Organização internacional pede ações urgentes para conter avanço da doença transmitida por mosquitos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta nessa terça-feira (22/7) sobre o risco de uma nova epidemia global do vírus chikungunya, doença viral transmitida por mosquitos que pode causar febre alta, dores articulares intensas e, em casos mais graves, levar à morte.
A entidade compara os sinais atuais aos do grande surto registrado entre 2004 e 2005, que se espalhou a partir do Oceano Índico e infectou quase meio milhão de pessoas em diversos continentes. “Estamos vendo a história se repetir”, afirmou Diana Rojas Alvarez, médica da OMS, em coletiva de imprensa em Genebra, na Suíça.
Chikungunya
A chikungunya é transmitida principalmente pelas fêmeas dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, este último conhecido como mosquito-tigre.
Os mesmos também são vetores de outras doenças como dengue e zika.
À medida que o planeta aquece devido às mudanças climáticas, o mosquito-tigre tem avançado para regiões mais ao norte, ampliando a área de circulação.
Os sintomas da chikungunya são parecidos com os da dengue e do zika, o que pode dificultar o diagnóstico.
A doença costuma causar febre, dores nas articulações, fadiga e, em alguns casos, sequelas prolongadas.
Alexandre Padilha em anúncio de medidas para o programa Agora tem Especialista – Antonio Cruz/Agência Brasil
O Ministério da Saúde deu nesta quarta-feira (23) o pontapé inicial para as ações do programa Agora Tem Especialistas que visa ampliar o número de médicos especialistas nas regiões mais necessitadas desses profissionais no país e reduzir o tempo de espera no atendimento especializado. Segundo a pasta, o edital para a seleção dos profissionais será publicado amanhã (24).
As inscrições começam na próxima segunda-feira (28) e vão até o dia 10 de agosto. O programa oferecerá 1.778 vagas, sendo 635 delas para início em 15 de setembro. As inscrições podem ser feitas na plataforma da universidade aberta do Sistema Único de Saúde (SUS).
A princípio, são 239 vagas voltadas para profissionais com algum tipo de especialidade atuarem na Região Nordeste, 146 para a Região Norte, 168, para o Sudeste, e 37, no Sul. Além disso, serão ofertadas 1.143 vagas para cadastro de reserva. Segundo o Ministério da Saúde, serão disponibilizados cerca de R$ 98 milhões até 2026 para a iniciativa.
Necessidades
O programa, lançado por meio da Medida Provisória 1301/25, prevê o direcionamento de especialistas para regiões com difícil acesso a esses profissionais e também o aprimoramento de profissionais em áreas como oncologia, ginecologia, cardiologia, saúde de mulheres, crianças e adolescentes, anestesiologia atenção e cuidados com pessoas com deficiência e reabilitação.
A preocupação com a distribuição de especialistas pelo país motivou o governo a criar o programa. Dados do Ministério da Saúde mostram que a maior parte dos especialistas se concentra em apenas três unidades da federação: Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Em todos o país, são 244.141 médicos generalistas (40,9%), enquanto os especialistas chegam a 353.287 (59,1%), mas sem atuação em regiões mais distantes dos grandes centros urbanos e ainda se concentram majoritariamente na iniciativa privada.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que a iniciativa vai ampliar o acesso e reduzir o tempo de espera da população por consultas, exames e cirurgias, acelerando o diagnóstico de doenças como o câncer.
Alexandre Padilha em anúncio de medidas para o programa Agora tem Especialista – Antonio Cruz/Agência Brasil
“O primeiro caminho é tentar aprimorar a capacidade de atendimento das estruturas que já existem no SUS, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em coletiva sobre o programa, em Brasília.
Outro eixo do programa se destina a qualificação de profissionais, por meio de programas de residência. A expectativa da pasta é que cerca de 3 mil profissionais sejam formados até 2028.
Segundo as regras, os especialistas contratados atuarão em equipamentos como policlínicas, laboratórios especializados, entre outros. Além disso, eles disponibilizarão quatro horas de atividades educacionais, que podem ser por mentorias ou imersões.
Padilha destacou que a medida prevê também a parceria com entidades de saúde privadas e filantrópicas para a realização de consultas, exames e cirurgias de pacientes do SUS como contrapartida para sanar dívidas junto à União. Da mesma forma, os planos de saúde poderão ressarcir os valores aos SUS através de atendimento, como consultas, exames e cirurgias.
Segundo o ministro, esse é um caminho para a formação e fixação desses profissionais em áreas que não contam com serviços especializados.
“É um caminho estruturante de formar mais médicos especialistas, com qualidade, mais profissionais da residência multiprofissional, perseguindo sempre a qualidade”, apontou.
Norma passa a vigorar em outubro, depois de 90 dias da publicação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (23) a Lei 15.174, que cria a Política Nacional de Enfrentamento da Infecção por Papilomavírus Humano (HPV). O texto estabelece um conjunto de medidas de saúde pública voltadas à prevenção, detecção e tratamento do HPV, um vírus que afeta a pele e as mucosas e do qual há mais de 200 tipos. A norma passa a vigorar em outubro, depois de 90 dias da publicação.
Entre outros pontos, a legislação determina a realização de campanhas de informação, ampliação do acesso ao cuidado e fortalecimento da notificação e da pesquisa científica. O presidente vetou trecho que previa o exame sorológico para diagnosticar o HPV.
Ao vetar o trecho, o governo argumentou que o teste não é indicado para essa finalidade e, portanto, “não faz parte do protocolo de diagnóstico para o HPV”. Além disso, o governo disse ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) já oferece outras modalidades de exames diagnósticos do vírus, como a biópsia, testes citológicos e testes moleculares, também previstos no projeto que deu origem à nova legislação.
O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Alguns tipos da doença podem causar verrugas genitais, enquanto outros estão associados a tumores malignos, como o câncer do colo do útero, ânus, pênis, boca e garganta.
Variante Stratus foi identificada em São Paulo e no Ceará
Uma nova variante do vírus da covid-19 foi identificada em pacientes no estado de São Paulo. Chamada de XFG ou Stratus, ela já circula por 38 países, principalmente no Sudeste Asiático.
Dos oito casos registrados aqui no Brasil, dois foram identificados em São Paulo e os outros seis, no Ceará. Ainda não há registros de mortes pela variante da doença.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a variante Stratus está “sob monitoramento”, devido ao rápido aumento na circulação. Segundo a OMS, até o final de junho, foram documentados mais de 1,6 mil testes positivos para a variante no mundo – o que representa quase um em cada quatro casos positivos de covid.
O Ministério da Saúde alerta que as vacinas disponíveis contra a covid-19 seguem sendo a melhor forma de se proteger contra essa e outras variantes do vírus. A pasta acrescenta que, neste ano, mais de 14 milhões de doses foram distribuídas em todo o país.
O público prioritário para imunização contra covid-19 são as crianças de 6 meses a 4 anos, e a partir de 5 anos com comorbidades; pessoas com 60 anos ou mais, gestantes, puérperas (mulheres que recém-deram à luz), e quem tem problemas imunológicos.
Por Leandro Martins – Repórter da Agência Nacional
Tema é uma das prioridades da presidência brasileira do bloco na saúde
Os países do Brics aprovam o desenvolvimento da Parceria para Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas. A iniciativa, que foi discutida nas reuniões que antecederam a Cúpula de Líderes do grupo, agora está na Declaração Final da 17ª Reunião de Cúpula, a Declaração do Rio de Janeiro, divulgada neste domingo (6).
“Ao priorizar respostas integradas e multissetoriais, buscamos combater as causas profundas das disparidades em saúde, como a pobreza e a exclusão social, aprimorando a cooperação, mobilizando recursos e fomentando a inovação para garantir um futuro mais saudável para todos”, diz o documento.
O tema foi uma das oito prioridades escolhidas pela presidência brasileira do Brics na área da saúde e teve como inspiração o Programa Brasil Saudável,que tem como objetivo enfrentar problemas sociais e ambientais que afetam a saúde de pessoas em maior vulnerabilidade social.
A ideia é que os países se unam para eliminar doenças que muitas vezes não afetam países ricos e, portanto, não são consideradas em pesquisas nesses países, que são consideradas as do da pobreza, como tuberculose, hanseníase, malária, dengue e febre amarela.
Além dos 11 países do Brics – Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia – Malásia, Bolívia e Cuba, países parceiros do fórum também aderiram à medida.
Em comunicado, comentando os destaques da declaração final, a presidência do Brasil no Brics comemorou o lançamento.
“Estamos muito satisfeitos com o lançamento da Parceria para a Eliminação das Doenças Socialmente Determinadas, que é um marco para o avanço da equidade em saúde e demonstra nosso compromisso em combater as causas profundas das disparidades em saúde, como a pobreza e a exclusão social”.
Na declaração final, os países também reconhecem que “a cooperação do Brics no combate à tuberculose e à resistência antimicrobiana, bem como o fortalecimento das capacidades de prevenção de doenças transmissíveis e não transmissíveis e outros problemas de saúde, o compartilhamento de experiências, incluindo sistemas de medicina tradicional e saúde digital, contribuem significativamente para relevantes esforços internacionais”.
Além da tradicional declaração de líderes, foram aprovados três outros documentos:
Declaração Marco dos Líderes do BRICS sobre Finanças Climáticas;
Declaração dos Líderes do BRICS sobre Governança Global da Inteligência Artificial e
Parceria do BRICS para a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas.
O documento da Parceria deverá ser divulgado nesta segunda (7), quando ocorrerá a sessão plenária Meio Ambiente, COP30 e Saúde Global. Sob a presidência do Brasil, a reunião da Cúpula de Líderes do Brics ocorre neste domingo (6) e segunda (7), no Rio de Janeiro.
Programa concede crédito tributário para reduzir filas na saúde
O governo federal anunciou nesta terça-feira (24) mecanismo para que hospitais privados e filantrópicos possam abater dívidas tributárias com a União em troca de atendimento especializado para o Sistema Único de Saúde (SUS). Unidades de saúde privadas que não possuírem débitos também poderão participar, obtendo créditos tributários que poderão descontar em impostos.
A iniciativa foi anunciada pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Fernando Haddad (Fazenda) e tem o objetivo de reduzir a fila de espera para consultas, exames e cirurgias. Ela faz parte do programa Agora Tem Especialistas, relançado pelo governo no mês passado.
Os primeiros atendimentos nesse formato devem ocorrer a partir de agosto. As áreas prioritárias definidas pelo governo são: oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia, abarcando cerca de 1,3 mil tipos diferentes de cirurgias.
As instituições interessadas deverão fazer a adesão no Ministério da Fazenda, para o programa de transação tributária. Caberá ao Ministério da Saúde aprovar a oferta, demanda e distribuição apresentada. A pasta também vai controlar e avaliar a execução dos atendimentos e conceder um certificado para obtenção do crédito tributário. O teto para abatimento de dívidas foi estimado em até R$ 2 bilhões por ano. Já o crédito tributário para obter descontos em impostos ficará limitado a R$ 750 milhões. A nova estratégia será formalizada por meio de uma portaria conjunta entre os ministérios da Fazenda e da Saúde, que será publicada no Diário Oficial da União (DOU).
“Quando a gente pensou esse mecanismo, que começou hoje, muita gente lembra do Prouni [bolsas em faculdades privadas], por ser um mecanismo de aproveitar a estrutura privada, dívidas que não são pagas, dívidas que a União não consegue recuperar e, nesse caso, transformar em consultas, exames, cirurgias, cuidados da saúde da nossa população”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Um painel com dados unificados de monitoramento sobre os atendimentos por meio desse novo programa será disponibilizado para consulta, unificando informações das redes privada, estadual, municipal e filantrópica. Todos os entes e instituições que aderirem ao programa deverão alimentar o sistema.
Segundo Haddad, o programa é um híbrido de vários instrumentos de gestão pública para criar um ambiente que saneia instituições históricas e centenárias de saúde, que atualmente enfrentam problemas de endividamento.
“Nós estamos falando de 3.537 instituições nessa situação. São entidades que prestam serviços médicos que estão nessa situação, e elas respondem por R$ 34,1 bilhões em dívidas inscritas, um valor muito considerável de recursos. E nem sempre você consegue cobrar”, destacou o ministro da Fazenda.
Especialista reforça importância da vacina contra gripe
O boletim semanal InfoGripe – divulgado hoje (12) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro – alerta que este ano o total de casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) no país tem sido maior do que o anotado nos últimos dois anos.
Em quatro semanas, o número de casos de SRAG quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, registrando aumento de 91%. Essa alta atípica de ocorrências se concentra principalmente nos estados das regiões centro-sul. A influenza A e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) têm causado o maior número de hospitalizações por SRAG em grande parte do país.
Apenas em alguns estados – Acre, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo e no Distrito Federal – o estudo começa a verificar um sinal de interrupção do crescimento ou início de diminuição de casos. No entanto, a incidência de hospitalizações por SRAG nessas regiões continua muito elevada. A análise é referente à Semana Epidemiológica (SE) 23, entre 1º e 7 de junho.
Impacto nos idosos
Tatiana Portella, pesquisadora do InfoGripe, avalia que a influenza A tem causado o maior número de casos de SRAG no país, afetando todas as faixas etárias, mas com maior impacto nos idosos. Além disso, o VSR tem contribuído para a alta de casos de SRAG, sendo a principal causa de hospitalização de crianças.
“Por isso, a gente reforça a importância da vacinação contra a gripe. Essa é a principal forma de prevenir casos graves e óbitos. Com uma boa cobertura vacinal, conseguimos diminuir esse número de hospitalizações no país”, enfatiza a pesquisadora. Tatiana também recomenda, que, em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado, seja recomendado o uso de máscaras dentro de postos de saúde e locais fechados com muita aglomeração.
Segundo o boletim InfoGripe, os casos de SRAG em crianças pequenas, associados ao VSR, seguem em crescimento na maior parte do país. Contudo, é possível observar sinais de interrupção do aumento ou início da queda em algumas áreas do Centro-Oeste (Distrito Federal e Goiás), Sudeste (São Paulo e Espírito Santo) e no Norte (Acre). Ainda assim, os níveis seguem elevados nessas regiões.
Crescimento
Em relação aos idosos, observa-se um aumento em Aracaju, Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Maceió, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Além disso, Aracaju, Belo Horizonte, Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Porto Velho, Rio de Janeiro e São Luís também apresentam tendência de crescimento entre jovens e adultos.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 40% para influenza A; 0,8% para influenza B; 45,5% para vírus sincicial respiratório; 16,6% para rinovírus; e 1,6% para Sars-CoV-2 (Covid-19).
Entre os óbitos, a presença desses vírus foi de 75,4% para influenza A; 1% para influenza B; 12,5% para VSR; 8,7% para rinovírus; e 4,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Dia mundial do doador de sangue é celebrado no próximo dia 14
Junho é o mês da conscientização sobre a doação de sangue. No dia 14, celebra-se o Dia Mundial do Doador de Sangue, e a campanha Junho Vermelho reforça a importância desse ato de solidariedade.
Em 2023, mais de três milhões de doações foram registradas no Brasil. Uma única doação pode salvar até quatro vidas. Ela é essencial para cirurgias, emergências, tratamentos de câncer e outras doenças graves.
Não há substituto para o sangue humano. A triagem é rigorosa e segura, com testes modernos que garantem a qualidade das bolsas coletadas. Todo o processo é monitorado por sistemas automatizados e confiáveis.
Se você tem entre 16 e 69 anos, pesa mais de 50 kg e está em boas condições de saúde, procure um hemocentro e doe sangue.
Mensagens vão ressaltar a importância da continuidade dos tratamentos
Pessoas que usam programas do SUS, Sistema Único de Saúde, vão passar a receber mensagens, a partir desta semana, pelo Whatsapp e pela caixa postal do aplicativo Gov.BR sobre o uso contínuo de medicamentos.
As notificações vão ser enviadas pelo Ministério da Saúde.
A ação tem a finalidade alertar pacientes sobre a importância de continuar os tratamentos, como os de hipertensão e diabetes.
Hipertensos que retiraram medicamentos apenas três vezes nos últimos 12 meses por meio do Farmácia Popular, vão ser os primeiros a receber as mensagens. O programa disponibiliza remédios de forma gratuita.
Cerca de 270 mil mensagens vão ser enviadas.
Agendamentos de consultas médicas com profissionais, lembretes alertando sobre retirada de remédios para diabetes e vacinação também vão ser enviados pelo ministério da Saúde.
Por segurança, quando a notificação for enviada pelo Whatsapp, é importante o paciente verificar se a mensagem apresenta um selo de verificado azul da Meta, que fica ao lado do nome do perfil.
Medida vale para casos de obesidade grave com complicações clínicas
O Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a reconhecer a realização da cirurgia bariátrica em pacientes a partir dos 14 anos de idade nos casos de obesidade grave (IMC maior que 40) associada a complicações clínicas, desde que com a devida avaliação da equipe multidisciplinar e consentimento dos responsáveis.
Resolução anterior definia que pacientes menores de 16 anos só poderiam fazer a cirurgia em caráter experimental e de acordo com as normas dos Comitês de Ética em Pesquisa/Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.
Adolescentes entre 16 e 18 anos que estejam enquadrados nos critérios estabelecidos para os adultos passam a ter acesso à cirurgia. Em todos os casos, os responsáveis e a equipe médica devem concordar com o procedimento.
O CFM publicou nesta terça-feira (20) mudanças para a realização da cirurgia bariátrica em adultos e adolescentes. A autorização está na Resolução CFM nº 2.429/25, que estabelece novos parâmetros para o tratamento cirúrgico da obesidade e da doença metabólica.
“Sessenta por cento das crianças obesas possuem tendência para atingir a obesidade mórbida, sendo benéfica a intervenção em casos bem indicados. Hoje há comprovação científica que a cirurgia bariátrica e metabólica é segura na população, como estabelecido na resolução, produz perda de peso durável, melhora as comorbidades e não atrapalha o crescimento dos adolescentes”, afirmou o relator da Resolução CFM nº 2.429/25, Sérgio Tamura.
Ele destacou que a cirurgia bariátricanão impacta negativamente no desenvolvimento da puberdade ou no crescimento linear.
Pacientes com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 40, tendo ou não comorbidades, e pacientes com IMC acima de 35 e inferior a 40 com doenças associadas continuam sob os mesmos critérios para submissão à cirurgia.
Já pacientes com IMC entre 30 e 35 passam a ser elegíveis à cirurgia desde que tenham diabetes tipo 2, doença cardiovascular grave, doença renal crônica precoce em decorrência do diabetes tipo 2, apneia do sono grave, doença gordurosa hepática não alcoólica com fibrose, afecções com indicação de transplante, refluxo gastroesofágico com indicação cirúrgica ou osteoartrose grave.
A Resolução CFM nº 2.429/25 não restringe a idade nem define tempo mínimo ou máximo de convivência com a doença. Pelas regras anteriores, só poderiam se submeter à cirurgia pacientes com até 10 anos como diabético e desde que tivessem mais de 30 anos e menos de 70. Também era exigido que o paciente tivesse sido acompanhado por um endocrinologista por mais de dois anos, tendo apresentado refratariedade aos tratamentos propostos.
Hospital
A Resolução CFM nº 2.429/25 é mais específica em relação às características do local de realização da cirurgia, definindo que deve ser realizada em hospital de grande porte, com capacidade para cirurgias de alta complexidade, com UTI e plantonista 24 horas. Os hospitais também devem obedecer a critérios específicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde (Portarias 424/2013 e 425/2013).
Cirurgias em pacientes com IMC superior a 60devem ser realizadas em hospitais com capacidade física(camas, macas, mesa cirúrgica, cadeira de rodas e outros equipamentos) e equipe multidisciplinar preparados para atendimento a esses pacientes “por serem mais propensos a eventos adversos devido a maior complexidade de sua doença”, destaca o CFM na Resolução nº 2.429/25.
Antes, a exigência era que o procedimento fosse realizado em hospital com UTI e com condições para atender pacientes com obesidade mórbida.
Tipos
Para deixar mais claras as indicações para cada tipo de cirurgia bariátrica, o CFM fez uma nova divisão dos tipos de cirurgias e suas recomendações.
Em primeiro plano estão as cirurgias altamente recomendadas, que são a Bypass gástrico em Y de Roux e a gastrectomia vertical (sleeve gástrico).
“Essas cirurgias são atualmente as operações com maior embasamento científico na literatura mundial, sendo altamente recomendadas na maioria absoluta das situações clínicas devido à segurança e eficácia”, esclarece o CFM.
Cirurgias alternativas, com indicação primordial para procedimentos revisionais, também são definidas na norma, sendo elas: duodenal switch com gastrectomia vertical, bypass gástrico com anastomose única, gastrectomia vertical com anastomose duodeno-ileal e gastrectomia vertical com bipartição do trânsito intestinal.
A Resolução CFM nº 2.429/25 enumera ainda como cirurgias não recomendadas a banda gástrica ajustável e a cirurgia de scopinaro, antes permitidas.Para o CFM, esses procedimentos apresentaram resultados insatisfatórios e “percentual proibitivo de complicações graves pós-operatórias”.
Entre os procedimentos endoscópicos reconhecidos pelo CFM estão o balão intragástrico e a gastroplastia endoscópica. Acerca deste último procedimento, Tamura ressalta que ele pode ser associado ao tratamento medicamentoso, sendo uma boa alternativa para otimização dos resultados. Além disso, as técnicas minimamente invasivas são hoje a melhor opção para cirurgia bariátrica.
O relator da Resolução CFM nº 2.429/25 argumenta que “mesmo a cirurgia bariátrica ou metabólica não determinando a cura, ela é parte essencial de um tratamento multidisciplinar, podendo ser uma terapêutica eficaz no controle da obesidade e de sua comorbidades metabólicas”.
Sociedade de Coloproctologia faz campanha para alertar sobre doenças
As doenças inflamatórias intestinais são enfermidades que afetam o trato gastrointestinal e que resultaram, nos últimos dez anos, em 170 mil internações no Sistema Único de Saúde (SUS).
Os dados são de um levantamento da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP), com base no Sistema de Informações Hospitalares do SUS, do Ministério da Saúde.
Esses dados mostram ainda um crescimento de 61% nas internações em 2024 (23.825), na comparação com 2015 (14.782).
As principais formas de doenças inflamatórias intestinais são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. São condições crônicas para as quais ainda não há uma cura definitiva, segundo a SBCP.
“O número de internações aumentou exponencialmente nos últimos anos não só pela severidade dos casos, mas também pelo aumento da incidência, isto é, aparecimento de novos pacientes sem tratamento”, destaca a diretora de comunicação da SBCP, a coloproctologista Ana Sarah Portilho.
Ana ressalta que há um número maior de casos em capitais e em regiões com maior industrialização e urbanização.
As doenças inflamatórias intestinais, também conhecidas como DIIs, são o alvo de uma campanha de conscientização realizada pela SBCP neste mês, apelidado de Maio Roxo. O dia 19 de maio, aliás, é o Dia Mundial das Doenças Inflamatórias Intestinais.
De acordo com a SBCP, é importante ter um diagnóstico correto e iniciar um tratamento o mais cedo possível.
“Nosso objetivo é alertar para a importância do diagnóstico precoce e em seguida do tratamento adequado, a fim de proporcionar melhor qualidade de vida ao paciente e até mesmo remissão dos sintomas”, afirma o presidente da SBCP, Sergio Alonso Araújo.
Doenças
Segundo a coloproctologista Mariane Savio, as DIIs “podem acometer pessoas de todas as idades, mas são muito comuns em adultos jovens, que estão em uma fase produtiva da vida. Então, são doenças que, se não forem tratadas adequadamente e controladas, podem tirar a qualidade de vida do paciente, causar faltas ao trabalho e prejudicar muito esses pacientes e a família deles. São doenças que exigem um diagnóstico e um acompanhamento médico contínuos.”
Entre os principais sintomas das DIIs estão diarreia crônica (podendo haver sangue, muco ou pus), dor abdominal, urgência de evacuar, falta de apetite, cansaço e perda de peso.
Em casos mais graves, as doenças podem provocar anemia, febre e distensão abdominal, além de afetar outras partes do corpo, como as articulações (artrite), a pele (dermatite e piodermas) e oftalmológicas (uveítes).
A retocolite atinge a mucosa do intestino grosso. Já a doença de Crohn pode atingir todo o trato gastrointestinal, ou seja, da boca até o ânus, mas é mais comum no intestino, onde afeta todas as camadas desse órgão: os revestimentos interno (mucosa) e externo (serosa), além dos tecidos internos (submucosa e músculo).
Os mecanismos que levam ao surgimento dessas doenças ainda não foram esclarecidos, mas sabe-se que elas são resultado de uma conjunção de fatores genéticos, ambientais e imunológicos.
O fumo, por exemplo, é um fator que agrava essas enfermidades.
O diagnóstico é feito através da análise do histórico clínico da pessoa e de exames como endoscopia, colonoscopia, tomografia e ressonância magnética.
“O tratamento precoce da doença, ou seja, nos primeiros dois anos de sintomas, reduz muito o risco de o paciente vir a precisar de cirurgias, por exemplo, e melhora a resposta dele aos tratamentos. Os estudos mostram que os tratamentos, quando são instituídos mais precocemente, têm uma resposta muito melhor do que quando tardiamente”, afirma Mariane.
Como ainda não há cura para essas condições, o tratamento envolve controlar os sintomas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, através de medidas como adotar uma alimentação saudável, parar de fumar e praticar exercícios físicos.
Medicamentos como aminossalicilatos, imunossupressores e imunobiológicos podem ser usados, dependendo do caso.
Mariane destaca que, nos últimos, anos houve muitos avanços no tratamento dessas doenças e que a aprovação de novas terapias amplia as opções para os pacientes. A campanha da SBCP envolverá publicações e vídeos em suas redes sociais [LINK: https://www.instagram.com/portaldacoloproctologia], que esclarecem sobre as principais dúvidas relacionadas às DIIs.
Fundação Oswaldo Cruz comemora 125 anos no dia 25 deste mês
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi destaque nesta segunda-feira (19), na 78ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça.
No discurso de abertura, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, disse que a instituição brasileira faz parte desde 2023 do Hub para Inteligência Pandêmica e Epidêmica da OMS, sediado na Alemanha.
“Gostaria de agradecer especialmente à Fundação Oswaldo Cruz, que lidera um desses consórcios. Agradeço à Fiocruz pela parceria e ofereço meus calorosos parabéns pelo seu 125º aniversário”, afirmou.
Tedros Adhanom informou que o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento para Epidemias e Pandemias está sendo gerenciado por Consórcios Colaborativos de Acesso Aberto, que incluem 12 famílias de patógenos e envolvem mais de 5 mil cientistas.
“A fala de Tedros nos honra profundamente”, disse o presidente da Fiocruz.
“Ele demonstrou um grau surpreendente de conhecimento sobre a Fiocruz, inclusive remontando à sua experiência com a fundação na época em que atuou como ministro de Saúde da Etiópia. Este reconhecimento, expresso diante de todos os ministros da saúde presentes à Assembleia, valoriza ainda mais o papel da Fiocruz na saúde global”, afirmou Moreira.
O tema da 78ª Assembleia Mundial da Saúde, que vai até o dia 27 deste mês, é Um Mundo pela Saúde. A Fiocruz participa da reunião como parte da comitiva brasileira. Ao longo da semana, os países-membros da OMS discutirão temas como emergências sanitárias, financiamento e preparação para pandemias. Além da agenda oficial, haverá uma série de eventos paralelos nos quais importantes diálogos são previstos, incluindo o estabelecimento de potenciais parcerias e entendimentos para união de esforços na defesa de temas relevantes para a saúde no âmbito global.
Apoio
Sobre as lições aprendidas com a covid-19 e outras emergências sanitárias, Tedros ressaltou que a OMS está apoiando os países no fortalecimento de sua capacidade de vigilância genômica. “Por meio do nosso Centro de Inteligência de Pandemias e Epidemias em Berlim, a Rede Internacional de Vigilância de Patógenos agora conecta 350 organizações em 100 países”, afirmou.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também participou da plenária de abertura da assembleia, ressaltou a importância do multilateralismo na resolução dos desafios de saúde global, como as mudanças climáticas e pandemias. Ele reforçou o apoio do governo brasileiro à OMS.
“A maior lição, dessa última década é que nenhum país sozinho cuidará da saúde de seu povo. Como o presidente Lula diz, nenhum presidente foi eleito xerife do mundo. Nós reiteramos nosso apoio ao multilateralismo. O Brasil diz sim à OMS”, disse Padilha. “A missão dessa década é que nós precisamos mais OMS e não menos”.
Padilha acrescentou que só por conta do multilateralismo foi possível enfrentar a falta de abastecimento de insulina, devido a mudanças na cadeia de produção, além de avançar em uma aliança global contra a fome, a pobreza e a eliminação de doenças negligenciadas. Por fim, o ministro da Saúde convidou a todos para a COP 30, a conferência das Nações Unidas sobre meio ambiente, em novembro deste ano, em Belém do Pará. O tema da COP 30 será Mudanças climáticas.
Aniversário
A 78ª Assembleia Mundial da Saúde marcará também o início das comemorações dos 125 anos da Fiocruz, no próximo dia 25, com a realização de uma cerimônia nesta terça-feira (20) apoiada por parceiros de longa data, como a Rede Pasteur, a UN Foundation e a Unitaid, e que contará com a presença de autoridades nacionais e internacionais. A atividade está inserida no rol dos eventos paralelos no contexto do evento de Genebra.
Segundo Mario Moreira, a Fiocruz leva à Assembleia Mundial da Saúe uma vasta experiência em cooperação, motor que movimentará oportunidades de diálogo e alianças. “É uma grande alegria estar no evento e representar o [Sistema Único de Saúde] SUS no momento em que a Fiocruz chega aos 125 anos.”
Serra Talhada será contemplada com um repasse complementar de R$ 12.527,21 para assegurar o pagamento do Piso Salarial Nacional de Enfermeiros, Técnicos, Auxiliares de Enfermagem e Parteiras na Unidade Pernambucana de Atenção Especializada (UPAE). O recurso é proveniente do Sistema Único de Saúde (SUS) e foi oficializado por meio de Termo de Repasse e de Compromisso com o Hospital do Tricentenário, responsável pela gestão da unidade.
Afogados da Ingazeira, por sua vez, também será beneficiada com um repasse no valor de R$ 8.987,43, com a mesma finalidade: garantir o cumprimento da legislação que estabelece o piso nacional da enfermagem.
O documento foi assinado no último dia 15 de maio de 2025, como parte de uma série de aportes financeiros do Governo do Estado para unidades de saúde espalhadas por Pernambuco, reforçando o compromisso com a valorização dos profissionais da área.
Além de Serra Talhada e Afogados da Ingazeira, também foram contempladas as UPAEs de Salgueiro (R$ 22.859,57), Petrolina (R$ 211.461,91) e Garanhuns (R$ 71.457,09).
A medida visa dar cumprimento à legislação federal que estabelece o piso nacional da categoria, um pleito antigo dos profissionais da enfermagem em todo o país. A injeção de recursos garante não apenas o cumprimento da norma, mas também o fortalecimento da rede pública de saúde.
Além dos repasses para o piso da enfermagem, outro documento publicado no Diário Oficial traz a assinatura do 12º Termo Aditivo ao Contrato de Gestão nº 001/2022, firmado com o Instituto Social das Medianeiras da Paz. O aditivo prevê a contratação de serviço de vigilância 24h para a UPA Olinda, com um custo mensal de R$ 20 mil, oriundos do Tesouro Estadual.
Infusão do Zolgensma, um dos medicamentos mais caros do mundo – Foto: SES/Divulgação
Procedimento pioneiro pelo SUS foi realizado no Serviço de Referência em Doenças Raras (Rarus)
Pernambuco realizou, no Hospital Maria Lucinda (HML), no bairro de Parnamirim, na Zona Norte do Recife, a primeira infusão do Zolgensma, um dos medicamentos mais caros do mundo -seu custo médio é de R$ 7 milhões– que é totalmente custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em março, o Ministério da Saúde (MS) incorporou esta terapia gênica para realização de um tratamento inovador em crianças com Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 1 de maneira completamente gratuita. A ação foi fruto de Acordo de Compartilhamento de Risco baseado em desempenho firmado entre a pasta e a empresa fabricante, a Novartis. [Saiba como funciona o acordo no final do texto].
A realização do procedimento, pioneiro no âmbito da saúde pública, tornou-se viável por meio do convênio estabelecido pela Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE), que qualificou o Serviço de Referência em Doenças Raras (Rarus) para a execução de diagnósticos especializados e a oferta de tratamentos multiprofissionais destinados a crianças acometidas por essas condições.
O Zolgensma é uma terapia gênica considerada a mais avançada no tratamento da AME tipo 1, a forma mais grave da patologia.
Administrado em dose única, o medicamento tem potencial de modificar o curso da doença, promovendo ganhos importantes no desenvolvimento motor e respiratório de crianças diagnosticadas precocemente.
A sua administração é indicada para pacientes de até seis meses que não estejam em ventilação mecânica invasiva acima de 16 horas por dia.
A primeira beneficiada com a medicação em Pernambuco é uma menina de seis meses, residente em São Caetano, Agreste do estado.
Aos três meses, a criança foi diagnosticada com a doença no Rarus do Hospital Maria Lucinda. Desde então, a paciente vem sendo acompanhada pela equipe multidisciplinar da unidade.
Hospital Maria Lucinda (HML) recebeu primeira infusão do Zolgensma | Foto: SES/Divulgação
A secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, destaca a importância dessa aplicação para a saúde pública.
“Esse tratamento significa um avanço na oferta de terapias de alta complexidade por meio do SUS, que, de forma inédita, garante o acesso gratuito a um medicamento com um custo tão elevado e baseado em bons resultados. Mais do que um marco científico, essa conquista representa esperança para outras famílias que enfrentam o mesmo diagnóstico”, defendeu a secretária.
O superintendente do HML, Luiz Alberto Araújo, pontuou a importância do fato para o hospital e para o estado.
“Esse é um momento histórico para a saúde pública do nosso estado e também para o nosso Hospital. Realizar essa aplicação no Maria Lucinda simboliza ainda o reconhecimento de nossa capacidade técnica e estrutural para liderar iniciativas inovadoras e de grande impacto social dentro do SUS”, disse o gestor.
Condição
A AME é uma condição genética rara e progressiva, herdada dos pais, que compromete a produção de uma proteína fundamental para a manutenção dos neurônios motores — células responsáveis por funções voluntárias básicas do corpo, como respirar, engolir e se movimentar.
A doença varia dos graus 0 a 4 e não tem cura, no entanto, o SUS oferece os tratamentos que conseguem estabilizar a sua progressão.
Após a infusão do Zolgensma, a paciente fica sob supervisão clínica ainda no hospital antes de ser liberada.
“As primeiras horas após a infusão são monitoradas com atenção, principalmente em relação a possíveis reações alérgicas. Depois desse período, com tudo sob controle, a paciente poderá receber alta e continuar o acompanhamento ambulatorial conforme o protocolo, com fisioterapia, fonoaudiologia, avaliação motora, respiratória e cognitiva”, detalhou a também neurologista pediátrica Karina Soares, que acompanha a paciente desde o diagnóstico.
Manipulação
O Zolgensma foi importado da Europa pelo Ministério da Saúde e chegou com escolta a Pernambuco, na tarde da última terça-feira (13), à Central de Assistência Farmacêutica do HML, a uma temperatura de -49,5º. O medicamento ficou armazenado em um refrigerador até o momento da aplicação.
A farmacêutica do hospital Andressa Mendonça foi a responsável tanto pelo recebimento quanto pelo preparo da medicação para a paciente.
“O tratamento é peso-dependente, produzido especificamente para a paciente em questão. No dia da infusão, a bebê foi pesada novamente. Se houvesse diferença em relação ao peso informado na solicitação, faríamos o ajuste da dosagem na hora, garantindo a segurança e a eficácia do procedimento”, explicou.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e representante da Novartis quando o acordo foi firmado | Foto: João Risi/MS
Acordo de Compartilhamento de Risco
OAcordo de Compartilhamento de Risco foi firmado entre o Ministério da Saúde e a fabricante Novartis para garantir o acesso ao remédio dos pacientes com AME que são atendidos pelo SUS.
Com custo médio de R$ 7 milhões, o medicamento é um dos mais caros do mundo.
O acordo prevê o pagamento da terapia da seguinte forma:
– 40% do preço total, no ato da infusão da terapia;
– 20%, após 24 meses da infusão, se o paciente atingir controle da nuca; 20%, após 36 meses da infusão, se o paciente alcançar controle de tronco (sentar por, no mínimo, 10 segundos sem apoio);
– 20%, após 48 meses da infusão, se houver manutenção dos ganhos motores alcançados;- Haverá cancelamento das parcelas se houver óbito ou progressão da doença para ventilação mecânica permanente.
Pernambuco amplia vacinação contra a gripe – Foto: Divulgação/SES-PE
Até o momento, 679.962 doses aplicadas em todo Estado
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) decidiu, nesta quarta-feira (14/05), ampliar a vacinação contra a gripe para toda a população pernambucana, a partir dos seis meses de idade. Medida se dá com o aumento da circulação do vírus Influenza nesta época do ano, associado à preocupação das baixas coberturas registradas para o imunobiológico.
Ao lado do Programa Estadual de Imunizações (PEI-PE), a SES-PE convoca a população a se dirigir para as mais de 2.800 salas ativas de vacina distribuídas em todos os 184 municípios pernambucanos, mais o Arquipélago de Fernando de Noronha.
A vacinação, além de proteger a população, diminui os impactos da gripe na sociedade, ao reduzir a circulação do vírus em espaços públicos e, consequentemente, aliviando a pressão sobre os serviços de saúde. Historicamente, os meses entre março e agosto são marcados pela sazonalidade dos vírus respiratórios
“A expansão da vacina da gripe é essencial e traz muitos benefícios para toda população. A circulação do vírus da Influenza, nesta época do ano, eleva o número de casos da doença e, consequentemente, as hospitalizações. Assim, a baixa adesão à vacinação sobrecarrega o sistema de saúde, com maior demanda por consultas e internações. A nossa estratégia tem o objetivo, a partir da vacinação ampla, de reduzir a circulação do vírus trazendo mais saúde para a nossa população”, afirmou a Secretária de Saúde, Zilda Cavalcanti.
A SES-PE reforça que a vacina de Influenza, em 2025, passou a fazer parte do Calendário Nacional de Vacinação – imunização de rotina, nos postos de saúde. A estratégia do Ministério da Saúde (MS), no entanto, atende apenas crianças a partir de seis meses a menores de seis anos de idade (cinco anos, 11 meses e 29 dias), idosos com 60 anos e mais e gestantes, além de outros grupos prioritários.
A decisão da SES-PE fortalece a ação, garantindo que um número maior de pessoas possa se vacinar, criando uma barreira contra o vírus da gripe.
Em Pernambuco a vacinação contra a gripe foi iniciada há pouco mais de um mês, antes com estimativa populacional 2.330.453 pessoas, contabilizados só os grupos prioritários. Até o momento, levando em consideração essa parcela preferencial, já foram registradas 679.962 (19,5%) doses aplicadas, sendo: 21,0% Idosos (300.054 doses), 18,2% Crianças (148.545 doses) e 7,4% Gestantes (6.459 doses).
DIA D – No último sábado (10/05), a SES-PE mobilizou o estado em torno do “Dia D de Mobilização contra a Influenza”, uma estratégia do MS para a vacinação em massa. Com atividades em postos de saúde, do Litoral ao Sertão, e participação efetiva dos quadros de saúde dos municípios, foi possível, em apenas um dia, vacinar mais de 100 mil pernambucanos.
Ministro Alexandre Padilha, diretor-presidente da Geap, Douglas Figueredo, oncologista Drauzio Varella e a atriz Elizabeth Savalla em evento de lançamento dos Exames Médicos Periódicos – Foto/Divulgação / Geap
Médico Drauzio Varella se mobiliza para incentivar a realização de exames periódicos entre os trabalhadores do SUS
O ministro da saúde, Alexandre Padilha e o médico oncologista, Drauzio Varella, se uniram para lançar nesta quinta-feira (8) no Rio de Janeiro uma iniciativa inédita: a oferta de exames médicos gratuitos para servidores públicos federais em todo país.
“A gente não vai avançar na área da saúde sem cuidar de quem trabalha no Sistema Único de Saúde (SUS). Cada vez mais a gente lida com problemas que não têm cura, então, ou previne ou cuida. O Ministério da Saúde quer cuidar de quem cuida da gente”, disse o ministro.
A operadora “Geap Saúde” é parceira da iniciativa que tem como objetivo garantir o acesso sem custo a exames preventivos para todos os servidores do Ministério da Saúde, incluindo concursados, comissionados, cedidos e anistiados, mesmo os que não são beneficiários da Geap.
Exames como hemograma completo, mamografia, Papanicolau, PSA, glicemia, creatinina, além de consultas clínicas especializadas estarão disponíveis na rede credenciada da operadora em todas as 27 unidades da federação.
O médico Dráuzio Varella destacou que a prevenção é fundamental para um envelhecimento saudável.
“Estamos envelhecendo mal. Aos 60 anos, 20% dos brasileiros têm diabetes e 50% de homens e mulheres são hipertensos. A prevenção é fundamental e é preciso aproveitar essa oportunidade”, destacou Dráuzio.
A iniciativa do Ministério da Saúde marca um avanço histórico na política de saúde ocupacional do governo federal. Serão contempladas quase 50 mil pessoas em todo o país.
Incrições para o Mais Médicos estão abertas até esta quinta-feira (8) Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo
Novo edital do programa oferece 3.174 vagas; meta do governo é ter 28 mil profissionais no programa até o fim do ano
As inscrições para as 3.174 novas vagas do programa Mais Médicos estão abertas a partir desta segunda-feira (5). O novo edital, lançado pelo Ministério da Saúde, visa fortalecer o atendimento em regiões prioritárias e remotas.
Os médicos participantes do programa integram equipes de Saúde da Família e oferecem atendimento mais próximo à população. Os interessados devem acessar o site do Sistema de Gerenciamento de Programas até o dia 8 de maio.
Das vagas disponíveis, 3.066 serão distribuídas entre 1.620 municípios, e 108 destinadas a 26 DSEIs (Distritos Sanitários Especiais Indígenas).
CONFIRA O QUADRO DE VAGAS AQUI
A meta do governo é que, até o fim deste ano, 28 mil profissionais estejam atuando por meio do programa.
As oportunidades do 41º ciclo do Mais Médicos estão disponíveis para três perfis profissionais:
Médicos formados no Brasil com registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) ou com diploma revalidado no país;
Médicos brasileiros formados no exterior (intercambistas brasileiros);
Médicos estrangeiros com habilitação para o exercício da medicina no exterior (intercambistas estrangeiros).
Para os dois últimos perfis, o Ministério da Saúde informa que é obrigatória a aprovação no Módulo de Acolhimento e Avaliação (MAAv), um treinamento específico para atuação em situações de urgência, emergência e no enfrentamento de doenças prevalentes nas regiões de trabalho.
Quais documentos são necessários para a inscrição?
No ato da inscrição, o candidato deve anexar uma declaração de próprio punho, datada e assinada, atestando que:
Se estrangeiro, possui conhecimento da língua portuguesa;
Independentemente da nacionalidade, tem ciência das regras de organização do SUS, bem como dos protocolos e diretrizes clínicas da atenção primária à saúde.
Durante o exercício das atividades no Mais Médicos, os profissionais — brasileiros ou estrangeiros — terão direito aos benefícios previstos no programa, como bolsa-formação, ajuda de custo e auxílios diversos. Eles poderão permanecer no programa por até 48 meses, sem vínculo empregatício de qualquer natureza.
Cadastro reserva
Neste novo chamamento público para adesão e renovação de vagas do Mais Médicos, o Ministério da Saúde criou a possibilidade de formação de um cadastro reserva.
Esse mecanismo oferece flexibilidade e agilidade na reposição de profissionais pelos municípios e DSEIs assim que a necessidade for identificada.
Com isso, 2.450 municípios e oito Distritos Sanitários Especiais Indígenas que já haviam preenchido vagas em editais anteriores puderam aderir ao cadastro reserva da política pública.
Sobre o programa
O Programa Mais Médicos garante assistência a mais de 63 milhões de brasileiros em todo o país. Atualmente, conta com 24,9 mil médicos atuando em 4,2 mil municípios — o equivalente a 77% do território nacional. Os profissionais são identificados por coletes verdes.
Entre essas localidades, 1,7 mil apresenta altos índices de vulnerabilidade social. Do total de médicos em atividade pelo programa federal, 601 atuam nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
Empresa retirou recurso que pedia suspensão da interdição
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou a interditar cautelarmente o creme dental Total Clean Mint, da marca Colgate, nesta quarta-feira (30).
A medida estava suspensa em razão de um recurso da fabricante solicitando a suspensão da interdição, porém a própria empresa retirou o recurso, informou a Anvisa.
Com isso, a suspensão da venda e do consumo do produto, determinada em 27 de março pela agência reguladora, segue em vigor. A Anvisa adotou a medida após consumidores relatarem reações adversas ao usarem o creme dental, como inchaço nos lábios.
Na ocasião, a Anvisa esclareceu que não existe a determinação de recolhimento, mas a pasta não deve ser exposta à comercialização pelos pontos de venda.
“A Agência recebeu relatos de eventos adversos que indicam que a presença na formulação da substância fluoreto de estanho, que tem conhecidos benefícios antimicrobianos e anticárie, pode estar associado a reações indesejáveis em alguns usuários,” disse a Anvisa em nota à época da suspensão preventiva e temporária.
A linha de produtos Colgate Total Clean Mint substituiu a linha Total 12 da marca.
Em resposta publicada em março nas redes sociais, a Colgate Brasil afirmou que a marca tem como propósito proporcionar às pessoas uma excelente saúde bucal e reforçou o compromisso com a qualidade e segurança de seus produtos.
“Entendemos e reconhecemos que esses casos podem ser um desconforto e nos colocamos à disposição para tratar cada um deles por meio do www.colgatepalmolive.com.br/contact-us”, apontou a publicação.
Alerta ‼️
A Anvisa publicou um alerta referente à possibilidade de ocorrência de reações indesejáveis ao uso de creme dental.
A agência recebeu relatos de ocorrências indesejadas, chamadas de eventos adversos, que indicam que a presença da substância fluoreto de estanho na fórmula do creme dental pode estar associado a reações inoportunas em alguns usuários.
A recomendação é para que os consumidores observem sinais de irritação e interrompam o uso do produto. Caso o desconforto seja persistente, um profissional de saúde deverá ser procurado.
Já os profissionais de saúde devem monitorar sinais de alterações bucais nos pacientes, orientá-los sobre possíveis reações adversas e recomendar alternativas para indivíduos sensíveis.
Os fabricantes devem garantir que a rotulagem contenha informações claras sobre possíveis reações adversas e instruções de uso adequadas.
>> Veja algumas das reações adversas:
Lesões bucais
Sensações dolorosas
Sensação de queimação/ardência
Inflamação gengival
Edema labial
Notificação
A agência reguladora destacou também a importância da notificação de problemas com o uso de produtos, por meio do sistema e-Notivisa.
O sistema não recebe queixas sobre questões econômicas (devolução de produtos, cobranças indevidas, etc) ou denúncias sobre produtos ou empresas irregulares.
Posicionamento
Em nota à imprensa, a empresa Colgate confirmou que nesta quarta-feira apresentou à Anvisa o pedido de retirada do recurso contra a decisão que determinou a interdição temporária do produto.
A iniciativa resultou na retomada da medida cautelar pelo órgão.
“A decisão da Colgate é incentivada pela colaboração contínua com a Anvisa e pelo avanço das investigações técnicas junto à agência. A empresa acredita numa resolução oportuna do tema”, diz a nota.
No texto, a Colgate também reafirmou a segurança e qualidade do creme dental da marca e garante que o Colgate Total Clean Mint “segue os rígidos padrões das agências regulatórias”.
Imunização vai atender primeiramente os grupos prioritários
O primeiro lote escalonado de 1,3 milhão de vacinas contra a covid-19 de um total de 7,4 milhões de doses chegou nesta quinta-feira (1º) no Brasil. Os imunizantes foram recebidos no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“A entrega aconteceu em apenas 14 dias. Mais rápido que no período da pandemia”, ressaltou o ministro.
Para Padilha, a rapidez demonstra a garantia e a segurança da empresa que está fornecendo para o Ministério da Saúde. O ministro disse ainda que trata-se da vacina mais atualizada do momento, e a imunização vai atender primeiramente os grupos prioritários.
A vacina é recomendada para crianças menores de 5 anos, idosos, gestantes e grupos especiais, como imunocomprometidos, ribeirinhos, quilombolas e pessoas com comorbidades. A população adulta que ainda não tomou nenhuma dose também deve se vacinar.
A distribuição e entrega das vacinas deve ser iniciada na próxima semana. Primeiro, os estados recebem as doses, que são repassadas aos municípios.
As doses que chegaram nesta quinta-feira integram o processo de compra de um total de 57 milhões de doses, finalizado ainda em 2024. A previsão do contrato é de dois anos.
Influenza
Acompanhado do Zé Gotinha, símbolo da vacinação no país, Padilha lembrou também da importância da vacinação contra a Influenza.
“Estamos no meio da campanha da Influenza. No próximo dia 10, véspera do Dia das Mães, vai acontecer o “Dia D de Vacinação Nacional”.
“Queremos vacinar cada vez mais, mas é importante que os grupos prioritários se vacinem antes do período de férias”, afirmou o ministro.
Segundo ele, mais de 110 mil escolas já aderiram à mobilização para atualizar a caderneta de vacinação dos alunos.
youtube, Instagram. TikTok. Enjoei e Mercado Livre foram notificados
As plataformas digitais YouTube, Instagram, TikTok, Enjoei e Mercado Livre foram notificadas pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça e Segurança Pública para que removam em até 48 horas os conteúdos que promovam ou comercializem cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, e outros produtos derivados de tabaco.
Os sites de comércio eletrônico foram notificados nesta terça-feira (29) e o prazo para banir os anúncios se encerra nesta quinta-feira (1º). As empresas devem, também, reforçar os mecanismos de controle para evitar novas publicações desse tipo.
No Brasil, a proibição da venda destes produtos foi mantida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025.
As resoluções RDC nº 46/2009 e RDC nº 855/2024 da agência reguladora vetam a fabricação, a importação, a propaganda e a venda de cigarros eletrônicos em todo o território nacional.
Em nota, o secretário Nacional do Consumidor, Wadih Damous, afirmou que os perigos da comercialização de cigarros eletrônicos no Brasil.
“É ilegal e representa sérios riscos à saúde pública, pois carecem de regulação ou de autorização para serem comercializados”, destacou.
Publicações
Um levantamento validado pelo Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual (CNCP), vinculado à Senacon, identificou 1.822 páginas ou anúncios ilegais relacionados a cigarros eletrônicos nas plataformas notificadas. As contas dos vendedores e de influenciadores irregulares, juntas, somam quase 1,5 milhão de inscritos, que são alcançados com essas propagandas.
De acordo com o levantamento
Instagram tem 1.637 anúncios (88,5%),
YouTube, 123 anúncios (6,6%);
Mercado Livre, 44 anúncios (2,4%);
O TikTok e o Enjoei também foram notificados pela Senacon, mesmo com menor volume de ocorrências.
Em nota, o secretário-executivo do colegiado, Andrey Correa, disse que há a necessidade de constante alinhamento das plataformas digitais na luta contra o comércio ilegal.
“A cooperação entre setor público e empresas de tecnologia é fundamental para impedir a circulação de produtos ilegais. Nosso objetivo é garantir que o ambiente digital respeite a legislação e promova a segurança dos consumidores”.
No início de abril, a Senacon notificou a plataforma Nuvemshop para remover lojas virtuais que comercializavam ilegalmente pacotes de nicotina (snus), outro produto derivado do tabaco com venda proibida no país.