Governo alerta que essas notas de R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100 serão retiradas de circulação

ECONOMIA 

Foto/Reprodução

O dinheiro em espécie está cada vez mais perdendo espaço para outras formas de transações financeiras, principalmente com a facilidade de enviar Pix, sem ter a necessidade de sacar os valores e mantê-los na carteira de forma física. Por causa disso, é comum ver o Banco Central retirando algumas notas de circulação ao longo dos anos.

Desta vez, o BC está focado em tirar do mercado notas que estão danificadas, como partes rasgadas, cortadas, danificadas pelo fogo ou até mesmo por outros agentes, como insetos ou até mesmo químicos. Nesses casos, é possível solicitar a troca dessas notas, indo em agências bancárias que podem enviar as cédulas ao Banco Central. Lembrando que, se as notas estiverem em má condições, os estabelecimentos podem se recusar a aceitar.

O que pode ser considerado cédula danificada? 

Além dos exemplos citados acima, notas danificadas também são as que possuem manchas, estejam sujas, desfiguradas, gastas ou fragmentadas. Assim como, rabiscos, símbolos, desenhos ou quaisquer caracteres a elas estranhos ou com danificadas por ação de líquidos.

No Banco Central, as notas danificadas passam por um processo de análise para verificar sua autenticidade e determinar se ainda possuem valor. No caso de cédulas mutiladas, que estão partidas ao meio e se completam, elas ainda possuem valor de troca no banco. Por isso não é recomendado jogá-las fora. Cédulas danificadas, mas que ainda conservam mais da metade do seu tamanho original, geralmente mantêm o valor para depósito ou troca na rede bancária.

Por Gabriela Giordani/Diario do Comércio

Conta de energia subirá ao menos 3,5% em 2025, e bandeira tarifária adicional pode ser acionada, diz Aneel

ECONOMIA

Foto: Reprodução/Agência Brasil

IstoÉ Dinheiro

Agência prevê reajuste abaixo da inflação, apesar de alta no orçamento do setor elétrico

As tarifas de energia elétrica no Brasil devem aumentar em média 3,5% em 2025, abaixo da inflação projetada para o ano, mas cobranças adicionais por meio do sistema de bandeiras tarifárias ainda devem afetar a conta de luz, podendo atingir os consumidores já a partir de maio.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou nesta segunda-feira uma projeção de aumento de 3,5% das tarifas de energia neste ano, abaixo das estimativas de 5,6% para o índice de IPCA e 5,1% para o IGP-M.

Pelos cálculos da agência reguladora, a alta tarifária em 2025 reflete principalmente aumentos de 2% da chamada “parcela B”, que engloba os custos com a atividade de distribuição de energia, e de 1,6% dos encargos setoriais, principalmente a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que reúne os principais subsídios do setor elétrico.

Contribuindo para amenizar a alta, está uma queda de 2,7% de componentes financeiros da tarifa, puxada por exemplo pela devolução aos consumidores de valores cobrados a mais na conta de energia antes da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins.

No entanto, cobranças extras na conta de luz devem começar a ser vistas em maio, provavelmente com acionamento da bandeira amarela conforme projeções de analistas, em função do cenário mais desfavorável para geração de energia elétrica no país.

Além da entrada no período seco, que afeta a energia hidrelétrica, ainda principal fonte da matriz brasileira, os custos de geração têm sido afetados por um modelo de precificação mais avesso a risco. Isso faz com que o preço no mercado de curto prazo aumente, ainda que os reservatórios das hidrelétricas estejam próximos de 70%, em níveis considerados confortáveis no passado.

Cenários da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam maior probabilidade de bandeira amarela na conta de luz no próximo mês, adicionando à conta de luz R$1,88 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, depois de cinco meses com o acionamento da verde, sem cobrança extra.

A corretora Warren Rena também prevê bandeira amarela em maio, seguida por uma sequência de bandeiras vermelhas patamar 1 e vermelha 2 entre junho e outubro. A previsão da instituição é de bandeira verde em dezembro, de modo que não haveria impacto para o IPCA do ano, estimado em 5,5%.

Atualmente, cobra-se a mais dos consumidores R$4,46/100 kWh na bandeira vermelha 1 e R$7,87/100kWh na vermelha 2.

Já a Ampere Consultoria, que fornece soluções para os setores de energia e agronegócio, projeta atualmente bandeira amarela em maio e bandeiras vermelhas até novembro, encerrando o ano com bandeira novamente amarela. As previsões da Ampere serão atualizadas nesta semana.

A cobrança extra na conta de luz via bandeiras foi criada para repassar de forma mais imediata aos consumidores os aumentos nos custos de geração de energia. O mecanismo também serve para conscientizar os consumidores sobre a situação de geração elétrica do país e eventual necessidade de economia de energia.

Além do preço spot de energia, chamado de PLD, outros fatores entram no cálculo das bandeiras tarifárias, como o risco hidrológico (GSF, na sigla em inglês), que expõe os geradores hidrelétricos ao mercado de energia de curto prazo.

Em 2024, a bandeira tarifária foi verde aos consumidores até julho, quando foi acionada a amarela. A cobrança adicional voltou em setembro e se seguiu até novembro, com o ano encerrando com a bandeira verde em dezembro.

Lula deve sancionar Lei Orçamentária nesta semana; reajuste de servidores será pago em maio

SERVIDOR PÚBLICO

s pagamentos estarão nas folhas de abril, com depósitos no mês seguinte Evaristo Sá/AFP

Com a sanção da LOA, salários dos servidores federais terão reajuste retroativo a janeiro e fevereiro 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve sancionar a Lei Orçamentária Anual (LOA) nesta semana. A afirmação foi dada pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Segundo ela, Lula fará a sanção da peça orçamentária de 2025 “no máximo, até sexta-feira”. Com a sanção do Orçamento, o governo federal pagará os salários de seus servidores em maio. Os pagamentos estarão nas folhas de abril, com depósitos no mês seguinte.

O reajuste dependia da aprovação da Lei Orçamentária Anual no Congresso Nacional, o que ocorreu na semana passada. Agora, aguarda apenas a sanção presidencial para entrar em vigor.

O reajuste dos servidores será pago de forma retroativa a janeiro. Ocupantes de funções e de cargos comissionados também foram contemplados pela medida, mas são válidos a partir de 1º de fevereiro, e não de 1º de janeiro.

Por Gustavo Silva — Rio de Janeiro

Banco Central divulga data para lançamento do Pix Parcelado; Confira

ECONOMIA

O Pix é um sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central para transferências rápidas em outubro de 2020
O Pix é um sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central para transferências rápidas em outubro de 2020 – Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Por Túlio Feitosa/Agência Brasil

Um dia após o anúncio de inovações no Pix pelo presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, o BC divulgou o cronograma de lançamento de três novas funcionalidades do sistema de transferências instantâneas.

Confira as datas previstas:

Um dia após o anúncio de inovações no Pix pelo presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, o BC divulgou o cronograma de lançamento de três novas funcionalidades do sistema de transferências instantâneas.

Confira as datas previstas:

  • Pix Parcelado: Setembro deste ano
  • Pix em Garantia: 2026
  • Autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED): 1º de outubro

Pix Parcelado

A nova modalidade Pix Parcelado permitirá que o usuário parcele suas compras, funcionando de forma similar ao parcelamento com juros do cartão de crédito. O recebedor terá acesso imediato ao valor total, enquanto o pagador poderá quitar o valor de forma parcelada, com juros.

Segundo o BC, essa ferramenta tem o potencial de impulsionar o uso do Pix no varejo, especialmente para a aquisição de bens e serviços de maior valor, beneficiando consumidores que não possuem acesso a outras formas de crédito.

Pix em Garantia

Com foco em auxiliar empreendedores, o Pix em Garantia permitirá que empresas utilizem seus recebíveis futuros de Pix como garantia em operações de crédito.

A expectativa é que essa modalidade reduza as taxas de juros para linhas de crédito de pessoas jurídicas, principalmente para aquelas que utilizam o Pix com frequência.

Ao oferecer recebíveis futuros como garantia, as instituições financeiras podem mitigar o risco de inadimplência, resultando em juros mais atrativos. O BC ressalta que o Pix em Garantia é exclusivo para estabelecimentos comerciais e empresas, não alterando a forma como pessoas físicas utilizam o Pix.

O lançamento está previsto para 2026, devido à complexidade da infraestrutura necessária.

Autoatendimento do MED

Exclusivo para casos de fraudes, golpes e crimes, o autoatendimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED) permitirá que usuários contestem transações Pix de forma direta e intuitiva por meio do aplicativo de seus bancos.

O processo será 100% digital, eliminando a necessidade de contato com o atendimento da instituição financeira.

O Mecanismo Especial de Devolução, existente desde 2021, é acionado em casos comprovados de fraude ou erros operacionais da instituição financeira. Não se aplica a desacordos comerciais, situações entre terceiros de boa-fé ou envios de Pix para a pessoa errada por erro do usuário.

Com o autoatendimento do MED, o usuário poderá acompanhar o status de seus pedidos de devolução. O BC espera que a modernização acelere os processos, aumentando as chances de bloquear os recursos na conta do fraudador e devolvê-los à vítima.

Diferenciação de Comprovantes: Medida para Combater Golpes

Desde 1º de junho, os comprovantes de agendamento de Pix devem exibir o termo “Agendamento Pix” e um ícone de relógio com calendário. Já os comprovantes de pagamentos concluídos devem apresentar um ícone de check (sinal de concluído). A medida é obrigatória para todos os bancos.

O objetivo é dificultar o golpe do falso comprovante, no qual o fraudador apresenta um comprovante de Pix agendado, mas cancela o agendamento antes da conclusão da transação. A diferenciação visual facilita a identificação de transações pendentes, protegendo vendedores contra fraudes.

Governo antecipa 13º salário de aposentados do INSS para abril e maio

ECONOMIA 

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Decreto foi assinado pelo presidente Lula 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto de antecipação do 13º de aposentados e pensionista do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como feito em outros anos. A primeira parcela será paga em abril e a segunda, em maio.

Lula ainda firmou o decreto que regulamenta as mudanças no Fundo Social, que destina R$ 18 bilhões para o programa Minha Casa, Minha Vida.

O presidente também voltou a prometer a ampliação do Minha Casa, Minha Vida para a classe média e anunciou a implementação da TV 3.0, sistema integrado de televisão aberta e internet.

Lula participou do evento intitulado O Brasil dando a volta por cima, que, segundo ele, foi “um breve balanço daquilo que fomos capazes de realizar em apenas dois anos”. A solenidade ocorreu no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, com a presença de ministros, parlamentares e representantes de movimentos sociais.

Balanço

“Ao longo de 2023 e 2024, o governo federal se dedicou à reconstrução de políticas que, além de recuperar a economia, alcançaram resultados importantes na redução da fome e da pobreza, no acesso ao trabalho e em áreas como educação, saúde, infraestrutura e relações exteriores”, destacou a Presidência.

Entre os números apresentados estão:

Economia – O Brasil voltou para o ranking das dez economias do mundo. Nos últimos dois anos, o país cresceu duas vezes mais que a média registrada entre 2019 e 2022. O Produto Interno Bruto (PIB – soma dos bens e serviços produzidos) foi de 3,2% em 2023 e de 3,4% em 2024.

Empregabilidade – O Brasil registrou em 2024 a menor taxa de desemprego dos últimos 12 anos, de 6,6%, “situação de quase pleno emprego”, disse a Presidência. Em 2021, o indicador havia chegado a 14,9%, o maior da série histórica. Desde 2023, mais de 3,2 milhões de empregos formais foram gerados. O salário mínimo também foi reajustado acima da inflação.

Comércio internacional – Nos últimos dois anos, o presidente manteve reuniões com líderes de 67 países. Mais de 340 mercados foram abertos para produtos do agronegócio e a inserção comercial brasileira foi ampliada, em acordos com China, União Europeia e Oriente Médio. Em 2025, o país sedia a Cúpula do Brics, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) e assume a presidência do Mercosul.

Combate à fome – “O Brasil retomou múltiplas políticas para nutrição e combate à fome e tornou-se uma das nações que mais reduziram a insegurança alimentar no período”, diz. Relatório das Nações Unidas apontou que a insegurança alimentar severa caiu 85% no Brasil em 2023. Em números absolutos, 14,7 milhões deixaram de passar fome no país. A insegurança alimentar severa, que afligia 17,2 milhões de brasileiros em 2022, caiu para 2,5 milhões. Nesse sentido, o programa Bolsa Família protege mais de 20 milhões de famílias todo mês, com repasse mínimo de R$ 600.

Mais Médicos – Para ampliar o acesso ao atendimento em saúde, o Mais Médicos dobrou o número de vagas. São mais de 26 mil profissionais atuando, após o programa ter sido reduzido a 13 mil. Hoje, eles chegam a 5.5 mil municípios e cobrem uma região com 64 milhões de brasileiros.

Farmácia Popular – O Farmácia Popular, hoje, oferece 41 medicamentos de forma gratuita, incluindo fraldas geriátricas.

Cirurgias no SUS – Houve recorde de cirurgias eletivas no SUS, com mais de 14 milhões de procedimentos em 2024, alta de 37% em relação a 2022.

Ambulâncias – O Ministério da Saúde aumentou em cinco vezes a entrega de ambulâncias do Samu. Entre 2019 e 2022, 366 foram distribuídas. Nos últimos dois anos, o número subiu para 2.067.

Vacinação – “Após superar um período de negacionismo, o Brasil saiu da lista de países com mais crianças não vacinadas no mundo, segundo o Unicef”, diz o governo. A cobertura vacinal aumentou consideravelmente para 15 das 16 vacinas infantis.

Pé-de-meia – O programa Pé-de-Meia é um dos destaques no estímulo à educação. Criado para garantir a permanência de estudantes do ensino médio em sala, o incentivo financeiro já chega a 4 milhões de jovens. O programa transfere até R$ 9,2 mil por alunos durante os três anos do ensino médio.

Escola integral – “Mais tempo na escola, atividades esportivas, culturais e científicas, além de tranquilidade para os pais trabalharem”. É essa a perspectiva do governo para o ensino em tempo integral, que chegou a mais de 1 milhão de estudantes, o equivalente a 33 mil salas de aula.

Ensino superior – O governo federal anunciou 10 novos campi de universidades, 400 obras em universidades e hospitais universitários pelo Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e 102 novos institutos federais de educação. As bolsas de estudo da pós-graduação também foram reajustadas depois de 10 anos.

Nova indústria – Criado para fomentar o desenvolvimento produtivo, o programa Nova Indústria Brasil estimula o setor. A indústria cresceu 3,3% em 2024 e foi um dos destaques para puxar o PIB de 3,4% do Brasil. O setor sozinho gerou quase 200 mil empregos formais no ano.

Novo PAC — Desenvolvido pelo governo federal a partir de prioridades de estados e municípios, o Novo PAC envolve mais de 20 mil obras e ações. Os investimentos superam R$ 1,8 trilhão para acelerar o crescimento do Brasil.

Habitação – O Minha Casa, Minha Vida foi modernizado e ampliado, com a contratação de mais de 1,2 milhão de moradias em dois anos.

Agronegócio — O Brasil tem o maior volume de investimentos da história do agronegócio, superando R$ 765 bilhões de crédito para a produção agropecuária pelo Plano Safra.

Servidores – O Concurso Público Nacional Unificado atraiu mais de 2 milhões de candidatos para 6.640 vagas na administração pública. O formato inclusivo, com provas em todas as unidades da federação, será adotado novamente em 2025.

Imposto de renda – O governo federal isentou do Imposto de Renda (IR) 10 milhões de pessoas com renda de até dois salários mínimos. Além disso, já foi enviado ao Congresso o projeto que concede isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês e desconto progressivo até R$ 7 mil, o que deve tirar outros 10 milhões de brasileiros do IR a partir de 2026.

Turismo – O Brasil teve recorde de 6,7 milhões de turistas estrangeiros em 2024. O número é maior do que os registrados em 2014, ano de Copa do Mundo no país, e 2016, quando foram realizados os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

Queda no desmatamento – A Amazônia atingiu a menor taxa de desmatamento da década em 2024, com a maior redução em 10 anos: 46% de queda em relação a 2022. No Cerrado, a redução de 25,7% em 2024 foi a primeira em cinco anos.

Cultura – A Lei Paulo Gustavo e a Política Nacional Aldir Blanc garantiram R$ 6,86 bilhões em investimentos para o setor cultural. Na Lei Rouanet, houve a nacionalização dos investimentos, com novas linhas especiais alcançando territórios e comunidades que, historicamente, não eram beneficiados. Só em 2024, foram R$ 3 bilhões de recursos, mais de 14 mil projetos aprovados e mais de 5,6 mil empresas patrocinadoras.

Por Agência Brasil

INSS: 13º antecipado injetará R$ 73,3 bi na economia; veja calendário

ECONOMIA 

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Pagamento para quem ganha um salário mínimo começa no próximo dia 24

A antecipação do décimo terceiro para aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) injetará R$ 73,3 bilhões na economia, divulgou nesta quinta-feira (3) o Ministério da Previdência Social. O pagamento beneficiará 34,2 milhões de pessoas.

A primeira parcela será paga de 24 de abril a 8 de maio. A segunda parcela vai de 26 de maio a 6 de junho. As datas são definidas com base no dígito final do Número de Inscrição Social (NIS) e com base na renda do beneficiário. Quem ganha apenas o salário mínimo começa a receber antes de quem recebe mais que o mínimo.

O decreto com a antecipação do décimo terceiro do INSS foi assinado nesta quinta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante evento que apresentou o balanço do governo até agora. 

Este será o sexto ano seguido em que os segurados do INSS receberão o décimo terceiro antes das datas tradicionais, em agosto e em dezembro. Em 2020 e 2021, o pagamento ocorreu mais cedo por causa da pandemia de covid-19. Em 2022 e 2023, as parcelas foram pagas em maio e junho. No ano passado, o pagamento ocorreu em abril e maio, como neste ano.

O extrato com os valores e as datas de pagamento do décimo terceiro estarão em breve disponíveis no aplicativo Meu INSS, disponível para celulares e tablets. A consulta também pode ser feita pelo site do Instituto.

Quem não tiver acesso à internet pode consultar a liberação do décimo terceiro pelo telefone 135. Nesse caso, é necessário informar o número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e confirmar alguns dados ao atendente antes de fazer a consulta. O atendimento telefônico está disponível de segunda a sábado, das 7h às 22h.

Confira as datas de pagamento 

Quem recebe mais que o salário mínimo:

Final do NIS Primeira parcela Segunda parcela
1 e 6 2 de maio 2 de junho
2 e 7 5 de maio 3 de junho
3 e 8 6 de maio 4 de junho
4 e 9 7 de maio 5 de junho
5 e 0 8 de maio 6 de junho
Fonte: INSS

Perfil 

Conforme os dados mais recentes do INSS, de fevereiro, 28,68 milhões de pessoas, cerca de 70,5% do total dos segurados do INSS, ganham até um salário-mínimo por mês (R$ 1.518). Outros 11,98 milhões de beneficiários recebem acima do piso nacional. Desse total, 10,6 mil ganham o teto da Previdência Social, de R$ 8.157,41.

A maioria dos aposentados e pensionistas receberá 50% do décimo terceiro na primeira parcela. A exceção é para quem passou a receber o benefício depois de janeiro e terá o valor calculado proporcionalmente.

O Ministério da Previdência esclarece que os segurados que recebem benefício por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) também têm direito a uma parcela menor do décimo terceiro, calculada de acordo com a duração do benefício. Por lei, os segurados que recebem benefícios assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o Renda Mensal Vitalícia, não têm direito a décimo terceiro salário.

Por Agência Brasil

Tebet diz que preços de alimentos vão cair em até 60 dias, o que pode levar à queda dos juros

ECONOMIA 

Inflação e preço dos alimentos: na foto, consumidores em feira livre no bairro do KM18 em Osasco na Grande São Paulo, nesta quinta-feira (06)c — Foto: ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

No fim de março, porém, o BC avaliou que os preços da alimentação no domicílio devem seguir pressionados e, com isso, manter os juros elevados por mais tempo.

A ministra do Planejamento e do Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta quarta-feira (2) que os preços dos alimentos, que pressionaram a inflação nos últimos meses, começarão a recuar nos próximos 60 dias.

Durante cerimônia de homenagem aos 60 anos do Banco Central, em Brasília, ela acrescentou que isso pode levar à redução da taxa básica de juros no futuro.

“Nos próximos 60 dias teremos a redução no preço dos alimentos para, quem sabe, o BC começar a reduzir a taxa de juros antes do sinalizado”, declarou a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

Após cinco elevações, a taxa de juros está atualmente em 14,25% ao ano, em igual patamar ao registrado em 2015/2016, na gestão da presidente Dilma Rousseff. Tratam-se dos juros reais mais elevados do planeta.

A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter a inflação, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre.

  • O BC fixa os juros com base no sistema de meta, ou seja, nas projeções futuras para a inflação, que seguem acima do objetivo central de 3% até 2027.
  • A autoridade monetária tem explicado que busca frear a economia para reduzir o ímpeto inflacionário, pois avalia que, atualmente, o ritmo de crescimento está acima do patamar necessário para conter a inflação.
  • O Banco Central indicou que, por isso, a taxa básica de juros deve permanecer elevada por mais tempo. Para maio, há um novo aumento de juros programado, menor do que um ponto percentual.

Banco Central vê preços de alimentos pressionandos 

Na ata da última reunião do Copom, que subiu os juros, o Banco Central informou que os preços de alimentos “mantêm-se elevados e tendem a se propagar para outros preços no médio prazo em virtude da presença de importantes mecanismos inerciais da economia brasileira”.

No relatório de política monetária, divulgado no fim de março, a instituição avaliou que os preços ao consumidor devem seguir com variações mensais elevadas nos próximos meses e a inflação, acumulada em doze meses, deve permanecer ao redor de 5,5%, acima do intervalo de tolerância da meta – que é de 4,5%.

“Os preços da alimentação no domicílio devem seguir pressionados, mesmo com alguma moderação em alimentos industrializados em comparação aos últimos meses. Alimentos in natura, que tiveram variações relativamente baixas no período recente, devem apresentar evolução mais próxima ou acima da sazonalidade”, informou o Banco Central, em março.

No caso das proteínas, acrescentou a instituição, permanece o cenário de oferta restrita de boi gordo em 2025 e de demanda externa aquecida.

Por Alexandro Martello, Lais Carregosa, Thiago Resende, g1 e TV Globo — Brasília

Petrobras reduz preço do diesel em R$ 0,17 a partir desta terça 1º de abril

ECONOMIA

Bomba de combustível, em imagem de arquivo — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Reajuste representa recuo de 3% para refinarias

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (31) a redução de R$ 0,17 por litro no preço do óleo diesel A (utilizado na produção do óleo que chega aos consumidores). A diminuição de 4,6% passa a valer a partir de terça-feira (1º).

O anúncio foi feito pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante lançamento de um programa para aquisição de crédito de carbono, na sede da companhia, no Rio de Janeiro.

O novo valor do combustível vendido às refinarias será, em média, de R$ 3,55 por litro. De acordo com cálculos da empresa, considerando a mistura obrigatória de 86% de diesel A e 14% de biodiesel para composição do diesel B vendido nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará a ser de R$ 3,05/litro, uma redução de R$ 0,15 a cada litro de diesel B.

A última mudança no preço do diesel tinha sido em 1º de fevereiro, quando houve alta de R$ 0,22.

A Petrobras informou que, com o novo preço de abril, o diesel barateou R$ 0,94 por litro, representando recuo de 20,9% desde dezembro de 2022, quando houve a mudança de governo Bolsonaro para Lula. Considerando a inflação do período, a redução chega 29%, informou a estatal.

Magda Chambriard reforçou a defesa da política de preços da companhia, alterada em 2023. A atual política é considerada como “abrasileiramento” dos valores, pois leva em conta fatores como o custo da produção de petróleo no Brasil e a participação da Petrobras no mercado consumidor.

A intenção é não trazer para o consumidor brasileiro as flutuações bruscas dos preços internacionais e manter a estatal competitiva, para não perder mercado para concorrentes. “A gente olha preço a cada 15 dias”, afirmou a presidente.

“Se precisar subir, a gente sobe, se precisar descer, a gente desce. Neste momento, o que a gente está dizendo é: o abrasileiramento de preços de combustível no Brasil gerou uma economia relevante para a sociedade brasileira.”

Por Agência Brasil

Governo avalia pagar antecipação do 13º do aposentado entre abril e maio

ECONOMIA 

Governo avalia antecipação do 13º do INSS, diz secretário do Tesouro Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

Segundo Rogério Ceron. Decisão cabe ao presidente Lula, que está em viagem ao continente asiático 

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse nesta quinta-feira (27) que o governo avalia a antecipação do pagamento do 13°  salário para os beneficiários do INSS, mas sem decisão tomada em relação à janela que se daria essa antecipação. Os cenários avaliados são de antecipação com pagamentos em abril e maio ou em maio e junho.

“Está sendo uma discussão em qual dessas janelas se faz antecipação. Estamos calibrando, discutindo aqui internamente, deve sair nos próximos dias uma decisão sobre isso”, disse o secretário, durante a coletiva de imprensa para comentar o resultado do governo de fevereiro.

Ceron frisou que a tendência é de haver uma antecipação, e que as discussões se concentram em relação ao período de pagamento das parcelas, mas que ele tomava cuidado em comentar o tema porque essa decisão cabe ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

“É uma tendência de ocorrer, e a discussão é se ela ocorre aí em qual dessas duas janelas”, disse o secretário do Tesouro.

Do Estadão Conteúdo

Reajuste máximo no preço dos medicamentos em 2025 fica em 5%

ECONOMIA 

Teto de aumento dos remédios é definido pela Cmed até o fim de março Freepik

Resolução com autorização do aumento precisa ser publicada do Diário Oficial da União 

Os preços dos medicamentos em todo o país vão ser reajustados em até 5,06% a partir da próxima segunda-feira. Esse percentual funciona como um teto para as farmacêuticas e foi aprovado pela Câmara de Regulação de Medicamentos (Cmed). Ele corresponde à inflação medida pelo IPCA em 12 meses encerrados em fevereiro.

A resolução com a autorização do reajuste ainda precisa ser publicada no Diário Oficial da União. Está faltando apenas a assinatura do conselho de ministros.

Integrantes do governo lembram que nem todos os aumentos serão pelo teto e avaliam que a média dos reajustes será de 3,83%, a menor desde 2018. Este percentual considera três tipos de segmentos: mercado concentrado, intermediário e mais concorrencial.

Além disso, o aumento não é automático. Ou seja, não significa que todos os medicamentos estarão mais caros a partir da próxima segunda -feira.

O reajuste é aplicado sobre a maioria dos medicamentos vendidos no país, que têm preços regulados. Em alguns casos, os preços são liberados.

As farmácias podem repassar até 5,06% de reajuste de uma vez ou “parcelar” esse aumento ao longo do ano. Mas, até março do ano que vem (quando a Câmara de Regulação deve definir uma nova regra), farmácias e fabricantes não podem aplicar reajustes acima desse patamar.

O índice é definido pela Cmed com base na inflação dos últimos 12 meses (IPCA) e outros fatores, como a produtividade das indústrias de medicamentos, custos não captados pela inflação – como o câmbio e tarifa de energia elétrica – e a concorrência de mercado.

O objetivo da definição do reajuste é evitar que os medicamentos sofram aumentos muito superiores à inflação e fique distante do poder aquisitivo dos brasileiro, disse uma fonte a par das discussões.

No ano passado, o máximo definido para o reajuste dos medicamentos foi 4,5%, menor patamar desde 2020 e exatamente a inflação acumulada em 12 meses do IPCA, no período terminado em fevereiro de 2024.

Da Agência O Globo

Alckmin defende retirar inflação de alimentos do cálculo da Selic

ECONOMIA 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Para presidente em exercício, energia também deve ser desconsiderada

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, defendeu, nesta segunda-feira (24), que o Banco Central (BC) desconsidere a inflação de alimentos e energia ao definir a taxa básica de juros, a Selic. A declaração vem após o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC elevar a Selic para 14,25% ao ano para conter a inflação.

Alckmin mencionou o exemplo do banco central dos Estados Unidos, que retira esses dois índices do cálculo dos juros básicos da economia estadunidense. “Uma taxa de juros elevada, como a Selic, em 14,25% ao ano, ela atrapalha a economia, porque torna muito caro o custo de capital”, disse, em evento promovido pelo jornal Valor Econômico.

Para o presidente em exercício, os aumentos nos preços de alimentos e energia são impulsionados por fatores externos e de natureza pontual, como eventos climáticos adversos e tensões geopolíticas, como guerras. Segundo o também ministro, esses eventos impactam os preços de forma significativa, mas não possuem uma relação direta com a política monetária e, portanto, com a taxa de juros.

“Alimento é muito clima. Se eu tenho uma seca muito forte, uma alteração climática muito grande, vai subir o preço de alimento. E não adianta eu aumentar os juros que não vai fazer chover. Então eu só vou prejudicar a economia”, disse, lembrando que no caso da energia, os preços do barril do petróleo são definidos internacionalmente.

Embora o Banco Central tenha entre seus objetivos principais o controle da inflação, a visão do ministro sugere uma análise mais flexível e atenta aos choques de oferta que podem influenciar os índices de preços.

“Então, eles [banco central dos EUA] excluem do cálculo [alimentos e energia]. Eu acho que é uma medida inteligente, e a gente realmente [pode] aumentar os juros naquilo que pode ter mais efetividade na redução da inflação”, explicou Alckmin.

“A redução da inflação é essencial. A inflação não é neutra socialmente, ela não é neutra, ela atinge muito mais o assalariado, que tem reajuste, normalmente, uma vez por ano e vê todo mês, todo dia, o seu salário perder o poder aquisitivo. Então, entendo, sim, que é uma medida que deve ser estudada pelo Banco Central brasileiro”, argumentou o presidente em exercício.

Alckmin também alertou para o impacto do aumento da Selic nas contas públicas. Segundo cálculos apresentados por ele, cada elevação de 1 ponto percentual na taxa básica de juros onera a dívida pública em aproximadamente R$ 48 bilhões.

Juros básicos 

Puxada pela alta da energia elétrica, em fevereiro, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 1,31%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o maior resultado desde março de 2022, quando tinha marcado 1,62%, e o mais alto para um mês de fevereiro desde 2003 (1,57%). Em 12 meses, o IPCA soma 5,06%.

O índice está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para alcançar a meta de inflação. A alta do preço dos alimentos e da energia e as incertezas em torno da economia global fizeram o Copom aumentar mais uma vez os juros, em 1 ponto percentual, na reunião da semana passada, o quinto aumento seguido da Selic, em um ciclo de contração na política monetária.

Em comunicado, o Copom informou que a economia brasileira está aquecida, apesar de sinais de moderação no crescimento. Segundo o colegiado, a inflação cheia e os núcleos (medida que exclui preços mais voláteis, como alimentos e energia) continuam em alta. O órgão alertou que existe o risco de que a inflação de serviços continue alta e informou que continuará a monitorar a política econômica do governo.

Em relação às próximas reuniões, o Copom informou que elevará a Selic “em menor magnitude” na reunião de maio e não deixou pistas para o que acontecerá depois disso. Além de esperada pelo mercado financeiro, a elevação em 1 ponto havia sido anunciada pelo Banco Central na reunião de janeiro.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Por Agência Brasil

Preço do ovo dá primeiros sinais de queda, diz pesquisa

ECONOMIA

 (Foto: Luiz Agner/IBGE)
(Foto: Luiz Agner/IBGE)

Levantamento realizado em estados, em São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Espírito Santo, constatou variação, mas ainda pequena

As cotações dos ovos deram os primeiros sinais de recuo nos últimos dias. É isso o que constatou uma pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP, em Piracicaba. O levantamento foi realizado em quatro polos de produção: no interior de São Paulo, na região metropolitana da capital paulista, em Belo Horizonte (MG), Recife (PE) e Santa Maria de Jequitibá (ES).

A intensidade da baixa variou de acordo com cada região. A maior, contudo, ainda não foi muito expressiva, chegando a 0,26% no Recife. Nas demais localidades, ficou entre 0,01% e 0,07%. Foram, portanto, sinais ainda incipientes de redução.

Leia a reportagem completa no portal Metrópoles.

 

Inflação do ‘básico’ compromete cada vez mais o orçamento das famílias no Brasil, mostra estudo

ECONOMIA

Mercado — Foto: Divulgação/Prefeitura de Campos
Mercado — Foto: Divulgação

Pesquisa da Tendências Consultoria aponta que a renda disponível para o brasileiro depois dos gastos com itens essenciais diminuiu nos últimos anos

Quanto sobra na sua conta depois que você paga as contas básicas: aluguel, luz, água, comida, transporte…?

Um estudo realizado pela economista Isabela Tavares, da Tendências Consultoria, mostra que a renda disponível para o brasileiro depois de todos os gastos com itens essenciais diminuiu nos últimos anos.

O percentual foi de 42,45% em dezembro de 2023 para 41,87% no mesmo período do ano passado, na média de toda a população.

Dez anos antes, os brasileiros ainda podiam contar com 45,5% do seu orçamento depois dos gastos essenciais, o que demonstra que houve uma perda do poder de compra das famílias desde então.

Segundo o estudo, uma queda mais acentuada da renda disponível foi observada durante a pandemia de Covid-19 (40,39%), seguida de uma recuperação importante ao longo de 2022 e 2023. Em 2024, no entanto, os números voltaram a cair. (veja o gráfico abaixo)

Até o momento, em 2025, os dados apresentaram um leve avanço em relação aos meses anteriores, mas seguem em queda na comparação anual, o que ainda reflete um agravamento na situação financeira das famílias, explica Isabela Tavares.

Brasileiros têm cada vez menos renda disponível após pagar pelo básico

Gastos com itens essenciais comprometem mais da metade do orçamento das famílias

A inflação do básico

O ano de 2024 foi marcado pelo recorde de pessoas ocupadas no Brasil e com uma taxa de desemprego que atingiu os níveis mais baixos da história, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nesse cenário, o rendimento dos trabalhadores cresceu, mas não foi suficiente para alavancar o poder de compra das famílias, já que a inflação, principalmente dos alimentos, pressionou o orçamento.

O estudo de Tavares demonstrou esse cenário ao apontar que a inflação dos itens básicos subiu 5,8%, acima do índice geral (4,8%), o que afeta principalmente as famílias de baixa renda e contribui para uma percepção negativa dos brasileiros sobre a economia.

“Quando a gente olha o IPCA geral (inflação oficial do país), às vezes a gente não vê uma diferença, um peso absurdo. A gente já viu no Brasil uma inflação bem mais alta, por isso a gente decidiu pegar uma cesta de consumo básico, com as maiores despesas das famílias, para ver o quanto ela está pesando no orçamento”, explica a economista.

Assim, a pesquisa levou em conta o peso que cada produto ou serviço costuma ter no orçamento das pessoas, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, e a inflação deles mês a mês.

Para a população das classes D e E, o estudo mostrou que o gasto com itens essenciais comprometeu quase 80% da renda no fim do ano passado.

“As classes mais baixas gastam mais com itens essenciais porque a despesa delas está voltada para isso. Elas gastam menos com consumo de bens como vestuário, eletrodomésticos, serviços, viagens e até com investimentos”, explica Isabela.

“Apesar de um mercado de trabalho bom, crédito bom, a parte de preço impacta muito o consumo. É um dos fatores que mais impacta, então se você tem uma pressão nesses itens que são básicos, o que sobra para consumir além disso fica menor.”

Medidas para frear os preços

A ferramenta mais reconhecida para controlar a inflação é aumentar a taxa de juros do país. É o que tem feito o Banco Central em suas últimas reuniões, como forma de desestimular o consumo.

Nesta quarta-feira (19), o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 13,25% para 14,25%, o maior patamar desde a crise do governo Dilma.

A lógica é a seguinte: com os juros mais caros, os consumidores precisam reduzir empréstimos e compras a prazo. Ao diminuir o consumo, a demanda por produtos cai, o que ajuda a frear a inflação.
Outra medida anunciada pelo governo federal para tentar baratear os alimentos foi a de suspender o imposto de importação de alguns produtos. A ideia é que, sem a tarifa, os alimentos importados cheguem mais baratos ao país e pressionem os produtores locais a reduzirem seus preços, como uma forma de manter seus clientes.

Para o economista André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV IBRE, é importante que o governo tenha um discurso mais assertivo sobre os gastos públicos neste momento, para aumentar a confiança dos investidores em colocar recursos no Brasil e reduzir a cotação do dólar.

“Sempre que o governo gasta, é como se ele estivesse aquecendo a economia, o que gera a inflação. Fazendo isso, ele está jogando contra o lado monetário, o Banco Central, que está tentando conter a inflação”, afirma.

Por Júlia Nunes, g1

Presidente do BNB reafirma foco nos pequenos empreendedores, na Febraban

ECONOMIA

BNB
Adauto Duarte, Ana Teresa Barbosa e Paulo Câmara/Foto: Felipe Martins

Por Movimento Econômico

Orçamento destinado a esse público cresceu 18% em relação ao de 2024

O presidente do Banco do Nordeste (BNB), Paulo Câmara, reafirmou nesta quinta-feira (20), durante sua participação em reunião na Febraban, em São Paulo, o foco da instituição nos mini, micro, pequenos e pequenos-médios empreendedores. Para esse público, considerado prioritário, serão destinados R$ 29,32 bilhões em 2025, o que representa 62% do total de R$ 47,3 bilhões do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

O valor reservado para esses segmentos em 2025 é 18% superior ao orçamento do ano anterior. “O Banco do Nordeste tem um papel estratégico no desenvolvimento regional e, para isso, precisa estar ao lado dos empreendedores que fazem a economia girar. Nosso compromisso é ampliar o acesso ao crédito e fortalecer os negócios que mais geram ocupação e renda em nossa área de atuação, uma diretriz do presidente Lula”, destacou Paulo Câmara.

Ao longo de 2024, o Banco do Nordeste reforçou essa prioridade, ampliando em 44% o volume de financiamentos aos pequenos empreendedores. No programa de microcrédito urbano Crediamigo, foram contratados R$ 12,1 bilhões, um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Já no Agroamigo, voltado para microcrédito rural, o crescimento foi ainda mais significativo: 125%, com R$ 8,6 bilhões contratados. As micro e pequenas empresas (MPEs) também registraram um avanço de 29%, totalizando R$ 6,1 bilhões em crédito.

Outro destaque foi o programa Acredita no Primeiro Passo, do Governo Federal, que oferece microcrédito a juros reduzidos para integrantes do Cadastro Único (CadÚnico). Em 2024, foram 60,3 mil operações contratadas, somando R$ 550 milhões.

A apresentação do presidente do Banco do Nordeste contou com a presença da diretora de Administração da instituição, Ana Teresa Barbosa, e das superintendes de Desenvolvimento Humano, Bibiana Colares, do Jurídico, Karine Bessa, e de Marketing e Comunicação, Evineide Dias. Pela Febraban, participaram o diretor-executivo de Relações Institucionais, Trabalhistas e Sindicais, Adauto Duarte, o de Inovação, Produtos e Serviços Bancários, Ivo Mósca, e o de Comunicação, Mídias Sociais e Eventos, João Borges.

“O crédito produtivo e orientado é uma ferramenta poderosa para transformar vidas e fortalecer a economia. Estamos aumentando nossos investimentos para garantir que mais empreendedores tenham acesso a recursos que permitam expandir seus negócios e gerar mais oportunidades em nossa região”, finalizou Paulo Câmara.

Impacto das medidas do governo para reduzir preços só deve acontecer em 60 dias, diz Abras

ECONOMIA

Segundo a Abras, caso aprovada, a reformulação do PAT traria economia de R$ 7 bi ao setor supermercadista
Segundo a Abras, caso aprovada, a reformulação do PAT traria economia de R$ 7 bi ao setor supermercadista — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo

Por Helena Benfica, Valor

Márcio Milan, vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados, reforça ainda o avanço da reformulação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) para auxiliar na redução dos preços

A redução de impostos para produtos importados, implementada pelo governo federal no início de março, deve contribuir para a redução do preço de alguns produtos, mas o efeito dessas medidas só será sentido pelo consumidor em, no mínimo, 60 dias, disse Márcio Milan, vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

“Essa é uma medida de médio prazo. As empresas não estavam preparadas para fazer esse tipo de importação”, disse Milan. Na tentativa de combater a inflação, o governo zerou as tarifas de importação de alimentos como café, açúcar e carnes.

O executivo reforçou ainda o avanço da reformulação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) para auxiliar na redução dos preços. Segundo a Abras, caso aprovada, a proposta traria uma economia de R$ 7 bilhões para o setor supermercadista. Associações que representam empresas de vale-refeição e vale-alimentação discordam desse número.

Aumento de etanol na gasolina para 30%: entenda o que muda para o consumidor

ECONOMIA

O impacto nos valor repassado pelos postos de gasolina ainda é incerto – Fernando Frazão/Agência Brasil

O governo propôs o aumento de etanol na gasolina, prometendo benefícios econômicos e ambientais, mas especialistas alertam para desafios no mercado 

O anúncio do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sobre o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 27% para 30% gerou discussões no setor energético. A proposta será levada ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Além de ser um passo importante para a ampliação do uso de combustíveis renováveis, a medida visa trazer benefícios como a redução do preço da gasolina, a diminuição das importações e uma contribuição significativa para a redução das emissões de gases do efeito estufa.

O aumento na mistura de etanol pode ter efeitos positivos para o produtor de etanol, segundo especialistas. A mudança pode gerar uma demanda adicional de 1,5 bilhão de litros por ano, o que exigiria investimentos de R$ 9 bilhões no setor sucroalcooleiro, resultando na criação de cerca de 25 mil empregos diretos e indiretos.

Em contrapartida, o Brasil poderia deixar de importar 760 milhões de litros de gasolina anualmente, além de uma possível exportação do combustível, fortalecendo a posição do país no mercado global de energia.

O programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, entrevistou o presidente do Sindicombustíveis de Pernambuco, Alfredo Pinheiro, sobre o assunto. Para ele, as discussões sobre o aumento da mistura de etanol na gasolina são, muitas vezes, mais fundamentadas em questões políticas do que em análises técnicas e econômicas.

Desafios 

Pinheiro destacou que, apesar dos benefícios ambientais e para o produtor de etanol, há questões a serem ponderadas em relação ao desempenho dos carros, especialmente os flex.

“O carro flex não vai ter problema com o aumento dessa adição”, afirmou, ressaltando que a diferença de desempenho entre gasolina com 27% e 30% de etanol seria mínima para os consumidores.

No entanto, ele frisou que, no longo prazo, o consumo de combustível poderia aumentar um pouco, pois o carro pode precisar de mais combustível para rodar a mesma distância.

Importação  

Outro ponto levantado por Pinheiro foi a questão da importação de combustíveis e a competitividade do etanol brasileiro no mercado global.

“Nós não somos alto o suficiente no refino, mas temos produtos. O nosso álcool de cana, que é o melhor do mundo, ele vai ser acertado, porque hoje, em 2025, a previsão é que dessa produção total do álcool brasileiro, 35% já vai ser no álcool de milho.”, explicou.

Ia ter uma sobra de produto, principalmente aqui no Nordeste, e pra ele equilibrar esse aumento de produção e atender a demanda do setor sucroalcooleiro, ele aumentou esse percentual. Então a gente tem que ver se em países maiores ninguém quer pagar mais no produto limpo”, destacou Pinheiro.

Imposto no bolso do consumidor 

Em relação à redução de preços prometida pelo ministro Silveira, Alfredo Pinheiro foi cauteloso. “Falar em preço é uma área meio cinzenta”, disse, alertando que a dinâmica do mercado de combustíveis envolve uma série de variáveis, como o preço do petróleo e os impostos.

“O problema não é o posto, o problema é o imposto. 80% do que nós pagamos na nossa gasolina está entre a extração do petróleo, os transportes e os impostos. E 20% para a distribuidora, para o dono de posto e para a transportadora. Em relação ao custo de produção do etanol e a baixa de preço, isso é mercado”, respondeu.

Pinheiro também lembrou que a política de preços da Petrobras e o aumento de importações de combustíveis influenciam diretamente o valor final ao consumidor.

Segundo ele, se o mercado tiver uma condição de muita oferta de etanol, consequentemente a gasolina vai diminuir esses 13%. Mas se o mercado internacional tiver muito comprador, tanto do açúcar como do etanol, o etanol subindo, a gasolina também sobe.

“A narrativa que os preços vão baixar não é verdadeira”, enfatiza Alfredo Pinheiro.

Por Maria Letícia Menezes/JC

Taxa Selic: Copom eleva juros básicos da economia para 14,25% ao ano

ECONOMIA

Selic: Copom aumenta taxa básica de juros para 14,25% ao ano
Selic: Copom aumenta taxa básica de juros para 14,25% ao ano – Foto: Canva

Por Agência Brasil

Preço dos alimentos e incertezas globais influenciaram decisão

A alta do preço dos alimentos e da energia e as incertezas em torno da economia global fizeram o Banco Central (BC) aumentar mais uma vez os juros.

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou a taxa Selic, juros básicos da economia, em 1 ponto percentual, para 14,25% ao ano.

Além de esperada pelo mercado financeiro, a elevação em 1 ponto havia sido anunciada pelo Banco Central na reunião de janeiro.

Essa foi a quinta alta seguida da Selic. A taxa está no maior nível desde outubro de 2016, quando também estava em 14,25% ao ano. A alta consolida um ciclo de contração na política monetária.

Após chegar a 10,5% ao ano de junho a agosto do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro do ano passado, com uma alta de 0,25 ponto, uma de 0,5 ponto e duas de 1 ponto percentual.

Inflação
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em fevereiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, ficou em 1,48%.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o fim do bônus de Itaipu sobre a conta de luz e o preço de alguns alimentos contribuíram para o índice.

Com o resultado, o indicador acumula alta de 4,87% em 12 meses, acima do teto da meta do ano passado.

Pelo novo sistema de meta contínua em vigor a partir deste mês, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses.

Em março de 2025, a inflação desde abril de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em abril, o procedimento se repete, com apuração a partir de maio de 2024. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 4,5%, mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. O próximo relatório será divulgado no fim de março.

As previsões do mercado estão mais pessimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 5,66%, mais de 1 ponto acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 5,6%.

Crédito mais caro
O aumento da taxa Selic ajuda a conter a inflação. Isso porque juros mais altos encarecem o crédito e desestimulam a produção e o consumo. Por outro lado, taxas maiores dificultam o crescimento econômico.

No último Relatório de Inflação, o Banco Central elevou para 2,1% a projeção de crescimento para a economia em 2025.

O mercado projeta crescimento um pouco menor. Segundo a última edição do boletim Focus, os analistas econômicos preveem expansão de 1,99% do PIB em 2025.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia.

Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir.

Municípios podem perder mais de R$ 490 mi em Pernambuco com alteração na isenção do Imposto de Renda

PREFEITURAS

Imposto de Renda: INSS garante isenção à lista de aposentados
Foto/Reprodução

Estudo da CNM revela a perda de receitas das prefeituras de todo o País com a isenção no Imposto

Pernambuco será o terceiro estado do Nordeste com o maior impacto na receita dos municípios provocado pela ampliação da isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil. A proposta foi apresentada pelo Governo Federal ao Congresso ontem.

Os números foram divulgados em um estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que avaliou o efeito da medida na arrecadação das cidades brasileiras.

Efeito

Em Pernambuco, um volume de R$ 496.290.291 em recursos deixará de entrar no cofre dos municípios. Deste montante, R$ 180.590.896 seriam de recursos próprios e R$ 315.699.195 de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que é pago pelo Governo Federal.

O estudo também revelou os valores que os municípios do Estado podem perder individualmente. Recife lidera a lista, com uma perda estimada em R$ 63.166.497 anuais, seguida por Jaboatão dos Guararapes, com R$ 19.298.774, Petrolina com R4 16.267.532, Caruaru com R$ 12.868.693 e Olinda com 10.466.183.

De acordo com a CNM, as reduções na arrecadação são ainda mais significativas em cidades pequenas, onde a cada R$ 100 reais arrecadados, R$ 25 são oriundos do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). A entidade diz que o Imposto de Renda concentra, em média, 16% da arrecadação municipal. Outras receitas são o ISS e o IPTU, que, juntos, representam 76% da arrecadação municipal e o ITBI, 8%.

Em todo o Brasil, a perda estimada é de R$ 11,8 bi anuais, dividida entre R$ 4,9 bilhões de perda na arrecadação própria e 6,9 bilhões em repasses do FPM.

Repercussão

O ex-prefeito de Cumaru, Eduardo Tabosa, que é diretor da CNM no Nordeste, ressaltou que os prefeitos não são contra o projeto de ampliação da isenção do imposto, mas que há uma cobrança por compensação por parte do Governo Federal.

“Ninguém é contra. Porque esse é o apelo de toda a sociedade. Os prefeitos fazem parte e reagem ao apelo da sociedade. Agora, isso vai impactar no cofre dos municípios e em políticas públicas municipais, que já estão com a corda no pescoço. É preciso ter uma recomposição dessa receita, não com a criação de novos impostos”, afirmou o diretor.

A medida é motivo de preocupação para o presidente reeleito da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Marcelo Gouveia (Podemos). “Não somos contra diminuir impostos, mas é fundamental que seja vista uma posição para compensar os municípios. É nisso que estamos trabalhando junto ao Governo Federal e vamos trabalhar fortemente no Congresso Nacional: que os municípios não sejam prejudicados”, disse.

A prefeita de Olinda, Mirella Almeida (PSD), criticou a realização de alterações que afetem a chegada de recursos às prefeituras sem oportunidade para que as gestões se organizem com antecedência. Mirella destacou que a cidade já está realizando estudos para identificar formas de aumentar a receita fiscal e minimizar os impactos da perda de recursos no caixa.

Por Anthony Santana/Blog da Folha

Haddad diz que crédito consignado estará disponível aos trabalhadores a partir da próxima semana

ECONOMIA

Ministro da Fazenda, Fernando Haddad – Foto/Reprodução

“Na verdade a partir, de sexta-feira, mas estou jogando para semana que vem” disse o ministro da Fazenda 

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 18, que o novo crédito consignado, lançado na semana passada pelo governo federal, estará disponível aos trabalhadores a partir da semana que vem. “Na verdade, a partir de sexta-feira, mas estou jogando para semana que vem”, disse em cerimônia da fábrica da Toyota.

Haddad reiterou que, nas últimas duas semanas, aconteceram duas coisas que fazem crer que todo o esforço vale a pena. Além do lançamento do novo consignado privado, ele citou ainda a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, medida anunciada hoje pelo governo federal. A proposta, segundo ele, tem objetivo de aumentar o poder de compra dos trabalhadores brasileiros.

O ministro afirmou que poucas pessoas acreditaram na ampliação da faixa de isenção do IR, mas reforçou que foi possível chegar a um desenho viável. “Quero dizer para vocês que deu muito trabalho viabilizar, mas com uma equipe técnica de alta qualidade de que o Estado brasileiro dispõe, conseguimos chegar a um desenho que vai permitir que a partir de 1º de janeiro de 2026, todo trabalhador que ganha até R$ 5 mil vai pagar zero de imposto de renda e quem ganhar até R$ 7 mil vai pagar menos do que pagaria hoje com a tabela que está em vigor”, disse.

O ministro afirmou que, com essas medidas, o Brasil ganhou dois novos instrumentos para viabilizar o sonho de cada um. Ele reiterou ainda que todos os programas sociais foram reabilitados – como Minha Casa, Minha Vida e Luz Para Todos – e novos entraram em operação na atual gestão, como o Pé-De-Meia. Segundo ele, quando os governos olham para o povo, as coisas começam a mudar para melhor.

Por Estadão Conteúdo

 

Calor extremo, alta do milho e quaresma pressionam preço do ovo

ECONOMIA 

Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

Por Agência Brasil 

Produtores afirmam que  alta de exportações não teve impacto

A alta no preço do ovo de galinha foi influenciada por fatores sazonais, questões climáticas, aumento da demanda e preço de insumos como o milho e farelo de soja. Esse movimento teve início na segunda quinzena de janeiro e se intensificou ao longo do mês passado, tornando o produto um dos vilões da inflação em fevereiro.

No mês passado, o ovo subiu 15,4%, registrando a maior alta do segmento alimentação e bebidas. Com isso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desse grupo ficou em 0,79% no mês passado.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) argumenta que a alta é sazonal e sempre ocorre no início do ano, especialmente no período da Quaresma, em razão do aumento na demanda, com a substituição do consumo de carne vermelha por carnes brancas e ovos. Além disso, o aumento na temperatura em regiões produtoras da proteína contribuiu para a redução da produção das matrizes poedeiras.

“Neste ano, porém, houve outras situações que pressionaram o preço do produto. A primeira delas é a alta do preço do milho, que acumula mais de 40% de aumento acumulado desde março do ano passado. Outro ponto é o calor extremo. Há relatos de granjas com reduções de níveis de produtividade em torno de 10%, frente aos impactos do calor nas aves”, informou a associação.

O preço do produto foi citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no começo do mês, em evento em Campo do Meio (MG), ao falar sobre a possibilidade de adoção de medidas mais drásticaspara reduzir o custo dos alimentos. Lula culpou os “atravessadores” pelo alta do preço dos ovos no país.

“Eu quero encontrar uma explicação para o preço do ovo”, disse. “O ovo está saindo do controle. Uns dizem que é o calor, outros dizem que é exportação, e eu estou atrás [da explicação]”, acrescentou Lula.

A ABPA também destaca que houve perdas de matrizes mais velhas. Como a reposição não ocorre de imediato, levará algum tempo até restabelecer os níveis produtivos. A associação acrescenta que o preço do ovo segue uma soma complexa de variáveis, que envolvem fatores produtivos, como desempenho e custos da produção – a exemplo do preço do milho, embalagens plásticas, combustíveis, energia elétrica e outros.

“No momento, para o setor de ovos, o quadro é altamente desafiador, considerando a alta sequente do preço do milho, o forte calor e os impactos na produtividade das aves. Neste contexto, uma diminuição de custos de insumos por meio de ações, como, por exemplo, alteração das tarifas de importação de Treonina, Triptofan e Lisina (que são aminoácidos importados para a ração) e resinas plásticas, são exemplos de ações que poderiam reduzir a pressão sobre os produtos”, aponta a ABPA.

Atacado 

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, acompanha o setor de ovos desde 2013 e registrou um aumento expressivo nos preços dos ovos do tipo extra comercializados no atacado, em parte das regiões acompanhadas pelo centro de pesquisas.

“De janeiro para fevereiro, o preço dos ovos brancos do tipo extra, a retirar (FOB) em Bastos – principal região produtora do estado de São Paulo – registrou média de R$ 201,77 por caixa de 30 dúzias, alta de 42% em relação a janeiro”.

O centro também esclarece que os preços tendem a subir no período que antecede a Quaresma.

De acordo com a pesquisadora de ovos do Cepea Claudia Scarpelin alguns fatores podem ter intensificado essa valorização em 2025. Uma delas é o fato de que, no ano passado, os preços caíram por seis meses consecutivos, enquanto os custos dos principais insumos da ração, como milho e farelo de soja, estavam em alta. Além disso, houve um aumento nos gastos com embalagens.

“Somam-se a esses fatores a baixa disponibilidade de ovos no mercado interno no início de 2025, reflexo do descarte de poedeiras mais velhas e dos impactos das sucessivas ondas de calor, que tendem a reduzir a produção. Esse cenário contribuiu para a valorização mais expressiva dos preços em fevereiro”, argumentou.

Segundo Claudia, para os próximos meses, o comportamento dos preços dependerá da relação entre a oferta interna de ovos e a demanda pela proteína. Dados do Cepea mostram que, em março, os preços seguem no mesmo patamar observado desde a segunda quinzena de fevereiro. Em Bastos (SP), para retirada na granja (FOB), a cotação média parcial de março (até o dia 14) está em R$ 210,19 por caixa com 30 dúzias.

“Após a Quaresma, é comum que a demanda pela proteína se estabilize. Se a oferta estiver equilibrada, os preços podem permanecer estáveis ou até mesmo recuar. No entanto, essa movimentação dependerá”, disse.

Exportação

O Brasil é o quinto maior produtor mundial, com 59 bilhões de unidades, ou 3,6 milhões de toneladas previstas para o ano de 2025. A estimativa é que o consumo deste ano deve chegar a 272 unidades por pessoa no Brasil neste ano.

Os ovos brasileiros são exportados para quase todo o mundo, a exemplo dos países vizinhos na América do Sul, México, EUA, Canadá, Reino Unido, países da zona do Euro, África, Oriente Médio, Japão e Ásia.

Em fevereiro, as exportações brasileiras de ovos (incluindo produtos in natura e processados) aumentaram 57,5%. Os dados são da própria ABPA e registraram o embarque de 2.527 toneladas, contra 1.604 no mesmo período do ano passado.

O principal destino das exportações foram os Emirados Árabes Unidos, que importaram 548 toneladas em fevereiro. Em seguida estão Estados Unidos, com 503 toneladas e um aumento expressivo de 93,4% na exportação. O Chile, com 299 toneladas; México, com 252 toneladas; Japão, com 215 toneladas e Angola, com 203 toneladas, foram os países que mais compraram os ovos produzidos aqui.

A associação destaca, entretanto, que o aumento na exportação do produto não teve impacto nos preços do mercado interno.

“Vale lembrar que apenas 0,9% deste total é exportado, com previsão de exportações de 35 mil toneladas de exportação para este ano, perante 3,6 milhões de toneladas produzidas”, disse a ABPA