Na chegada dos brasileiros que estavam na Faixa de Gaza, Lula critica Hamas, mas também aponta o que ele chamou de violência israelense
Presidente Lula cumprimenta jovens repatriadas ao chegarem em Brasília – Foto/Vinícius Schmidt/Metrópoles
Na chegada dos 32 brasileiros e familiares resgatados da Faixa de Gaza, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu uma nova lista de repatriação para quem ficou na região. Ao mesmo tempo, criticou o Hamas e Israel, destacando os atos de terrorismo praticados por ambos os lados.
“Já vi muita brutalidade, muita violência, mas nunca vi violência tão bruta contra inocentes. Se o Hamas fez um ato de terrorismo, fez o que fez, o Estado de Israel está cometendo vários atos de terrorismo”, criticou o presidente brasileiro.
Lula também chamou a situação de “inferno”.
“Quero dizer para vocês que, hoje, é um dia de felicidade, porque estamos recebendo 32 seres que não mereciam viver no inferno que viveram esses 37 dias”, apontou.
Lula promete nova lista
Na recepção, o presidente pediu para que dois brasileiros falassem e contassem suas histórias. Em seguida, retomou a palavra.
“Enquanto tiver lista e possibilidade de tirar nem que seja uma só pessoa da Faixa de Gaza, nós vamos tirar. Mesmo que seja palestino de origem, nós vamos tirar, se a família tiver aqui pedindo”, destacou.
Os brasileiros desembarcaram em Brasília às 23h24. “A chegada desse décimo avião é a coroação de um trabalho muito sério que a gente deve a muita gente que trabalha no governo, sobretudo, o ministro de Relações Exteriores, e todos os companheiros que estão aqui”, afirmou Lula.
Presos em Gaza desde o início da guerra, em 7 de outubro, os brasileiros e familiares foram resgatados após semanas de negociação diplomática e entraram na sétima lista de liberados para sair da área de conflito em direção ao Egito.
Lá, foram acolhidos pela diplomacia brasileira e embarcaram em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para serem trazidos ao Brasil.
O perfil dos brasileiros resgatados
O grupo de resgatados tem 22 brasileiros de nascimento, sete palestinos naturalizados brasileiros e três palestinos familiares próximos. São, ao todo, 17 são crianças, nove mulheres e seis homens.
Eles passam por trâmites migratórios antes de serem levados a abrigos em Brasília, onde vão ficar dois dias sendo acolhidos e recebendo atendimento médico e burocrático para regularizar documentos.
Até o desembarque dos resgatados da Faixa de Gaza, a operação Voltando em Paz, da FAB, já havia realizado nove voos, resgatando 1.445 pessoas e 53 animais de estimação de Israel e da Cisjordânia.
Ônibus incendiado em Natal- Foto/Reprodução/Twitter
Novos casos de violência foram registrados em Natal (RN) e pelo menos mais nove cidades durante a madrugada desta quinta-feira (16/3).
Em meio a uma forte onda de violência, o Rio Grande do Norte (RN) registrou a terceira noite de pânico na capital, Natal, e em ao menos outras nove cidades do estado, nesta quinta-feira (16/3). As ações criminosas são organizadas por uma facção que tem queimado prédios públicos, comércios e veículos, segundo a polícia.
Os ataques ocorrem mesmo após a chegada de quase 200 homens da Força Nacional nessa quarta-feira (15/3). Os agentes reforçam a segurança do estado, a pedido do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Um efetivo extra de 100 policiais militares também foi colocado nas ruas.
Segundo o balanço mais recente do governo do estado, divulgado na manhã desta quinta-feira (16/3), 57 pessoas foram presas em razão dos ataques. Além disso, foram apreendidos 15 armas de fogo, 46 artefatos explosivos, 10 galões de gasolina, além de drogas, munições e dinheiro.
Ônibus de volta às garagens
Nesta manhã, um ônibus e três micro-ônibus foram incendiados em Natal. No bairro Guarapes, na zona oeste da capital, os bandidos abordaram um motorista, pediram que ele e o passageiro saíssem, e atearam fogo no veículo. As chamas também atingiram fiações elétricas.
Após os ataques, a prefeitura de Natal informou que a frota de ônibus na capital será recolhida às garagens, por orientação do Sindicato dos Transportes Rodoviários do RN (Sintro).
Os criminosos também atacaram uma estação de trens urbanos no bairro Nova Natal e colocaram obstáculos sobre a linha férrea, em vários pontos, ainda durante a noite de quarta-feira (15/3). O tráfego de VLT foi interrompido, e a orientação é que “táxis, veículos do transporte escolar e veículos de fretamento turístico realizem lotação até que a operação dos ônibus retorne a normalidade”.
Por volta das 23h desta quarta, suspeitos atacaram um posto de combustíveis na avenida Tomaz Landim, no bairro Igapó, na zona norte de Natal.
or medidas de segurança, a prefeitura também mantém suspensos os serviços de coleta de lixo, atendimento em unidades básicas de saúde e em escolas da rede municipal desde a quarta-feira (15/3).
Ações em todo o estado
Em São Gonçalo do Amarante, um supermercado foi atacado e os invasores atearam fogo na estrutura. Não há informações sobre feridos. Já em Macau, o prédio das marisqueiras foi incendiado. Em outra cidade, Caicó, a Câmara Municipal foi atacada a tiros, e ônibus foram incendiados.
Dois veículos foram queimados no município de São Paulo do Potengi. Carros do município de João Câmara foram destruídos, também em incêndios.
Veja vídeos dos ataques:
?DIAS DE TERROR
Pelo 3° dia seguido o Rio Grande do Norte vem sofrendo ataques violentos em pelo menos 25 cidades, incluindo a capital, Natal. A Secretaria de Segurança Pública afirma que os ataques são manifestações de presos, organizados por uma facção criminosa pic.twitter.com/JzhZZBJ3lW
???CAOS EM NATAL: Nem os mortos têm descanso no RN. Agora Tocaram fogo no cemitério do Alecrim Natal.Após ataques do crime organizado no R G Norte, em Natal, os passageiros são deixados na rua enquanto as empresas recolhem seus ônibus. Amanhã as escolas particulares fechados pic.twitter.com/qgogFT7EdD
Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Francisco Araújo, os ataques são motivados por exigências como aparelhos de televisão e visitas íntimas para presos do sistema penitenciário local.
“Pelas reivindicações, eles querem televisão, querem sistema de iluminação, visita íntima – coisa que o sistema prisional não atende, porque cumpre a lei de execução penal”, afirmou.
No primeiro dia de terrorismo, a Secretaria de Segurança Pública do RN havia dito que as ações eram em retaliação a operações policiais com apreensão de armas e drogas. Mais tarde, na terça-feira (14/3), informou que a ordem parte dos presídios e é organizada por uma facção criminosa.
Conforme anunciou a secretaria, as ordens teriam origem na Penitenciária de Alcaçuz, a maior unidade prisional do estado.
Líder morto
Um homem apontado como um dos responsáveis por organizar os ataques violentos no Rio Grande do Norte morreu após confronto com policiais, em João Pessoa, na madrugada dessa quarta (15/3).
De acordo com a Polícia Civil, José Wilson da Silva Filho era foragido dos sistemas prisionais da Paraíba e do Rio Grande do Norte e estava escondido no bairro de Paratibe, na capital paraibana.
Força Nacional
A Força Nacional de Segurança desembarcou no estado, na madrugada desta quarta-feira (15/3), para conter os ataques. O envio foi autorizado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino.
Uma aeronave com 30 policiais militares pousou na Base Aérea de Natal nesta madrugada. Outro avião levou mais 70 agentes ao estado. A governadora Fátima Bezerra (PT) também desembarcou com parte do efetivo. Inf. (Metrópoles).
Imagens mostram policiais militares do Distrito Federal sendo coniventes com os vândalos que invadiram o Palácio do Planalto – Foto: AFP
Entre as suspeitas levantadas está a possível atuação ou omissão por conveniência ideológica e simpatia à intenção intervencionista da marcha bolsonarista.
Uma sequência de vídeos e fotos dos ataques às sedes dos poderes em Brasília pôs em dúvida o profissionalismo dos policiais mais bem pagos do País e dos militares das Forças Armadas. A invasão do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, no domingo passado, expôs falhas em órgãos como a Polícia Militar, as polícias legislativas da Câmara e do Senado, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência e o Batalhão da Guarda Presidencial, unidade do Exército.
Entre as suspeitas levantadas está a possível atuação ou omissão por conveniência ideológica e simpatia à intenção intervencionista da marcha bolsonarista, que irrompeu com facilidade a barreira, feita de material plástico, montada pela PM no acesso ao Congresso. Os policiais não portavam equipamentos para reagir a distúrbios. Não havia efetivo do Choque e da Cavalaria na retaguarda. A horda invadiu os palácios sem resistência.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou público, em declaração ao Estadão, que “perdeu a confiança” em militares da ativa, a ponto excluí-los da função de ajudante de ordens, uma posição no círculo próximo de assessores. Lula acusou a “conivência” de “muita gente” da Polícia Militar e das Forças Armadas no Planalto.
Ele disse estar convencido de que a porta principal do palácio, por não ter sido quebrada, teria sido deixada aberta para facilitar a invasão. Reclamou que caravanas de golpistas puderam entrar em Brasília e desembarcar pessoas com intenções golpistas, partidárias do ex-presidente Jair Bolsonaro. Disse que a Polícia do Exército posicionou, de forma inédita, dois blindados para “proteger” o acampamento dos bolsonaristas em frente ao Quartel-General, o que retardou prisões e permitiu fugas na madrugada.
Não é a primeira vez que um presidente deixa de confiar na sua guarda. Em maio de 1938, Getúlio Vargas foi surpreendido com um ataque de integralistas. Com ajuda de infiltrados na guarda do Palácio Guanabara e membros do Exército, extremistas invadiram o jardim e começaram a atirar. O levante foi sufocado. Benjamim, irmão de Getúlio, montou uma guarda pessoal para o presidente formada por peões da estância da família no Rio Grande do Sul. Mais tarde, em 1954, o chefe dessa guarda, Gregório Fortunato, virou pivô de uma crise que resultaria no suicídio de Getúlio.
Inteligência
O general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro do governo Bolsonaro – com quem rompeu logo no início -, diz que os erros de domingo são evidentes e levanta a possibilidade de que as trocas no governo federal e distrital, na primeira semana de gestão, tenham rompido a cadeia de relações para compartilhamento de informações de inteligência.
“Aqui no Brasil, trocou o governo, temos mania de trocar todo mundo no dia seguinte. É uma semana em que a inteligência pode ter ficado prejudicada”, afirma. “Mas é perceptível que houve erros de avaliação e de execução. Se for comprovado que alguém agiu mal para facilitar, porque está de acordo com as ações, é crime. Se houver comprovação de que algum policial ou militar fez corpo mole por preferência política é absurdo. Se influiu na conduta, é uma conivência inaceitável.”
Um coronel da reserva acostumado a lidar com protestos avaliou que “parece que houve uma lavagem cerebral” na PM. Ele viu indícios de “cooptação” pelo ideário do bolsonarismo A PM agiu de forma “estranha”, segundo ele, abandonado os parâmetros de segurança e assumindo riscos.
Os episódios vão ser apurados em diferentes frentes. Houve abertura de inquéritos pela Polícia Federal, pela Polícia Civil e de IPMs (Inquérito Policial Militar) na PM e no Exército. “A Corregedoria da Polícia Militar já instaurou 4 inquéritos para apurar a conduta inadequada de agentes da lei no último dia 8. As investigações estão apenas começando. Vamos às últimas consequências. Vamos separar o joio do trigo. A lei será cumprida”, disse o interventor federal Ricardo Capelli.
A Procuradoria da República no DF abriu procedimento preliminar para apurar se a Polícia Militar facilitou os crimes. A investigação foi iniciativa do procurador Peterson de Paula. Para ele, a PM “deixou de adotar medidas necessárias à manutenção da ordem e à segurança do patrimônio público”.
Muito contestados, policiais militares e militares do Exército “vazaram” gravações feitas no interior do Planalto. Num ângulo feito por PMs, o comandante do BGP tenta impedir a entrada repentina de policiais para efetuar prisões. Exaltados, eles falam palavrões e batem boca. Em outro momento, policiais ordenam a formação de uma linha de defesa dos militares do Exército desorientados. Um deles apresenta dificuldade de disparar uma bomba de gás travada na arma.
O ataque simultâneo na Praça dos Três Poderes fez o governo Lula intervir na segurança de Brasília. As cenas provocaram a queda e prisão do então comandante-geral da PMDF, coronel Fábio Augusto Vieira, do ex-secretário de Segurança Pública Anderson Torres, ex-ministro de Bolsonaro que foi preso neste sábado, 14, e o afastamento do governador Ibaneis Rocha, do MDB. À PF, Ibaneis afirmou que houve sabotagem.
Também aumentou a pressão sobre os ministros da Justiça, Flávio Dino, da Defesa, José Múcio Monteiro, e, principalmente, do GSI, general Gonçalves Dias, e o comandante do BGP, coronel Paulo Jorge Fernandes da Hora. Petistas cobram de Lula trocas na equipe. O GSI disse que a guarnição de serviço no Palácio já estava reforçada com tropa de choque do BGP, sem revelar o efetivo. O restante estava em prontidão, mas a alguns quilômetros dali, aquartelado no Setor Militar Urbano. Para o deslocamento são estimados 30 minutos. “Foram solicitados assim que ficou demonstrado o caráter violento dos agressores”, afirma o GSI.
Plano Escudo
Para funcionar, o ‘Plano Escudo”, o esquema de defesa do Planalto, prevê três linhas de defesa: a PM nas ruas do entorno imediato; agentes do GSI, que andam de terno ou uniforme cercando o palácio; e depois os homens de Choque do BGP, como último recurso. A fraqueza da primeira e a ausência das outras duas em quantitativo apropriado são apontadas como erros da operação por especialistas.
No dia a dia, o choque do BGP não fica no palácio. O prédio é guarnecido pelos seguranças do GSI vestidos em trajes civis e sentinelas do BGP, fardados, munidos de espingardas calibre 12. Quando surgem informações de protestos nas cercanias do Planalto, os generais do GSI telefonam ao comandante do batalhão para pedir reforço e depois comunicam ao Comando Militar do Planalto. É uma forma de agilizar a chegada dos militares. Com a tropa no palácio, o secretário de Segurança e Coordenação Presidencial, hoje o general Carlos Feitosa, assume o controle operacional.
Cada uma das companhias do batalhão possui cerca de 200 homens, totalizando 2 mil militares. O pelotão dispensado era uma fração deles, tinha 36 homens, e não conseguiria conter os invasores, na avaliação de militares. O ideal seria cerca de 400 homens, duas companhias.
Um experiente militar, que comandou o BGP, observa que nunca havia ocorrido em Brasília de a PM ter que entrar para defender o palácio e efetuar prisões lá dentro. Os soldados do BGP, diz ele, estavam “debilitados” e parecia “emboscada”. “Foi um caos, praça dando ordem em oficial, voz de prisão, descontrole, violação de hierarquia, perda de comando”, afirma o coronel, sobre as cenas gravadas. “Precisa ser esclarecido se foi intencional, se o dado da ameaça não chegou.”
Entre os atos sob investigação, estão:
1. A escolta da marcha intervencionista, pela PM, até o local dos crimes, no momento em que a cúpula da secretaria de segurança local dizia as intenções eram pacíficas.
2. A falta de resistência das polícias militar e legislativa, que recuaram em investidas dos extremistas e abriram passagem no gramado e na chapelaria do Congresso.
3. O abandono de posto em barreira por parte de alguns policiais para comprar água de coco
4. Os flagrantes de confraternização entre extremistas e policiais militares e legislativos – alguns posaram para fotos e outros filmaram os atos, sem agir para impedir crimes.
5. A decisão de abrir a Esplanada dos Ministérios e permitir o trânsito da marcha
6. O subdimensionamento da tropa na linha inicial postada em frente ao Congresso, sem equipamentos de contenção de distúrbios.
7. No Senado, policiais demoraram horas para retirar invasores do plenário – os agentes foram gravados dizendo que quem saísse de forma voluntária não seria detido.
8. A desorientação de soldados desalinhados na defesa do BPG na entrada do Planalto
9. Troca de acusações e bate-boca entre PMs da Patamo (Patrulhamento Tático Móvel) e o comandante do Batalhão de Guarda Presidencial
10. Reforço do Choque do BGP dispensado 20 horas antes.
11. A fuga não explicada da extremista Ana Priscila Azevedo, detida entre militares do BGP no Planalto, ela sairia do palácio e seria presa por ordem do Supremo dois dias depois
Efetivo de segurança em Brasília
2 mil é o efetivo do Batalhão da Guarda Presidencial, 271 agentes formam a Polícia Legislativa da Câmara, 169 agentes formam a Polícia Legislativa do Senado, 400 homens integram a Força Nacional de Segurança Pública, 10,2 mil é o número de agentes da PM-DF. Fonte: JC.
Justiça bloqueia R$ 6,5 milhões em bens de suspeitos de envolvimento nos atos golpistas — Foto: Isadora Peron/Valor
O juiz Francisco Alexandre Ribeiro, da 8ª Vara Federal do Distrito Federal, acatou um pedido apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU) e determinou o bloqueio de R$ 6,5 milhões em bens de 52 pessoas e sete empresas que teriam financiado o fretamento de ônibus para os atos golpistas que resultaram na destruição das sedes dos Três Poderes no último domingo, em Brasília.
“Ainda que os referidos réus, aparentemente, não tenham participado diretamente dos mais recentes atos e manifestações antidemocráticas, incluindo o inusitado acampamento em frente ao quartel general em Brasília – que culminaram na marcha dominical à Praça dos Três Poderes e na anunciada tomada das respectivas sedes oficiais, cujas instalações foram covardemente depredadas -, é absolutamente plausível a tese da União de que eles, por terem financiado o transporte de milhares de manifestantes que participaram dos eventos ilícitos, fretando dezenas de ônibus interestaduais, concorreram para a consecução dos vultosos danos ao patrimônio público, sendo passíveis, portanto, da bastante responsabilização civil”, escreveu o magistrado.
Na ação, a AGU argumentou que ideia é usar este valor para reparar os danos causados ao patrimônio público, caso a condenação seja confirmada.
O órgão disse ainda que esse valor bloqueado poderá ter que ser ampliado na medida em que a contabilização dos prejuízos, que ainda não foi concluída, avance. De acordo com a peça, essa quantia se refere apenas à estimativa de prejuízos levantados pela Câmara dos Deputados (R$ 3,03 milhões) e pelo Senado (R$ 3,5 milhões). Ainda não há valores dos prejuízos causados no Palácio do Planalto e no Supremo Tribunal Federal (STF).
A lista dos alvos do bloqueio – que abrange imóveis, veículos, valores financeiros em contas e outros bens – foi elaborada a partir de dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e incluiu apenas quem contratou os ônibus apreendidos transportando pessoas que participaram dos atos.
Pela argumentação da AGU, esse grupo de pessoas e empresas também precisa arcar com os prejuízos, uma vez que “a aglomeração de pessoas com fins não pacíficos só foi possível graças ao financiamento e atuação das pessoas listadas” na manifestação. “É de se ressaltar que tais pessoas possuíam plena consciência de que o movimento poderia ocasionar o evento tal como vimos, de modo que a responsabilização civil é medida que se impõe em regime de solidariedade com quem mais deu causa ao dano ao patrimônio público.” Este conteúdo foi publicado pelo Valor PRO, serviço de tempo real do Valor Econômico.
Os extremistas que estavam acampados no QG do Exército, em Brasília, foram retirados do local em comboio com 50 ônibus
Um vídeo que circula em grupos bolsonaristas, na manhã desta segunda-feira (9/1), mostra um extremista lamentando a chegada de policiais no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília.
“Talvez eu vá ser preso. A coisa mais errada que eu fiz na minha vida foi ter feito curso de reciclagem no Detran e agora, por causa de uma caneta, eu sou criminoso”, afirmou.
Assista:
O acampamento começou a ser desmontado nesta segunda-feira, após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A decisão saiu após terroristas invadirem o STF, Congresso Nacional e Palácio do Planalto. Informou o Metrópoles.
Seguindo o protocolo, George Washington deveria ser transferido à Papuda nesta segunda-feira (26/12). No entanto, o deslocamento precisou ser antecipado para este domingo.
Por questões de segurança, o empresário George Washington de Oliveira Sousa, 54 anos, acusado de orquestrar um atentado terrorista próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília, foi transferido ao Complexo Penitenciário da Papuda ainda na noite deste domingo (25/12). O bolsonarista ficará detido no Centro de Detenção Provisória 2 (CDP 2), onde ficam os custodiados recém-chegados da Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP).
George foi preso por investigadores da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), na noite de sábado (24/12). Fontes policiais ouvidas pela reportagem afirmaram que o homem foi abordado por volta de 20h45min, quando saía do apartamento, no Sudoeste, para ir à portaria. Na manhã deste domingo, o empresário passou por audiência de custódia e teve a prisão flagrante convertida em preventiva pela Justiça. A juíza Acácia Regina Soares justificou que os fatos caracterizam um risco severo à incolumidade pública. Afirmou, ainda, que o acusado colocou em risco toda a sociedade.
Seguindo o protocolo, George deveria ser transferido à Papuda nesta segunda-feira (26/12). No entanto, o deslocamento precisou ser antecipado para este domingo por motivos de segurança, segundo confirmou a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape/DF). O empresário ficará por cerca de 15 dias no CDP 2, por regras impostas às medidas sanitárias.
Prisão
À polícia, o criminoso deu detalhes do plano de atentado e falou que a ideia inicial era explodir a subestação de energia de Taguatinga. A intenção era que a região ficasse sem luz e, com isso, resultasse na decretação do estado de sítio (medida em que o presidente da República suspende por um período temporário a atuação dos Poderes Legislativo e Judiciário).
George contou que na quinta-feira (22/12) manifestantes ocupantes do QG sugeriram a explosão de uma bomba no estacionamento do aeroporto. O plano era que, após o artefato ser detonado, os suspeitos fizessem uma denúncia anônima à polícia informando sobre a presença de outros dois explosivos na área de embarque. Foi quando, segundo ele, uma mulher deu a ideia de instalar um artefato na subestação de energia de Taguatinga.
O empresário chegou a ir ao local indicado pela mulher, mas o plano não teria evoluído, pois ela não apresentou o carro para transportar a bomba até a transmissora de energia. No entanto, um segundo rapaz apareceu e ficou convencido da ideia e sugeriu que a bomba fosse colocada próximo à subestação, pois seria mais fácil derrubar os postes. George alegou à polícia que, desde o começo, era contrário à explosão próxima ao aeroporto e ficou sabendo, pela TV, que o comparsa não teria seguido o plano original.
Investigação
De acordo com a apuração policial, George ficou, entre 22h e 5h de sexta-feira (23/12), na área do aeroporto até encontrar o melhor ponto para deixar o artefato explosivo. O empresário encontrou um caminhão-tanque, abastecido com 63 mil litros de querosene de aviação (28 mil no primeiro compartimento, e 35 mil no segundo), na Estrada Parque Aeroporto (Epar), em frente à Concessionária V1, e apoiou a bomba no eixo do automóvel.
O artefato seria explodido por meio de um dispositivo remoto. A perícia da Polícia Civil do DF (PCDF) identificou que houve tentativa de detonar a bomba. “Graças a Deus conseguimos interceptar. Não conseguiram explodir, mas a perícia nos relata que eles tentaram acionar o equipamento”, frisou o diretor-geral da PCDF, o delegado Robson Cândido.
Na tarde desse sábado, o Esquadrão de Bombas da PMDF conseguiu desativar um artefato explosivo. O procedimento para a remoção do objeto, que são duas bananas de dinamite ligadas a um fio, iniciou por volta de 11h55 pelo Esquadrão de Bombas da corporação. Às 13h20, o grupo desativou a bomba, e deixou o local logo após, seguido do CBMDF e da PF.
Peritos prevêem que seria muito provável que a quantidade de explosivo fosse hábil para romper o compartimento do tanque, mas ainda não há confirmações concretas. No entanto, em caso de rompimento, resultaria na explosão ou em um incêndio de grandes proporções. George foi indiciado pela prática de terrorismo, posse e porte de armamento e munição e posse de artefato explosivo. As informações são do Correio Brasiliense.