Semana final da campanha intensifica a batalha de versões sobre os assuntos que pautam o debate público
Fabio Vieira/Metrópoles e Aline Massuca/Metrópoles
Na semana decisiva da corrida presidencial, as palavras de ordem nas campanhas dos candidatos Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são euforia e confiança. O plano é trabalhar para abafar pontos fracos e amplificar as boas notícias, ainda que seja necessário criá-las. Nesse processo, cada militância se apega à sua própria versão sobre os temas que frequentam o debate público.
E essas versões costumam ser muito diferentes umas das outras. O caso Roberto Jefferson é um exemplo. Para os bolsonaristas, o presidente afastado do PTB deve responder pelos seus atos e se radicalizou contra a vontade de Bolsonaro e seus aliados, que até ensaiaram defendê-lo ao longo do domingo (23/10), mas o abandonaram após o candidato à reeleição classificá-lo como bandido.
Para os lulistas, o político preso após atirar contra policiais federais é um dos aliados mais próximos do presidente Jair Bolsonaro (PL) e cumpria, com sua resistência à prisão, um plano da campanha bolsonarista para denunciar uma suposta perseguição judicial.
Lula sobre ataque a tiros de Roberto Jefferson: “Bolsonaro conseguiu criar nesse país uma parcela da sociedade raivosa, com ódio.” Petista classificou caso como uma “aberração” durante coletiva de imprensa. Leia: http://cutt.ly/LNeulDm
As campanhas e militâncias também travam uma guerra por Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, com 16 milhões de eleitores, e o estado onde os eleitos para a presidência da República sempre venceram – o que o torna simbólico e estratégico.
O petista Luiz Inácio Lula da Silva ficou na frente de Bolsonaro em Minas no primeiro turno, mas por uma diferença pequena, de cerca de 500 mil votos. Desde então, o candidato à reeleição conseguiu um apoio engajado do governador reeleito do estado, Romeu Zema (Novo), e tem viajado para cidades mineiras mais de uma vez por semana (como Lula também tem feito, aliás).
Nessa disputa acirrada, as campanhas dos dois candidatos vazam para a imprensa e para influenciadores digitais supostos dados de suas pesquisas internas (que não são registradas no TSE e não deveriam ser levadas a público) sempre mostrando um cenário mais positivo para seus candidatos.
Os apoiadores de Lula, por exemplo, começaram a semana celebrando os levantamentos Atlas e Ipec, que mostraram estabilidade na disputa, com o petista na frente, ou ligeiro aumento da vantagem do candidato sobre Bolsonaro.
Já os bolsonaristas preferem se apegar aos números da pesquisa Brasmarket, também divulgados na segunda, que mostram Bolsonaro liderando a disputa – e abrindo vantagem em relação à semana anterior.
A disputa de preferências continuou na terça (25/10), com os petistas celebrando a estabilidade com Lula na liderança na pesquisa Ipespe e os bolsonaristas comemorando Bolsonaro empatado tecnicamente com Lula no levantamento do Paraná Pesquisas.
O próprio Bolsonaro disse, em entrevista exclusiva ao Metrópoles na segunda (24/10), que segue sem acreditar nas pesquisas, mas disse que os trackings internos de seu partido já indicam um empate técnico entre ele e Lula. “Pessoal passa, meus técnicos, que a gente está num empate técnico. Mas eu sempre digo, não podemos confiar em pesquisas. Porque, coincidentemente, todas as pesquisas jogam contra mim desde 2018. E não foi diferente agora”, declarou em entrevista à diretora-executiva do portal, Lilian Tahan.
E mesmo as pesquisas registradas são motivo de discórdia entre as militâncias. Num cenário agravado pela desconfiança que foi jogada sobre os institutos de pesquisa após erros nas previsões de primeiro turno, cada militância se apega aos levantamentos que se mostram mais favoráveis para seus candidatos e tentam descredibilizar os demais.
Visões econômicas distintas
Nos programas eleitorais obrigatórios e nas inserções da campanha de Bolsonaro no rádio e na TV, o Brasil é um país com economia decolando e perspectivas de melhoras ainda mais chamativas em caso de reeleição. No material de campanha de Lula, o país está quebrado, a inflação dos alimentos está fora de controle e as perspectivas são desastrosas, sobretudo para os mais pobres, se Bolsonaro seguir no poder.
A batalha do momento na economia está em torno do salário mínimo. O marketing petista já havia passado a campanha toda lembrando que o governo Bolsonaro não deu nenhum aumento real (acima da inflação) ao salário mínimo e ampliou a artilharia sobre o tema após o ministro da Economia, Paulo Guedes, falar sobre a possibilidade de mudar o cálculo para o reajuste.
Com a ajuda de Janones, que gravou vídeo acusando o governo Bolsonaro de buscar reduzir o valor real do salário mínimo, o assunto ganhou força e obrigou o próprio candidato à reeleição a reagir e prometer, como Lula, que dará aumentos reais caso vença a eleição.
Publicitário que auxiliou Jair Bolsonaro em 2018 tem reforçado campanha de Lula deste ano nas redes sociais
Foto: Reprodução/Youtube
O publicitário Marcos Carvalho, que auxiliou Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, passou a colaborar com a campanha de Lula na reta final para o segundo turno deste ano.
A colaboração começou na semana passada. O marqueteiro entrou para reforçar a estratégia do petista nas redes sociais, área em que a campanha de Lula patina em relação à de Bolsonaro.
O trabalho de Carvalho é explorar a associação de Lula com Geraldo Alckmin e a senadora Simone Tebet (MDB), que ficou em terceiro lugar na eleição e declarou apoio ao petista no segundo turno.
Em 6 de outubro, o publicitário já havia anunciado à coluna que pretende votar em Lula no segundo turno. Ele explicou que sempre teve uma família mais progressista e é próximo de lideranças de esquerda.
Nas eleições deste ano, Carvalho atuou em ao menos três outras campanhas de esquerda: a de Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia; a de Rogério Carvalho (PT), em Sergipe; e a de Carlos Amastha (PSB), no Tocantins.
O fim do mundo para qualquer candidato é chegar a 5 dias das eleições bem atrás do seu concorrente, e, pior: tendo que enfrentar uma agenda de assuntos que lhe são claramente adversos.
É assim que está Bolsonaro. Embora não tenha vencido o primeiro turno com 60% dos votos, como estimava, entrou no segundo com os ventos soprando fortemente a seu favor.
Na reta final do primeiro, havia o risco de Lula se eleger, mas Bolsonaro foi favorecido pela migração de última hora de parte dos eleitores de Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes.
Verdade que para Lula faltaram 1.800 mil votos para que se elegesse, e a ele, 8 milhões, em números redondos. Mas o fato de ter passado para o segundo turno, as coisas melhoraram para ele.
Governadores eleitos, entre eles Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, correram ao Palácio da Alvorada para declarar seu apoio a Bolsonaro, além de senadores, deputados federais e prefeitos.
A rejeição dele, segundo pesquisas, diminuiu; aumentaram a aprovação do governo e avaliação positiva da maneira como Bolsonaro governa. Poderia ser a “visita da saúde”?
Poderia, mas poderia também ser sinal de que ele daria a volta por cima. A “visita da saúde” é como as pessoas se referem a um doente que, à beira da morte, melhora antes de morrer.
As duas primeiras semanas do segundo turno restabeleceram a confiança de Bolsonaro na vitória, e acenderam a luz amarela no QG de campanha de Lula e dos seus aliados. Aí, aí…
Aí, tudo passou a desandar. Veio o caso do “pintou um clima” entre ele e adolescentes venezuelanas refugiadas no Brasil. Ele chamou as meninas de “garotas de programa” e mentiu.
As explicações que Bolsonaro ofereceu não convenceram ninguém. Talvez não tenham convencido, sequer, Michelle, a primeira-dama, que mesmo assim saiu em seu socorro.
Veio o caso do reajuste do salário mínimo abaixo da inflação. Foi o ministro Paulo Guedes, da Economia, que acenou com o reajuste abaixo da inflação para o próximo ano. O caso segue em cartaz.
Na última sexta-feira, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) atacou a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, aplicando-lhe um golpe imundo abaixo da linha da cintura.
Bolsonaro ouviu calado. Até que no domingo (23), Jefferson resolveu tocar fogo no circo do ex-capitão: disparou 50 tiros de fuzis e lançou 3 granadas nos federais que foram prendê-lo.
Levou mais de oito horas para Bolsonaro acordar e entender a gravidade do episódio, longe de se esgotar. Foi a justiça que mandou prender Jefferson, e foi Bolsonaro que protelou a prisão.
Bandido bom, para Bolsonaro, é bandido morto, desde que seja seu amigo, como Jefferson é. Bandido que reage armado à prisão, na maioria das vezes, é morto ou ferido pela polícia.
Dois agentes foram feridos, um cinegrafista de televisão apanhou de bolsonaristas admiradores de Jefferson, e o ministro da Justiça, que nada tinha a ver com aquilo, foi acionado por Bolsonaro.
Todos os protocolos da Polícia Federal para cumprimento de uma ordem de prisão acabaram no lixo – por ordem de quem? De Bolsonaro. Por que? Porque o bandido a ser preso é seu amigo.
Como defender-se da conjunção de fatos que poderá derrotá-lo depois de ter perdido mais de 100 inserções de comerciais no rádio e na televisão? Perdeu porque veiculou fake news.
O que o ministro Fábio Farias, das Comunicações, protagonizou, ontem à noite, no Palácio do Alvorada foi um ato que dá a medida do desespero de Bolsonaro e da sua turma.
A fake news do ministro, desmascarada de imediato pelo ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, fala do boicote de emissoras de rádio à propaganda de Bolsonaro.
Trata-se de um suposto levantamento feito por uma empresa de tecnologia de Santa Catarina fundada em 2002. Carece de provas para sustentá-lo. Moraes desprezou-o liminarmente.
O que será capaz de reverter o jogo a favor de Bolsonaro nos próximos dias? O debate com Lula nesta quinta-feira que será transmitido pela Rede Globo de Televisão? Improvável.
A consolidação dos votos é gigantesca. Algo como 93% dos eleitores dizem já saber em quem votar. O “efeito Jefferson” só será medido por pesquisas a partir de amanhã.
Lula pode seguir jogando parado. Bolsonaro é que terá de ir para cima dele. Essa será uma eleição que talvez não termine tão apertada como parecia. A conferir.
A acusação foi feita por Fabio Faria em uma coletiva de imprensa, no Palácio da Alvorada, cuja convocação seria para “acompanhar a exposição de um fato grave”
(crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
O ministro Fabio Faria, das Comunicações, acusou, ontem, que a campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) está sendo prejudicada com uma quantidade menor de inserções de rádio. Segundo ele, seriam 154 mil a menos que a do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nas últimas duas semanas. Faria anunciou que estava remetendo a documentação reunida ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para cobrar o restabelecimento da isonomia entre os dois candidatos.
Porém, depois da apresentação dos supostos dados levantados por uma auditoria particular contratada pelo comitê de Bolsonaro, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, deu prazo de 24 horas para que sejam apresentadas provas que comprovem os números apresentados por Faria. Caso as acusações não sejam comprovadas, a coligação do presidente poderá ser enquadrada em crime eleitoral.
“Os fatos narrados na petição inicial não foram acompanhados de qualquer prova e/ou documento sério, limitando-se o representante a juntar um suposto e apócrifo ‘Relatório de Veiculações em Rádio’, que teria sido gerado pela empresa ‘Audiency Brasil Tecnologia'”, aponta o ministro.
Moraes cobra, ainda, o detalhamento das informações que embasariam as acusações de Fabio Faria. “Nem a petição inicial, nem o citado relatório apócrifo indicam eventuais rádios, dias ou horários em que não teriam sido veiculadas as inserções de rádio para a Coligação requerente; nem tampouco a indicação de metodologia ou fundamentação de como se chegou à determinada conclusão”, destacou Moraes.
Levantamento da Potencial Pesquisa, em parceria com a Folha de Pernambuco, mostra empate técnico
Raquel Lyra e Marília Arraes – Foto: Divulgação
O levantamento para o Governo de Pernambuco realizado pela empresa Potencial Pesquisa, em parceria com a Folha de Pernambuco, aponta a candidata Raquel Lyra (PSDB) com 50,1% da intenção de votos estimulada. Marília Arraes (Solidariedade) aparece com 46,3%, configurando empate técnico no limite da margem de erro que chega a 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos.
Mil pessoas, de todas as regiões do Estado, foram entrevistadas por telefone, entre os dias 19 de outubro e 24 de outubro de 2022.
Mulheres
Maioria dos que responderam o levantamento é mulher (53,6%), contra 46,4% de homens. O maior percentual (24,5%) se concentra na faixa etária de 45 a 59 anos e o menor (1,7%), entre 16 e 17 anos. A partir dos 70 anos, o eleitor não é mais obrigado a votar, mas 58 (5,8%) deles, até os 79 anos, e 2,6% com idade superior a 79 anos foram entrevistados. 20,7% têm de 25 a 34 anos e outros 20,7%, de 35 a 44. De 60 a 69 anos de idade, o índice chega a 10,6%; 8,4%, de 21 a 24 anos, e 5%, de 18 a 20 anos.
Entre as pessoas consultadas, 25,5% disseram ter ensino médio completo; seguidas por 24,1% com fundamental incompleto; e 15,6% com ensino médico incompleto; 10,9% delas apenas leem e escrevem; 7,9% têm o superior completo, enquanto 6,7% se declararam analfabetas; 4,8% fizeram o fundamental completo e 4,5% não concluíram o ensino superior.
Renda mensal
Sobre a renda mensal familiar, 594 pessoas (59,4%) afirmaram ter até dois salários mínimos como renda mensal; 271 recebem mais de dois e até cinco salários mínimos; 80 mais de cinco e até dez salários; e 55 entrevistados declararam renda mensal superior a dez salários mínimos. Maioria dos entrevistados (24,4%) vivem na Região Metropolitana; 17, 4% estão no Recife e 12% no Agreste Central. Na Mata Norte estão 8,2% dos consultados, enquanto 7,4% vivem no Agreste Meridional; 6,2% na Mata Sul e 6,2% no Agreste Setentrional. No Sertão foram 14,4%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o nº PE-06181/2022
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Lula e Bolsonaro Imagem: Ricardo Stuckert e Alan Santos/PR
Bolsonaro está atrás dos 854 mil eleitores mineiros que no primeiro turno votaram em Romeu Zema para governador, mas não nele para presidente. Lula tenta evitar a migração dos votos, mas deixou para Alckmin e Simone Tebet o corpo a corpo no estado. Os últimos dias da campanha petista serão mais digitais, por economia e pela eficiência em atingir público mais amplo.
O ponteiro não se mexeu na pesquisa Ipec divulgada ontem: Lula 54% X 46% Bolsonaro (nos votos válidos). José Roberto de Toledo vê no crescimento de Lula entre os jovens uma redução no impacto da prevista maior abstenção dos mais velhos. O resultado, diz Alberto Bombig, mostra que a equipe de Lula acordou na reta final.
O STF mandou devolver o cargo ao governador de Alagoas, Paulo Dantas, candidato à reeleição.
Será que Bolsonaro blefou quando acusou a campanha de Lula de fraude em inserções de rádio? O TSE deu 24 horas para a apresentação de provas.
A Prefeitura de São Paulo liberou o passe livre nos ônibus no segundo turno das eleições. Em pelo menos 22 capitais no domingo o transporte será gratuito – no Distrito Federal, por ordem judicial.
O NÚMERO 1 milhão Foi o número de curtidas em menos de 24 horas de post em que Casimiro desmente publicação de Flávio Bolsonaro e diz que vota em Lula.
Equipe do presidente Jair Bolsonaro alegou que campanha de Lula teve 154.085 inserções de rádio a mais no 2º turno
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes EVARISTO SA/AFP
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, deu 24 horas para que a campanha do presidente da República e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), apresente provas de que teve menos inserções de rádio neste segundo turno do que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nesta segunda-feira, a equipe de Bolsonaro afirmou que Lula teve 154.085 inserções de rádio a mais do que o candidato do PL entre os dias 7 e 21 de outubro. De acordo com o ministro das Comunicações, Fábio Faria, uma auditoria detectou a distorção e uma denúncia foi protocolada TSE.
Moraes disse que só vai autorizar a investigação da denúncia caso a campanha do chefe do Executivo entregue “provas e/ou documentos sérios que comprovem sua alegação”. Caso contrário, ele vai recusar o pedido e instaurar inquérito para apuração de crime eleitoral praticado pela equipe de Bolsonaro.
Segundo Moraes, na denúncia protocolada no TSE, a campanha do presidente não apresentou dados satisfatórios sobre a alegada diferença entre as inserções de Bolsonaro e Lula e enviou apenas “um suposto e apócrifo relatório de veiculações em rádio”, feito por uma empresa contratada pela equipe do chefe do Executivo.
“Nem a petição inicial, nem o citado relatório apócrifo indicam eventuais rádios, dias ou horários em que não teriam sido veiculadas as inserções de rádio para a Coligação requerente; nem tampouco a indicação de metodologia ou fundamentação de como se chegou à determinada conclusão”, destacou o presidente do TSE.
“Tal fato é extremamente grave, pois a coligação requerente aponta suposta fraude eleitoral sem base documental alguma, o que, em tese, poderá caracterizar crime eleitoral dos autores, se constatada a motivação de tumultuar o pleito eleitoral em sua última semana”, escreveu Moraes, na decisão.
O ex-presidente da República José Sarney (MDB) declarou apoio a Lula (PT) nas eleições do próximo domingo (30/10). Antigo opositor do petista, Sarney disse que o eleitor decidirá no segundo turno se “vota pelo fim da democracia ou por sua restauração”.
Lula e Sarney se encontraram em Brasília, em 2022, e conversaram por mais de uma hora. – (crédito: Ricardo Stuckert/Divulgação PT)
Em carta divulgada na noite desta segunda-feira (24/10), Sarney denunciou o autoritarismo do presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem comparou com presidentes de extrema-direita e de regimes totalitários, como Donald Trump (Estados Unidos), Vladimir Putin (Rússia) e Viktor Orbán (Hungria). “Esse voto não é para quatro anos de governo: é um voto para o destino do Brasil. O voto em Bolsonaro é voto contra as instituições, que terá como consequência anos de autocracia, um regime de força, construído na mentira sistemática e no abuso do poder”, escreveu.
Com Sarney, Lula totaliza o apoio de três ex-presidentes, somando a Dilma Rousseff (PT) e Fernando Henrique Cardoso (MDB). Já Bolsonaro, é apoiado por Fernando Collor de Mello (PTB). Michel Temer (MDB) optou pela neutralidade.
Na carta, Sarney cita um “grande acordo da sociedade” feito com Tancredo Neves, em 1985, como exemplo da união pela democracia. “Tinhamos muito claro um compromisso: a transição para a democracia”, diz.
O ex-presidente ainda criticou o orçamento secreto. “O atual contrato “secreto” entre o Executivo e o Legislativo, fixado em valores agigantados diante dos parcos recursos do Orçamento da República, é campo privilegiado para os interesses escusos. A minoria, esmagada de uma forma que não se via desde o princípio do Império — lembro que nos períodos de exceção não há maioria ou minoria —, tem como única defesa apelar para que o Judiciário faça o que não é sua função e interfira no funcionamento do Congresso Nacional”, disse.
Atual presidente negou ser amigo do ex-deputado e disse que tratamento dispensado a quem atira em policial é o de ‘bandido’
Cristiane Brasil disse que vai conversar com Bolsonaro após a eleição Divulgação/Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
A filha de Roberto Jefferson e ex-deputada federal, Cristiane Brasil, defendeu nesta segunda-feira, 24, o comportamento do presidente Jair Bolsonaro em relação a seu próprio pai. Jefferson foi preso após atacar agentes da Polícia Federal que cumpriam um mandado de prisão contra ele neste domingo, 23.
Bolsonaro negou ser amigo do ex-deputado e afirmou que tratamento dispensado a quem atira em policial é o de “bandido”. O candidato à reeleição pelo PL tenta mostrar distanciamento do ex-parlamentar e antigo aliado, que se tornou incômodo após a reação violenta contra os policiais que tentavam levá-lo de volta à prisão fechada. O mandado foi assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apoiadora fiel do presidente, a petebista afirmou que a fala de Bolsonaro é “justificável” e disse que vai conversar com o chefe do Executivo após a eleição. “É justificável que ele tenha essa reação faltando uma semana para a eleição. O mais importante é ele seguir com a cabeça focada em vencer o Lula e as forças comunistas do PT”, declarou.
Cristiane alega que “ainda é muito cedo para analisar a reação do presidente porque ele está com a cabeça envolvida [no segundo turno]”. “Qualquer coisa nesse momento que ele fizer, seja contra ou a favor do meu pai, eu acho um pouco precipitado a gente fazer um julgamento de opinião, falar: ‘ah, o cara tá errado, tá certo…'”. Depois da eleição a gente conversa”, disse.
A ex-deputada deve ser investigada por ter usado sua conta no Twitter para divulgar o vídeo em que o pai aparece insultando a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal.
Pesquisa foi feita entre sábado (22) e segunda-feira (24) e tem margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Se a eleição fosse hoje, Lula teria 54% dos votos válidos, e Bolsonaro, 46%. Resultados se referem à intenção de voto no momento das entrevistas. Segundo Ipec, pesquisa mostra estabilidade na disputa.
O ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro — Foto: Miguel Schincariol/AFP e Suamy Beydoun/Reuters
Pesquisa do Ipec divulgada nesta segunda-feira (24), encomendada pela Globo, aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 50% de intenção de votos no segundo turno e que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 43%.
O novo levantamento foi feito entre sábado (22) e nesta segunda, e os resultados se referem à intenção de voto no momento das entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo o Ipec, a pesquisa mostra uma estabilidade da disputa.
Se a eleição fosse hoje, Lula teria 54% dos votos válidos, e Bolsonaro, 46%. Para calcular os votos válidos, são excluídos os brancos, os nulos e os de eleitores que se declaram indecisos. O procedimento é o mesmo utilizado pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado oficial da eleição. No levantamento anterior do Ipec, Lula tinha 54% dos votos válidos; Bolsonaro, 46%.
O novo vídeo do PT (Partido dos Trabalhadores) traz vídeos de agressões de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) em casos de violência política.
Uma frase do próprio presidente, registrada antes que se tornasse chefe do Executivo, abre o vídeo de 30 segundos: “minha especialidade é matar”.
Trecho de novo vídeo da campanha de Lula (PT) contra Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução/PT
“A violência bolsonarista chegou a níveis alarmantes, eles invadem igrejas, agridem padres, criam caos em lugares sagrados”. Roberto Jefferson, um dos principais aliados de Bolsonaro condenado por corrupção, atirou na Polícia Federal”, diz o vídeo.
Roberto Jefferson atirou em policiais federais que cumpriam mandado de prisão determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no neste domingo (23), na cidade de Comendador Levy Gasparian, no interior do Estado do Rio de Janeiro.
O ex-deputado resistiu a prisão, atacou os policiais a tiros e com pelo menos três granadas, ferindo dois policiais. Os agentes reagiram ao ataque, mas não invadiram o local.
O ataque de Jefferson aconteceu no começo da tarde, mas o ex-deputado só foi preso após 8h de resistência à prisão. O ex-deputado só chegou ao Presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio, cerca de 14 horas depois de receber voz de prisão da PF.
Jefferson estava em prisão domiciliar desde 25 de janeiro deste ano com base no inquérito que apura a atuação de uma organização criminosa que atenta contra a democracia.
A prisão domiciliar havia sido determinada pelo próprio ministro Alexandre de Moraes. Antes de receber o benefício, Jefferson passou cinco meses preso no Complexo Prisional de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio.
A revogação do benefício por Moraes se deve ao descumprimento de medidas da prisão domiciliar, como passar orientações a dirigentes do PTB, receber visitas, conceder entrevista e compartilhar fake news que atingem a honra e a segurança do STF e seus ministros, como fez ao ofender a ministra Cármem Lúcia.
O presidente Jair Bolsonaro, ainda no domingo, mentiu ao dizer que não tinha fotos com Roberto Jefferson. O ex-deputado e o presidente da República aparecem juntos em pelo menos quatro fotos. Encontros aconteceram no Palácio do Planalto, sede do Poder Executivo.
Bolsonaro (PL) afirmou no início da tarde de domingo, por meio de suas redes sociais, que repudia a “ação armada” do ex-deputado contra os policiais O presidente, no entanto, criticou o inquérito conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que levou Jefferson à prisão.
Somente à noite, após Jefferson se entregar à polícia, Bolsonaro prestou solidariedade aos agentes feridos.
“O tratamento dispensado a quem atira em policial é o de bandido. Presto minha solidariedade aos policiais feridos no episódio”, afirmou o presidente em vídeo.
Lula (PT), também comentou o caso. O ex-presidente e candidato ao Planalto disse repudiar os ataques de Jefferson aos policiais federais. Para o petista, uma “máquina de destruição de valores democráticos” em ação no país criou comportamento “como o que vimos hoje”.
“A gente nunca viu uma aberração dessa, uma ofensa dessa, uma cretinice dessa que esse cidadão, que é o meu adversário, estabeleceu no país. Ele conseguiu criar neste país uma parcela da sociedade brasileira raivosa, com ódio, mentirosa, e que espalha fake news o dia inteiro, sem se importar se o filho dele está ouvindo a mentira ou não. É desrespeito pela sociedade.”
Em um momento crucial da disputa pelo Palácio do Planalto, o que for conquistado nesta reta final de campanha pode significar a diferença entre vencer ou perder a eleição
(crédito: Band/ Divulgação)
A exatos sete dias para o segundo turno de uma das mais tensas eleições presidenciais desde a redemocratização do país, em que praticamente nove entre 10 eleitores estão convencidos em quem votarão no próximo domingo, as equipes de Jair Bolsonaro (PL) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebram a cabeça para conquistar os últimos votos ainda disponíveis na prateleira do eleitorado. Mas, para uma parcela considerável dos eleitores, apenas decidir qual o candidato de preferência não basta — é preciso convencê-lo a votar.
É nessa enorme distância entre intenção e gesto que os estrategistas do presidente que tenta a reeleição e do ex-presidente que tenta voltar ao governo se debruçam para descobrir as melhores rotas de atração do cidadão que decide abster-se de votar, independentemente da motivação. Etimologicamente, a palavra abstenção vem do latim abstinentia, que significa, em tradução livre, “manter-se de fora” ou “manter-se afastado”.
Em um momento crucial da disputa pelo Palácio do Planalto — que deve ser decidida por margem estreita de votos, de acordo com praticamente todas as pesquisas de opinião —, o que for conquistado nesta reta final de campanha pode significar a diferença entre vencer ou perder a eleição. Mas, para cientistas sociais e estudiosos das eleições no Brasil, reduzir taxas de abstenção não é tarefa simples.
Desde que as urnas eletrônicas começaram a ser usadas em grande escala, no pleito de 1996, o fenômeno da abstenção vem sendo acompanhado a cada ciclo eleitoral. A primeira constatação é que o número de ausentes aumenta lentamente eleição após eleição. Em 2018, passou a barreira dos 20% e, no primeiro turno deste ano, chegou perto dos 21% (veja no infográfico). Outra, que a abstenção no segundo turno é maior do que no primeiro. Mas essa diferença vem caindo a cada eleição, com a convergência entre as taxas das duas rodadas do pleito.
No primeiro turno deste ano, 20,91% dos eleitores aptos a votar, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não compareceram. Em números, significa 32,7 milhões de votos que não foram depositados, cinco vezes mais do que a diferença entre Lula e Bolsonaro, que ficou pouco acima dos 6 milhões de votos. É por isso que as duas campanhas tentam reduzir essa taxa.
Um dos problemas da taxa de abstenção é que, apesar da dimensão, não consegue ser medida por pesquisas. Só se sabe o tamanho da ausência depois de fechadas as seções eleitorais. Mas é possível traçar um perfil desse eleitor gazeteiro também com base nas estatísticas do TSE.
Renda
A abstenção aumenta na relação inversa à renda e à escolaridade do eleitor. Quanto mais pobre e com menos tempo de escola, maior é a taxa de faltosos. Enquanto mais da metade dos eleitores analfabetos não apareceu nas seções eleitorais em 2 de outubro, o nível de comparecimento entre quem tem ensino superior completo chegou perto de nove para cada 10 eleitores aptos.
Em tese, como o eleitorado de baixa renda e escolaridade é mais afinado com Lula, a abstenção tenderia a prejudicar mais o candidato petista. Isso influenciou, por exemplo, a Rede Sustentabilidade a acionar o Supremo Tribunal federal (STF) para possibilitar que prefeitos liberassem gratuitamente o transporte público no próximo dia 30.
“O impacto econômico de ir e voltar à seção eleitoral, para os eleitores de mais baixa renda, pesa no orçamento familiar. Essa liberação é importante e há impacto, em tese, positiva para Lula. Tanto que foi Randolfe Rodrigues (Rede-AP), coordenador da campanha petista, que entrou com essa ação no Supremo”, explica o cientista político André César.
Do outro lado, o bolsonarismo seguirá explorando o anti-petismo. “A campanha do medo é uma estratégia que está se mostrando eficiente. ‘Eles vão voltar, então vá votar para que eles não voltem’. Esse discurso é muito eficaz e estimula o eleitor, inclusive o indeciso, a ir às urnas”, aponta César.
Mas, para além disso, há aspectos que devem ser avaliados, entre elas o desenho regional da distribuição do eleitorado. No primeiro turno, a maior taxa de abstenção foi na Região Sudeste, que reúne os três maiores colégios eleitorais do país (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro): 21,96%. O vencedor no Sudeste foi Bolsonaro, com 47% contra 42% de Lula. No segundo turno, mesmo com as prováveis oscilações, uma abstenção alta tende a prejudicar mais o presidente em um momento em que ele precisa somar o maior número de votos para tirar a diferença diante de Lula.
Já o Nordeste registrou a segunda menor taxa de abstenção do primeiro turno: 19,52%. Por isso, Lula dedicou boa parte de sua agenda de campanha neste segundo turno para reforçar sua liderança entre os nordestinos, em que bateu o adversário por 67% a 27%. Se a região seguir a tendência de 2018, que registrou leve alta da taxa entre um turno e outro, o ex-presidente mantém a vantagem.
Esse é o mesmo trunfo de Bolsonaro na Região Sul, que historicamente registra os menores percentuais de ausência. No primeiro turno, 19,34% dos eleitores de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul não compareceram. A região é reduto bolsonarista, que deu ao presidente sua vitória mais expressiva: 54,6% a 36,8%.
Polarização
Os números do primeiro turno também ajudam a responder uma dúvida que motivou debates entre especialistas: uma eleição tão polarizada quanto esta tem força para atrair mais eleitores às urnas, dado o grau de engajamento das pessoas para um lado ou para o outro? A resposta, com base nos resultados do TSE, é não.
Apesar da disputa que divide o país, provoca brigas em família e algumas tragédias decorrentes da intolerância, a abstenção segue em alta. Para comparar com outra eleição apertada, a de 2014, entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) — quando a então presidente conquistou a reeleição por uma diferença de apenas 3,5 milhões de votos —, a abstenção no segundo turno ficou em 21,1%.
Para o cientista político e diretor-geral do Movimento Voto Consciente, Humberto Dantas, os dois candidatos estão numa briga que vai além da escolha do eleitor. “Não é só uma disputa por voto, é uma disputa por intensidade, por uma capacidade extraordinária de mobilização”, observa.
Dantas destaca que as intenções de voto estão proporcionais às taxas de rejeição dos candidatos. “Significa dizer que o eleitorado rejeita na mesma força que aprova. Em 2014, na véspera do segundo turno, Dilma tinha 52 pontos no Datafolha e Aécio, 48. E foi rigorosamente o que saiu da urna — a gente tinha a rejeição de Aecio em 42 e da Dilma em 38. Ou seja, essa é uma eleição para além da intenção. A gente está espelhando isso em rejeição”, salienta.
No primeiro turno do pleito, a abstenção registrada foi sutilmente maior do que a de 2018. “A gente precisa considerar essa história de justificar voto por aplicativo. Talvez se tenha tirado de circulação gente que invalida o voto. Não se pode desprezar o fato de que a gente diminuiu pela metade, este ano, o número de votos brancos e nulos em relação a 2018. Claro que a polarização influencia, mas, talvez, a diminuição do voto branco e nulo não seja só por causa de uma eleição acirrada, mas, também, por uma questão de um eleitor falar: ‘Poxa vida, pra ir até lá para votar branco e nulo, prefiro fazer aqui pelo aplicativo'”, destaca Dantas.
Independentemente do cenário atual, historicamente o segundo turno tende a registrar maior desmobilização do eleitorado. “Vários estados não têm pleito para governador e já houve a definição dos deputados. Como são mais de 10 estados onde não haverá segundo turno, há uma desmobilização natural dos eleitores. E, aí, as duas campanhas presidenciais tem que se mobilizar para levar o eleitor às urnas”, observa André César.
Três fatores que levam à ausência
No próximo domingo, três fatores podem ser apontados como de maior impacto na taxa de abstenção, para mais ou para menos. A gratuidade do transporte urbano autorizada na semana passada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pode ajudar a reduzir os índices de ausência, mas a eventualidade de um evento meteorológico adverso e o ponto facultativo no funcionalismo que precede o final de semana — 28 de outubro é Dia do Servidor — podem afastar o eleitor das urnas.
Para quem precisa de transporte público, votar costuma ser mais caro do que não votar. A multa imposta pela Justiça Eleitoral a quem não comparece às eleições custa apenas R$ 3,50, bem menos que a passagem ida e volta na maioria das cidades do país.
O senador eleito Flávio Dino (PSB-MA), que esteve em Brasília para acompanhar os debates no STF sobre a gratuidade no dia da eleição, disse que o objetivo da medida “é que não haja obstáculo econômico ao exercício do direito ao voto”. Segundo ele, foram observadas “diferenças no comparecimento no primeiro turno comparando cidades em que houve transporte gratuito e cidades que não houve”. A decisão de liberar as catracas dos ônibus no próximo domingo é dos prefeitos (no transporte municipal) e dos governadores (nas linhas intermunicipais).
No Distrito Federal, a decisão ainda não foi tomada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), apesar de ter recebido pedido nesse sentido do presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), Roberval Belinati.
Meteorologia
Os analistas de cenários eleitorais também costumam olhar para os boletins meteorológicos. Fenômenos naturais como tempestades, enchentes e vendavais nos dias imediatamente anteriores ao pleito impactam a presença do eleitor nas seções eleitorais. Mas, como seus efeitos são limitados à área de ocorrência do fenômeno, há pouca influência em uma eleição de nacional. Os mais pobres costumam ser os mais afetados em caso de eventos naturais extremos.
Há, ainda, o feriado do Dia do Servidor Público, na próxima sexta-feira. Segundo analistas eleitorais, este, sim, é um fator que pode aumentar a taxa de abstenção em todo o país. Afinal, são cerca de 12 milhões de funcionários públicos municipais, estaduais e federais —incluindo militares e servidores de estatais. A expectativa é que uma parte dessas pessoas aproveite a folga para emendar com o fim de semana de segundo turno.
Para evitar o não comparecimento às urnas, alguns estados adiaram o feriado. Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul empurraram o Dia do Servidor Público para 14 de novembro, junto com o da Proclamação da República.
Minas Gerais e Maranhão preferiram adiar a folga para a segunda-feira seguinte ao segundo turno — e ainda decretaram ponto facultativo em 1º de novembro, véspera do feriado de Finados. Somando tudo, serão cinco dias de folga.
O Judiciário decidiu seguir o mesmo caminho e vai dar os cinco dias de descanso aos seus servidores.
Presidente do PL, partido de Jair Bolsonaro, Valdemar Costa Neto não está tão certo da reeleição do presidente
Crédito: José Cruz/Agência Brasil
Valdemar Costa Neto não está mais tão certo de que Jair Bolsonaro sairá vencedor no próximo domingo. O chefão do PL acha que tanto o presidente quanto Lula podem ganhar, mas, seja qual for o resultado, será apertado.
A falta de certeza tem respaldo. A maioria das pesquisas mostra a vitória de Lula, e o tracking interno do PL está indicando Bolsonaro à frente de Lula, mas em empate técnico.
Não que o resultado vá mudar muito a vida de Valdemar. Ganhe Lula ou Bolsonaro, o PL seguirá com 99 deputados em sua bancada na Câmara — e Valdemar com quase R$ 1 bilhão de fundo eleitoral em 2026.
A prisão indica que Jefferson está sozinho na forma, mas não no conteúdo. O confronto entre os aliados de Bolsonaro e o Poder Judiciário não terminará tão cedo, seja qual for o resultado da eleição, daqui a sete dias
Jair Bolsonaro (PL) tomou um susto ao saber que o ex-deputado havia ferido policiais – (crédito: Reprodução/Redes Sociais)
O ex-deputado Roberto Jefferson recebeu à bala, ontem, os policiais federais que foram à casa dele, em Comendador Levy Gasparian, na Região Serrana fluminense, cumprir mandado de prisão preventiva expedida, na noite de sábado, pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal — relator do processo das milícias digitais, pelo qual Jefferson cumpria prisão domiciliar, proibido de se manifestar nas redes sociais e conceder entrevistas. Na noite de sexta-feira, porém, o dirigente do PTB descumpriu as determinações e divulgou um vídeo com ofensas à ministra Cármen Lúcia, também do STF.
Esse descumprimento e outros episódios citados na decisão de Moraes levaram à ordem que quatro policiais tentaram cumprir — dois deles, Karina Oliveira e Marcelo Vilella, foram feridos pela reação de Jefferson, que se entregou no início da noite, depois de ser informado que se rendia ou a casa seria invadida.
Os policiais bateram de manhã no portão do ex-deputado. Ao tocar o interfone, Jefferson advertiu-os que não se entregaria. No vídeo que o próprio Jefferson divulgou (veja a integra no site do Correio), ele diz “houve troca de tiros” e que não aceitaria mais uma prisão que considerava ilegal. Ele e os bolsonaristas condenam o inquérito das milícias digitais, em que o próprio STF é quem comanda a investigação e o julgamento. Receber os policiais à bala reduziu a zero as chances de qualquer negociação com Jefferson.
Jair Bolsonaro (PL) tomou um susto ao saber que o ex-deputado havia ferido policiais. A equipe de campanha já havia sugerido que mantivesse distância do aliado que chamou Cármen Lúcia de prostituta, mas os tiros contra policiais fizeram o índice de radiação de Jefferson explodir. A ordem do presidente, que parou parte da agenda de campanha em São Paulo para tratar do assunto, era de que o ex-aliado tinha que estar preso até o final do dia. Padre Kelmon, hoje muito próximo de Bolsonaro, foi chamado e convenceu o petebista a entregar sua arma — um fuzil.
Sem negociação
O ministro da Justiça, Anderson Torres, foi ao Rio de Janeiro não para negociar com Jefferson, mas para avisar ao aliado de Bolsonaro que, depois de ferir os agentes, não haveria negociação. Se entregava ou a PF invadiria a casa para prendê-lo. No twitter, o ministro escreveu: “Momento de tensão, que deve ser conduzido com muito cuidado. Ministério da Justiça está todo empenhado em apaziguar essa crise, com brevidade, e da melhor forma possível”. O governo avaliou que a ida de Torres ao Rio ajudou a “evitar um mal maior” — que Jefferson fosse morto ou ferisse ou matasse alguém.
Torres manteve Bolsonaro informado. Enquanto a tevê divulgava imagens de Jefferson saindo no camburão da PF, o presidente publicou um vídeo dizendo que “o tratamento dispensado a quem atira em policial é o de bandido” e prontamente se solidarizou com os policiais feridos. Escorregou, porém, num detalhe, ao dizer que havia “determinado” a prisão do ex-deputado — quem determinou a prisão foi o ministro Alexandre de Moraes.
A equipe de Bolsonaro, porém, considera que isso foi apenas um detalhe e que, com a fala, o presidente manteve o apoio dos policiais, que desde cedo estavam mobilizados, na cobrança de punição ao atentado sofrido pelos profissionais. A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) divulgou nota salientando que “a reação violenta contra policiais é um atentado contra o próprio Estado e uma ofensa incomensurável à ordem jurídica”.
Já a Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) também divulgou nota, classificando como “inaceitável qualquer tipo de violência contra policiais federais, em especial no cumprimento do dever legal estabelecido pela Constituição Federal”.
A campanha analisa que o fato de Jefferson ser um aliado do presidente e terminar o dia na cadeia depois de atirar em policiais, transformou o limão em limonada, a uma semana da eleição. A avaliação é de que a prisão não deixou margem para uso desse fato pela campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também se solidarizou com os profissionais feridos.
A uma semana da eleição, os aliados de Bolsonaro consideram que o presidente pulou essa fogueira e deu aos apoiadores dois discursos para usar nesta reta final: 1º) de o que o governo não transige com o cumprimento da lei, por isso, prendeu Jefferson; e 2º) o discurso da “liberdade”, que será fartamente usado nas próximas horas.
Os bolsonaristas nunca aceitaram o inquérito das milícias digitais, tanto que, no primeiro tuíte sobre o confronto de Jefferson com os agentes da PF, Bolsonaro criticou a ação. “Repudio as falas do sr. Roberto Jefferson contra a ministra Cármen Lúcia e sua ação armada contra agentes da PF, bem como a existência de inquéritos sem nenhum respaldo na Constituição e sem a atuação do MP (Ministério Público).”
Jefferson sempre foi um personagem polêmico. Ele se aliou a Bolsonaro desde que virou anti-petista, nos anos 2000. Em 2004, aliado do governo Lula, foi o pivô do escândalo do mensalão e chegou a dizer ao ex-ministro José Dirceu que “vossa excelência desperta em mim os instintos mais primitivos”. Esses instintos se voltaram aos ministros do Supremo.
A prisão indica que Jefferson está sozinho na forma, mas não no conteúdo. O confronto entre os aliados de Bolsonaro e o Poder Judiciário não terminará tão cedo, seja qual for o resultado da eleição, daqui a sete dias.
Cristiane Brasil (PTB) divulgou vídeos de petebista trocando tiros com a polícia. Na publicação, ela afirmou que o ministro Alexandre de Moraes iria “matar” seu pai
O Twitter se manifestou afirmando que a conta “está retida em cumprimento a uma ordem judicial” – (crédito: LUIS MACEDO)
Os perfis da ex-deputada federal e filha do ex-deputado Roberto Jefferson, Cristiane Brasil (PTB) saíram do ar na tarde deste domingo (23/10). Elafoi a responsável por divulgar os vídeos do político resistindo à prisão e atacando os agentes da Polícia Federal. Agora, as contas do Twitter e do Instagram aparecem suspensas.
O Twitter se manifestou afirmando que a conta “está retida em cumprimento a uma ordem judicial”. O Instagram ainda não se pronunciou sobre o caso. Antes de ter a conta suspensa, Cristiane Brasil tinha divulgado vídeos de Jefferson resistindo à prisão e disse “Xandão vai matar meu pai hoje” — em referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — e diz, ainda que se trata de uma “milícia” do magistrado.
Moraes revogou a prisão domiciliar de Roberto Jefferson após “notórios e públicos descumprimentos” de decisões judiciais. Na última sexta-feira (21/10), o ex-deputado gravou um vídeo atacando a ministra Cármen Lúcia, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, além de diversos xingamentos, chegou a comparar a magistrada a uma “prostituta”.
Na manhã deste domingo (23/10), Jefferson trocou tiros com a polícia ao resistir o cumprimento da ordem judicial Ele afirmou que não iria se entregar e, depois, exibiu a viatura da PF repleta de marcas de disparos de arma de fogo. Dois agentes ficaram feridos com estilhaços e há suspeitas de que o ex-deputado teria atirado, inclusive, uma granada.
Temor é de que, se Lula for eleito presidente, Centrão use PEC de Luiza Erundina (PSol) para tirar poder dele de indicar ministros para STF
Foto: Reprodução
O temor é de que, se Lula for eleito, aliados de Jair Bolsonaro no Centrão tentem usar uma PEC da deputada Luiza Erundina (PSol-SP) sobre o tema para tirar o poder do petista de indicar integrantes da Corte.
A proposta de Erundina dá ao Congresso a prerrogativa de definir os ministros do Supremo e transforma a Corte em uma “Corte Constitucional”, sem prerrogativas de avaliar recursos, como é hoje.
A PEC aumenta para 15 o número de ministros e prevê que eles seriam nomeados pelo presidente do Congresso, após os nomes serem aprovados por maioria absoluta da Câmara e o Senado.
Na prática, a proposta da deputada do PSol pode dar mais poder para caciques do Centrão, que se articulam para comandar a Câmara e do Senado na próxima legislatura.
“Fogo amigo”
O temor de aliados de Lula é de que a PEC de Erundina seja utilizada como uma espécie de “fogo amigo” para fustigar um eventual novo governo do petista.
Parlamentares próximos ao petista relataram à coluna que foram, inclusive, consultados por lideranças do Centrão sobre a aceitação da PEC na esquerda, logo no início do governo Bolsonaro.
Direito de resposta deverá ser veiculado na mesma rede social em que o presidente publicou o ataque ao petista
Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília (DF) Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atendeu nesta sexta-feira (21) a um pedido feito pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e concedeu direito de resposta por causa de uma publicação de Jair Bolsonaro (PL) que associava o ex-presidente à facção criminosa PCC.
O direito de resposta de Lula deverá ser veiculado na mesma rede social em que Bolsonaro publicou o ataque ao petista, o Twitter.
A ministra Cármen Lúcia votou a favor do pedido feito pela campanha de Lula. Os ministros Benedito Gonçalves, Raul Araújo, Sergio Banhos, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes acompanharam a relatora.
O único ministro a divergir foi Carlos Horbach, que entendeu que o pedido estava prejudicado pelo tempo que demorou para ser analisado pelo plenário do TSE.
As campanhas de Lula e Bolsonaro têm travado uma batalha jurídica no Tribunal Superior Eleitoral em busca de direitos de resposta.
O TSE decidirá, em sessão pelo plenário virtual neste sábado (22), se dará 164 inserções na TV a Lula por causa de publicações que associam o petista à criminalidade.
O tribunal ainda precisará definir se dará outros pedidos de direito de resposta às campanhas de Lula e Bolsonaro. Esses casos são relatados pela ministra Maria Claudia Bucchianeri, que, após dar suas decisões concedendo os direitos de resposta aos dois candidatos, decidiu suspender seus atos e submetê-los ao plenário do TSE.
A tucana ressalta que a Justiça Eleitoral já condenou a campanha de Marília onze vezes por fake news contra a sua campanha
A candidata ao governo de Pernambuco, Raquel Lyra em debate (Janaína Pepeu )
A candidata a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB) iniciou o debate desta sexta-feira (21) falando sobre a importância de um novo tempo para Pernambuco e alertou sobre a grande quantidade de fake news que estão sendo espalhadas pela campanha da sua adversária.
Para Raquel, diante de tantas mentiras a adversária deveria se chamar “Mentirília”. “Eu venho aqui me apresentar, buscando fazer um debate de alto nível. As pessoas estão cansadas de brigas, querem saber exatamente como é que nós vamos resolver o problema da falta de água, o problema do aumento da criminalidade, o problema da falta de habitação, das mortes que acontecem nos morros do Recife, na região metropolitana”, apontou Raquel.
A candidata da oposição, porém, não respondeu às perguntas sobre propostas para transformar Pernambuco e continuou a focar em fake news. Coube então à Raquel continuar a discutir Pernambuco, relembrando, antes, que Marília conta uma mentira por minuto.
“Ela não disse quantos reais ela indicou dos mais de R$ 40 milhões que ela teria de direito de emenda parlamentar para os morros, encostas e habitação, no Recife, na região metropolitana; não respondeu sobre o saneamento básico. Garanto que liderarei pessoalmente e todo dia nós vamos caminhar para frente para garantir que Pernambuco possa ter água. Água para beber, para o pernambucano água para se banhar, água para cozinhar e, sobretudo, água para sobreviver. Mas essa água, ela também vai trazer desenvolvimento”, apresentou Raquel.
A postulante também abordou o Juntos pela Segurança Pernambuco, que visa diminuir a criminalidade no estado com a participação das diversas forças de segurança, assim como fez enquanto gestora de Caruaru.
A deputada federal eleita Rosangela Moro (União Brasil-SP) não declarou, até o momento, apoio ou voto ao presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.
Sergio Moro e Rosangela Moro vão ocupar vagas no Congresso a partir de janeiro de 2023 Imagem: Divulgação
Uma posição diferente do marido, o senador eleito Sergio Moro (União Brasil – PR). O ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro de Bolsonaro declarou apoio à reeleição do atual presidente dois dias depois do fim do primeiro turno e chegou a acompanhar Bolsonaro no primeiro debate presidencial do segundo turno, organizado pelo UOL, TV Bandeirantes, TV Cultura e o jornal Folha de S. Paulo. A coluna apurou que desde que Moro começou a se reaproximar de Bolsonaro, ainda no primeiro turno, as equipes de Rosangela e de Moro tiveram discordâncias. Rosangela não perdoa Bolsonaro pela série de ataques que a família sofreu, sobretudo nas redes sociais, na época em que Moro deixou o Ministério da Justiça denunciando interferência política na Polícia Federal.
Desde que acabou o primeiro turno, ela segue se manifestando publicamente com críticas a Lula, candidato do PT à Presidência e adversário de Bolsonaro e de Moro. Rosangela, porém, não fala de Bolsonaro.
Questionada pela coluna sobre atritos e declaração de voto em Bolsonaro no segundo turno, Rosangela disse, por meio da assessoria, que “não existe nenhum atrito, a Rosangela é completamente contra o Lula”. A mulher de Moro, no entanto, não mencionou sua posição na eleição. Em agosto, ela acompanhou a candidata presidencial do União Brasil, a senadora Soraya Thronicke, no primeiro debate presidencial.
Antes da crise entre Moro e Bolsonaro, em fevereiro de 2020, Rosangela chegou a declarar ao jornal O Estado de S. Paulo: “Sou pró-governo federal. Eu não vejo o Bolsonaro, o Sergio Moro. Eu vejo o Sergio Moro no governo do presidente Jair Bolsonaro, eu vejo uma coisa só”.
Após o pedido de demissão de Moro, em abril de 2020, ela disse: “Não poderia esperar outra atitude do meu marido. Deixar o governo era a única eticamente aceitável”.
Na sexta-feira (21), Moro fez uma aparição na propaganda eleitoral de Bolsonaro. No vídeo, o ex-ministro disse: “Quero poder chegar na minha casa, e olhar nos olhos do meu filho, e dizer para ele que roubar é errado. Nós não podemos permitir que o PT, com todos esses escândalos de corrupção, retorne ao poder”.
Nesta reta final, candidatos à Presidência precisam garantir os votos que já tiveram no 1° turno e ainda correr atrás de mais
Yanka Romão/Metrópoles
As propagandas e discursos dos candidatos à presidência da República devem se voltar às emoções dos eleitores nesta reta final de uma das disputas mais acirradas da história eleitoral brasileira. Próximos um do outro nas pesquisas e disputando cada voto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) vão tentar passar a seus apoiadores a esperança na vitória e estimular, cada vez mais, o medo do adversário.
Guardar o tom mais emotivo para os últimos dias de campanha é um dos mandamentos do marketing político. Conseguir influenciar o debate nos momentos que antecedem o dia da votação é muito importante, pois uma porcentagem do eleitorado ainda decide o voto (ou mesmo se vai votar) na última hora.
“O desafio fundamental dos candidatos é convencer seus eleitores a irem votar, garantir a menor abstenção possível. E apelar para a emoção é a maneira mais efetiva de conseguir isso. É dizer que a vitória está próxima, mas depende do voto de cada um. Ambos os candidatos devem fazer isso e resta saber qual terá mais sucesso”, avalia o cientista político João Villaverde, pesquisador do Centro de Estudos de Administração Pública e Governo da FGV-SP.
A abstenção no primeiro turno das eleições deste ano não fugiu muito da média histórica, mas foi a maior desde 1998: 20,9%. Em 2018, a taxa foi de 20,33% no primeiro turno para 21,20% no segundo.
“Historicamente, a abstenção costuma subir no segundo turno, pois há menos votos a fazer. Na maioria dos estados, a eleição para governador já foi resolvida, então, o desafio de Lula e Bolsonaro é levar seus eleitores para as urnas”, afirma Villaverde, que vê o caminho ainda mais difícil para Bolsonaro, que tem conseguido recuperar terreno nas pesquisas, mas passou para o segundo turno perdendo para Lula por mais de seis milhões de votos.
“Bolsonaro precisa levar de volta às urnas todos que já votaram nele e ainda conseguir mais 7 milhões de votos a mais. Lula também tem que convencer todos que votaram nele a repetir o voto, além de encontrar mais uns 1,7 milhão de votos a mais”, afirma o cientista político João Villaverde.
E como despertar a emoção no eleitor?
Em 2018, o último programa eleitoral do atual presidente e então candidato trouxe como ponto alto a bandeira brasileira surgindo em suas cores e apagando o vermelho, enquanto um narrador dizia que chegava o momento do embate “do Brasil contra o PT”.