Pernambuco tem 2ª morte e confirma quase 2 mil casos de dengue

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Novo boletim de arboviroses, divulgado nesta quarta-feira (24), traz 1.921 confirmações da doença em 2024 (Foto: Fiocruz)
Foto/Fiocruz

Novo boletim de arboviroses, divulgado nesta quarta-feira (24), traz 1.921 confirmações da doença em 2024. Atualização anterior mostrava 1.434 casos

Pernambuco confirmou, nesta quarta (23), a segunda morte por dengue em 2024.

Além disso, o Estado soma 1.921 casos confirmados da doença, este ano.

O dado está no novo boletim de arboviroses, divulgado pela Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE).

Na atualização anterior, na quarta-feira (17), o Estado contabilizava 1.434 confirmações. Portanto, houve um aumento de quase 500 casos confirmados.

Desse total de confirmações, o Estado aponta 35 casos graves de dengue.

Desde o início do ano, duas mortes foram confirmadas.

A primeira foi de um homem de 53 anos que morava em Tuparetama, no Sertão.

A segunda morte por dengue deste ano, no Estado, foi de uma mulher de 47 anos, que morava em Moreilândia, no Sertão de Pernambuco.
Ela foi a óbito no dia 2 de fevereiro, em uma unidade de saúde do Recife, mas só agora a confirmação foi divulgada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE).

Prováveis

O boletim também mostra que, desde o início de 2024, foram notificados 22.459 casos prováveis de dengue.

Isso representa um aumento de 593,2%, em relação ao mesmo período do ano passado.

Pernambuco investiga 30 casos de mortes que podem ter sido provocadas por dengue e outras arboviroses, como zika e chikungunya.

A incidência de dengue está em 247,9 casos para cada 100 mil habitantes.

As pessoas que têm entre 20 e 29 anos de idade continuam sendo as principais vítimas da dengue no Estado.
Chikungunya
Ainda conforme o boletim, Pernambuco já confirmou 328 casos de chikungunya, desde o início deste ano.
Isso significa que houve um aumento de casos confirmados dessa arbovirose.
Entre casos prováveis dessa arbovirose, o Estado aponta que já notificou, em 2024, 3.546 ocorrências.
No boletim anterior, o número de casos prováveis de chikungunya era de 3.439.
Agora, o número de ocorrências dessa arbovirose é 199,5% maior do que o registrado no ano passado. A incidência está em 39,1 para cada 100 mil habitantes.
Zika
O estado ainda não confirmou casos de zika este ano. Sobre os casos prováveis, são 414 notificações, o que corresponde a um aumento de mais 1.556% em relação ao mesmo período do ano passado.
Estão sob investigação 56 casos prováveis em grávidas. Há dez anos, uma grande crise de zika provocou a onda de nascimentos de bebês com microcefalia no Estado.
Risco
O boletim mostra, ainda, que 31% dos domicílios do estado têm alto risco de infestação de mosquito Aedes aegypti, transmissor das arboviroses. O risco médio está em 54,9% e o baixo, em 14,1%. *Por Diario de Pernambuco.

Pernambuco confirma quase 200 casos de dengue em uma semana

ARBOVIROSES

Foto/Divulgação

Divulgado nesta quarta (17), boletim de arboviroses aponta 1.434 confirmações da doença em 2024. Documento anterior mostrava 1.236 casos confirmados

O novo boletim de arboviroses divulgado nesta quarta (17) pela Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) aponta um aumento dos casos confirmados de dengue.

Em uma semana, o número de confirmações passou de 1.236 para 1.434.

Portanto, houve um aumento de quase 200 casos confirmados, desde o dia 10 de abril.
Desse total de confirmações, o Estado aponta 31 casos graves de dengue.

Desde o início do ano, uma morte foi confirmada. É um homem de 53 anos que morava em Tuparetama.

O caso da criança de Tabira, o atleta Luís Davi, com apenas 10 anos, que faleceu na madrugada do último domingo (14) em Serra Talhada vítima de dengue, ainda não foi confirmada a morte por dengue hemorrágica pela Secretaria Estadual de Saúde.

Prováveis

O boletim também mostra que, desde o início de 2024, foram notificados 19.874 casos prováveis de dengue. Isso representa um aumento de 564. Por Diario de Pernambuco.

Número de casos prováveis de dengue no Estado este ano já é 473,6%; municípios de Ingazeira e Calumbi estão com altas incidências de casos

SERTÃO DE PERNAMBUCO

Aedes aegypti é transmissor de arboviroses (Foto: Arquivo)
Aedes aegypti é transmissor de arboviroses (Foto: Arquivo)

Boletim divulgado nesta quarta (20) aponta registro de 9.505 casos prováveis da doença e 730 confirmações

Pernambuco contabiliza 9.505 casos prováveis de dengue. Do total, 730 já foram confirmados. Os demais estão sendo investigados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), que notificou nove casos graves até o momento.

Os dados são do Informe Epidemiológico de Arboviroses, com números das semanas epidemiológicas de 1 a 11, que correspondem ao período de 31 de dezembro de 2023 a 16 de março deste ano.

De acordo com o documento, o número de casos prováveis de dengue é 473,6% maior se comparado ao mesmo período do ano anterior. A incidência é de 104,9 casos prováveis por 100 mil habitantes.

Segundo critério técnico do Ministério da Saúde (MS), o resultado atual situa Pernambuco, pela primeira vez em 2024, no patamar de média incidência (entre 100 e 300 casos prováveis por 100 mil habitantes).

Os 16 municípios com alta incidência de casos de dengue são Araçoiaba, na Região Metropolitana; Chã de Alegria e Itaquitinga, na Mata Norte; Quipapá, na Mata Sul; Garanhuns, Riacho das Almas e Camocim de São Félix, no Agreste; Terra Nova, Lagoa Grande, Exu, Verdejante, Granito, Ingazeira, Calumbi e Belém do São Francisco, no Sertão, além de Fernando de Noronha.

O critério técnico de alta incidência, estabelecido pelo Ministério da Saúde (MS), considera as notificações acima de 300 casos prováveis por 100 mil habitantes.

O boletim traz ainda que seis gerências regionais de saúde estão com média incidência. São elas: IV (Caruaru), V (Garanhuns), VII (Salgueiro), VIII (Petrolina), X (Afogados da Ingazeira) e XII (Goiana).

No período, dois óbitos suspeitos foram descartados. Outras 17 mortes notificadas para arboviroses seguem em investigação.

Chikungunya e Zika

O Informe Epidemiológico de Arboviroses também traz 1.943 casos prováveis de chikungunya, sendo 131 deles já confirmados pela SES-PE. A incidência é de 21,4 por 100 mil habitantes.

Além disso, o documento também aponta que Pernambuco investiga 184 casos prováveis de Zika, sem nenhum confirmado até o momento.

Monitoramento

A SES-PE destacou que a Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde e Atenção Primária (SEVSAP) tem atuado junto às Gerências Regionais de Saúde (Geres) e municípios, alinhando ações de combate ao mosquito Aedes aegypti.

“O Comitê de Enfrentamento das Arboviroses foi instituído desde o dia 16 de fevereiro deste ano e realizou a primeira reunião no último dia 21 de fevereiro. Além disso, a pasta já havia lançado, em novembro de 2023, um Plano de Contingência – documento constituído de ações que orienta o enfrentamento dessas doenças, organizado por cinco eixos estratégicos: Vigilância Epidemiológica, Vigilância Entomológica, Vigilância Laboratorial, Assistência à Saúde, Comunicação/Mobilização Social e Gestão”, afirmou a pasta.

Em todo o Estado, as estratégias de mobilização incluem abordagens educativas à população, mutirões de limpeza, visitas domiciliares, além da capacitação dos profissionais de saúde dos municípios. *Por Diário de Pernambuco.

Pernambuco contabiliza 6.347 casos prováveis de dengue; 469 já foram confirmados, aponta SES-PE

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Mosquito da dengue
Mosquito da dengue – Foto: James Gathany/CDC

Dados são do Informe Epidemiológico de Arboviroses

Pernambuco contabiliza 6.347 casos prováveis de dengue. Do total, 469 já foram confirmados. Os demais estão sendo investigados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), que notificou cinco casos graves até o momento.

Os dados são do Informe Epidemiológico de Arboviroses, com números das semanas epidemiológicas de 1 a 10, que correspondem ao período de 31 de dezembro de 2023 a 9 de março deste ano.

Segundo o documento, o número de casos prováveis de dengue é 365,3% maior se comparado ao mesmo período do ano anterior. A incidência é de 70,1 casos prováveis por 100 mil habitantes.

Os municípios com alta incidência de casos de dengue são Araçoiaba, na Região Metropolitana; Chã de Alegria e Itaquitinga, na Mata Norte; Terra Nova, Lagoa Grande, e Belém do São Francisco, no Sertão.

O critério técnico de alta incidência, estabelecido pelo Ministério da Saúde (MS), considera as notificações acima de 300 casos prováveis por 100 mil habitantes.

No período, dois óbitos suspeitos foram descartados. Outras 16 mortes notificadas para arboviroses seguem em investigação.

Chikungunya e Zika

O Informe Epidemiológico de Arboviroses também traz 1.340 casos prováveis de chikungunya, sendo 75 deles já confirmados pela SES-PE. A incidência é de 14,8 por 100 mil habitantes.

Além disso, o documento também aponta que Pernambuco investiga 116 casos prováveis de Zika, sem nenhum confirmado até o momento.

Monitoramento

A SES-PE destacou que a Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde e Atenção Primária (SEVSAP) tem atuado junto às Gerências Regionais de Saúde (Geres) e municípios, alinhando ações de combate ao mosquito Aedes aegypti.

“O Comitê de Enfrentamento das Arboviroses foi instituído desde o dia 16 de fevereiro deste ano e realizou a primeira reunião no último dia 21 de fevereiro. Além disso, a pasta já havia lançado, em novembro de 2023, um Plano de Contingência – documento constituído de ações que orienta o enfrentamento dessas doenças, organizado por cinco eixos estratégicos: Vigilância Epidemiológica, Vigilância Entomológica, Vigilância Laboratorial, Assistência à Saúde, Comunicação/Mobilização Social e Gestão”, afirmou a pasta.

Em todo o Estado, as estratégias de mobilização incluem abordagens educativas à população, mutirões de limpeza, visitas domiciliares, além da capacitação dos profissionais de saúde dos municípios. *Por Portal Folha de Pernambuco.

Casos prováveis de dengue aumentam 84,7% em uma semana em Pernambuco

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A fêmea adulta do Aedes aegypti após uma refeição de sangue — Foto: Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC)
A fêmea adulta do Aedes aegypti após uma refeição de sangue — Foto: Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC)

Foram mais de mil casos notificados em uma semana, segundo a Secretaria Estadual de Saúde

Em uma semana, Pernambuco teve um aumento de 84,7% no número de casos prováveis de dengue, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). Ao todo, foram notificados 2.599 casos até a 8ª semana epidemiológica, que terminou no sábado (24). Até a sétima semana, o estado tinha 1.407 ocorrências.

Os 2.599 casos prováveis são casos confirmados e casos em investigação. De acordo com os dados da SES, esse número é 201,9% maior que o registrado no mesmo período de 2023. Houve, até agora:

  • 230 casos confirmados de dengue;
  • Dois casos de dengue grave (entenda por que a forma grave não deve ser chamada de hemorrágica);
  • Seis mortes.

As mortes associadas às arboviroses, segundo a SES, ainda estão sendo investigadas, porque os sintomas podem ser confundidos com um conjunto considerável de outras doenças.

Entre as duas semanas, o número de casos confirmados também aumentou de forma expressiva. Eram 151 confirmações até a 7ª semana epidemiológica, 79 a menos que os 230 casos confirmados até o momento.

Segundo a SES, duas cidades entraram em estágio de “alta incidência” para casos de dengue: Araçoiaba, no Grande Recife, e Chã de Alegria, na Zona da Mata Norte. Ambos apresentam mais de 300 casos por 100 mil habitantes.

Na 8ª semana, houve 16 cidades com “média incidência” (100 a 300 casos por 100 mil habitantes). Eram sete cidades nesse estágio na semana anterior.

No Recife, denúncias de possíveis focos de mosquito Aedes aegypti podem ser feitas na Ouvidoria do SUS, no telefone 0800.281.1520, que funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h; ou na internet, em qualquer horário.

Chikungunya e zika

Também houve aumento em outras arboviroses. A chikungunya tem 606 casos prováveis (43,6% a mais que no ano passado).

Há 47 casos prováveis de zika (aumento de 422,2%). Apesar desse aumento, segundo o estado, essa doença não apresenta circulação no estado há anos, e ainda não houve confirmação dos casos. Entre os casos prováveis estão os de oito gestantes.

O vírus é causador da Síndrome Congênita do Zika Vírus, que pode provocar, entre outras coisas, microcefalia.

Sintomas da dengue

Nem sempre a infecção apresenta sintomas. O indivíduo pode ter uma dengue assintomática ou ter um quadro leve.

Mas é preciso ficar atento se a pessoa tiver febre alta (39ºC a 40ºC), de início repentino, acompanhada por pelo menos outros dois sintomas:

  • Dor de cabeça intensa;
  • Dor atrás dos olhos;
  • Dores musculares e articulares;
  • Náusea e vômito;
  • Manchas vermelhas no corpo.

A forma grave é a que preocupa. Após o período febril, o indivíduo deve ficar atento aos sinais de alarme:

  • Dor abdominal intensa e contínua;
  • Vômitos persistentes;
  • Acúmulo de líquidos em cavidades corporais;
  • Sangramento de mucosa;
  • Hemorragias.

O Ministério da Saúde alerta que é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados ao apresentar possíveis sintomas de dengue. Por g1/PE.

Dengue: em dois meses, Brasil ultrapassa 970 mil casos, mais da metade do total de 2023

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A dengue tem um comportamento sazonal
A dengue tem um comportamento sazonal – Foto: Canva

O número de mortes é de 195 até o momento. Ministério destacou que o avanço de casos ocorre em um momento em que não só a dengue circula, o que eleva a preocupação

Brasil ultrapassou os 970 mil casos prováveis de dengue, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Os dados vão até a semana epidemiológica 8, encerrada no sábado, 24, e foram anunciados nesta terça, 27. Isso significa que, em dois meses, o País já registrou mais da metade (58,6%) de todas as notificações do ano passado, quando 1,65 milhão de infecções foram observadas.

Frente a esse cenário, sete unidades federativas (AC, DF, GO, MG, ES, RJ e SC) – a maioria delas no eixo Centro-Sul do Brasil – e 154 municípios decretaram emergência, de acordo com o último informe diário da pasta. A nível nacional, a incidência da dengue é de 479,3 casos a cada 100 mil habitantes – a maioria dos decretos ocorreu após a cidade ou estado ultrapassar os 300 casos/100 mil habitantes.

Para Julio Croda, infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), o acumulado de casos nesta época do ano é, de fato, “inesperado” e “não usual”. “Vamos viver o pior ano da epidemia de dengue que a gente já viu no País”, alerta.

“A expectativa é que esses números continuem a crescer, e que a gente supere o recorde histórico de número de casos e, infelizmente, também o número de óbitos”, completa. Considerando que nosso sistema de vigilância mudou pouco nos últimos anos, o médico lembra que há uma estimativa de nove casos subnotificados para cada registro oficial de caso provável, além dos assintomáticos. Ou seja, o número real deve ser bem maior.

Em coletiva nesta terça-feira, 27, o ministério destacou que o avanço de casos ocorre em um momento em que não só a dengue circula, o que eleva a preocupação. “Temos chikungunya, temos covid, começamos também agora uma temporada de vírus respiratórios, que precisamos prestar atenção”, disse Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde.

“Aos primeiros sinais de sintomas de febre, dor no corpo, dor nas articulações, dor atrás dos olhos, mal-estar, dor de cabeça, mancha no corpo, procure um serviço de saúde”, pediu. A ministra Nísia Trindade anunciou um “dia D” do combate à dengue, que ocorre no sábado, 2, com ações de prevenção e de incentivo à eliminação dos focos do mosquito Aedes Aegypti, vetor da dengue – 75% dos criadouros estão dentro de nossas casas.

O número de mortes por dengue é de 195 até o momento. Em todo o ano passado, foram 1.094 mortes, o recorde histórico. A letalidade (a razão entre o número de mortes e dos casos prováveis de dengue), porém, é menor do que no ano passado, de acordo com a pasta. Comparando as oito primeiras semanas epidemiológicas de cada ano, a taxa de letalidade era de 0,07 em 2023, e, agora, está em 0,02.

Em coletivas de imprensa realizadas ao longo deste ano, autoridades já chamavam a atenção para essa queda, atribuindo o resultado a uma melhor preparação das equipes de saúde para manejar os casos. A dengue não tem tratamento específico, mas um protocolo adequado de hidratação salva vidas.

Mesmo faltando alguns dias para o fim de fevereiro, o acumulado de casos dos primeiros dois meses deste ano já é 236.37% maior do que o registrado nos dois primeiros meses do ano passado. De acordo com o painel de arboviroses do ministério, foram registrados 289.366 casos prováveis de dengue em janeiro e fevereiro de 2023.

O último informe semanal da pasta, que traz informações um pouco mais detalhadas, publicado em 20 de fevereiro, o maior número de casos deste ano ocorreu na semana epidemiológica 5, que compreende o período entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro, quando houve registro de 175.015 infecções prováveis. O pico de 2023 aconteceu na semana 15 (111.840), entre 9 e 15 de abril.

A dengue tem um comportamento sazonal. De acordo com o Ministério da Saúde, o aumento do número de casos e o risco para epidemias ocorre, principalmente, entre os meses de outubro de um ano a maio do ano seguinte.

O ideal é que nos preparemos para o pior. Ou seja, para que o pico aconteça entre abril e maio”

Julio Croda, infectologista da Fiocruz e professor da UFMS

Mas os picos não costumam ocorrer já nos primeiros meses do ano. “Ultrapassamos o pico da doença de 2023 com dois meses de antecedência”, destaca Croda.

Ethel disse, na coletiva desta terça, que a curva de casos deste ano é atípica. Os casos começaram a subir antes do que ocorria e em uma velocidade “muito rápida”. O Ministério da Saúde já chegou a apontar que o Brasil pode estar vivendo uma antecipação da sazonalidade.

Croda acha que é muito cedo para termos certeza de que o pico se antecipou. “O ideal é que nos preparemos para o pior. Ou seja, para que o pico aconteça entre abril e maio.”

Na coletiva desta terça, a ministra Nísia e Ethel frisaram que não é possível ser categórico neste momento e que muitas incertezas permeiam essa hipótese. “Não sabemos ainda, e estamos monitorando os dados, se vai haver uma descida”, disse Ethel. Segundo ela, outras perguntas importantes, caso haja um decréscimo, são: “a descida vai ser sustentada?” e ” ela vai ser tão rápida como a subida”. Todas elas sem resposta, afirma.

Previsão
A estimativa do Ministério da Saúde é de que, neste ano, o Brasil atinja 4,2 milhões de casos. É mais do que o dobro dos registros do ano passado e algo nunca visto antes no País.

Um dos motivos para a previsão nada otimista é que, após muitos anos, os quatro sorotipos da dengue circulam no País, embora DENV-1 e DENV-2 prevaleçam. Além disso, há a influência das mudanças climáticas e do El Niño, que causam aumento de temperatura, e um ritmo anormal de precipitações. Trata-se do cenário ideal para o mosquito Aedes Aegypti, o vetor da dengue, transmitir o vírus e se proliferar.

Na coletiva desta terça, 27, a ministra Nísia Trindade acrescentou mais um fator que pode estar contribuindo com o agravamento da crise: cidades médias e pequenas com “grandes número de casos”. “Isso significa mais interiorização, mais dispersão.” Há preocupação da pasta com as condições dos serviços de saúde destes municípios.

Em meio a esse cenário, iniciou-se a vacinação contra a dengue com a única vacina aprovada até o momento pela Anvisa e que pode ser amplamente aplicada na população: a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda. O número de doses é pequeno (cerca de 6,5 milhões para este ano) e, por isso, apenas crianças de 10 a 14 anos de 521 municípios serão vacinados em 2024. Os efeitos da campanha na redução de casos não devem ser sentidos no curto prazo.

O foco do Ministério da Saúde, no momento, é evitar as mortes pela doença, que são evitáveis. Desde de novembro do ano passado, como mostrou o Estadão, as autoridades nacionais já se comunicavam com Estados e municípios para avisar sobre uma sazonalidade errática da doença, que exigia atenção especial e preparação antecipada.

O sucesso do manejo de casos se dá na identificação precoce de sinais de alarme da doença, que indicam um agravamento do caso. Quanto mais rápido eles forem detectados e o tratamento começar, melhor o prognóstico. Em casos críticos, a hidratação precisa ser endovenosa (na veia).

Neste ano, 7.771 casos de dengue grave ou de dengue com sinais de alarme foram registrados. De acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), tabulados pelo Estadão, em todo 2023, 21.636 casos assim foram notificados. Nas primeiras oito semanas do ano passado, o acumulado era de 1.953.

Deveríamos decretar emergência, diz infectologista

O número de casos claramente ultrapassou o canal endêmico, o que indica uma epidemia. Embora ela se concentre principalmente no eixo Centro-Sul, Croda avalia ser importante que o Ministério da Saúde decrete emergência a nível nacional – e não só por conta do número bastante expressivo de casos fora da época esperada. “Temos outros fatos relevantes: uma epidemia de chikungunya em Minas Gerais e uma epidemia de (febre) oropouche no Norte, que a gente desconhece o real impacto.”

“Decretar emergência é uma ação adequada do ponto de vista do Ministério da Saúde, porque pode ajudar a levar recursos, orientação, informação e, principalmente, mobilização aos municípios, Estados e à população. Mais do que um ato propriamente administrativo, é um ato que envolve sensibilizar gestores e sociedade.”

Questionada na coletiva desta terça, 27, sobre a possibilidade de decretar uma emergência sanitária de interesse nacional, Nísia foi evasiva. “Tudo que for necessário fazer para reduzir o impacto da dengue, para salvar vidas, nesse momento, é o que vamos fazer”, disse.

“Se vamos chegar a uma situação, pelo nível da assistência, de falta de leitos, estamos trabalhando para que não haja esse quadro”, falou. “Estamos trabalhando de forma muito cuidadosa para informar adequadamente a população, mas sem dizer ‘olha, vamos chegar a uma emergência”.

A ministra, então, cita outras três emergências vividas no País. “A emergência de zika, que tinha uma questão muito concreta, o forte risco da síndrome congênita. Absolutamente um fato novo, não tinha sido descrito em lugar nenhum e não se sabia onde ia parar. Outra emergência, essa de importância internacional, foi a covid-19, com alta transmissão e o colapso na rede de saúde. Outra, causada por desassistência, é a crise yanomami.”

“Temos que ter cuidado. São situações muito diferentes. Fazer a coisa certa na hora certa”, finalizou.

Entre essas falas, ela chega a dizer que “não existem indicadores universais para isso”. Não ficou claro se ela se referia à possível falta de leitos ou à declaração de emergência

Entretanto, de acordo com o decreto nº 7.616/2011, que dispõe sobre a declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin), considera-se surto ou epidemia – e cabe decreto de Espin, situações epidemiológicas que: apresentem risco de disseminação nacional, sejam produzidos por agentes infecciosos inesperados, representem a reintrodução de doença erradicada, apresentem gravidade elevada ou extrapolem a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS).

O atual cenário de dengue, de acordo com especialistas ouvidos pelo Estadão, se enquanto na primeira possibilidade, ou seja, “tem risco de disseminação nacional”.

Ação
O Ministério da Saúde intermedia conversas entre a Fiocruz e a Takeda para transferência de tecnologia da vacina, que permitiria aumentar a produção do imunizante. Além disso, investe em tecnologias inovadoras, como o método Wolbachia.

Nesse método, mosquitos ou ovos são alterados em laboratório para carregar a bactéria Wolbachia, que bloqueia a transmissão de arboviroses. Os insetos são liberados no ambiente para competir com os selvagens, substituindo-os. A técnica tem colhido resultados surpreendentes pelo mundo, com reduções de até 90% da incidência da dengue em algumas localidades. No ano passado, a pasta investiu R$ 30 milhões na estratégia.

A pasta também anunciou a ampliação os recursos reservados para apoiar Estados, municípios e o Distrito Federal no enfrentamento de emergências, que incluem a dengue, para R$ 1,5 bilhão. Em novembro passado, o ministério já havia prometido R$ 256 milhões

De acordo com Ethel, foi publicado nesta terça, a primeira portaria que destina esses recursos adicionais. Foram contemplados o DF e nove municípios de GO, MG, RJ e SP. *Por Agência O Globo.

Pernambuco registra quase 150 casos de dengue em 2024; saiba como se prevenir

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Os principais grupos de risco das arboviroses são crianças, gestantes e idosos (Foto: Pixabay)
Os principais grupos de risco das arboviroses são crianças, gestantes e idosos (Foto: Pixabay)

O balanço de casos de arboviroses no estado é feito pela Secretaria de Saúde

Pernambuco tem registrado um aumento nos casos de arboviroses, doenças causadas por vírus transmitidos por mosquitos. Entre os dias 31 de dezembro de 2023 e 10 de fevereiro de 2024, pelo menos 146 pessoas foram diagnosticadas com dengue e, destes casos, quatro são considerados graves. As informações foram repassadas pela Secretaria de Saúde do Estado (SES).

De acordo com a pasta, Pernambuco tem 1.208 casos prováveis de dengue entre estes dias, o que representa um aumento de 113,4% se comparado com o mesmo período do ano anterior. O levantamento da secretaria mostra que o público mais vulnerável às infecções do vírus no estado são mulheres com idades entre 20 e 29 anos. Os municípios da Região Metropolitana registraram baixa incidência dos casos.

Além disso, há 28 casos confirmados de chikungunya neste mesmo período e 354 casos prováveis, mostrando que houve um aumento de 23,8% se comparado com a mesma época do ano anterior. Mulheres com idades entre 20 e 29 anos e homens com mais de 80 anos são os mais infectados.

Já o zikavírus não infectou nenhum morador entre os dias 31 de dezembro e 10 de fevereiro. Apesar disso, a Secretaria de Saúde pontuou que há 19 casos prováveis de infecção, sendo três em gestantes.

A pasta ainda ressalta que 13,6 % das residências do estado possuem alto risco de transmissão de arboviroses por não cumprirem regras básicas de prevenção. Entre os métodos para precaução estão colocar lixos em sacolas plásticas bem fechadas, tampar reservatórios de água, desentupir calhas d’água, virar garrafas vazias e não deixar acumular água em pneus velhos.

Os principais grupos de risco das arboviroses são crianças, gestantes e idosos. Nas crianças, os sintomas podem ser febre, sonolência, vômitos, diarreia e fraqueza. Nas gestantes, os riscos da infecção estão relacionados ao aumento do sangramento de origem obstétrica. Os idosos, por sua vez, são mais propensos a desenvolverem as formas graves da doença por não terem o sistema imunológico tão forte e por se desidratarem com mais facilidade *Por Diário de Pernambuco.

Dengue: Brasil registra meio milhão de casos prováveis e 75 mortes

SAÚDE

Aedes aegypti: mosquito transmissor da dengue
Aedes aegypti: mosquito transmissor da dengue (Joao Paulo Burini/Getty Images)

O Brasil registrou 512.353 casos prováveis de dengue em 2024 até esta segunda-feira (12), segundo o painel de monitoramento do Ministério da Saúde. Em relação às mortes, 75 óbitos foram confirmados e 340 estão em investigação.

A população feminina representa 54,9% dos casos, enquanto pessoas do sexo masculino somam 45,1%. Os casos estão concentrados entre os adultos de 30 a 59 anos (264.720), o que representa 51,6% do total.

Minas Gerais é a unidade federativa com maior número absoluto de casos prováveis (171.769), seguida de São Paulo (83.651), Distrito Federal (64.403), Paraná (55.532) e Rio de Janeiro (39.315).

4,2 milhões de casos

O Ministério da Saúde prevê que o número de casos de dengue pode chegar a 4,2 milhões em 2024. A estimativa foi divulgada na última sexta-feira, 9, durante o início da campanha de vacinação de jovens contra a infecção no Distrito Federal. O cronograma vai se iniciar com a população de 10 e 11 anos e se estende até a faixa etária dos 14 anos na primeira etapa.

“A estimativa do Ministério da Saúde é de que a gente chegue a 4,2 milhões de casos. Nunca chegamos a esse número, por isso a preocupação com a pressão que pode acontecer nos centros de saúde”, disse Ethel Maciel, secretária da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Fonte: Veja.

Carnaval pode provocar aumento dos casos de dengue, diz infectologista

ARBOVIROSES

Bloco de pré-Carnaval em São Paulo
Bloco Pre-Carnaval – Foto/Reprodução

Segundo especialista, fluxo de pessoas para áreas urbanas, com maior quantidade de focos do mosquito Aedes aegypti, é um dos motivos

Os desfiles e festas de Carnaval poderão colaborar para o aumento no número de casos de dengue em todo o Brasil. O alerta é da infectologista Juliana Oliveira da Silva,  e coordenadora do Centro de Vacinação do Hcor.

Até esta sexta-feira (09), o Brasil registrava 408.351 casos prováveis da doença, com 62 mortes e 279 óbitos em investigação, segundo o Ministério da Saúde.

A médica explica que o possível aumento tem relação com as aglomerações decorrentes das festas, mas o motivo é diferente do que ocorre com a Covid-19 e outras doenças cuja transmissão se dá por meio do contato direto com uma pessoa infectada. No caso da dengue, não há transmissão de um indivíduo para outro.

“A aglomeração das festas de Carnaval, por si só, não seria a causa para o aumento dos casos de dengue. Porém, nas festas de Carnaval há uma grande migração, um grande acúmulo de pessoas que saem de diversas regiões e vão para capitais. E a dengue é uma doença muito urbana. Então, a gente acaba tendo um grande número de pessoas aglomeradas nessas festas de Carnaval e em locais próximos de criadouros do mosquito”, explica Juliana.

A infectologista explica que as áreas urbanas que estão entre os destinos preferidos dos foliões concentram focos do mosquito de água parada, que são os criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Por esse motivo, a transmissão da doença tende a ser mais rápida, ainda mais pelo fato de o país estar em época de chuvas.

Roupas curtas

A infectologista destaca que outro fator de risco são as roupas curtas que geralmente são utilizadas pelos foliões. “As pessoas ficam expostas por um período grande sem proteção de partes do corpo”, diz. Com uma área de exposição maior, há, portanto, mais partes do corpo que podem ser picadas pelo mosquito.

Para quem vai se jogar na festa com roupas curtas, a infectologista orienta que seja feito uso de repelentes.

“A recomendação que a gente dá é abusar do repelente. Principalmente aqueles que têm um poder de ação por um período mais prolongado”, sugere. “Mas é preciso entender que não basta espirrar o repelente em algumas partes do corpo. Tem que passar no corpo todo”, diz. *Da CNN.

Número de testes positivos de dengue salta de 0,7% para 13% em nove semanas, aponta relatório

ARBOVIROSES

Número de testes positivos de dengue salta de 0,7% para 13% em nove semanas, aponta relatório –  Foto: Guilherme Almeida

Instituto Todos pela Saúde destaca, porém, que se trata de uma amostragem baixa em relação à população brasileira

Um levantamento sobre arboviroses (doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por mosquitos) com foco em dengue, feito pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS), mostra que a taxa de infectados por dengue no Brasil saltou de 0,7% para 13% em menos de dois meses. A análise leva em conta o período entre 19 a 25 de novembro de 2023 e 14 a 20 de janeiro de 2024.

Trata-se de um porcentual maior que o registrado no mesmo período de 2022 (8%) e 2023 (6%). A escalada, contudo, tende a continuar. Segundo o ITpS, historicamente o pico da doença acontece entre os meses de abril e maio – o que deve se repetir neste ano.

A pesquisa é baseada em mais de 50 mil testes de dengue realizados pelos laboratórios do Hospital Albert Einstein, Hillab, HLAGyn e Sabin, entre janeiro de 2022 e 2024.

O Instituto destaca, porém, que se trata de uma amostragem baixa em relação à população brasileira, e a maioria dos diagnósticos foi feita nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Além disso, existe a possibilidade de falsos positivos – o que pode reduzir a precisão dos diagnósticos.

Apesar disso, o aumento registrado pela pesquisa pode ser considerado alarmante, segundo a infectologista Eliana Bicudo, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “Os dados corroboram para o fato de que estamos vivendo uma emergência sanitária”, pontua. Só neste ano, segundo o Ministério da Saúde, foram registrados mais de 364 mil casos prováveis de dengue e 40 óbitos. *Por Estadão Conteúdo.

Casos de dengue mais que duplicam em Pernambuco, e governo vai orientar municípios a acionar plano de contingência

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No Sertão, especialmente em Petrolina e Ouricuri, é onde há maior escape da linha de controle - ou seja, casos de dengue aumentam além do limite máximo
No Sertão, especialmente em Petrolina e Ouricuri, é onde há maior escape da linha de controle – ou seja, casos de dengue aumentam além do limite máximo – Marcos Santos/Jornal da USP

Pernambuco está por duas semanas acima do limite máximo de notificações de dengue

O número de casos prováveis por dengue em Pernambuco, em janeiro de 2024, cresceu 57,5% em relação ao registrado no mesmo período em 2023. O dado, ainda parcial, está no boletim epidemiológico de arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), que abrange notificações até o último dia 27 de janeiro.

Segundo o balanço, o Estado totaliza 512 casos prováveis de dengue (confirmações + registros em investigações), com taxa de incidência de 5,7 casos prováveis a cada 100 mil habitantes. Do total, 55 registros já tiveram confirmação de infecção pelo vírus da dengue.

“Pernambuco está por duas semanas acima do limite máximo de notificações. Estamos entrando numa terceira semana já no limite. E até o fim dela, certamente o total ultrapassará mais uma vez. A tendência, então, é de aumento de casos de dengue no Estado”, avalia o diretor-geral de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador da SES-PE, Eduardo Bezerra.

Ele informa que a secretaria está em processo de finalização de uma nota técnica com orientações para os municípios pernambucanos. “Eles poderão tomar decisões (para conter o avanço dos casos de dengue) com base no que está no Plano Estadual de Contingência das Arboviroses 2024”.

O plano foi lançado, ainda em novembro de 2023, com trabalhos que podem ser desencadeados e/ou intensificados para o enfrentamento das arboviroses nos municípios pernambucanos, a partir da análise do perfil epidemiológico no Estado e a organização da rede de atenção à saúde para atendimento desses casos.

“É documento norteador para que os municípios desenvolvam seus planos de forma localizada”, destaca Eduardo Bezerra.

“No Sertão, especialmente nas regionais de Petrolina e Ouricuri, é onde temos visto um maior escape da linha de controle (casos aumentam além do limite máximo). Na Região Metropolitana do Recife, ainda não há esse panorama, mas o trajeto tende a ser de crescimento”.

Até o momento, no Estado, não houve notificação ou confirmação de óbito por arboviroses.

O cenário epidemiológico de Pernambuco parece caminhar para o que tem ocorrido no Distrito Federal, em Minas Gerais e em São Paulo. São localidades onde os casos têm avançado de forma acelerada. O volume de adoecimentos chegou a levar Minas Gerais e o Distrito Federal a decretarem situação de emergência em saúde pública em razão do cenário epidemiológico de arboviroses.

Em todo o País, os casos prováveis chegam a 217.481, com 15 mortes confirmadas e mais 149 em investigação. *Por JC.

Vacina do Butantan contra dengue tem 79% de eficácia, diz estudo

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A eficácia de 79,6% é similar à da vacina Qdenga (80,2%), que será oferecida no SUS a partir de fevereiro
A eficácia de 79,6% é similar à da vacina Qdenga (80,2%), que será oferecida no SUS a partir de fevereiro – Foto/Erasmo Salomão/Acervo/MS

Imunizante teve sua eficácia confirmada em artigo publicado nesta quarta-feira, 31, na revista científica New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiosas do mundo

A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan teve sua eficácia confirmada em artigo publicado nesta quarta-feira, 31, na revista científica New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiosas do mundo. Na publicação, os pesquisadores descrevem que o imunizante teve 79,6% de eficácia em prevenir a doença, resultado que já havia sido divulgado pelo Butantan em dezembro de 2022, mas que, agora, ganha maior relevância por ser referendado pela comunidade científica internacional.

Isso porque, para que saia numa revista científica de alto impacto, um estudo precisa ser revisado por outros pesquisadores para garantir que os dados são robustos e confiáveis. “Ter um artigo publicado no New England é um atestado de que o que a gente fez tem relevância e seguiu um rigor na análise dos dados”, diz o infectologista Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan e investigador principal do estudo.

Chegam ao Brasil as primeiras 750 mil doses de vacina contra dengue

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Vacina Qdenga, imunizante contra a dengue
Vacina Qdenga, imunizante contra a dengue – Foto: Divulgação/Takeda

Crianças e adolescentes de 10 a 14 anos terão prioridade; vacinação começa em fevereiro, segundo o Ministério da Saúde, Expectativa é de que cerca de 3,2 milhões de pessoas sejam vacinadas em 2024, já que o imunizante precisa de duas doses, com intervalo mínimo de três meses

Brasil recebeu, no sábado (20), o primeiro lote de vacinas contra a dengue que será disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No total, 750 mil vacinas foram fornecidas pela farmacêutica Takeda sem cobrança ao Ministério da Saúde. Uma segunda remessa, com 570 mil doses, deve ser entregue em fevereiro. No total, o governo brasileiro adquiriu o quantitativo total disponibilizado pelo fabricante para 2024 — 5,2 milhões de doses. O volume total de doses será entregue até novembro.

A expectativa é de que cerca de 3,2 milhões de pessoas sejam vacinadas em 2024, já que o imunizante precisa de duas soses, com intervalo mínimo de três meses entre elas. De acordo com o Ministério da Saúde, as vacinas serão destinadas a regiões com municípios de grande porte com alta transmissão nos últimos dez anos e população residente igual ou maior a 100 mil habitantes.

O público-alvo, em 2024, serão crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra o maior número de hospitalização por dengue. Na sequência, os idosos devem ser vacinados — para este grupo, a Anvisa ainda não liberou a vacina.

Em 2023, segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, os municípios do Sudeste, Sul e Centro-Oeste foram os mais afetados. O número de casos no último ano passou de 1,6 milhão, um aumento de 15,8% em relação a 2022, que registrou 1,3 milhão. Espírito Santo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Goiás foram os lugares com maior incidência da doença.

Entre os municípios com mais casos em 2023, seis se destacam e vão passar receber do ministério mosquitos que não transmitem a dengue para tentar conter a doença — estratégia conhecida como método Wolbachia. São eles: Natal (RN, Uberlândia (MG), Presidente Prudente (SP), Londrina (PR), Foz do Iguaçu (PR) e Joinville (SC). Outras seis cidades já fazem parte do projeto e permanecerão: Campo Grande (MS), Petrolina (PE), Belo Horizonte (MG), Niterói (RJ) e Rio de Janeiro (RJ).

*Por Agência O Globo

Em risco de surto, Pernambuco lança ações contra dengue, zika e chicungunha

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Diretor da Secretaria Estadual de Saúde diz que, com passagem do El Niño, período de estiagem vai se intensificar, o que vai fazer a população acumular maior quantidade de água

Foto da matéria: Em risco de surto de arboviroses, Pernambuco antecipa lançamento de ações de 2024 para controle de dengue, zika e chicungunha
Em risco de surto de arboviroses, Pernambuco antecipa lançamento de ações de 2024 para controle de dengue, zika e chicungunha – Foto/Cinthya Leite

Com o ressurgimento recente do sorotipo 3 do vírus da dengue no Brasil, após mais de 15 anos sem causar epidemias no País, Pernambuco já aciona equipes de vigilância para detecção precoce da circulação viral e o monitoramento dos sorotipos circulantes de dengue e de outras arboviroses.

Nesta terça-feira (21), a Secretaria de Saúde de Pernambuco (SES-PE) lança uma estratégia para guiar as ações estaduais para controlar as arboviroses: o Plano Estadual de Contingência das Arboviroses 2024. O documento detalha o cenário epidemiológico de dengue, zika e chicungunha, além de apresentar atividades que devem ser desencadeadas ou intensificadas para o enfrentamento dessas doenças em caso de epidemia.

NÚMEROS DAS ARBOVIROSES EM PERNAMBUCO

Neste ano, em Pernambuco, até 11 de novembro (semana epidemiológica de número 45), foram registrados 8.677 casos prováveis de dengue e 2.708 de chicungunha, o que representa queda de 41% e 83%, respectivamente, em comparação com o mesmo período de 2022.

Desse total de casos prováveis, foram confirmados 2.876 de dengue e 773 de chicungunha. Até o momento, não foram confirmados casos de zika no Estado.

Plano Estadual de Contingência das Arboviroses 2024 será apresentado, na manhã desta terça-feira (21), na sede da SES-PE, no bairro do Bongi, Zona Oeste do Recife.

ÀS VÉSPERAS DO VERÃO: O RISCO DE ALTA DE ARBOVIROSES

O Estado tem um clima bastante favorável à proliferação do vetor, o Aedes aegypti. As chuvas constantes e temperaturas elevadas tornam-se os fatores perfeitos para reprodução do mosquito. Essa combinação se intensifica no verão, que começa oficialmente no dia 22 de dezembro.

A principal forma de prevenção contra os arbovírus (dengue, zika e chicungunha) é não deixar o Aedes aegypti nascer. Para isso, é preciso a adoção de medidas para evitar a proliferação do mosquito. Entre eles, manter bem vedados caixa d’água, baldes e demais recipientes para armazenamento de água.

“Esses cuidados precisam ser reforçados com mensagens para a população. O próximo ano (2024) será muito preocupante. Com a passagem do El Niño (fenômeno sazonal responsável por promover um aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico equatorial), o período de estiagem vai se intensificar, o que vai fazer a população acumular maior quantidade de água”, salienta o diretor-geral de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador da SES-PE, Eduardo Bezerra.

Dessa maneira, para avançar com as ações de combate ao Aedes Aegypti, os municípios precisam fazer vigilância, visita a imóveis para rastreamento de focos do mosquito e mutirões para identificar possíveis criadouros em outros pontos estratégicos, como borracharias.

“Prezamos por antecipação das orientações aos municípios. Por isso, o plano de contingência já está sendo lançado, para que os gestores tenham tempo oportuno para trabalhar na prevenção das arboviroses. Ainda não temos a detecção do sorotipo 3 do vírus da dengue em Pernambuco, mas isso é questão de tempo. Estamos, então, em preparação para combater possíveis surtos”, destaca Eduardo.

O gestor diz que, por ora, os municípios não receberão recursos extras para enfrentamento à dengue, chicungunha e zika. “Mas se houver epidemia, será avaliada a necessidade de repasse financeiro.”

Diferentemente do Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil, o Nordeste não tem registrado aumento significativo nas notificações de casos de dengue e demais arboviroses.

infectologista Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), comenta por que Pernambuco e demais Estados da região continuam a apresentar um cenário de calmaria em relação a arboviroses. Segundo Chebabo, a explicação pode estar no fato de boa parte da população da região ter ficado imunizada após o período de tríplice epidemia (dengue, chicungunha e zika) vivido nos anos de 2015 e 2016.

Por outro lado, o infectologista diz que o panorama de calmaria na região sinaliza um maior risco de ressurgimento de surtos decorrentes do sorotipo 3 do vírus da dengue.

A questão é que a circulação de um tipo de dengue, há tanto tempo ausente, preocupa os especialistas. Eis a razão: o risco de uma epidemia com o retorno do sorotipo 3 ocorre por causa da baixa imunidade da população, já que poucas pessoas foram infectadas por esse vírus desde as últimas epidemias registradas no começo dos anos 2000.

Vale explicar que o vírus da dengue possui quatro sorotipos. A infecção por um deles gera imunidade contra o mesmo sorotipo, mas é possível ser infectado novamente se houver contato com um sorotipo diferente.

Existe ainda o perigo da dengue grave, que ocorre com mais frequência em pessoas que já tiveram a doença e são infectadas novamente, por outro sorotipo.

O que os brasileiros sabem sobre dengue?

Uma pesquisa encomendada a Ipsos, pela Takeda, e coordenada pela SBI trouxe o conhecimento dos brasileiros sobre os tipos de dengue.

Quando perguntados sobre quantas vezes uma pessoa pode ter a doença, 69% dos entrevistados não souberam responder, 12% disseram por um número ilimitado de vezes, 18% entre uma e três vezes e apenas 2% acertaram a resposta: 4 vezes.

“Há uma falsa ideia de imunização após infecção por dengue. Ou seja, a pessoa que já pegou acredita estar imune à doença. Precisamos alertar que existem quatro tipos de dengue e, portanto, cada pessoa pode ser infectada até quatro vezes”, reforça o infectologista Alberto Chebabo.

Ele ainda sublinhou que a dengue está presente na vida dos brasileiros de alguma forma, seja porque já tiveram a doença, conhecem alguém que teve ou porque estão preocupados com o risco de infecção. “No entanto, as medidas de controle do vetor são insuficientes, e os casos só estão aumentando”, analisou.

Segundo dados do Ministério da Saúde, existem mais de 1,6 milhão de casos registrados de dengue no Brasil e 1 mil mortes em 2023, superando os casos de 2022 (cerca de 1,4 milhão) e quase atingindo o mesmo patamar de óbitos (1.016).

“Precisamos também esclarecer mitos relacionados à infecção e reforçar que a dengue é uma doença democrática. Ela está presente em todo o Brasil, seja em localidades de clima quente ou frio, atingindo todas as classes sociais”, frisou a infectologista Rosana Richtmann.

A pesquisa foi realizada entre os dias 26 de junho a 31 de julho de 2023, com 2 mil pessoas, acima de 18 anos, de todas as classes sociais e regiões do País, por telefone. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Impacto da doença nas medidas de controle

Entre aquelas que tiveram a dengue, 70% afirmam que fizeram mudanças em casa após o diagnóstico:

  • cuidados com os recipientes com água parada (27%)
  • tampar reservatórios de água (12%)
  • remover água parada de vasos (11%)
  • maior limpeza no quintal de casa (10%)
  • deixam garrafas com a boca para baixo (8%)
  • colocam areia nos vasos de plantas (8%)

No entanto, 30% delas não realizaram qualquer tipo de medida preventiva.

Necessidade de maior conhecimento

O levantamento revelou ainda que mitos relacionados à infecção pelos vírus da dengue ainda persistem:

  • acreditam que a dengue ocorre exclusivamente no verão (43%)
  • pensam que a doença só atinge pessoas das classes sociais mais baixas (25%)
  • acham que só ocorre em regiões endêmicas (25%)
  • pensam que a dengue não está presente onde moram (21%)
  • que a doença não acontece nas cidades grandes (21%)

Em relação aos sintomas, 98% dos entrevistados disseram que buscariam cuidados especializados se desconfiassem da dengue, mas conhecem poucos sintomas associados à doença.

A maioria cita febre (81%), dor no corpo/ dores musculares (57%) e dor de cabeça (39%).

Além disso, 73% das pessoas têm conhecimento de que a picada do mosquito é a forma de infecção.

*Por JC/NE10