30/10), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, exaltou as urnas eletrônicas e o trabalho das instituições envolvidas no pleito. O magistrado disse que o povo brasileiro provou a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro.

“Urnas eletrônicas são patrimônio nacional e espero que, a partir dessa eleição, finalmente cessem as agressões ao sistema eleitoral, cessem os discursos fantasiosos, as notícias fraudulentas, as notícias criminosas contra as urnas eletrônicas, porque quem novamente atestou a credibilidade das urnas eletrônicas foi o povo brasileiro”, disse Moraes, em coletiva de imprensa.

O presidente do TSE disse que, depois da divulgação dos resultados, ligou para o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, e para o candidato derrotado, Jair Bolsonaro (PL).

“Conversei com o candidato, agora eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e com o atual presidente, Jair Messias Bolsonaro, dizendo que a Justiça Eleitoral estava apta e iria proclamar o resultado oficial das eleições”, afirmou. Ele disse que cumprimentou os dois “por terem participado do mais importante momento da democracia, que é o momento das eleições”.

O ministro ainda afirmou que as eleições ocorreram de forma pacífica e agradeceu o trabalho das instituições envolvidas no processo eleitoral.

Na coletiva de encerramento das eleições, também participam ministros do STF, do TSE, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, o procurador-geral da República, Augusto Aras, o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, o corregedor nacional da Justiça, embaixadores e observadores internacionais.

Menor abstenção

Outro ponto de destaque, segundo Alexandre de Moraes, é a redução do número de abstenções no pleito que, historicamente, é maior no segundo turno. Ele ainda citou as denúncias dos eleitores do Nordeste que informaram sobre operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nas estradas da região.

“Além da menor abstenção, tem uma diminuição dos votos brancos e nulos. O maior percentual de votos da história republicana desde a redemocratização do país. Não houve aumento na abstenção do Nordeste, como muitos estavam dizendo, em virtude da proliferação de notícias que serão apuradas”, disse.

“E mais: nos três estados onde houve uma recorrência de denúncias sobre operações da PRF nesses três estados houve também uma diminuição da abstenção”, apontou Moraes. “Encerramos esse importantíssimo momento com o maior número de votos em candidatos da história brasileira. Percentualmente e em termos absolutos”, disse.

“Tivemos 75,86% do eleitorado efetivamente escolhendo um dos dois candidatos a presidente da República”, afirmou Moraes. “Uma eleição que demonstrou, nessa polarização, o aumento do número de votos nos candidatos, com uma diferença de 2 milhões e 100 mil votos, mas o mais importante é que, tanto no 1º quanto no 2º turno, tivemos uma eleição pacífica”, ressaltou o magistrado.

Correio Brasiliense

Confira a íntegra do primeiro discurso de Lula após ser eleito presidente

ELEIÇÕES 2022

O petista fez um discurso em São Paulo, após a decisão das urnas, onde colocou como principal meta unir o Brasil

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o primeiro discurso após a vitória nas urnas. - (crédito: NELSON ALMEIDA / AFP)
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o primeiro discurso após a vitória nas urnas. – (crédito: NELSON ALMEIDA / AFP)

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o primeiro discurso após o resultado das urnas, na noite deste domingo (30/10), em São Paulo. Acompanhado de um grande grupo de aliados políticos, o petista elencou como principal missão unir o Brasil novamente. 

A vitória de Lula foi apertada, 50,90% dos votos contra 49,10% do opositor, Jair Bolsonaro (PL). E para unir um país que está rachado há quase uma década, o presidente eleito disse que a vitória nas urnas não foi dele e nem do PT. “A vitória é do povo brasileiro. É a vitória de um imenso movimento democrático que se formou acima dos partidos políticos, dos interesses pessoais, das ideologias, para que a democracia saísse vencedora”, disse.

Confira a íntegra do discurso do primeiro discurso do presidente eleito:

“Meus amigos e minhas amigas.

Chegamos ao final de uma das mais importantes eleições da nossa história. Uma eleição que colocou frente a frente dois projetos opostos de país, e que hoje tem um único e grande vencedor: o povo brasileiro.

Esta não é uma vitória minha, nem do PT, nem dos partidos que me apoiaram nessa campanha. É a vitória de um imenso movimento democrático que se formou, acima dos partidos políticos, dos interesses pessoais e das ideologias, para que a democracia saísse vencedora.

Neste 30 de outubro histórico, a maioria do povo brasileiro deixou bem claro que deseja mais – e não menos democracia.

Deseja mais – e não menos inclusão social e oportunidades para todos. Deseja mais – e não menos respeito e entendimento entre os brasileiros. Em suma, deseja mais – e não menos liberdade, igualdade e fraternidade em nosso país.

O povo brasileiro mostrou hoje que deseja mais do que exercer o direito sagrado de escolher quem vai governar a sua vida. Ele quer participar ativamente das decisões do governo.

O povo brasileiro mostrou hoje que deseja mais do que o direito de apenas protestar que está com fome, que não há emprego, que o seu salário é insuficiente para viver com dignidade, que não tem acesso a saúde e educação, que lhe falta um teto para viver e criar seus filhos em segurança, que não há nenhuma perspectiva de futuro.

O povo brasileiro quer viver bem, comer bem, morar bem. Quer um bom emprego, um salário reajustado sempre acima da inflação, quer ter saúde e educação públicas de qualidade.

Quer liberdade religiosa. Quer livros em vez de armas. Quer ir ao teatro, ver cinema, ter acesso a todos os bens culturais, porque a cultura alimenta nossa alma.

O povo brasileiro quer ter de volta a esperança.

É assim que eu entendo a democracia. Não apenas como uma palavra bonita inscrita na Lei, mas como algo palpável, que sentimos na pele, e que podemos construir no dia-dia.

Foi essa democracia, no sentido mais amplo do termo, que o povo brasileiro escolheu hoje nas urnas. Foi com essa democracia – real, concreta – que nós assumimos o compromisso ao longo de toda a nossa campanha.

E é essa democracia que nós vamos buscar construir a cada dia do nosso governo. Com crescimento econômico repartido entre toda a população, porque é assim que a economia deve funcionar – como instrumento para melhorar a vida de todos, e não para perpetuar desigualdades.

A roda da economia vai voltar a girar, com geração de empregos, valorização dos salários e renegociação das dívidas das famílias que perderam seu poder de compra.

A roda da economia vai voltar a girar com os pobres fazendo parte do orçamento. Com apoio aos pequenos e médios produtores rurais, responsáveis por 70% dos alimentos que chegam às nossas mesas.

Com todos os incentivos possíveis aos micros e pequenos empreendedores, para que eles possam colocar seu extraordinário potencial criativo a serviço do desenvolvimento do país.

É preciso ir além. Fortalecer as políticas de combate à violência contra as mulheres, e garantir que elas ganhem o mesmo salários que os homens no exercício de igual função.

Enfrentar sem tréguas o racismo, o preconceito e a discriminação, para que brancos, negros e indígenas tenham os mesmos direitos e oportunidades.

Só assim seremos capazes de construir um país de todos. Um Brasil igualitário, cuja prioridade sejam as pessoas que mais precisam.

Um Brasil com paz, democracia e oportunidades.

Minhas amigas e meus amigos.

A partir de 1º de janeiro de 2023 vou governar para 215 milhões de brasileiros, e não apenas para aqueles que votaram em mim. Não existem dois Brasis. Somo um único país, um único povo, uma grande nação.

Não interessa a ninguém viver numa família onde reina a discórdia. É hora de reunir de novo as famílias, refazer os laços de amizade rompidos pela propagação criminosa do ódio.

A ninguém interessa viver num país dividido, em permanente estado de guerra.

Este país precisa de paz e de união. Esse povo não quer mais brigar. Esse povo está cansado de enxergar no outro um inimigo a ser temido ou destruído.

É hora de baixar as armas, que jamais deveriam ter sido empunhadas. Armas matam. E nós escolhemos a vida.

O desafio é imenso. É preciso reconstruir este país em todas as suas dimensões. Na política, na economia, na gestão pública, na harmonia institucional, nas relações internacionais e, sobretudo, no cuidado com os mais necessitados.

É preciso reconstruir a própria alma deste país. Recuperar a generosidade, a solidariedade, o respeito às diferenças e o amor ao próximo.

Trazer de volta a alegria de sermos brasileiros, e o orgulho que sempre tivemos do verde-amarelo e da bandeira do nosso país. Esse verde-amarelo e essa bandeira que não pertencem a ninguém, a não ser ao povo brasileiro.

Nosso compromisso mais urgente é acabar outra vez com a fome. Não podemos aceitar como normal que milhões de homens, mulheres e crianças neste país não tenham o que comer, ou que consumam menos calorias e proteínas do que o necessário.

Se somos o terceiro maior produtor mundial de alimentos e o primeiro de proteína animal, se temos tecnologia e uma imensidão de terras agricultáveis, se somos capazes de exportar para o mundo inteiro, temos o dever de garantir que todo brasileiro possa tomar café da manhã, almoçar e jantar todos os dias.

Este será, novamente, o compromisso número 1 do nosso governo.

Não podemos aceitar como normal que famílias inteiras sejam obrigadas a dormir nas ruas, expostas ao frio, à chuva e à violência.

Por isso, vamos retomar o Minha Casa Minha Vida, com prioridade para as famílias de baixa renda, e trazer de volta os programas de inclusão que tiraram 36 milhões de brasileiros da extrema pobreza.

O Brasil não pode mais conviver com esse imenso fosso sem fundo, esse muro de concreto e desigualdade que separa o Brasil em partes desiguais que não se reconhecem. Este país precisa se reconhecer. Precisa se reencontrar consigo mesmo.

Para além de combater a extrema pobreza e a fome, vamos restabelecer o diálogo neste país.

É preciso retomar o diálogo com o Legislativo e Judiciário. Sem tentativas de exorbitar, intervir, controlar, cooptar, mas buscando reconstruir a convivência harmoniosa e republicana entre os três poderes.

A normalidade democrática está consagrada na Constituição. É ela que estabelece os direitos e obrigações de cada poder, de cada instituição, das Forças Armadas e de cada um de nós.

A Constituição rege a nossa existência coletiva, e ninguém, absolutamente ninguém, está acima dela, ninguém tem o direito de ignorá-la ou de afrontá-la.

Também é mais do que urgente retomar o diálogo entre o povo e o governo.

Por isso vamos trazer de volta as conferências nacionais. Para que os interessados elejam suas prioridades, e apresentem ao governo sugestões de políticas públicas para cada área: educação, saúde, segurança, direitos da mulher, igualdade racial, juventude, habitação e tantas outras.

Vamos retomar o diálogo com os governadores e os prefeitos, para definirmos juntos as obras prioritárias para cada população.

Não interessa o partido ao qual pertençam o governador e o prefeito. Nosso compromisso será sempre com melhoria de vida da população de cada estado, de cada município deste país.

Vamos também reestabelecer o diálogo entre governo, empresários, trabalhadores e sociedade civil organizada, com a volta do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

Ou seja, as grandes decisões políticas que impactem as vidas de 215 milhões de brasileiros não serão tomadas em sigilo, na calada da noite, mas após um amplo diálogo com a sociedade.

Acredito que os principais problemas do Brasil, do mundo, do ser humano, possam ser resolvidos com diálogo, e não com força bruta.

Que ninguém duvide da força da palavra, quando se trata de buscar o entendimento e o bem comum.

Meus amigos e minhas amigas.

Nas minhas viagens internacionais, e nos contatos que tenho mantido com líderes de diversos países, o que mais escuto é que o mundo sente saudade do Brasil.

Saudade daquele Brasil soberano, que falava de igual para igual com os países mais ricos e poderosos. E que ao mesmo tempo contribuía para o desenvolvimento dos países mais pobres.

O Brasil que apoiou o desenvolvimento dos países africanos, por meio de cooperação, investimento e transferência de tecnologia.

Que trabalhou pela integração da América do Sul, da América Latina e do Caribe, que fortaleceu o Mercosul, e ajudou a criar o G-20, a UnaSul, a Celac e os BRICS.

Hoje nós estamos dizendo ao mundo que o Brasil está de volta. Que o Brasil é grande demais para ser relegado a esse triste papel de pária do mundo.

Vamos reconquistar a credibilidade, a previsibilidade e a estabilidade do país, para que os investidores – nacionais e estrangeiros – retomem a confiança no Brasil. Para que deixem de enxergar nosso país como fonte de lucro imediato e predatório, e passem a ser nossos parceiros na retomada do crescimento econômico com inclusão social e sustentabilidade ambiental.

Queremos um comércio internacional mais justo. Retomar nossas parcerias com os Estados Unidos e a União Europeia em novas bases. Não nos interessam acordos comerciais que condenem nosso país ao eterno papel de exportador de commodities e matéria prima.

Vamos re-industrializar o Brasil, investir na economia verde e digital, apoiar a criatividade dos nossos empresários e empreendedores. Queremos exportar também conhecimento.

Vamos lutar novamente por uma nova governança global, com a inclusão de mais países no Conselho de Segurança da ONU e com o fim do direito a veto, que prejudica o equilíbrio entre as nações.

Estamos prontos para nos engajar outra vez no combate à fome e à desigualdade no mundo, e nos esforços para a promoção da paz entre os povos.

O Brasil está pronto para retomar o seu protagonismo na luta contra a crise climática, protegendo todos os nossos biomas, sobretudo a Floresta Amazônica.

Em nosso governo, fomos capazes de reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia, diminuindo de forma considerável a emissão de gases que provocam o aquecimento global.

Agora, vamos lutar pelo desmatamento zero da Amazônia

O Brasil e o planeta precisam de uma Amazônia viva. Uma árvore em pé vale mais do que toneladas de madeira extraídas ilegalmente por aqueles que pensam apenas no lucro fácil, às custas da deterioração da vida na Terra.

Um rio de águas límpidas vale muito mais do que todo o ouro extraído às custas do mercúrio que mata a fauna e coloca em risco a vida humana.

Quando uma criança indígena morre assassinada pela ganância dos predadores do meio ambiente, uma parte da humanidade morre junto com ela.

Por isso, vamos retomar o monitoramento e a vigilância da Amazônia, e combater toda e qualquer atividade ilegal – seja garimpo, mineração, extração de madeira ou ocupação agropecuária indevida.

Ao mesmo tempo, vamos promover o desenvolvimento sustentável das comunidades que vivem na região amazônica. Vamos provar mais uma vez que é possível gerar riqueza sem destruir o meio ambiente.

Estamos abertos à cooperação internacional para preservar a Amazônia, seja em forma de investimento ou pesquisa científica. Mas sempre sob a liderança do Brasil, sem jamais renunciarmos à nossa soberania.

Temos compromisso com os povos indígenas, com os demais povos da floresta e com a biodiversidade. Queremos a pacificação ambiental.

Não nos interessa uma guerra pelo meio ambiente, mas estamos prontos para defendê-lo de qualquer ameaça.

Meus amigos e minhas amigas.

O novo Brasil que iremos construir a partir de 1º de janeiro não interessa apenas ao povo brasileiro, mas a todas as pessoas que trabalham pela paz, a solidariedade e a fraternidade, em qualquer parte do mundo.

Na última quarta-feira, o Papa Francisco enviou uma importante mensagem ao Brasil, orando para que o povo brasileiro fique livre do ódio, da intolerância e da violência.

Quero dizer que desejamos o mesmo, e vamos trabalhar sem descanso por um Brasil onde o amor prevaleça sobre o ódio, a verdade vença a mentira, e a esperança seja maior que o medo.

Todos os dias da minha vida eu me lembro do maior ensinamento de Jesus Cristo, que é o amor ao próximo. Por isso, acredito que a mais importante virtude de um bom governante será sempre o amor – pelo seu país e pelo seu povo.

No que depender de nós, não faltará amor neste país. Vamos cuidar com muito carinho do Brasil e do povo brasileiro. Viveremos um novo tempo. De paz, de amor e de esperança.

Um tempo em que o povo brasileiro tenha de novo o direito de sonhar. E as oportunidades para realizar aquilo que sonha.

Para isso, convido a cada brasileiro e cada brasileira, independentemente em que candidato votou nessa eleição. Mais do que nunca, vamos juntos pelo Brasil, olhando mais para aquilo que nos une, do que para nossas diferenças.

Sei a magnitude da missão que a história me reservou, e sei que não poderei cumpri-la sozinho. Vou precisar de todos – partidos políticos, trabalhadores, empresários, parlamentares, govenadores, prefeitos, gente de todas as religiões. Brasileiros e brasileiras que sonham com um Brasil mais desenvolvido, mais justo e mais fraterno.

Volto a dizer aquilo que disse durante toda a campanha. Aquilo que nunca foi uma simples promessa de candidato, mas sim uma profissão de fé, um compromisso de vida:

O Brasil tem jeito. Todos juntos seremos capazes de consertar este país, e construir um Brasil do tamanho dos nossos sonhos – com oportunidades para transformá-los em realidade.

Maus uma vez, renovo minha eterna gratidão ao povo brasileiro. Um grande abraço, e que Deus abençoe nossa jornada.”

Correio Brasiliense

Biden liga para Lula para parabenizar petista pela eleição

ELEIÇÕES 2022

Presidente dos EUA, Joe Biden ligou para Lula após petista ser confirmado como vencedor das eleições presidenciais no Brasil

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos. Ele usa camiseta clara e tem cabelos brancos- Metrópoles
Drew Angerer/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ligou para Lula na noite deste domingo (30/10), para parabenizar o petista pela vitória na eleição brasileira.

Lula falou com Biden após discursar, num hotel em São Paulo. Após a ligação, o petista se reuniu com diplomatas numa sala reservada.

O presidente americano parabenizou Lula oficialmente por meio de uma nota oficial da Casa Branca. “Estou ansioso para trabalharmos juntos e continuarmos a cooperação entre os países nos meses e anos a frente”.

“Eu envio meus parabéns a Luiz Inácio Lula da Silva na eleição dele para ser o próximo presidente do Brasil segundo eleições livres, justas e confiáveis. Estou ansioso para trabalharmos juntos e continuarmos a cooperação entre os dois países pelos meses e anos que temos pela frente”, diz a nota.

Metrópoles