Candidata da coligação Pernambuco Quer Mudar recebeu, até as 19h07, 58,87%do total de votos válidos. Marília Arraes obteve 41,13%
Raquel Lyra vence Marília Arraes e se torna a primeira mulher a governar Pernambuco na história (Divulgação/PSDB) Por Pedro Canário
Uma das eleições mais acirradas da história de Pernambuco foi disputada por duas mulheres. Após ficar em segundo lugar no primeiro turno, Raquel Lyra (PSDB) venceu o pleito e é a nova governadora de Pernambuco.
Até as 19h07 deste domingo (30), com 88,24% das urnas apuradas, a advogada foi considerada matematicamente eleita ao receber, naquele momento, 2.757.782 votos (58,87% dos votos válidos), contra 1.926.881 votos (41,13% dos válidos) de Marília Arraes (Solidariedade), que havia terminado a primeira etapa à frente.
Foram registrados 4.684.663 votos válidos. O total de votos em branco foi de 101.445 (1,95%), e os votos nulos contabilizaram 336.292 (6,48%). O índice de abstenção foi de 17,39%.
Raquel Lyra
Advogada com pós-graduação em Direito Econômico e de Empresas, Raquel Lyra, 43 anos, é ex-prefeita de Caruaru, sua cidade natal. Deixou o mandato para concorrer ao governo de Pernambuco (PE) pelo PSDB. Lyra já foi delegada da Polícia Federal, chefe da Procuradoria de Apoio Jurídico e Legislativo do governo de Eduardo Campos e deputada estadual por dois mandatos consecutivos, sendo eleita em 2010 e reeleita em 2014. Elegeu-se prefeita de Caruaru em 2016 e conseguiu a reeleição em 2020. Nas Eleições 2022, concorreu pela coligação Pernambuco Quer Mudar (Federação PSDB Cidadania/PRTB). Tem como candidata a vice Priscila Krause (Cidadania).
O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, disse no primeiro discurso após o anúncio do resultado que não enfrentou um candidato, mas a máquina do Estado brasileiro colocada a serviço do candidato da situação para evitar que ele ganhasse. Lula agradeceu a ex-candidata à presidência pelo MDB, Simone Tebet, que aderiu à sua candidatura no segundo turno.
“Não existem dois Brasis, somos um único país”, diz Lula após vitória
— Não enfrentamos um adversário, mas a máquina do estado brasileiro colocada a serviço do candidato da situação para evitar que nós ganhássemos as eleições. Quero agradecer ao povo brasileiro que votou em mim, que se dignou a cumprir com o compromisso de cidadania — afirmou Lula, que disse que se considera um cidadão que teve um processo de ressurreição.
— Porque tentaram me enterrar vivo — disse.
O presidente eleito também agradeceu a Deus.
— Quero começar esta pequena fala com agradecimento a Deus. A vida inteira sempre achei que ele foi muito generoso comigo, permitindo sair de onde eu saí e chegasse onde eu cheguei — afirmou.
Lula disse vai governar o país numa “situação muito difícil”, mas que conta com a ajuda do povo para encontrar uma saída para que o brasil viva democraticamente.
—” Estou aqui para governar este país governar numa situação muito difícil. Mas tenho fé em Deus que com ajuda do povo vamos encontrar uma saída para este país viver democraticamente, harmoniosamente”.
O presidente eleito lembrou que o Brasil chegou ao final de uma das eleições mais importantes de sua história, e que essa não é uma vitória dele e do PT. Mas sim de um imenso processo democrático, que se formou acima dos partidos políticos, para que a democracia fosse vencedora.
– Nesse dia 30, a maioria do povo brasileiro decidiu que deseja mais e nao menos respeito e entendimento entre os brasileiros, mais e não menos igualdade, liberdade e fraternidade em nosso país – declarou Lula, afirmando que entende que a democracia não é apenas uma palavra ou lei, mas sim algo palpável.estabelecer a paz entre as famílias e divergentes – afirmou Lula.
“Não é uma vitória minha, nem do PT, nem dos partidos que me apoiaram nesta campanha. É a vitória de um intenso movimento democrático, que se formou acima dos partidos políticos, dos interesses pessoais, das ideologias, para que a democracia saísse vencedora”, afirmou em seu primeiro pronunciamento.“Não é uma vitória minha, nem do PT, nem dos partidos que me apoiaram nesta campanha. É a vitória de um intenso movimento democrático, que se formou acima dos partidos políticos, dos interesses pessoais, das ideologias, para que a democracia saísse vencedora”, afirmou em seu primeiro pronunciamento.
Pela primeira vez em 25 anos na história política, um presidente da República não é reeleito
O presidente Jair Bolsonaro (PL) amargou derrota para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que retorna ao poder pela terceira vez. Pela primeira vez em 25 anos na história política, um presidente da República não é reeleito. Mais de meia hora após a vitória do petista ser decretada, o atual presidente ainda não havia comentado o resultado das eleições no Palácio da Alvorada, onde a imprensa em peso segue aguardando um posicionamento.
Mais cedo, ao votar no Rio de Janeiro, Bolsonaro se disse otimista com o resultado: “Expectativa de vitória”. Após a votação, Bolsonaro recebeu jogadores do Flamengo no Aeroporto Internacional do Galeão. O time venceu a final da Libertadores contra o Athlético-PR no Equador.
Neste sábado (29), a capital mineira Belo Horizonte, foi escolhida pelo presidente para sua última motociata antes das eleições.
Apoiadores de Bolsonaro acompanharam a apuração na Esplanada dos Ministérios. Já os apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficaram próximos à Torre de TV.
Base fiel e pautas ideológicas
Sem conseguir atrair novos eleitores, Bolsonaro voltou às origens e ignorou conselhos da parte pragmática do Centrão, que pedira um candidato mais sóbrio. Na prática, continuou em 2018, acenando a base fiel, defendendo ideais conservadores, como a pauta cristã anti-aborto, contra a legalização da maconha, o que chama de “ideologia de gênero” e a favor do armamento por parte da população.
Alavancado pela onda antipetista, Bolsonaro, ainda no PSL, foi eleito em 2018 com a promessa de combate à corrupção, permeada pelos sucessivos escândalos na Lava-Jato. Em 2018, durante agenda política em Juiz de Fora, pouco menos de um mês antes das eleições, o então candidato foi vítima de um atentado com uma facada que perfurou seu abdômen em Juiz de Fora (MG). A tragédia deu novo rumo à candidatura e fez com que Bolsonaro ganhasse maior notoriedade.
Já no primeiro ano de governo, Bolsonaro deixou o PSL após um racha na sigla e tentou criar um partido próprio, o Aliança Pelo Brasil, pelo qual tentaria a reeleição. No entanto, não conseguiu reunir as assinaturas necessárias para o registro e se uniu ao Partido Liberal, composto pelo Centrão. Em uma mudança de postura, o chefe do Executivo era um crítico ferrenho do grupo durante as eleições de 2018 e, agora, tem os parlamentares desses partidos como base de governo e fiadores da nova campanha.
Durante o pico da pandemia da covid-19, que já vitimou mais de 686 mil brasileiros, pregou contra a vacinação, disse que a doença seria uma “gripezinha”, negou “ser coveiro”, defendeu medicamentos sem eficácia comprovada e postergou a compra de vacinas.
Em meio à campanha por mais quatro anos na cadeira palaciana, na qual continua pregando o lema “Deus, pátria, família” acrescido de “liberdade”, o chefe do Executivo repetiu quase que diariamente “não ter errado em nada” na condução de políticas de saúde na pandemia e chegou a dizer que deu uma “aloprada” na fala sobre as mortes. Mas voltou a defender a cloroquina, como ‘tratamento precoce’, afirmou que quando falou em ‘virar jacaré’, ao se referir a possíveis efeitos colaterais da vacina, e disse que apenas usava uma ‘figura de linguagem’.
Como medida eleitoreira, com foco na população mais pobre, Bolsonaro aumentou, nos últimos meses, o valor da mensalidade do Auxílio Brasil para R$ 600, além de promover subsídios para caminhoneiros e taxistas. Também na frente econômica, destacou a queda do preço dos combustíveis. Mesmo tendo a máquina pública à disposição, os itens alimentícios e outros itens de consumo ainda seguem em alta, atingindo com mais força a população com menor poder aquisitivo. Logo, apesar dos sinais de melhora na economia, Bolsonaro não conseguiu reverter a vantagem de Lula.
A eleição de 2022 mostrou que Salvador é a capital mais lulista do país. Com quase todas as urnas apuradas no país, a cidade baiana aparece na liderança com mais de 71% dos votos dados ao petista. Petista recebeu a preferência de 71% dos eleitores soteropolitanos
Foto: Reprodução
A Bahia segue a tendência, sendo o segundo estado que mais votou em Lula, perdendo apenas para Piauí.
No entanto, a eleição também mostrou que a capital baiana não é majoritariamente petista. Na disputa estadual, ACM Neto, do União Brasil, marcou aproximadamente 65% dos votos contra 35% de Jerônimo Rodrigues, do PT.
O Partido dos Trabalhadores também nunca venceu as eleições municipais na cidade, apesar de tradicionalmente lançar postulantes. Pinheiro, Nelson Pellegrino e Major Denice foram derrotados em um passado recente, por exemplo.
O presidente Jair Bolsonaro (PL) deixará os palácios do Planalto e da Alvorada na manhã do dia 1º de janeiro e entrará para a História como o primeiro ocupante do cargo a tentar e não conseguir se reeleger desde 1998, quando titulares do Executivo passaram a poder disputar um segundo mandato consecutivo.
O presidente Jair Bolsonaro Foto: Cristiano Mariz / Agência O Globo
Concorrer no posto naturalmente dá uma vantagem a quem tenta a reeleição. No entanto, Bolsonaro terminou o primeiro turno atrás do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preferido pelos eleitores brasileiros.
Bolsonaro chega ao fim da campanha e à reta final de sua gestão limitada aos quatro anos do primeiro mandato sem ter conseguido reduzir a rejeição de cerca de metade da população, segundo as pesquisas, que o derrotou. Entre as mulheres, a recusa é ainda maior.
Por outro lado, sai das urnas com percentuais bem mais altos que o apontado nas sondagens a poucas semanas do primeiro turno e deixa eleita uma forte bancada no Congresso, o que vai ajudar a manter vivo o bolsonarismo.
Antecessores conseguiram nova chance
O primeiro presidente a concorrer à reeleição foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que venceu a disputa com tranquilidade, ainda no primeiro turno, em 1998. Em 2006, Lula foi ao segundo turno com Geraldo Alckmin (na época no PSDB, e hoje seu vice) e também venceu com facilidade.
Com um governo mal avaliado, Dilma Rousseff (PT) teve a reeleição mais complicada. Superou Aécio Neves (PSDB) no segundo turno com uma margem apertada de cerca de três pontos percentuais.
Resultado já previsto por aliados
Apesar de todos os principais institutos de pesquisa indicarem, desde o ano passado, a liderança de Lula, Bolsonaro preferiu desqualificar os levantamentos que também apontavam uma avaliação predominantemente negativa de sua gestão e estilo de governar, insistindo sempre que seria vitorioso ainda no primeiro turno. Mas o resultado não surpreendeu aliados.
Às vésperas do primeiro turno, na sexta-feira à noite, vários deles já deixavam claro, reservadamente, que a vitória se tornava um objetivo cada vez mais distante com os tropeços do presidente e a insistência em radicalismos que dificultaram ganhar o voto de eleitores indecisos que tendiam ao centro.
Dentro e fora do núcleo duro bolsonarista, sobrepõe-se a percepção de que Bolsonaro foi abatido pelos próprios erros. Reiteradamente, aliados apresentavam ao presidente dados para convencê-lo de que teria de demonstrar maturidade e temperança para conquistar mais um mandato.
Pesquisas internas deixavam claro que os reiterados ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e à confiabilidade das urnas eletrônicas agitavam os apoiadores, mas não lhe traziam os votos necessários para levar a corrida para o segundo turno.
Nem a aliança com o Centrão, que lhe garantiu uma estrutura de campanha profissional e base no Congresso para aumentar gastos públicos, foi suficiente para superar os passivos políticos. Não foram poucos os alertas de que era preciso deixar o candidato de 2018 no passado para superar os desgastes de uma gestão marcada por crises.
Um roteiro que incluía investigações de seus filhos, suspeitas de corrupção e declarações condenáveis sobre a pandemia, que levou a vida de 680 mil brasileiros.
As frases infelizes e a cena em que o presidente da República imita alguém com falta de ar numa live foram amplamente exploradas por adversários, principalmente Lula. Na reta final, Boslonaro ensaiou um pedido de desculpas, mas o estrago na popularidade estava cristalizado.
Para além da forma como o presidente encarou o coronavírus, a pandemia agravou a crise da economia, que já tinha dificuldades de reagir antes do vírus. A esse aspecto se somam falhas de comunicação, de acordo com a avaliação do próprio QG bolsonarista.
Internamente, acredita-se que o Executivo não conseguiu divulgar com eficiência as realizações dos últimos três anos e dez meses. Parte dessa conta chega agora, na opinião dos próprios aliados: os feitos da gestão são desconhecidos da população e, consequentemente, as promessas do candidato à reeleição foram vistas com desconfiança.
Medidas econômicas anunciadas às vésperas do período eleitoral, como aumento do Auxílio Brasil para R$ 600 e a redução do preço do combustível, foram vistas como eleitoreiras e não reverteram votos para Bolsonaro. Na opinião de aliados do próprio presidente, também faltou tratar do que interessava a grande parte da população: combate à fome, educação e saúde, temas pouco tratados pelo candidato à reeleição, que insistia em propagar teoria das conspirações.
O aumento do tom nos ataques a Lula, a quem o presidente insistiu em chamar de “ladrão” e “ex-presidiário” nos debates e em diferentes ocasiões, também não surtiram o efeito esperado.
Bolsonaro é o primeiro presidente desde a redemocratização a não ser reeleito
Lula votou neste domingo (30) em São Bernardo do Campo, SP NELSON ALMEIDA / AFP
Rio- Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, foi eleito com 50,83% dos votos o 39º presidente da República neste domingo (30) ao derrotar no segundo turno Jair Messias Bolsonaro, do PL. O militar é primeiro presidente não reeleito. A disputa foi a diferença mais apertada desde a redemocratização. Isso porque Bolsonaro teve 49,17% dos votos com 98,81% das urnas apuradas.
No primeiro turno, Lula já havia sido o mais votado, com 48,43% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro apresentou 43,2%. Durante toda a campanha, Lula defendeu suas propostas e criticou o governo Bolsonaro. Dentre elas, o presidente enfatizou que o pobre poderá voltar a comer churrasco de picanha com ‘cervejinha’ e prometeu mudar o mapa da fome no país. Além de reforçar os compromissos com a educação e saúde.
Lula retorna à presidência após 10 anos da sua primeira candidatura. Em 2002, foi eleito o 35º presidente da República, sendo reeleito em 2006. Após 8 anos na presidência, em 2010, ele apoiou a ex-presidente Dilma Rouseff, (PT), que sofreu um um impeachment em 2016. Em seguida, quem assumiu o cargo foi o vice Michel Temer (PMDB), no entanto Lula considerou a ação como um golpe.
Lula – RICARDO STUCKERT
Presidente entre 2003 e 2010, Lula deixou o poder com quase 90% de popularidade, após uma gestão na qual 30 milhões dos mais de 200 milhões de brasileiros saíram da pobreza.
O petista conquistou enorme prestígio internacional como o líder do “milagre” econômico brasileiro, impulsionado pelos preços altos da matérias-primas.
Em 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu, por maioria de votos (6 a 1), o registro de candidatura do Lula para disputar as eleições. A decisão seguiu o entendimento do relator do pedido na Corte, ministro Luís Roberto Barroso, que declarou a inelegibilidade de Lula com base na Lei da Ficha Limpa. Isso porque, em janeiro do mesmo ano, ele havia sido condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso do triplex em Guarujá (SP), no âmbito da Operação Lava Jato.
Desse modo, seu aliado, Fernando Haddad (PT) disputou a presidência da República, no entanto, perdeu para Jair Bolsonaro, que interrompeu as vitórias consecutivas do PT nas eleições presidenciais.
Prisão
Lula foi preso no dia 7 de abril de 2018, dois dias depois de o juiz Sergio Moro ter expedido ordem de prisão contra ele no processo do triplex do Guarujá. Ele foi condenado a 12 anos e 1 mês de reclusão. Depois, em abril de 2019, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reduziu a pena para 8 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão.
Enquanto estava preso, ele teve uma segunda condenação no caso do sítio de Atibaia (SP). Na ocasião, o Judiciário concordou com a acusação do Ministério Público de que Lula teria recebido o apartamento no litoral paulista. No total, ele ficou 580 dias preso na sede da Polícia Federal em Curitiba.
Soltura
Lula foi solto no dia 8 de novembro de 2019 por ordem do juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba. A soltura veio como consequência de uma mudança de posição do STF a respeito da prisão em segunda instância.O Supremo agora entende que os réus só podem ser presos quando não couber mais recursos.
O presidente se tornou elegível novamente em 2021 após decisão do ministro do STF Edson Fachin que anulou todas as condenações definidas pela Justiça Federal no Paraná relacionadas à Operação Lava Jato. O juiz Sérgio Moro, responsável pela condenação, foi considerado parcial na análise do caso do triplex do Guarujá.
Na Lava Jato, ele foi responsável por condenações como as de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, e de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras. Também foi ele quem condenou primeiramente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por corrupção no caso do tríplex do Guarujá, em 2017.
Após as eleições de 2018, Moro deixou a carreira de 22 anos como juiz federal para comandar o Ministério da Justiça a convite de Bolsonaro. Em abril de 2020, Sergio Moro pediu demissão do cargo horas após a publicação da exoneração do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo. Em anúncio de despedida, Moro afirmou que a troca do comando da corporação foi ocasionada por interferência política de Bolsonaro. No primeiro turno das eleições deste ano, Moro foi eleito senador do Paraná e voltou a apoiar Bolsonaro no segundo turno.
Propostas
Imposto de renda zero
Isenção do imposto de renda na faixa até R$5mil e desconto para a classe média.
Salário mínimo forte
Com reajustes acima da inflação para aumentar o poder de compra das famílias.
Bolsa Família
R$ 600,00 garantido mais R$ 150,00 por criança até 6 anos. Ou seja, renda garantida para a alimentação dos mais pobres e para girar a roda da economia.
Brasil sem fome
Compromisso de produzir e garantir comida para 33 milhões de pessoas e tirar o Brasil, mais uma vez, do mapa da fome.
Minha casa, Minha vida
Retomada do maior programa de habitação popular da história do Brasil.
Mais saúde Brasil
Programa para levar atendimento médico para as famílias em todo Brasil.
Ministério da Mulher
Criação, em parceria com estados e municípios, da rede casa da mulher brasileira, com delegacia da mulher, ministério público, atendimento psicológico e abrigo para mulheres em situação de vulnerabilidade, além de promover a reinserção da mulher no mercado de trabalho. melhorar e ampliar o atendimento de saúde às mulheres, com investimento em prevenção, diagnóstico, tratamento e recuperação de doenças. Retomar investimento nas ações de combate à violência contra a mulher e ampliação do Programa Casa Abrigo para a mulher vítima de violência.
Farmácia popular
Retomar e ampliar o programa que garante medicamentos a custo baixo para quem mais precisa.
Empreende Brasil
Facilitar o acesso ao crédito para micro e pequenas empresas, com novas linhas de crédito, melhores relações de trabalho e a retomada do Cartão de Crédito do BNDES.
Desenrola Brasil
Negociação das dívidas das famílias que recebem até 3 salários mínimos, para limpar o nome no SPC e SERASA e reaquecer a economia.
Recriar o Ministério da Cultura
Retomada cultural por um Brasil mais feliz, com valorização da produção local e regional e geração de emprego.
Brasil sustentável
Combater o garimpo ilegal, as queimadas e o desmatamento. Recuperar os órgãos de preservação e fiscalização para defender o meio ambiente, especialmente a Amazônia. Adotar estratégia de desenvolvimento justo, solidário e sustentável.
Creches e ensino em tempo integral
Para melhorar a qualidade da educação e a vida de crianças, jovens e famílias.
Brasil conectado
internet de qualidade em todo o país
Para melhorar a qualidade da educação e a vida de crianças, jovens e famílias.
Mais universidade
Ampliar o acesso dos jovens ao curso superior, com o fortalecimento do ENEM, PROUNI e FIES. Expandir e fortalecer a Lei de Cotas Raciais e Sociais. Implantar o Bolsa Permanência, incentivo para estudantes de baixa renda permanecerem na universidade.
Conheça a trajetória política de Lula
Presidente entre 2003 e 2010, Lula deixou o poder com quase 90% de popularidade, após uma gestão na qual 30 milhões dos mais de 200 milhões de brasileiros saíram da pobreza.
O petista conquistou enorme prestígio internacional como o líder do “milagre” econômico brasileiro, impulsionado pelos preços altos da matérias-primas.
Origens
Um casebre de taipa, réplica da casa de sua família em Caetés, no Agreste pernambucano, onde nasceu em 27 de outubro de 1945, lembra as origens nordestinas de Lula.
Sétimo filho de um casal de analfabetos, Lula foi abandonado pelo pai antes de a família emigrar, assim como milhões de conterrâneos, para a industrializada São Paulo.
Foi camelô e engraxate. Aos 14 anos, iniciou sua formação de torneiro mecânico, perdeu um dedo mindinho ao manipular uma máquina e ao final da década de 1970 encabeçou, como líder do sindicato dos metalúrgicos, uma greve histórica que desafiou a ditadura militar (1964-1985).
Sétimo filho de um casal de analfabetos, Lula foi abandonado pelo pai antes de a família emigrar, assim como milhões de conterrâneos, para a industrializada São Paulo.
Foi camelô e engraxate. Aos 14 anos, iniciou sua formação de torneiro mecânico, perdeu um dedo mindinho ao manipular uma máquina e ao final da década de 1970 encabeçou, como líder do sindicato dos metalúrgicos, uma greve histórica que desafiou a ditadura militar (1964-1985).
Disputou as primeiras eleições presidenciais após a democratização em 1989, e depois em 1994, 1998 e 2002, quando venceu e se tornou o primeiro presidente brasileiro saído da classe operária.
“Eu até gostaria de ser doutor, mas eu tive sorte por causa de vocês, porque foram vocês que me deram o primeiro diploma que eu ganhei na minha vida, o diploma de presidente da República”, declarou durante um comício.
Disputou as primeiras eleições presidenciais após a democratização em 1989, e depois em 1994, 1998 e 2002, quando venceu e se tornou o primeiro presidente brasileiro saído da classe operária.
“Eu até gostaria de ser doutor, mas eu tive sorte por causa de vocês, porque foram vocês que me deram o primeiro diploma que eu ganhei na minha vida, o diploma de presidente da República”, declarou durante um comício.
Lula teve numericamente a maior votação da história —o recorde anterior era dele mesmo, em 2006, com 58.295.042 votos. O petista acompanhou a apuração em casa e deve ir para um hotel próximo à avenida Paulista, região central de São Paulo. Bolsonaro está em Brasília.
O país possui quase 65 mil urnas de contingência para eventuais problemas. Máquinas substituídas representam 0,17% do total
Urnas eletrônica durante lacre para utilização no segundo turno eleitoral MAÍRA GUEDES/RECORD TV
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou que, nas primeiras horas de votação deste domingo de eleições (30), 926 urnas precisaram ser substituídas em todo o país. Os dados são do boletim eleitoral divulgado pelo Tribunal.
O quantitativo de máquinas substituídas representa 0,17% das 472.075 urnas de votação em todo o país. O Brasil conta com 64.918 urnas de contingência para substituições ao longo de todo o dia de votação do segundo turno eleitoral.
As votações da eleição geral de 2022 começaram às 8h e terminam às 17h, de forma unificada em todos os 27 entes federados brasileiros.
O horário de votação nas eleições deste ano foi unificado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, estados que estão em fusos diferentes do de Brasília se adequaram ao horário da capital federal.
m Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima, a votação vai das 7h às 16h do horário local. No Acre, a votação ocorre das 6h às 15h do horário local.
Após o fim do horário de votação, apenas eleitores que já estiverem aguardando na fila terão o direito a exercer o voto e receberão senhas para comparecer à cabine de votação. O Brasil tem 156.454.011 eleitores.
Os dois candidatos à Presidência da República votaram na manhã deste domingo (30). Lula fala em “resgate de pessoas”; Bolsonaro, em “Brasil vitorioso”
Lula vota em São Bernardo; Bolsonaro vota no Rio — Foto: Celso Tavares/g1; Reuters
Em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Lula (PT) votou em São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista, e disse acreditar que a eleição mostrará qual “modelo de Brasil” o eleitor quer.
O presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, votou na Vila Militar do Rio de Janeiro e disse ter “expectativa de vitória” (leia mais abaixo os detalhes de como foi a votação de cada um dos candidatos).
Ao todo, mais de 156 milhões voltam às urnas neste domingo para escolher o presidente da República e os governadores (nos estados onde houver segundo turno).
Ao votar, o ex-presidente Lula disse que o eleitor precisa escolher qual “modelo de Brasil” deseja. O ex-presidente tem afirmado que o cidadão precisa escolher se apoia a democracia ou a “barbárie”.
“Hoje, possivelmente, seja o dia 30 de outubro mais importante da minha vida. E acho que é um dia muito importante para o povo brasileiro porque hoje o povo está definindo o modelo de Brasil que ele deseja, o modelo de vida que ele quer”, declarou Lula neste domingo.
O ex-presidente disse ter fé que os eleitores vão escolher um projeto que defende a democracia.
Lula governou o país entre 2003 e 2010 e disputa a Presidência pela sexta vez. Ele também concorreu em 1989, 1994, 1998, 2002 e 2006. Em 2018 ele tentou disputar, mas teve a candidatura rejeitada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que acolheu contestação do Ministério Público que apontava a inelegibilidade do petista com base na Lei da Ficha Limpa.
Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse ao votar ter “expectativa de vitória”. O candidato tem afirmado em seus discursos acreditar que, embora apareça em segundo lugar nas pesquisas, sairá vencedor da disputa.
“Expectativa de vitória, pelo bem do Brasil. Só tivemos boas notícias nos últimos dias. Se Deus quiser, seremos vitoriosos hoje à tarde. Ou melhor, o Brasil será vitorioso hoje à tarde”, afirmou Bolsonaro.
Ao entrar na seção eleitoral, o presidente cumprimentou os mesários e deixou o local rapidamente.
Esta é a segunda vez que Bolsonaro disputa a Presidência. Ele concorreu pela primeira vez em 2018, quando venceu Fernando Haddad, do PT, no segundo turno.
Pesquisas eleitorais
As pesquisas eleitorais têm mostrado o ex-presidente Lula à frente do presidente Jair Bolsonaro.
Levantamento do instituto Ipec divulgado neste sábado (29) mostrou Lula com 54% dos votos válidos, e Bolsonaro, com 46%.
Pesquisa Datafolha também divulgada neste sábado mostrou Lula com 52% dos votos válidos, e Bolsonaro, com 48%.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral vota em São Paulo e, depois, retorna ao Distrito Federal para acompanhar a apuração dos votos
Igo Estrela/Metrópoles
O ministro Alexandre de Moraes, presidente de Tribunal Superior Eleitoral (TSE), desejou “paz, segurança, consciência e esperança” neste domingo de eleições (30/10). A declaração do magistrado foi publicada nas redes sociais.
Moraes vota em São Paulo, no Colégio Madre Alix, zona oeste da capital paulista. Após a votação, ele deve retornar ao Distrito Federal para acompanhar a apuração dos votos no TSE.
Pronunciamento de Moraes
Na noite de sábado (29/10), véspera do segundo turno das eleições, o ministro fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão. No discurso, Moraes convocou os eleitores às urnas.
“Eleitoras e eleitores, compareçam para votar. O comparecimento e o voto são os mais importantes instrumentos de cidadania para a construção de um país justo e igualitário”, disse.
O ministro lembrou que o transporte coletivo será de graça nas 27 unidades da Federação. A iniciativa, segundo ele, poderá reduzir o nível de abstenção no segundo turno, que ocorre neste domingo, das 8h às 17h, horário oficial de Brasília.
O magistrado ressaltou ainda que a “Justiça Eleitoral reforçou o treinamento e os procedimentos para que as filas que aconteceram em algumas seções eleitorais no primeiro turno não se repitam”.
Pesquisa Ipec, contratada pela TV Globo e divulgada neste sábado (29), aponta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança para a corrida presidencial, com oito pontos de vantagem sobre o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).
Lula (PT) e Bolsonaro (PL) disputam o segundo turno das eleições presidenciais Imagem: Ricardo Stuckert e Alan Santos/PR
O petista aparece com 54% das intenções para votos válidos (excluindo brancos, nulos e indecisos), enquanto o candidato do PL, 46%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os números são os mesmos da rodada anterior, divulgada na segunda-feira (24).
Esta é a última pesquisa presidencial do instituto antes do segundo turno das eleições, que acontece amanhã em todo o Brasil. Em 2018, as pesquisas da véspera da votação acertaram qual seria o resultado das urnas.
Em votos totais, Lula tem 50%, e Bolsonaro, 43% no cenário estimulado —ou seja, quando os entrevistados recebem uma lista com o nomes dos candidatos. Brancos e nulos foram 5%, enquanto os que não sabem ou não responderam, 5%. Os percentuais são idênticos aos do levantamento do início da semana.
O Ipec entrevistou 4.272 eleitores pessoalmente em todo o país entre os dias 23 e 29 de outubro, ao custo de R$ 514.446,81. O nível de confiança, segundo o instituto, é de 95%, e o número de registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), BR-05256/2022.
Votos válidos
Lula (PT): 54% (tinha 54% no início da semana)
Jair Bolsonaro (PL): 46% (tinha 46%)
Votos totais (estimulado)
Lula (PT): 50% (tinha 50%)
Jair Bolsonaro (PL): 43% (tinha 43%)
Branco/nulo: 5% (eram 5%)
Não sabe: 2% (eram 2%)
Sobre o instituto
O Ipec foi fundado em fevereiro de 2021 por ex-executivos do Ibope, que encerrou suas atividades em janeiro por conta do fim de um acordo de licenciamento da marca após 79 anos. O Ipec aborda entrevistados em suas casas, localizadas em áreas estabelecidas conforme distribuição do eleitorado brasileiro.
Além das divulgações da disputa presidencial, Ipec vai trazer intenção de voto para governos de São Paulo, Pernambuco, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe.
O g1 e a GloboNews publicam, às 18h deste sábado (29), o resultado da pesquisa de intenção de voto do Ipec sobre o segundo turno da disputa pela Presidência da República, entre o ex-presidente Lula (PT) e presidente Jair Bolsonaro (PL).
O ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro — Foto: Andre Penner/AP e Evaristo Sa/AFP
Às 18h10, será divulgado o resultado da pesquisa do instituto Datafolha. O segundo turno acontece neste domingo (30).
A partir das 17h20, serão publicadas também as intenções de voto para disputas pelos governos de São Paulo, Pernambuco, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe
Segundo pesquisa, candidata do PSDB tem a preferência do eleitorado pernambucano para o segundo turno das eleições
Marília Arraes (Solidariedade) e Raquel Lyra (PSDB) disputarão o 2º turno para o Governo de PE DIVULGAÇÃO/ARTE R7
A candidata do PSDB ao Governo de Pernambuco, Raquel Lyra, tem 64,1% dos votos válidos, de acordo com pesquisa publicada nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Veritá. A candidata do Solidariedade, Marília Arraes, tem 35,9%.
A pesquisa foi feita por iniciativa própria do instituto. Foram entrevistados 2.010 eleitores entre terça-feira (25) e quinta-feira (27). A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) sob o número PE-02710/2022.
No cenário que leva em conta os votos não válidos, Raquel também aparece à frente, com 60,4%, ao passo que Arraes tem 33,9%.
Lula ganhou o debate da Globo, primeiro, porque foi melhor do que Bolsonaro, muito melhor. Segundo… Bem, porque podendo até empatar sem que isso ameaçasse suas chances de se eleger, não empatou. Terceiro, porque podendo até perder por pouco, não perdeu. Quarto, porque errou menos do que Bolsonaro.
Foto: Reprodução TV Globo
A repetição é obrigatória: debate não decide eleição, a não ser que um dos debatedores derrape muito, muito feio. Isso não aconteceu com Lula e Bolsonaro. De curioso, apenas curioso, o ato falho de Bolsonaro na declaração final, livre de qualquer tipo de pressão, momento em que os candidatos sabem de cor o que dirão.
Ao mencionar Deus duas ou três vezes em um minuto e meio, Bolsonaro afirmou:
“Muito obrigado, meu Deus. Se essa for a sua vontade, estarei pronto para cumprir com mais um mandato de deputado federal”.
E rapidamente acrescentou: “Presidente da República”.
Bolsonaro não compareceu ao debate para debater coisa alguma, mas para provocar Lula, tirá-lo do sério e vê-lo se pautar por suas perguntas. Bolsonaro foi poucas vezes tão ele mesmo quanto ontem. Comportou-se como um arruaceiro, não como um presidente da República que aspira permanecer no cargo.
Começou chamando o adversário de Luiz Inácio, como se isso o diminuísse, ou se chamando-o assim revelasse o seu desprezo. Gastou todo seu tempo do primeiro bloco do debate empenhado em carimbar Lula como corrupto, ladrão e chefe de organização criminosa. Seu claro propósito: aumentar a rejeição a Lula.
Todo o debate foi tenso, especialmente o primeiro bloco. Lula devolveu os ataques, não ficando na defensiva como talvez esperasse Bolsonaro. Chamou-o de comprador de imóveis com dinheiro vivo e citou um levantamento que descobriu que Bolsonaro já mentiu 6.498 vezes durante seu governo.
A certa altura, Bolsonaro chegou a ordenar a Lula: “Fique aqui”, apontando para o meio do palco onde estava. E Lula cometeu a primeira frase marcante do debate: “Não quero ficar perto de você”. Lula falou a maior parte do tempo olhando para as câmaras, ou seja: diretamente para quem estava em casa, assistindo.
Bolsonaro falou a maior parte do tempo consultando papéis preparados por seus assessores. Ele falou para sua bolha – os eleitores que jamais o abandonarão. Lula falou para fora da sua bolha, mirando os eleitores indecisos ou que ainda admitem trocar de lado. Um parecia presidente, o outro moleque de rua.
Lula estava bem treinado. Se Bolsonaro foi treinado, desobedeceu aos treinadores. Lula soube tirar proveito do escancarado desinteresse de Bolsonaro em discutir propostas para o país ao pedir mais de uma vez desculpas aos espectadores pelo baixo nível do debate. Bolsonaro fez de conta que isso não era com ele.
No debate anterior da Band, Lula defendeu-se em excesso, falou em excesso e esgotou seu tempo antes da hora, dando quase três minutos para que Bolsonaro falasse sozinho. Desta vez, não. Lula foi na base do bateu, levou, e administrou melhor o seu tempo. Sua linguagem corporal foi superior à do seu adversário.
Acabou sendo um debate mais sobre o passado do que sobre o futuro? Acabou. Mas se isso frustrou quem preferia olhar para frente e não para trás, ponha-se na conta de Bolsonaro. E, aqui, ele novamente deu-se mal: quem tem melhor passado é Lula, que governou o país duas vezes. Bolsonaro desgovernou-o.
Estão dadas, portanto, as condições para que Lula derrote Bolsonaro amanhã. A decisão caberá unicamente à Sua Excelência, o Eleitor.
E-Título pode ser apresentado no momento da votação e também serve para justificar ausência. Eleitores devem verificar última atualização
Deiviane Linhares/Especial Metrópoles
Termina às 23h59 deste sábado (29/10), véspera da votação do segundo turno nas eleições de 2022, o prazo para que os eleitores baixem ou atualizem o e-Título, versão digital que substitui o Título de Eleitor em papel na disputa eleitoral.
Além de possibilitar a consulta ao local de votação, o app pode ser usado para pedido de justificativa de ausência, emissão de certidão de quitação eleitoral e nada consta criminal.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) orienta o eleitorado a seguir regras de utilização e baixar ou atualizar o e-Título o quanto antes, “para evitar dificuldades que possam surgir ao deixar a emissão para a última hora”.
Segundo o TSE, até as vésperas do primeiro turno, cerca de 30 milhões de eleitores ativaram o aplicativo no Brasil e no exterior. Desse total, 13 milhões de ativações foram feitas em 2022.
Segundo turno
Neste domingo (30/10), mais de 156 milhões de brasileiros poderão comparecer às urnas para votar. A zona e a seção a eleitoral devem ser consultadas para que o eleitor se organize. A consulta ao local de votação é rápida, simples e gratuita.
Segundo o tribunal, eleitores que já têm o e-Título devem verificar se está tudo certo, mantendo o app atualizado. Dificuldades costumam ser resolvidas com a reinstalação do aplicativo.
Estudo contratado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) aponta favoritismo de Lula para vencer a corrida eleitoral
Fabio Vieira/Metrópoles e Aline Massuca/Metrópoles
Mais da metade dos brasileiros acredita que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencerá as eleições para a Presidência da República, neste domingo (30/10). É o que aponta pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) na manhã deste sábado (29/10).
Conduzido pelo Instituto MDA, o levantamento questionou os eleitores quem eles acreditariam que venceria as eleições, independentemente do candidato escolhido.
Entre eleitores de Lula, Bolsonaro, indecisos e pessoas que pretendem votar em branco, o petista foi citado por 51,3% dos entrevistados como o potencial vencedor da corrida ao Palácio do Planalto. Neste quesito, 38,5% do eleitorado crê em vitória do presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto 10,2% não quis ou não soube responder.
Empate técnico
A mesma pesquisa da CNT mediu a intenção de voto para o Palácio do Planalto e, de acordo com o estudo, há empate técnico entre Lula e Bolsonaro. O petista tem 51,1% dos votos válidos (excluídos brancos e nulos) contra 48,9% do atual mandatário do país.
No último levantamento, divulgado em 17 de outubro, Lula tinha 53,5% dos votos válidos válidos (48,1% dos votos totais), e Bolsonaro pontuou 46,5% (41,8%). Na ocasião, votos nulos e em branco totalizavam 6%, e eleitores indecisos eram 4,1%, de acordo com a pesquisa.
A soma dos votos válidos recebidos é o critério utilizado pela Justiça Eleitoral para definir o presidente eleito. Nesse caso, não são contabilizados os eleitores que declaram voto em branco ou nulo e indecisos. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais (para mais ou para menos), em um nível de confiança de 95%.
Pesquisa CNT/MDA de 29 de outubro com votos válidos Divulgação
Considerando o cenário estimulado, em que os candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula tem 46,9% dos votos, e Bolsonaro concentra 44,9% do eleitorado. Votos em branco, nulo ou pessoas que não vão votar correspondem a 5,6% do eleitorado. Há 2,6% de eleitores que ainda estão indecisos quanto ao voto.
A pesquisa da CNT foi realizada pelo instituto MDA entre 26 e 28 de outubro. No total, foram ouvidas 2.002 pessoas. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o código BR-01820/2022.
O golpe frustrado e a dificuldade de entender o português falado em Portugal
Não se diga que Bolsonaro não tentou até o fim melar os resultados das eleições amanhã. Foi só o que fez quando ainda acreditava que poderia se reeleger, e o que fez ao perceber que seria derrotado. Nunca teve compromisso com a democracia.
Foto: Reprodução
Fracassou sua última tentativa de virar a mesa. Bolsonaro voava para o Rio quando soube que sua dupla de Fábios (Farias, ministro das Comunicações, e Wajngarten, responsável pela área de comunicação da campanha”) havia encontrado ouro puro.
Eis o ouro, que nem era puro e nem ouro: um falso levantamento feito por uma empresa de tecnologia a serviço da campanha apontou o boicote de emissoras de rádio a peças de propaganda eleitoral de Bolsonaro. Um verdadeiro escândalo, se provado.
Bolsonaro mudou a rota do avião e desembarcou em Brasília. Convocou uma reunião ministerial e chamou ao seu gabinete os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Chegara a hora de emparedar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ou as peças de propaganda seriam veiculadas até hoje ou as eleições deveriam ser adiadas. Não houve reunião ministerial porque faltavam ministros. Os militares julgaram procedente a queixa de Bolsonaro, mas além disso não iriam.
A ameaça de golpe desmoronou em menos de 24 horas, frente a resistência da maioria dos ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal. Foi sob o peso da frustração que Bolsonaro compareceu ao debate com Lula, e ali colheu mais uma derrota.
Estava visivelmente “descompensado”, como disse Lula. O próprio Bolsonaro admitiu: “Todo o sistema está contra mim”. E por que não estaria? Ao se eleger, ele disse que sua tarefa era “destruir o sistema”. Seu segundo mandato serviria para pôr outro no lugar.
Deu tudo errado. E Bolsonaro passou recibo não só durante o debate, mas também depois dele. À beira de um ataque de nervos quando dava uma entrevista coletiva à saída dos estúdios da Globo, foi retirado às pressas da cena por assessores assustados.
Um repórter da Folha de S. Paulo informou a Bolsonaro que toda a imprensa carioca sabia que o organizador da visita de Lula ao Complexo do Alemão, no Rio, é um comunicador conhecido e sem envolvimento com o tráfico de drogas, como ele havia sugerido.
Então, Bolsonaro berrou: “Você tem moral para me chamar de mentiroso?”
A frase foi seguida de uma batida na mesa. Ele e o jornalista passaram a falar ao mesmo tempo. O senador eleito Sérgio Moro (União-PR) deu um cutucão no braço de Bolsonaro e pediu “calma”. O coronel Mauro Cid tirou Bolsonaro dali.
Antes, o alvo da irritação de Bolsonaro foi uma assessora da Globo. Ao microfone, ela avisou que lhe restava só 1 minuto para concluir a entrevista. Ele retrucou com a voz alterada:
“Sou candidato ou sou presidente? Se for candidato eu vou embora. Eu sou candidato, eu vou embora. Então, por favor. Eu sou presidente da República. Candidato eu era lá dentro”.
Na entrevista coletiva, um jornalista da ATP, de Portugal, perguntou a Bolsonaro sobre a imagem do Brasil no exterior. Ele respondeu:
“Não sei se entendi o que você falou. Mas se ficar repetindo, eu continuarei não entendendo. É que não falo espanhol e nem portunhol”.
O jornalista perguntou em português. Bolsonaro tem dificuldades de entender o português falado em Portugal.
Segundo Moraes, presidente do TSE, grupos propagam “mensagens preconceituosas e intimidatórias, assim como a apologia a atos criminosos”
Igo Estrela/Metrópoles
O ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou, nessa sexta-feira (28/10), a exclusão de grupos que propagam informações falsas e violência política no Telegram.
De acordo com o ministro, os grupos “70 Milhões Eu Voto Em Bolsonaro Nova Direita” e “70 Milhões 2 Eu Voto Em Bolsonaro Nova Direita” contam com 180 mil integrantes e propagam “mensagens preconceituosas e intimidatórias, assim como fazem apologia a atos criminosos”.
Na decisão, o magistrado cita trechos de mensagens com teor xenofóbico e violento, inclusive contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Frases como “A vontade que eu tenho é de meter bala na cabeça do Xandão” e “Bando de baiano vagabundo” constam nos grupos.
A decisão do presidente do TSE atende pedido encaminhado pela Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE (AEED/TSE). No texto, Moraes ressaltou que a Lei das Eleições proíbe a “divulgação ou compartilhamento de fatos sabidamente inverídicos ou gravemente descontextualizados”.
“Tais afirmações não correspondem a legítimo exercício da liberdade de expressão, mas a comportamento abusivo e criminoso, incompatível com o regime democrático, seja porque não guardam conexão com a realidade, seja porque planejam comprometer a integridade e a natureza pacífica da competição eleitoral, transformando-a em um jogo sujo, sanguinário e conflituoso”, cita o ministro.
Moraes determinou que o Telegram exclua os grupos “imediatamente”, sob pena de R$ 100 mil por hora de descumprimento.
No último debate antes da votação do segundo turno, Lula e Bolsonaro trocam ofensas, numa repetição da campanha polarizada. Em mais de duas horas de confronto, sobrou pouco espaço para candidatos abordarem programas de governo
(Crédito: MAURO PIMENTEL / AFP)
A última cartada da mais tensa e violenta disputa presidencial já vista no país desde a redemocratização foi dada nesta sexta-feira (28/10) à noite, no debate da TV Globo. Frente a frente, o presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta voltar ao poder depois de dois mandatos entre 2002 e 2010, passaram a maior parte do programa trocando acusações e deixando em segundo plano propostas de governo.
Com audiência na casa dos milhões de espectadores, o último debate desta eleição seguiu o modelo adotado no primeiro turno, em que os candidatos puderam administrar o próprio tempo.
Bolsonaro levou para o estúdio dois de seus principais coordenadores de campanha, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, e o marqueteiro Fábio Wajngarten, além do ex-ministro e ex-desafeto Sergio Moro (União Brasil), eleito senador pelo Paraná.
Lula chegou à emissora acompanhado da esposa, Rosângela da Silva, a Janja; do vice de chapa, Geraldo Alckmin (PSB); da ex-ministra Marina Silva (Rede); e da senadora Simone Tebet (MDB). No estúdio, além de Janja, teve como auxiliares de palco a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o marqueteiro da campanha, Sidônio Palmeira.
Confirmando as expectativas, os dois candidatos partiram, logo no primeiro bloco, para a troca de provocações. A primeira pergunta, por sorteio, foi feita por Bolsonaro, que questionou Lula sobre acusações feitas na propaganda petista de que ele iria congelar o salário mínimo e aposentadorias.
O ex-presidente aproveitou o tema para perguntar por que o governo atual não deu aumento real para o mínimo, como ocorreu na gestão do petista. Bolsonaro mordeu a isca, ficou na defensiva, com o argumento de que o país viveu uma crise por causa da pandemia. E prometeu elevar o valor do mínimo para R$ 1,4 mil no ano que vem.
A partir daí, expressões como “mentira” e “mentiroso” passaram a ser constantes em todas as participações. Até que Lula cobrou o fraco crescimento econômico nos últimos anos. Bolsonaro disse que recebeu o país em crise, referindo-se ao governo Dilma Rousseff. Nesse ponto, o primeiro bloco atingiu seu momento mais tenso. O petista lembrou que o presidente “recebeu o governo de um golpista chamado Michel Temer, não recebeu de Dilma”.
O chefe do Executivo perguntou por que adversário “esconde” nomes que se envolveram no escândalo do mensalão, como os ex-ministros Antônio Palocci e José Dirceu. Lula rebateu dizendo que no governo dele havia transparência e que quem está escondendo aliados é o presidente. Citou o ataque feito pelo ex-deputado Roberto Jefferson a uma equipe da Polícia Federal.
No segundo bloco do debate, cada candidato teve o direito de escolher um tema para discussão. Lula perguntou sobre combate à fome. Bolsonaro defendeu o Auxílio Brasil e contestou os dados de que há mais de 30 milhões de brasileiros sem ter o que comer. Apresentou dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que indicariam redução da extrema pobreza de 5,1% para 4% da população. “Diminuiu comigo a extrema pobreza”, disse o presidente. O petista lembrou do governo dele, quando “o povo tinha dinheiro para comprar comida, trocar de fogão, viajar”.
Bolsonaro escolheu o tema “respeito à Constituição” e afirmou que “joga dentro das quatro linhas da Constituição” há três anos e 10 meses. E atacou Lula dizendo que o ex-presidente apoia invasões de terra. “Isso é respeitar a Constituição?”, provocou o chefe do Executivo. O adversário respondeu dizendo que quem ameaça ministros do Supremo é o presidente. Bolsonaro retrucou argumentando que suas opiniões são “liberdade de expressão”.
O aborto foi outro assunto do bloco, a partir de uma provocação de Lula, que relembrou um discurso de Bolsonaro na Câmara, nos anos 1990, defendendo um remédio abortivo. E perguntou se o concorrente se lembrava das declarações. O presidente admitiu, mas minimizou a questão dizendo que a declaração havia sido dada “muito tempo atrás”. E devolveu a acusação: “Você é abortista convicto”, acusou. O petista revidou sustentando que sempre foi contra o aborto. “Se você quer jogar a culpa do aborto em alguém, em mim não cola”, enfatizou Lula.
Pandemia
No terceiro bloco, com tema livre, Lula retomou a discussão sobre a pandemia e perguntou por que o presidente “esconde” o próprio cartão de vacina e por que cortou recursos do programa Farmácia Popular. Também questionou por que o Brasil, que tem 3% da população mundial, foi responsável por 13% das mortes pela doença em todo o mundo. Bolsonaro defendeu as ações do seu governo e reafirmou que o país foi um dos primeiros a iniciar a vacinação em massa. Não falou sobre o sigilo em relação ao seu cartão de vacina. O petista acusou o adversário de não demonstrar nenhum gesto de solidariedade às famílias que perderam parentes para a pandemia. Disse que o concorrente foi ao velório da rainha Elizabeth, do Reino Unido, “enquanto 640 mil pessoas morreram de covid no Brasil”.
Lula indagou Bolsonaro sobre os investimentos do atual governo na área da saúde. “Sabe o que você fez a mais? Comprou 35 mil caixas de Viagra para dar às Forças Armadas. Explique por que, já que o povo não tem sequer fraldão geriátrico”, frisou. “Lula, o Viagra é usado para vários tratamentos”, disse o presidente. Nessa hora, o petista foi até o adversário e o interrompeu: “Essa eu quero ver você responder, explique”. “Eu expliquei: o Viagra é usado para tratamento de (câncer de) próstata”, frisou o chefe do Executivo. Foi a deixa para Lula provocar: “Só as Forças Amadas têm direito, por que você não distribui de graça para o povo?”
Outro tópico que entrou na reta final do debate foi a da política de liberação de armas para civis, promovida pelo atual governo. Bolsonaro acusou Lula de se encontrar com “chefões do tráfico” quando visitou o Complexo de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro. “Você propôs aos chefões do tráfico entregar fuzis ou apenas fez média com eles para ganhar votos do pessoal do comunidade?”, atacou. “Eu sou o único presidente da República que tem coragem moral para entrar numa favela, ser tratado como ser humano e tratar a todos com respeito. Todo mundo ali é gente trabalhadora, extraordinária”, respondeu o petista, que prometeu retomar o controle e a fiscalização das armas no país por meio do Exército.
Na sequência, foi a vez de Lula provocar o adversário informando que o governo cortou todos os recursos orçamentários para proteção da mulher. Bolsonaro defendeu-se afirmando que o Orçamento poderá ser modificado depois pelo Congresso.
Emprego
Na última rodada de debates, com temas pré-definidos, Bolsonaro escolheu falar de geração de emprego, lembrando que os dados deste ano são positivos para a geração de empregos, com uma média de 250 mil vagas abertas mensalmente. Lula revidou, sustentando que os números só são positivos porque foram incluídos na conta o trabalho informal, o trabalho eventual e os microempreendedores individuais. No governo dele, os dados se referiam ao emprego com carteira assinada, que registraram saldo de 22 milhões de vagas. O presidente ressaltou que o Brasil se recuperou da pandemia gerando milhares de empregos.
Foi nesse bloco que Bolsonaro apresentou, pela primeira vez, projetos de governo na área da infraestrutura. Listou uma série de investimentos que deverão ser tocados, se reeleito. “A costa do Nordeste será um oásis com (usinas) eólicas”, disse. Elencou, também o futuro metrô de Belo Horizonte, o término da construção da usina nuclear Angra 3 (RJ) e o início da exploração de lítio no Vale do Jequitinhonha (MG).
Lula optou por fazer uma pergunta sobre meio ambiente, destacando a crise climática global. Bolsonaro respondeu apresentando dados que, segundo ele, mostrariam que os números do desmatamento no governo Lula era superiores aos do atual governo. O ex-presidente citou a presença da ex-ministra Marina Silva e se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal. “Eu não vou ficar discutindo os números invisíveis que ele traz e eu nem sei qual é a fonte”, enfatizou o petista. “Eu dei a fonte e, se você quiser, depois do evento, discutir com os jornalistas aqui, eu discuto sem problema nenhum”, rebateu.
Bonner responde. Ao fim do bloco, Bonner acabou fazendo um esclarecimento, como se fosse um “direito de resposta”, depois de ter sido citado por um dos candidatos. O mediador afirmou que, “como jornalista”, “não diz coisas da cabeça” e declarou que as decisões que livraram Lula das condenações da Lava Jato foram proferidas pelo STF.
“Como fui citado pelo candidato Bolsonaro, me permita fazer um esclarecimento muito breve. Eu, de fato, disse, na entrevista do ‘Jornal Nacional’ [telejornal da TV Globo], que o candidato Lula não deve nada à Justiça. Mas, como jornalista, eu não digo coisas da minha cabeça. Eu disse isso baseado em decisões fundamentadas do Supremo Tribunal Federal. Eu queria só fazer esse esclarecimento, lembrando que, inclusive, algumas dessas decisões são bem recentes”, respondeu Bonner.
Aliados de Bolsonaro e de Lula têm hoje e amanhã para conquistar os eleitores que estão indecisos ou que votaram em outros candidatos à Presidência no primeiro turno. O foco dos coordenadores, até as 22h de sábado, será o corpo a corpo
(crédito: Mariana Lins )
Daqui a dois dias, os 2,2 milhões de eleitores do Distrito Federal voltam às zonas eleitorais para eleger o novo presidente da República. Na capital do país, são 6.748 urnas eletrônicas, distribuídas em 610 locais de votação. No primeiro turno, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) computou 1,8 milhão de votos dos brasilienses para o cargo de chefe do Executivo. Candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL) ficou na frente do seu adversário, Lula (PT), por uma diferença de 260.863 votos — enquanto o atual presidente foi escolhido por 910.397 eleitores, o petista teve a preferência de 649.534 brasilienses.
A deputada federal reeleita Bia Kicis (PL), que está à frente da campanha de Bolsonaro no DF, considera que o resultado por aqui — nesta segunda parte da campanha — foi bastante positivo para virar votos de indecisos e de pessoas que votaram em outros candidatos. “Estivemos com o povo, em suas casas, nas feiras, nas ruas, na Rodoviária do Plano Piloto, batendo papo e comparando os planos de governo dos candidatos e as pautas que eles apoiam, mostrando que o eleitor não precisa gostar do Bolsonaro para votar nele”, ressalta.
Segundo a parlamentar, a intenção é continuar atuando dessa forma, olho no olho, até o último minuto permitido da campanha. “É assim que esperamos virar os votos nulos, brancos e indecisos, e temos percebido essa virada durante os atos de campanhas e em conversas com as pessoas”, afirma. “Elas, às vezes, recebem muitas desinformações sobre as propostas do Bolsonaro e, desavisadamente, acabam acreditando. O nosso trabalho tem sido mostrar que ele pretende continuar com as políticas que tem feito, melhorando a empregabilidade e diminuindo a violência, por exemplo”, detalha.
Confiança
Mesmo ficando atrás no primeiro turno, a expectativa da campanha de Lula no DF para domingo é positiva, segundo o deputado distrital Leandro Grass (PV), um dos responsáveis pela coordenação. “Nesses últimos dias, vamos intensificar ainda mais as agendas de rua com a militância também”, ressalta. “Os apoios dos outros candidatos também são muito importantes, porque mostram uma união em torno do projeto de Lula”, reforça Grass.
O parlamentar destaca que, até amanhã, são esperados dois grandes atos em favor do candidato petista. “Estaremos em vias públicas conversando com quem ainda está indeciso, mas também em eventos com a população. Nesta sexta (hoje), por exemplo, acontece a Caminhada da Esperança, em Planaltina. No sábado, terá a chamada Carreata da Vitória, passando por Ceilândia, Samambaia e Taguatinga”, comenta. Para o distrital, o resultado de Lula aqui no DF será bem maior neste segundo turno. “Estou muito confiante de que os votos do presidente Lula vão aumentar, porque unimos todas as forças progressistas e aqueles que acreditam na democracia e sabem que o melhor para o país, neste momento, é o presidente Lula”, conclui.
Um dos votos que as campanhas de Bolsonaro e Lula precisam conquistar aqui no DF é o da auxiliar administrativa Débora Silva, 29 anos. A moradora do Novo Gama afirma que ainda não definiu em qual dos candidatos deve votar no próximo domingo. “Estou indecisa porque, na verdade, está uma bagunça. Não tem nenhuma proposta, é só um atacando o outro”, observa. “As pessoas não estão votando por pensar no Brasil, estão pensando só nos candidatos deles em atacar um ao outro. Acho que é besteira ficar brigando por essas coisas”, considera.
Quem também ainda não escolheu em quem votar é a costureira Rita de Cássio Andrade, 49. E a culpa, segundo ela, nem é dos candidatos. “Desde que me entendo por gente, nunca vi uma campanha com tanta violência como a que estou vendo agora. É morte, briga, desavença entre famílias, tudo por conta da política”, lamenta. “E a gente não quer isso. Queremos um Brasil de paz e melhor. Nunca presenciei o que estou vendo agora, uma grande surpresa isso”, ressalta.
Vendendo blusas, bandeiras e camisetas dos candidatos, Jean Carlos, 45, afirma que consegue um bom lucro durante a campanha eleitoral. “No mês, chego a lucrar cerca de R$ 5 mil a R$ 6 mil e, se não sair tudo depois das eleições, devolvo para o fornecedor ou então tento vender mais barato”, revela. O morador da Candangolândia, que trabalha na construção civil fora do período eleitoral, comenta que será difícil conseguir vender algo que faça menção a candidato, depois que acabarem as eleições.
Sem assédio
O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (Distrito Federal e Tocantins), determinou, no início da semana, que empresas e empresários do ramo do comércio não pratiquem assédio eleitoral, sob pena de multa de R$ 10 mil por empregado. A ordem, de acordo com a decisão, se aplica a negócios em todo o território nacional, independentemente de endereço e porte.
Na liminar, o juiz Antônio Umberto de Souza Júnior ainda estabelece que as empresas estão obrigadas a permitir que entidades sindicais acessem os locais de trabalho, para esclarecimentos a respeito do direito ao voto livre e que os empregadores devem se abster de praticar “quaisquer atos atentatórios à liberdade de voto de seus empregados e empregadas”.
Efetivo total
Um Protocolo de Ações Integradas (POI) foi elaborado pela da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) e pelas forças de segurança da capital, para o segundo turno das eleições. O documento foi criado após reuniões e levantamentos de inteligência, segurança, mobilidade urbana, preservação do patrimônio público e, principalmente, a atuação no primeiro turno das eleições.
O planejamento da secretaria prevê reforço do policiamento nos pontos de votação, nas escolas, nos locais de apuração de votos, na segurança de juízes eleitorais e na prevenção e monitoramento de crimes eleitorais. Haverá, ainda, reforço das equipes de atendimentos de emergência, de delegacias e batalhões, escolta de promotores públicos e juízes eleitorais e policiamento de trânsito em vias e rodovias.
Todo o efetivo disponível das forças de segurança (11.575 agentes) estará atuando, ou de sobreaviso, no dia da votação, segundo a SSP-DF. Até o término de todo processo de votação, as escolas ficarão sob monitoramento da Polícia Militar (PMDF), assim como nas 20 juntas de apuração.
Uma das campanhas políticas mais disputadas da história do Brasil terá o último momento decisivo para os dois candidatos à Presidência da República. nas pesquisas, uma disputa acirrada
Comerciante vende bandeiras e toalhas em homenagem a Lula e Bolsonaro em Belo Horizonte (MG) Foto: Douglas Magno/AFP
Os dois presidenciáveis chegam às últimas horas de campanha com pouca diferença entre eles nas principais pesquisas de intenção de voto. Num cenário que se manteve estável durante quase todo o segundo turno, Lula lidera com cinco pontos percentuais de vantagem no Datafolha e sete pontos no Ipec. Na primeira pesquisa, divulgada nesta quinta-feira, o petista tem 49% dos votos totais, contra 44% de Bolsonaro. Já no Ipec mais recente, divulgado na segunda-feira passada, o ex-presidente tinha 50%, frente a 43% dos atuais chefes do Executivo.
Ambas as pesquisas revelam ampla vantagem do candidato do PT no Nordeste do país, enquanto Bolsonaro tem mais folga na região Sul. Por renda familiar, o petista se sobressai entre os mais pobres e, Bolsonaro, entre os mais ricos. Os estratos religiosos também indicam amplas diferenças em como o Brasil deve votar neste domingo. Os evangélicos tendem majoritariamente para Bolsonaro. Lula aparece na frente entre os católicos.
Mudanças de clima
O sprint final da corrida presidencial se dá com uma “troca de climas” nos QGs de Lula e Bolsonaro. Após o resultado do primeiro turno melhor do que se esperava nos levantamentos de intenção de voto, o otimismo parecia estar do lado da campanha do atual presidente. Apesar de polêmicas, como a turbulenta aparição do candidato na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro, as pesquisas indicavam resiliência do eleitorado pró-Bolsonaro. As controvérsias não pareciam prejudicar seu desempenho, jogando a tensão no colo da equipe de Lula.
Essa preocupação entre os petistas, no entanto, deu lugar ao entusiasmo nos últimos dias, sobretudo após o caso envolvendo aliado do presidente Roberto Jefferson, que atirou e lançou granadas contra policiais que foram cumprir mandado de prisão contra o ex-parlamentar em Comendador Levy Gasparian, no Centro-Sul Fluminense. A campanha de Lula também enxergou potencial em temas como o reajuste do salário mínimo abaixo da inflação, e passou a explorá-los na TV e nas redes sociais. Por fim, ministros de Bolsonaro levaram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a denúncia de que rádios do Nordeste não estariam veiculando todas as inserções do presidente que deveriam. Mas a negativa do ministro Alexandre de Moraes de investigar o caso, por falta de provas, acabou acirrando ainda mais os ânimos na campanha do candidato do PL.
Táticas para o encontro decisivo
Como já ensaiou em sua agenda na Baixada Fluminense e na Zona Oeste do Rio nesta quinta-feira, Jair Bolsonaro deve intensificar os ataques aos escândalos de corrupção das gestões petistas e prepara outras estratégias para desestabilizar Lula no debate desta noite na TV Globo. Os estrategistas estão há dias modulando com o presidente o tom que ele adotará, sendo incisivo sem parecer agressivo. Para tentar tirar seu adversário do sério, o chefe do Executivo também deve lançar mão de investidas gestuais, como fez no debate da Band, duas semanas atrás. Para o atual presidente, questões como a pandemia da Covid-19 devem voltar a ser pontos quentes aos quais terá que responder.
Documento petista: Em carta aberta, Lula promete combinar responsabilidade fiscal e social
Lula, por sua vez, conta com o auxílio da jornalista Olga Curado, preparadora de candidatos famosa ao misturar princípios do aikido (arte marcial japonesa), psicologia Gestalt, budismo e meditação. E tem como um dos focos encontrar respostas adequadas para os questionamentos do rival, sobretudo, sobre corrupção, tema que analistas dizem que ele ainda não conseguiu se sair bem nos debates anteriores.
As duas campanhas tampouco vão descuidar das redes e da campanha de rua. Na web, os petistas contam com nomes como Felipe Neto e André Janones, no embate contra influenciadores digitais como o deputado eleito Nikolas Ferreira no lado bolsonarista.
Desafios de ambos os lados
A algumas horas da definição, ambos ainda tentam garantir os votos que podem ser decisivos numa disputa tão apertada. Um dos principais desafios é mobilizar os eleitores contra a abstenção, que ultrapassou os 20% no primeiro turno. Para estimular as pessoas a votarem, sobretudo quem poderia não ter condições de pagar pela tarifa, as 27 capitais do país estabeleceram o passe livre nos transportes públicos neste domingo. Estados como Rio Grande do Norte e Maranhão também oferecem passagens gratuitas nos transportes intermunicipais. No estado de Minas Gerais, no entanto, a medida não foi tomada, ficando restrita a municípios como Belo Horizonte.
Sob o comando do governador reeleito Romeu Zema (Novo), que declarou apoio a Bolsonaro no segundo turno, Minas é considerado um dos estados-pêndulo no país, termômetro do que pode ser o resultado final. No primeiro turno, Lula venceu entre os mineiros. Parte da campanha do segundo turno girou em torno da tentativa do petista de se manter na frente, enquanto Bolsonaro buscou a virada.