O Sindicom, que representa as principais distribuidoras de combustíveis no Brasil, enviou ofício ao governo federal apontando riscos ao abastecimento nacional de combustíveis e pedindo que sejam tomadas providências para que a Petrobras retome os leilões de diesel e gasolina, que foram cancelados nesta semana.
No documento, datado da véspera e visto pela Reuters nesta quinta-feira, o Sindicom afirmou que as suas distribuidoras têm observado um aumento relevante da demanda por produtos, porém relatam cortes nas cotas de fornecimento e negativa de pedidos adicionais nos meses de março e abril por parte da Petrobras.
A situação ‘estressa o fluxo regular de produtos’, segundo o sindicato, que representa empresas como Vibra, Ipiranga e Raízen.
‘O cenário global atravessa um dos choques mais severos da história recente, elevando preços e intensificando a disputa internacional por suprimentos’, afirmou o Sindicom em nota.
‘No plano doméstico, a ausência de diretrizes claras na política de preços e a incerteza no atendimento integral dos pedidos pela Petrobras — somadas à instabilidade no calendário de leilões e ao cancelamento intempestivo de certames — comprometem severamente a previsibilidade operacional e o planejamento estratégico dos agentes de distribuição’, afirmou o documento.
Procurada, a Petrobras não respondeu imediatamente a pedidos de comentários.
A virada do ano trará com ela o aumento dos combustíveis. A partir de quinta-feira, 1º de janeiro, entrarão em vigor no Brasil os novos valores fixos dos combustíveis para as distribuidoras. O motivo é o reajuste das alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
O reajuste frustra consumidores e a classe produtiva, que historicamente cobram uma carga tributária mais equilibrada, sobretudo sobre bens essenciais como os combustíveis. Com a mudança, apenas na gasolina, consumidores e empresários passarão a pagar cerca de R$ 2,25 por litro em tributos federais e estaduais.
A tributação terá impacto sobre o preço da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. A gasolina terá reajuste de R$ 0,10 por litro, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57, com alta de 6,8%. O diesel e o biodiesel passarão de R$ 1,12 para R$ 1,17 por litro, acréscimo de R$ 0,05 por litro e aumento de 4,4%. Já o gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, sobe de R$ 1,39 para R$ 1,47 por quilo, equivalente a um reajuste de 5,7% e alta de R$ 1,05 por botijão (de 13 kg).
Atualmente, a carga tributária da gasolina representa aproximadamente 36% do preço final ao consumidor. Embora o modelo de cobrança do ICMS sobre combustíveis tenha sido alterado em 2022, quando passou a ser fixado por valor por litro — conhecido como alíquota ad rem —, a decisão do Confaz mantém esse formato e apenas atualiza os valores monetários do imposto.
O aumento no preço dos combustíveis acontece na saída da refinaria e consequentemente é repassado para o consumidor final, nas bombas de combustível.
Além do efeito direto nos preços, o reajuste do ICMS tende a pressionar custos logísticos e de transporte, especialmente em um país fortemente dependente do modal rodoviário. O aumento também deve gerar reflexos indiretos sobre a inflação e sobre os preços de bens e serviços ao longo da cadeia produtiva, ampliando o impacto econômico da medida a partir de 2026.
Consumo de gasolina de um carro novo não melhora drasticamente com o tempo, alerta Feldman • Freepik
Diesel, no entanto, continua mais barato do que no exterior
Com o petróleo tipo Brent se mantendo abaixo dos US$ 65 o barril, a gasolina no Brasil está mais cara do que no mercado internacional, proporcionando oportunidade para os importadores do combustível, enquanto o diesel continua mais barato do que no exterior, segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).
A Petrobras, responsável por 80% do refino no País, reduziu a gasolina em 4,9% em outubro, mas mantém o preço do diesel nas suas refinarias congelado há 205 dias.
Já a Acelen, que controla a Refinaria de Mataripe, na Bahia, com 14% do mercado, faz ajustes semanais e reduziu o preço da gasolina em R$ 0,02 o litro na semana passada, mas elevou o diesel em R$ 0,07 o litro.
Em relação ao mercado internacional, o preço médio do diesel nas refinarias da Petrobras registra defasagem de 10%, o que poderia gerar um aumento de R$ 0,31 por litro, enquanto o preço da gasolina está 5% acima do praticado no mercado internacional, podendo gerar uma queda de R$ 0,13 por litro.
Na média das refinarias brasileiras, o diesel está 8% mais barato no Brasil do que no exterior e a gasolina 5% mais cara.
Postos
A queda do preço da gasolina pela Petrobras no mês passado teve pouco efeito nos postos de abastecimento do País.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana de 16 a 22 de novembro o preço médio do litro da gasolina subiu 0,3%, para R$ 6,18, enquanto o diesel permaneceu estável, em R$ 6,06 o litro,
O gás de cozinha também subiu, 0,2%, encontrado ao preço médio de R$ 110,48 o botijão de 13 quilos, segundo a ANP.
Preço médio do etanol subiu 0,23% na comparação com a semana anterior • Freepik
Nos postos de todo o país, o preço médio do etanol subiu 0,23% na comparação com a semana anterior, a R$ 4,29 o litro; preço ficou estável em 5 estados e no DF
Os preços médios do etanol hidratado caíram em 13 Estados, subiram em outros 8 e ficaram estáveis em 5 e no Distrito Federal na semana de 9 a 15 de novembro. Os dados são da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), compilados pelo AE-Taxas.
Nos postos pesquisados pela ANP em todo o país, o preço médio do etanol subiu 0,23% na comparação com a semana anterior, a R$ 4,29 o litro.
Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço subiu 0,24% na comparação semanal, a R$ 4,10 o litro.
A maior alta porcentual na semana, de 0,65%, foi registrada no Maranhão, a R$ 4,67 o litro. A maior queda, de 3,70%, ocorreu no Rio Grande do Norte, para R$ 4,69 o litro. O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,56 o litro, em São Paulo. O maior preço, de R$ 6,08, foi observado no Acre.
Já o menor preço médio estadual, de R$ 3,93, foi registrado em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi verificado no Amapá, de R$ 5,54 o litro.
O documento, publicado pelo Ministério da Fazenda, estabelece os valores que servirão como base para o cálculo do ICMS sobre combustíveis em cada Estado – Foto: Sérgio Lima/Poder360
Novos valores do GNV e etanol hidratado entram em vigor a partir de 16 de novembro de 2025
O Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) divulgou nesta 2ª feira (10.nov.2025) os novos valores do PMPF (Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final) de combustíveis para Estados e para o Distrito Federal.
Os preços entrarão em vigor a partir de 16 de novembro e servem como base para o cálculo do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Leia a íntegra (PDF – 193 kB) publicada no DOU (Diário Oficial da União).
A tabela apresenta preços para os seguintes combustíveis.
Tocantins apresenta o maior preço para o QAV, com valor de R$ 6,83 por litro. Já o Rio de Janeiro registra o menor valor para esse combustível, fixado em R$ 2,44. Para o AEHC, o Amazonas tem o preço mais elevado, chegando a R$ 5,44 por litro, enquanto São Paulo oferece o menor valor (R$ 4,10/litro).
O Distrito Federal registra o GNV mais caro do país, com preço de R$ 6,78 por m³. O Amazonas tem o menor valor para esse combustível, a R$ 2,94 por m³. Só 2 Estados apresentam valores para o GNI na tabela: Amazonas (R$ 1,78/m³) e Mato Grosso (R$ 3,67/m³).
O preço da gasolina comum nos postos de Fortaleza registrou queda de R$ 0,06 nesta semana. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a média cobrada entre os dias 19 e 25 de outubro foi de R$ 6,25 por litro. Trata-se da primeira redução após o anúncio da Petrobras sobre a diminuição de quase 5% no valor da gasolina A (pura).
Especialistas afirmam que a redução no preço médio da gasolina poderia ter sido ainda maior. Após o anúncio da Petrobras, esperava-se uma queda de R$ 0,08 a R$ 0,10 por litro. No entanto, essa estimativa considera um cenário ideal, em que os demais componentes do valor da gasolina — como custos de distribuição, revenda, do etanol e tributos — permanecessem inalterados.
Além disso, seria preciso que a totalidade da redução aplicada pela Petrobras fosse repassada ao consumidor, o que raramente acontece na prática. Para abastecer um tanque de 45 litros, os motoristas de Fortaleza agora gastam R$ 277,65, uma economia em comparação aos R$ 282,15 anteriores.
Depois de um longo período de insatisfação com os preços, a situação atual proporciona um leve alívio aos consumidores da região. Entre as iniciativas promocionais, chama atenção um posto em Fortaleza que ofereceu gasolina aditivada gratuitamente durante sua inauguração.
Consumidores comemoram, mas especialistas alertam
A queda no preço da gasolina traz um alívio imediato para os motoristas, que agora conseguem economizar alguns reais a cada abastecimento. Pequenas promoções, como a distribuição de gasolina aditivada gratuita em postos durante inaugurações, reforçam a sensação de alívio e incentivam os consumidores a aproveitarem os benefícios.
No entanto, especialistas lembram que a redução ainda não reflete totalmente o recuo nos valores anunciado pela Petrobras. Custos de distribuição, tributos e preços do etanol continuam influenciando o valor final nas bombas, o que significa que os consumidores ainda podem esperar variações e que a economia percebida pode ser limitada se esses fatores não forem ajustados.
O preço médio do etanol hidratado apresentou queda em 14 Estados e no Distrito Federal entre os dias 26 e 31 de outubro, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em contrapartida, houve alta em 8 Estados e estabilidade em 3.
No levantamento nacional, o valor médio do litro caiu 0,23%, ficando em R$ 4,27. Em São Paulo, maior produtor e consumidor do biocombustível, o preço subiu 0,25%, chegando a R$ 4,08 o litro. Já o Distrito Federal registrou a maior queda percentual, de 8,08%, com o litro custando R$ 4,21.
A maior alta foi observada em Mato Grosso do Sul, onde o valor aumentou 1,03%, para R$ 3,91. O menor preço médio estadual foi encontrado no mesmo estado, a R$ 3,91 o litro, enquanto o maior preço médio foi no Amazonas, a R$ 5,49.
O levantamento apontou ainda que o menor preço individual do país foi de R$ 3,39, registrado em um posto de São Paulo, e o maior, de R$ 6,49, em Pernambuco.
O novo aparelho permite analisar a adição irregular de metanol à gasolina ou ao etanol e o descumprimento da proporção de 15% de biodiesel no óleo diesel B
A Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) começaram a utilizar, nesta terça-feira (4/11), um novo equipamento para intensificar a fiscalização em postos de combustíveis do Distrito Federal. A estreia do espectrofotômetro portátil Agilent Cary 630, avaliado em cerca de R$ 260 mil, ocorreu durante operação conjunta no Posto Wave, no Noroeste.
O aparelho permite analisar a composição química dos combustíveis diretamente no local da inspeção. Com módulos capazes de detectar metanol e aferir o teor de biodiesel, o espectrofotômetro agiliza a identificação de adulterações, como a adição irregular de metanol à gasolina ou ao etanol e o descumprimento da proporção de 15% de biodiesel no óleo diesel B.
Na ação de estreia, não foram encontradas irregularidades nas amostras coletadas. Para o promotor de Justiça Paulo Roberto Binicheski, a tecnologia marca um avanço na proteção ao consumidor. “Antes, era necessário enviar as amostras para um laboratório e aguardar até 30 dias pelo resultado. Agora, a análise é feita na hora, o que permite autuações e multas imediatas, fortalecendo a fiscalização em benefício direto da população”, afirmou.
Binicheski destacou ainda que o uso do equipamento é fruto de uma política pública promovida pelo Ministério Público. “O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) demonstra nosso compromisso com os direitos do consumidor. Além de garantir um mercado mais justo, a medida contribui para a redução da poluição atmosférica ao assegurar o cumprimento do teor de biodiesel”, completou.
Relatório do Itaú BBA indica que ajuste nos preços da gasolina pressiona mercado de biocombustíveis no Brasil
O preço do etanol hidratado encerrou setembro em R$ 2,82 por litro sem impostos no polo de Paulínia (SP), principal referência do país. A média mensal subiu 3%, alcançando R$ 2,85 por litro, segundo levantamento do Itaú BBA.
De acordo com o banco, o movimento foi influenciado pela queda nos preços internacionais de energia, especialmente da gasolina, que impactou o comportamento dos biocombustíveis no mercado interno.
Pressão sobre o etanol
Agentes do setor avaliam que ainda há espaço para uma redução adicional de 5% a 10% no preço da gasolina nas refinarias. Caso isso ocorra, o etanol tende a perder competitividade nos postos, já que a paridade de preços com o combustível fóssil deve se ampliar.
Com esse cenário, produtores têm antecipado vendas como forma de proteção diante da expectativa de ajustes para baixo na gasolina doméstica.
Diferença de preços reforça expectativa de ajuste
No início de outubro, o contrato futuro da gasolina negociado nos Estados Unidos (CME RBOB Gasoline) equivalia a R$ 2,62 por litro, enquanto a gasolina vendida pela Petrobras em Paulínia estava cotada a R$ 2,85 por litro. A diferença reforça a expectativa de acomodação dos preços no mercado interno, aponta o relatório.
Etanol pode se valorizar na entressafra
Para o analista Lucas Brunetti, da Consultoria Agro do Itaú BBA, o cenário ainda pode favorecer o etanol nos próximos meses.
“Caso o reajuste da gasolina não ocorra nos próximos meses, o potencial de valorização do etanol durante a entressafra tende a aumentar, diante do quadro de fundamentos apertados no setor, avalia
Corte de R$ 0,14 por litro da gasolina é o primeiro desde julho e reflete queda nas cotações internacionais do petróleo
Começa a valer nesta terça-feira (20/10) a redução no preço da gasolina anunciada pela Petrobras. O valor do combustível vendido às distribuidoras caiu em 4,9%, o equivalente a R$ 0,14 por litro.
Com o reajuste, o preço para distribuidoras passa de R$ 2,85 para R$ 2,71, em média. É o primeiro corte anunciado pela estatal desde julho e ocorre em meio à queda nas cotações internacionais do petróleo e à defasagem acumulada em relação aos preços praticados no exterior.
No acumulado do ano, a Petrobras reduziu os preços em R$ 0,31/litro, o equivalente a 10,3%. Segundo a companhia, os preços do diesel e do gás de cozinha (GLP) permanecem inalterados.
Repasse ao consumidor pode demorar
A redução anunciada pela Petrobras não significa, necessariamente, queda imediata nos preços cobrados nos postos. Isso porque o valor final ao consumidor depende de outros componentes, como tributos estaduais e federais, margens de distribuição e revenda, além dos custos logísticos de cada região.
De acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio da gasolina comum no país estava em R$ 6,22, na semana passada.
Cenário internacional e pressões domésticas
O anúncio ocorre em momento de recuo nas cotações do barril de petróleo, após semanas de volatilidade provocadas por tensões geopolíticas e sinais de desaceleração da economia global.
Além do cenário externo, a redução reflete pressões internas na política de preços da Petrobras. Nos últimos meses, parlamentares e o próprio governo federal vinham cobrando da estatal reajuste diante da defasagem acumulada e do alívio observado no mercado internacional.
Inflação
A inflação do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), divulgado na semana passada, registrou alta de 0,48% em setembro, ficando em 5,17% no acumulado de 12 meses.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pela divulgação do IPCA, o grupo dos combustíveis teve alta de 0,87% no mês passado, sendo as principais altas registradas no etanol (2,25%), na gasolina (0,75%) e no óleo diesel (0,38%).
A expectativa do mercado financeiro é que, com a diminuição do preço da gasolina, a inflação tenha leve queda. “Calculamos queda de -1,58% na bomba no IPCA de novembro. Com este reajuste, a nossa projeção de inflação de 2025 sai de 4,5% para 4,4%”, projeta a Warren Investimentos.
A introdução da gasolina E30 no Brasil, uma mistura mais sustentável com 30% de etanol, começou a ser implementada em 1º de agosto de 2025. A nova composição é adotada em todos os combustíveis produzidos no país, marcando uma mudança significativa nas políticas energéticas brasileiras. Este ajuste visa reduzir a dependência do petróleo importado e estabilizar os preços internos dos combustíveis.
Diversos fatores impulsionaram essa mudança. Em primeiro lugar, a iniciativa pretende mitigar as oscilações de preço no mercado internacional de petróleo. Além disso, a nova gasolina contribui para a diminuição das emissões de poluentes, potencializando o uso de etanol amplamente produzido no Brasil.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida pode levar a uma queda de até R$ 0,11 no preço do litro de gasolina.
Novo panorama energético
A implementação da gasolina E30 traz repercussões significativas para o mercado. A mistura elevada de etanol visa não apenas aliviar os custos de produção, mas também estimular a eficiência veicular.
Com a aumentada octanagem de 94 RON, os motores têm desempenho potencialmente mais eficiente. Contudo, a disponibilidade e o impacto no preço podem variar conforme a região.
Ajustes necessários para veículos
Com 30% de etanol, a gasolina E30 pode gerar um leve aumento no consumo para veículos, principalmente em carros flex. Isso ocorre devido ao menor poder calorífico do etanol em comparação à gasolina pura.
Motoristas de carros mais antigos ou importados devem estar atentos, já que esses veículos podem necessitar de ajustes para se adaptarem à nova composição de combustível e evitar desgaste prematuro.
Futuro
A adoção da gasolina E30 coloca o Brasil em uma posição vantajosa globalmente. A expectativa é de que a medida propicie um crescimento na demanda por etanol, impulsionando investimentos e gerando empregos no setor.
Além disso, ao diminuir a dependência do Brasil de combustíveis fósseis, a iniciativa promete avanços econômicos e ambientais significativos, consolidando a autossuficiência nacional em gasolina após 15 anos.
Preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,19 o litro, em São Paulo • Getty Images
Nos postos pesquisados pela Agência em todo o país, preço médio do combustível subiu 0,72%, a R$ 4,17 o litro
Os preços médios do etanol hidratado caíram em onze estados, subiram em sete e no Distrito Federal e ficaram estáveis em oito na semana passada.
Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)compilados pelo AE-Taxas.
Nos postos pesquisados pela Agência em todo o país, o preço médio do etanol subiu 0,72% na comparação com a semana anterior, a R$ 4,17 o litro.
Em São Paulo, principal estado produtor, consumidor e com mais postos avaliados, o preço subiu 0,51% na comparação semanal, para R$ 3,95 o litro.
A maior queda porcentual na semana, de 12,02%, foi registrada no Acre, onde o litro passou a R$ 5,27. A maior alta no período, no Distrito Federal, foi de 2,90%, para R$ 4,62 o litro.
O preço mínimo registrado na semana para o etanol em um posto foi de R$ 3,19 o litro, em São Paulo.
O maior preço, de R$ 6,49, foi observado em Pernambuco. Já o menor preço médio estadual, de R$ 3,89, foi registrado em Mato Grosso do Sul, enquanto o maior preço médio foi verificado em Pernambuco, de R$ 6,49 o litro.
documento, publicado pelo Ministério da Fazenda, estabelece os valores que servirão como base para o cálculo do ICMS sobre combustíveis em cada Estado 📸/Sergio Lima/Poder360
Novos valores entram em vigor a partir de 16 de agosto e servirão como base para tributação
O Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) divulgou nesta 5ª feira (07.ago.2025) os novos valores do PMPF (Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final) de combustíveis para Estados e o Distrito Federal.
Os preços dos combustíveis entrarão em vigor a partir de 16 de agosto e servem como base para o cálculo do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Eis a íntegra (PDF – 338 KB) publicada no DOU (Diário Oficial da União).
INSCREVA-SE A nova tabela apresenta preços para os seguintes combustíveis: QAV (querosene de aviação), AEHC (álcool etílico hidratado combustível), GNV (gás natural veicular), GNI (gás natural industrial) e óleo combustível.
Para o álcool etílico hidratado, o Amazonas tem o preço mais elevado, chegando a R$ 5,44 por litro, enquanto São Paulo oferece o menor valor (R$ 3,96/litro).
O Distrito Federal registra o GNV mais caro do país, com preço de R$ 6,78 por m³. O Amazonas tem o menor valor para este combustível, a R$ 3,16 por m³.
Tocantins apresenta o maior preço para o querosene de aviação, com valor de R$ 7,31 por litro. Já o Rio de Janeiro registra o menor valor para este combustível, fixado em R$ 2,44. Só 2 estados apresentam valores para o gás natural industrial na tabela: Amazonas (R$ 1,83/m³) e Mato Grosso (R$ 3,67/m³).
”Mudança pode resultar em problemas técnicos e aumento no consumo. Etanol tem poder energético menor que o da gasolina” diz Feldman
A nova medida do governo sobre as misturas obrigatórias na gasolina e no diesel brasileiro, que entrou em vigor na última sexta-feira (1º), pode trazer impactos negativos para os consumidores. A alteração aumentou o percentual de etanol na gasolina de 27% para 30%, e do biodiesel no diesel de 14% para 15%
Segundo o engenheiro e colunista da CNN Boris Feldman, a mudança pode resultar em problemas técnicos e aumento no consumo de combustível. “O etanol tem um poder energético menor que o da gasolina, então quando você vai subindo o etanol da gasolina, você reduz a quilometragem”, explica Feldman.
Impacto nos veículos
Os veículos flex, fabricados a partir de 2003, não devem apresentar problemas técnicos com a nova mistura. No entanto, carros mais antigos e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina podem enfrentar dificuldades, especialmente na partida do motor pela manhã.
A gasolina premium, que mantém 25% de etanol em sua composição, não sofrerá alterações. Contudo, seu preço é cerca de 50% mais elevado que a gasolina comum, tornando-a inacessível para grande parte dos consumidores.
Comparação Internacional
O percentual de etanol utilizado no Brasil é significativamente maior que em outros países. Nos Estados Unidos, a mistura é de 10%, enquanto na Europa varia entre 2,5% e 5%. Segundo Feldman, o percentual ideal seria entre 10% e 20%, embora até 30% seja tecnicamente suportável pelos motores.
Quanto aos preços, ainda não foram observadas reduções nos valores dos combustíveis nas bombas, conforme era previsto com a implementação da medida. “Se houver a queda no preço, ela talvez não seja nem suficiente para compensar o consumo que aumentou”, avalia Feldman.
Gasolina a R$ 6,59 no SIA: preço na bomba assusta motoristas – (crédito: Ed Alves/CB/D.A.Press)
Por Correio Brasiliense
Aumento de preço está relacionado ao reajuste nas distribuidoras. Consumidores relatam a dificuldade para ajustar o orçamento
De acordo o presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares, o reajuste de 4,7% nos postos vinculados ao sindicato foi motivado pelas distribuidoras, que aumentaram os preços da gasolina por três semanas consecutivas. “Houve realmente aumento de preços, mas isso ainda não está relacionado ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Por enquanto, trata-se apenas de reajustes aplicados pelas distribuidoras, que impactam diretamente o mercado”, explicou. Na semana passada, o preço médio da gasolina era R$ 6,04.
Maria Jandira, de 37 anos, moradora do Lúcio Costa, reclamou dos aumentos. Antes, abastecia o carro com R$ 100 de gasolina comum. “Já achava caro, mas agora vai pesar ainda mais no bolso. Uso o carro para atividades básicas, como ir ao trabalho e fazer compras na feira no fim de semana. Mesmo assim, gasto mais de R$ 500 por mês com gasolina. Isso tem afetado o orçamento da minha família”, afirmou.
Delaine Lima, 33, moradora do Cruzeiro, lamentou a instabilidade dos preços. “Uma hora está mais barato, outra hora sobe, e isso afeta tanto economicamente quanto socialmente as pessoas. Muitas famílias vivem com o dinheiro contado, fazem cálculos para pagar os alimentos, e, quando a gasolina aumenta, acabam tendo que abrir mão do conforto de usar o carro e recorrer ao transporte público para economizar”, desabafou.
O litro do combustível está, em média, R$ 0,11 mais caro no mercado doméstico, 4% superior ao praticado no exterior | Foto: Pedro Piegas / CP Memória
O litro do combustível está, em média, R$ 0,11 mais caro no mercado doméstico, 4% superior ao praticado no exterior
O preço da gasolina no Brasil permanece mais elevado que o praticado no mercado internacional, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
O litro do combustível está, em média, R$ 0,11 mais caro no mercado doméstico, 4% superior ao praticado no exterior, conforme relatório publicado nesta quinta-feira.
“Os preços médios do Gasolina A operam acima ou na paridade em todos os polos analisados”, frisou a Abicom. “O mercado internacional e o câmbio pressionam os preços domésticos.” O Preço de Paridade de Importação (PPI) acumula uma redução de R$ 0,51 por litro desde o último reajuste nos preços da Petrobras, calculou a entidade.
Já o preço do diesel está, em média, 4% mais caro internamente do que no Golfo do México, região usada como parâmetro para a comercialização desses combustíveis pelos importadores brasileiros. O resultado significa uma defasagem de R$ 0,13 por litro do diesel.
Segundo a Abicom, os preços médios do óleo diesel A operam acima ou na paridade em todos os polos analisados. O Preço de Paridade de Importação acumula uma redução de R$ 0,39 por litro desde o último reajuste nos preços da Petrobras, apontou a entidade.
Nos cinco polos da Petrobras, a gasolina estava, em média, 4% acima do preço internacional, R$ 0,10 a mais por litro, assim como o diesel A, 4% acima da paridade, o equivalente a R$ 0,14 a mais por litro.
Já o polo Aratu, na Bahia, operado pela Acelen, vendia o diesel 1% mais caro que o preço do Golfo. A gasolina era comercializada com preço 4% superior ao patamar internacional. O Preço de Paridade de Importação (PPI) foi calculado pela Abicom usando como referência os valores do fechamento do mercado nesta última quarta-feira, 25.
“Com a estabilidade no câmbio e a ligeira redução nos preços de referência da gasolina e do óleo diesel no mercado internacional no fechamento do dia útil anterior, o cenário médio de preços está acima da paridade para o óleo diesel e para gasolina”, concluiu a Abicom. Por Estadão Conteúdo.
Governadora de Pernambuco em exercício, Priscila Krause recebeu executivos da European Energy, que anunciaram investimentos
Pernambuco receberá a primeira indústria de produção de e-metanol do Brasil. A instalação do empreendimento foi discutida em reunião, nesta sexta-feira (12), no Palácio do Campo das Princesas, entre a governadora em exercício Priscila Krause e um grupo de executivos da European Energy, companhia dinamarquesa consolidada no Brasil no ramo de energia limpa. O Governo do Estado anunciou que a instalação da indústria de produção de e-metanol será realizada em uma área de dez hectares dentro do Complexo Industrial de Suape, no Litoral Sul do Estado. Para o projeto, a empresa está aportando um investimento de R$ 2 bilhões.
Nesta segunda-feira (23), em cerimônia no Palácio do Campo das Princesas, no Recife, a governadora Raquel Lyra e o deputy CEO da European Energy, Jens-Peter Zink, assinam o contrato que oficializa a chegada ao Complexo Industrial Portuário de Suape da primeira indústria de produção de e-metanol do Brasil. Também conhecido como metanol verde, o e-metanol é obtido de fontes renováveis e livre de emissões poluentes, sobretudo quando é produzido a partir de uma matriz de hidrogênio verde. Serão investidos R$ 2 bilhões no empreendimento, que estima gerar 250 empregos diretos e cerca de 15 mil indiretos.
Durante o evento, Raquel Lyra destacará a importância desse investimento para a economia pernambucana e para o desenvolvimento de tecnologias limpas no estado. “Pernambuco dá mais um passo à frente na transformação de sua matriz energética, reforçando nosso compromisso com a sustentabilidade e a inovação,” afirmou a governadora em nota.
O e-metanol, também conhecido como metanol verde, é produzido a partir de fontes renováveis, sendo livre de emissões poluentes, especialmente quando derivado de hidrogênio verde. A expectativa é que o novo empreendimento gere 250 empregos diretos e cerca de 15 mil indiretos, fortalecendo o polo industrial e ambiental de Suape, que já é referência no setor de energias renováveis no Brasil. Por DP.
O aumento do preço dos combustíveis contribui para a alta da inflação. – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
As distribuidoras de combustíveis usavam os créditos do PIS/Cofins para quitar tributos federais ou obrigações como o INSS
Pelo menos uma distribuidora de combustível já comunicou que vai reajustar os preços dos combustíveis, como gasolina, etanol e diesel para os donos de postos, a partir desta terça-feira (11), “em função do efeito imediato da MP 1.227/2024, que restringiu a compensação de créditos tributários de PIS/Cofins”. O aumento dos preços dos combustíveis impacta toda a cadeia produtiva do País, contribuindo para a alta da inflação.
Segundo cálculos feitos pelo Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), os aumentos que serão cobrados aos donos de postos podem variar de R$ 0,20 a R$ 0,36 por litro de gasolina e de R$ 0,10 a R$ 0,23 por litro de diesel. O IBP representa três das maiores distribuidoras do Brasil: a Raízen, a Vibra e a Ultrapar.
Os preços dos combustíveis são livres no Brasil, mas depois de uma distribuidora aumentar, as outras seguem o mesmo caminho.”Geralmente, os revendedores têm que repassar – uma parte ou o aumento todo -, mas às vezes, demora a chegar ao consumidor porque a concorrência entre os postos é grande”, explica o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Pernambuco (Sindicombustíveis-PE), Alfredo Pinheiro Ramos. Ele diz que o reajuste dos preços é muito ruim e é tudo que o setor não quer. “Com o aumento, tem que ter mais capital de giro e o consumo diminui”, afirma.
Segundo Alfredo, as grandes distribuidoras têm muito crédito de PIS/Cofins e utilizavam os mesmos para pagar tributos federais ou outras obrigações como o INSS. A MP 1.227 restringiu o uso desses créditos. Um levantamento feito pelo BTG Pactual aponta que as três maiores distribuidoras do País detêm mais de R$ 14 bilhões em créditos fiscais do PIS/Cofins, divididos da seguinte forma: R$ 8,3 bilhões para a Raízen (que nasceu da fusão entre a Shell e a Cosan), R$ 3,1 bilhões para a Vibra – antiga BR Distribuidora – e R$ 2,4 bilhões para a Ultrapar.
Vai sobrar para o consumidor
“Não permitir a compensação destes créditos é fazer com que o consumidor pague mais caro.É um desfavor que o governo está fazendo à população. As distribuidoras não vão engolir este prejuízo e vão colocar os consumidores para pagar esta conta com o aumento”, resume o advogado tributarista do escritório Ivo Barboza & Advogados Associados Alexandre Albuquerque.
O advogado também argumenta que as distribuidoras também vão assegurar um lucro maior para o futuro, porque estes créditos vão ser compensados um dia e quem vai ficar com essa compensação são as distribuidoras. “A MP só trouxe prejuízos econômicos. A majoração dos preços vai ocorrer hoje. E não vai ocorrer uma redução dos preços destes produtos no futuro, quando ocorrer a compensação”, resume Alexandre, acrescentando que esse repasse dos preços vai ter consequências na inflação.
Segundo o advogado, os setores mais prejudicados pela MP foram as distribuidoras e as empresas do agronegócio mais voltadas para as exportações que também detêm créditos do PIS/Cofins.
O preço dos combustíveis e a inflação
“Um dos principais vilões da inflação no País são os derivados de petróleo. O aumento do preço dos combustíveis impacta toda a cadeia produtiva, porque o modal mais importante é o rodoviário”, comenta o analista de cenários econômicos, Tiago Monteiro. O economista também diz que a “nossa base produtiva” é visceralmente dependente dos derivados de petróleo.
Tiago diz que o consumidor só vai saber o valor exato do aumento, quando os preços novos chegarem às bombas dos postos. Ele lembra também que há outros setores que também terão reajustes de preço devido à MP do PIS/Cofins como a soja, a produção de carnes (bovina, suína e branca) e a indústria química, que também já informou que vai repassar para o consumidor as novas despesas que terão por causa da nova medida.
Indústria quer construir convergências em torno da MP
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que acredita estar “construindo um caminho para uma boa convergência” em torno da MP 1.227/2024 com um bom e construtivo diálogo com o Senado Federal e a Câmara dos Deputados. Embora tenha efeito imediato, a MP terá que ser aprovada pelo Congresso Nacional para virar lei.
Representantes da CNI vão participar de uma reunião em Brasília com diversos representantes dos setores produtivos nesta terça-feira (11). Ainda na nota, a CNI diz que “simplesmente, queremos o melhor para o nosso Brasil. E o melhor para o Brasil é o crescimento das atividades produtivas de forma sustentável e sinérgica com toda a sociedade. Enfim, creio que estamos obtendo o consenso de que atingimos o limite na carga tributária. Precisamos construir, em conjunto, outros caminhos para o equilíbrio fiscal e, consequentemente, o melhor para o crescimento econômico”.
O governo federal editou a MP do PIS/Cofins com a finalidade de arrecadar mais, mas as instituições que representam os empresários de vários setores criticaram muito a medida que desorganizou o planejamento de muitas empresas. *Por Angela Belfort/Folha de Pernambuco.
Proposta também traz meta para inclusão do biometano como parcela obrigatória no gás natural e obrigada empresas aéreas a reduzir emissão de gases
A Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que altera os percentuais mínimos e máximos de mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no óleo. O relator, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), flexibilizou a proposta após apelos do governo e do setor de petróleo.
O novo texto mantém o crescimento no percentual de mistura de biodiesel no óleo progressivamente, de 15% para 20%, entre 2025 e 2030. Mas Arnaldo deixou um piso de 13% na mistura como possibilidade, caso o setor não consiga alcançar os percentuais estabelecidos.
Antes, a proposta também dava apenas uma margem de segurança de 2% para mais ou menos nos percentuais anuais. A flexibilização ocorreu depois que o governo, unido ao setor de óleo, reclamou da escala progressiva de obrigatoriedade na mistura.
O temor era de que as distribuidoras não conseguissem atingir os mínimos estabelecidos ano a ano, tanto de biodiesel, quanto de biometano, prevendo a possibilidade de uma oferta menor de produtos no mercado.
— Antes, eu tinha colocado aquela franja de 2%. Agora, o biodiesel terá um piso de 13% para qualquer momento da escala. Tivemos uma conversa com o governo e entendemos que podem existir problemas, por exemplo, com a produção da soja. Também colocamos os testes de biodiesel em motores a cada etapa da escadinha — disse Arnaldo Jardim.
Para a mistura etanol na gasolina, passará a ser fixado o percentual de 27% obrigatório e o Executivo poderá elevar o percentual até o limite de 35%, desde que constatada a sua viabilidade técnica, ou reduzi-lo a 22%.
Aviação
O mesmo projeto também obriga as companhias aéreas a reduzirem emissões de gases de efeito estufa a partir de 2027, partindo de 1% até 10%, em 2037, por meio do Sustainable Aviation Fuel (SAF), o combustível sustentável de aviação.
O relator havia acrescentado na proposta a obrigatoriedade de biometano no gás natural, partindo de 1% do volume total do gás natural comercializado, em 2026, e chegando a 10%, em 2034. No novo parecer, Arnaldo Jardim manteve o início da obrigatoriedade em 2026, mas sem prazo para que a meta de 10% seja atingida.
A proposta ainda estabelece que o diesel verde poderá ter participação volumétrica mínima obrigatória nos combustíveis, sob definição do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), até 2037. O percentual, porém, não poderá exceder o limite de 3% ao ano. O diesel verde é produzido a partir de matérias-primas exclusivamente derivadas de biomassa renovável. *Por Agência O Globo.
Proporção do biodiesel no combustível será de 14% e faz parte de política do governo de aumentar gradualmente a mistura. Preço nas distribuidoras deve aumentar cerca de R$ 0,02, segundo especialistas
A partir desta sexta-feira (1º) o óleo diesel comprado nos postos de combustíveis terá o maior percentual de biocombustível já praticado no país, com uma mistura de 14% de biodiesel.
Semente de seringueira é usada para produzir biodiesel – Foto/Reprodução
A adição de biodiesel é uma política nacional. As distribuidoras de combustível são obrigadas a comprar o biodiesel para misturá-lo ao diesel de origem fóssil, comprado nas refinarias ou importado. O combustível vendido nos postos, chamado de diesel B, é o produto dessa mistura.
Como o biodiesel é mais caro, o preço do óleo diesel nas distribuidoras (etapa anterior aos postos de combustível) deve aumentar cerca de R$ 0,02, segundo especialistas.
O preço final para o consumidor, segundo os analistas, é mais difícil de estimar, porque envolve outros fatores, como a margem de lucro dos revendedores.
O governo busca aumentar a proporção de biodiesel por se tratar de um combustível menos poluente e por essa ser uma pauta importante para o agronegócio (biodiesel pode ser feito de óleo de soja, por exemplo).
O óleo diesel vendido a partir desta sexta-feira, portanto, passa a emitir um pouco menos de gases poluentes. Por outro lado, fica mais caro nas distribuidoras.
Há um projeto em discussão no Congresso que prevê aumentar gradativamente a proporção de biodiesel na mistura.
O aumento de 12%, praticado até então, para 14% de biodiesel deve ter pouco impacto no preço do diesel B, afirmam especialistas. Segundo projeção da Leggio Consultoria, o aumento no preço do diesel B será de 0,6%, sem considerar impostos e custo de distribuição.
“Hoje, o biodiesel está cotado a um preço cerca de 30% maior que o diesel, mas o volume representa apenas 14% do total do produto. Portanto, o efeito sobre o preço da mistura não é tão forte. Outro efeito da medida é a contribuição para a redução da emissão de gases do efeito estufa”, explica Marcus D’Elia, sócio da Leggio.
Para o especialista em combustíveis da consultoria Argus, Amance Boutin, o preço pode aumentar entre R$ 0,01 e R$ 0,02 por litro. Essa projeção considera o preço na distribuidora de combustíveis –etapa anterior à venda nos postos.
Boutin explica que o custo logístico de levar o diesel B da base de distribuição até os postos e a margem de lucro do revendedor são fatores mais difíceis de precificar.
“O comportamento do preço na bomba vai depender de outros fatores também. Se amanhã tem aumento do diesel pela Petrobras, é claro que vai embaralhar um pouco, vai ficar mais difícil, ou também o revendedor pode optar por aproveitar para aumentar. Isso a gente não tem visibilidade”, explica.
De acordo com a Argus, o preço do biodiesel caiu 22,4% desde fevereiro de 2023, por causa da redução no valor da principal matéria-prima para o biodiesel, o óleo de soja.
“Estamos com um cenário bom para o governo, que é propício para se fazer essa mistura. Como se pode ver, estamos falando de entre um a dois centavos por litro [de aumento], é pouca coisa. Se tivesse sido feito em algum outro momento, talvez a pressão inflacionária tivesse sido maior”, conta Boutin.
A expectativa do setor é que a demanda por biodiesel aumente entre 21% e 22% para suprir o aumento da mistura a partir desta sexta-feira (1º), afirma o diretor de Biodiesel do grupo Delta Energia, Silvio Roman. *Por g1.