2025 chega com mais oportunidades de trabalho em Pernambuco

ECONOMIA

 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por: Thatiany Lucena/DP

Em Pernambuco, a perspectiva é de que haja um aumento de 20% na geração de postos de trabalho, comparado ao ano 2024

A chegada do ano novo traz oportunidades para quem busca emprego ou recolocação no mercado de trabalho. Para 2025, com a realização de grande obras em Pernambuco, como a do Trem 2 da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), a expectativa é de que o estado gere ainda mais postos de trabalho que no ano passado.

De acordo com a secretária de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo, Amanda Aires, a expectativa é de um cenário ainda mais positivo para os pernambucanos neste ano. “Entre 2023 e 2024 a gente cresceu 19%, então a perspectiva é que a gente cresça mais ou menos esse patamar para esse ano de 2025. Obviamente, teremos que olhar como é que vai estar o cenário Nacional, porque não é um cenário descasado, mas a nossa perspectiva é que a gente cresça algo em torno de 20%”, afirma.

No acumulado do ano de 2024 (de janeiro a novembro), o estado alcançou o saldo de 72.451 contratações. O valor é 19,5% maior do que o registrado no mesmo período de 2023, que foi de 60.595 novos postos.

Para a secretária, a Refinaria Abreu e Lima, que voltará a operar no estado, com a construção do Trem 2, deverá impulsionar ainda mais o aumento dos postos de trabalho. “Tudo isso, junto com as obras do estado e os investimentos que a Stellantis está fazendo, gera um movimento maior na economia brasileira e faz com que a gente tenha uma perspectiva maior de emprego”, disse.

Segundo o psicólogo, professor universitário e gestor de carreiras, Cleyson Monteiro, os interessados na busca pela vaga de trabalho, seja de primeiro emprego ou recolocação profissional, devem inicialmente se planejar. “As pessoas, muitas vezes querem trabalhar, mas não se preocupam com o nível de atividade que vão fazer, aí quando começam a atuar, se frustram. É importante fazer cursos técnicos ou pós-graduação que deixem o profissional ainda mais habilitado na área que pretende atuar”, aponta.

Ainda segundo ele, na hora de participar de seleções ou entrevistas, é essencial que o candidato se apresente de forma adequada ao perfil da vaga. “Outro ponto importante é procurar estudar a empresa ou o mercado referente ao cargo, para que a pessoa que esteja entrevistando entenda e perceba que o candidato tem uma visão ampla da área que deseja atuar. Além disso, outra atitude interessante é demonstrar a possibilidade de aprendizagem e desenvolvimento. Estar apto a aprender e crescer profissionalmente”, finaliza.

Onde buscar vagas de trabalho

A Secretaria de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo (Sedepe) do governo do estado, por meio das Agências de Trabalho, disponibiliza vagas de emprego pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine). Os espaços funcionam na Casa do Trabalhador, localizada na Rua da Aurora, 425, Boa Vista, e na Casa da Trabalhadora, na Rua da União, 29,  área central do Recife, na Agência do Trabalho e pontos de atendimento no Expresso Cidadão.

Já a Prefeitura do Recife disponibiliza vagas de trabalho e cursos de qualificação profissional no Go Recife. Além da plataforma, a gestão municipal conta com as Agências de Emprego do Recife, espaços físicos onde as pessoas podem se candidatar às vagas de emprego.

As Agências ficam em Casa Amarela, localizada na Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, 5.600 ou nos Compaz Eduardo Campos, no Alto Santa Terezinha; no Ariano Suassuna, no bairro do Cordeiro; no Dom Hélder, em Joana Bezerra.

Desemprego de jovens negras é 3 vezes superior ao dos homens brancos, aponta pesquisa

TRABALHO

Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2023 - IX Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro, na praia de Copacabana, zona sul da cidade. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil
IX Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro, na praia de Copacabana, zona sul da cidade. Foto/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Pesquisa foi feita pela organização Ação Educativa com dados da Pnad

Em 2023, as jovens mulheres negras de 18 a 29 anos tiveram uma taxa de desemprego três vezes maior que a dos homens brancos no Brasil. Quando empregada, a juventude feminina negra tem uma renda 47% menor que a da média nacional e quase três vezes menor que a dos homens brancos. Além disso, as mulheres negras de 14 a 29 anos dedicam quase o dobro de horas aos afazeres domésticos quando comparado à media dos homens negros e brancos.

A comparação foi realizada pela organização Ação Educativa, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) de 2023, e publicada no relatório Mude com Elas, divulgado nesta quarta-feira (8).

A jovem negra Pamela Gama, de 26 anos, contou que vive na pele o que os números divulgados pela pesquisa evidenciam. Moradora da zona leste de São Paulo, Pamela decidiu retirar do currículo o link de uma rede social de empregos onde havia uma foto dela, na tentativa de ser chamada para mais entrevistas.

JOVENS NEGRAS TRABALHO - Pamela Gama. Foto: Arquivo Pessoal
Moradora da zona leste de São Paulo, Pamela Gama decidiu retirar do currículo o link de uma rede social de empregos onde havia uma foto dela, na tentativa de ser chamada para mais entrevistas. Foto: Arquivo pessoal

“Eu coloquei o link do meu perfil e depois tirei porque eu não estava recebendo tantos convites para fazer entrevistas. Então eu pensei se não era melhor eu tirar, sabe?”, revelou a jovem formada em relações públicas, acrescentando que melhorou “um pouco” a convocação para entrevistas depois da mudança. Pamela trabalha desde os 19 anos e hoje atua em uma empresa na área de comunicação.

De acordo com o projeto Mude com Elas, enquanto as jovens mulheres negras registraram, em 2023, uma taxa de desemprego de 18,3%, os homens brancos tiveram uma taxa de 5,1%. O desemprego geral do país terminou 2023 em 7,4%.

Já o salário médio da população no ano passado foi R$ 2.982, enquanto o das jovens negras foi de apenas R$ 1.582. Se comparado com homens brancos, a diferença salarial é ainda maior. Como a renda média desse grupo foi R$ 4.270 em 2023, ela é 2,7 vezes maior que a das jovens mulheres negras.

Pamela contou que conhece pessoas que recebem mais, apesar de mesma idade e formação semelhante. “Tem rapazes, até mesmo alguns conhecidos, que estão na mesma idade que eu e que ganham muito mais. Então, assim, eu sinto essa dificuldade até mesmo de me recolocar no mercado para procurar novas oportunidades”, afirmou.

A informalidade também atinge mais as jovens negras, que registraram 44% com carteira assinada, porcentagem similar a dos jovens negros (43,3%). Já os jovens brancos, tanto mulheres quanto homens, ficaram em torno de 50% com carteira assinada (50,3% para jovens brancos e 49,8% para jovens brancas).

Além da menor renda e do maior desemprego, o trabalho doméstico sobrecarrega as jovens negras de 14 a 29 anos que dedicam 22 horas, por semana, aos afazeres domésticos. Enquanto isso, a média dos homens negros e brancos é de 11,7 horas na semana.

A jovem Pamela Gama conta que ajuda nos afazeres domésticos desde adolescente e que hoje se sente sobrecarregada porque o marido trabalha fora de casas e ela em teletrabalho. “Eu faço o trabalho e tenho que conciliar organizando a minha casa. Eu falo que eu tenho dois serviços”, completou.

“O estudo mostra que, desde a pandemia, as condições de trabalho melhoraram, mas ainda assim, o Brasil não tem políticas públicas específicas para as jovens negras nem tampouco as empresas possuem um olhar direcionado a essas mulheres, que são frequentemente preteridas em processos seletivos”, afirmou a pesquisa.

O grupo das jovens negras também chega menos ao ensino superior no Brasil. Enquanto as jovens brancas frequentando ou concluindo o ensino superior, em 2023, chegavam a 39,8% do total, as jovens negras na mesma situação eram apenas 23,4% do total.

Herança escravocrata

A pesquisadora Andreia Alves, advocacy do projeto Mude com Elas, destacou que existe uma cultura que coloca a juventude nos espaços mais precários do mercado de trabalho. Porém, há um agravamento desse quadro quando se considera raça e gênero.

“É muito comum mulheres jovens negras que conseguem chegar a ocupar esse mercado de trabalho formal estarem em áreas que, na verdade, não vão aproveitar toda a sua capacidade. Então, normalmente, ela vai ocupar as piores áreas, os piores cargos, diferentes de pessoas não negras”, destacou.

Andreia Alves acrescentou que há uma herança, que vem do período escravocrata, que costuma colocar as jovens mulheres negras fora do mercado de trabalho, ocupando-as com o trabalho doméstico.

JOVENS NEGRAS TRABALHO - Andréia Alves. Foto: Arquivo Pessoal
Pesquisadora Andréia Alves afirma que existe uma cultura que coloca a juventude nos espaços mais precários do mercado de trabalho. Foto: Arquivo pessoal
Pesquisadora Andréia Alves afirma que existe uma cultura que coloca a juventude nos espaços mais precários do mercado de trabalho. Foto: Arquivo pessoal

“Normalmente, os lugares onde essas mulheres moram são lugares muito distantes dos locais de trabalho. Então, essas jovens mulheres negras acabam sendo obrigadas a submeter aos cuidados, a fazer da casa, cuidar da alimentação e cuidar dos irmãos menores, porque os adultos da casa são também desses lugares de trabalho distantes”, completou.

Para Alves, o fundamental é ouvir esse público antes de construir políticas que minimizem essa desigualdade no mercado de trabalho. A especialista acrescenta que o aumento da educação formal superior de mulheres negras nos últimos anos não tem se refletido em mais espaço no mercado de trabalho.

“Nos últimos 10 anos as mulheres negras ocuparam as universidades e têm se formado, têm se demonstrado, têm se estruturado, mas isso não tem sido suficiente para fazer modificações significativas no mercado de trabalho. Principalmente quando a gente fala sobre ocupação de cargos de liderança”, completou. *Fonte: Agência Brasil.

Pernambuco liderou a geração de empregos no Nordeste em outubro

EMPREGO

Estado contabilizou saldo de 8.272 novas carteiras assinadas no mês passado, segundo dados do Novo Caged

Fachada da Secretaria de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo
Fachada da Secretaria de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo – Divulgação

Pernambuco foi o estado do Nordeste que mais gerou empregos em outubro, contabilizando saldo de 8.272 novas carteiras assinadas. Este é o sexto mês consecutivo em que o estado acumula saldo positivo de novos postos de trabalho.

Os números de outubro representam aumento de mais de 9,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados foram divulgados na última terça-feira (28) no Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Segundo o governo, todos os cinco grandes setores produtivos em Pernambuco tiveram saldo de empregos positivo no mês de outubro. Veja a quantidade de oportunidades geradas:

  • Serviços: 3.119 empregos;
  • Comércio: 2.392 empregos;
  • Indústria: 1.824 empregos;
  • Agropecuária: 686 empregos.
  • Construção: 251 empregos.

Ao todo, Pernambuco soma 52.477 empregos gerados nos 10 primeiros meses do ano.

“Pernambuco demonstrou, mais uma vez, um resultado animador na geração de empregos, sendo destaque da região Nordeste na criação de vagas em outubro. Mesmo sendo um ano que enfrentamos desequilíbrio de contas e orçamento defasado, estamos trabalhando muito e os resultados começam a se consolidar”, disse a governadora Raquel Lyra (PSDB).

“Recolocar Pernambuco no trilho do desenvolvimento, como estamos fazendo desde o início do ano, representa garantir mais emprego e renda para combatermos as mazelas sociais, que precisam e vão ficar no passado”, acrescentou a tucana.

Para a secretária em exercício de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo do estado, Cristiane Andrade, o resultado demonstra que Pernambuco “está colhendo frutos das ações implementadas desde o início do ano para impulsionar a economia.

“O somatório de vagas criadas apenas nos últimos três meses, ou seja, agosto, setembro e outubro, foi de 42.881, o que corresponde a 81,7% do total de postos gerados desde janeiro. Outro ponto importante em outubro é o crescimento dos setores de Serviços e Comércio, que chegaram a ultrapassar o da Indústria na criação de empregos”, disse.

Em setembro, Pernambuco ficou atrás somente de São Paulo no índice de geração de emprego do país. No último mês, foram assinadas 18.864 carteiras de trabalho.

*Por Jamildo Melo/JCNE10

Trabalho no comércio em feriados passa a exigir convenção coletiva; Portaria com nova regra está publicada no Diário Oficial

ECONOMIA

Movimentação do comércio nas lojas da SAARA (Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega), centro da cidade.
Foto/Agência Brasil

A partir de agora, o trabalho no comércio nos feriados exigirá negociação coletiva com os sindicatos. Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego – publicada na terça-feira (14) no Diário Oficial da União – estabelece a exigência de concordância dos trabalhadores.

Segundo a portaria, apenas as feiras livres poderão abrir nos feriados sem acordo coletivo. A medida altera uma portaria de 2021 que regulamentava o trabalho em atividades comerciais.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) comemorou a medida. Para a entidade, a portaria repara um erro histórico. “A medida foi resultado de uma articulação das entidades sindicais, em especial das confederações, que defenderam, junto ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a necessidade de reparar um erro histórico que começou no governo de Michel Temer, quando foi desrespeitada a legislação que garantia o direito dos trabalhadores do comércio de negociar as condições de trabalho em feriados”, ressaltou a confederação.

Precarização

Vinculada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs) também elogiou a portaria. Para o presidente da entidade, Julimar Roberto, a decisão representa uma vitória dos trabalhadores contra a precarização profissional.

“Essa portaria fortalece bastante as convenções coletivas, que são o instrumento mais adequado para garantir os direitos e os benefícios dos trabalhadores do comércio. Agradecemos ao ministro Luiz Marinho, ao Ministério do Trabalho, pela reparação desse erro que tanto prejudicava os trabalhadores”, afirmou o presidente da Contracs.

A Força Sindical considera a decisão importante. “Resgate histórico para a nossa categoria”, comentou o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre, Nilton Neco. O sindicato é vinculado à central sindical.

*Fonte: Agência Brasil