Municípios receberão R$ 30 milhões para ações com plantas medicinais e fitoterápicos

SAÚDE

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Iniciativa do Ministério da Saúde beneficiará 1.304 municípios brasileiros, ampliando o acesso a alternativas terapêuticas no Sistema Único de Saúde (SUS)

1.304 municípios brasileiros receberão R$ 30 milhões do Ministério da Saúde para ações com plantas medicinais e fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS). O repasse será realizado em parcela única. A iniciativa busca promover o uso sustentável da biodiversidade, fortalecer a cadeia produtiva e ampliar o acesso da população a alternativas terapêuticas.

De acordo com a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF), os municípios poderão aplicar os recursos em:

  • Compra de fitoterápicos industrializados ou manipulados;
  • Manipulação/preparação de fitoterápicos;
  • Cultivo de espécies de plantas medicinais;
  • Promoção de formações e divulgações relacionadas às plantas medicinais e fitoterápicos;
  • Realização de capacitações e oficinas (profissionais e comunidade);
  • Pesquisa, desenvolvimento e inovação no setor de plantas medicinais e fitoterápicos;
  • Entre outras ações.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que, dos 5.570 municípios brasileiros, 1.375 foram considerados elegíveis, representando 24,7% do total. Devido à limitação orçamentária, 1.304 cidades foram priorizadas, seguindo os critérios estabelecidos na Portaria GM/MS nº 5.619/2024. Foram selecionados os municípios que enviaram informações sobre a movimentação de fitoterápicos ao Ministério da Saúde por meio da Base Nacional de Dados de Ações e Serviços da Assistência Farmacêutica (Bnafar).

Entre as Unidades da Federação (UFs) contempladas estão Santo Antônio do Içá (AM), Mata Grande (AL), Lagoa do Ouro (PE), Japorã (MS), São João das Missões (MG), Bom Jardim (MA), Alto Alegre (RR), Presidente Jânio Quadros (BA) e Campos Lindos (TO). A lista completa está disponível no portal da Pasta.

A publicação da Portaria de Habilitação dos Municípios selecionados deve ser divulgada nos próximos dias.

Os valores repassados serão definidos com base no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), seguindo as classificações:

  • IDHM muito baixo: R$ 1,00 por habitante;
  • IDHM baixo: R$ 0,80 por habitante;
  • IDHM médio: R$ 0,60 por habitante;
  • IDHM alto: R$ 0,50 por habitante;
  • IDHM muito alto: R$ 0,20 por habitante.

O cálculo dos recursos será feito com base na população de cada UF, conforme os dados do Censo Demográfico de 2022 do IBGE.

Ainda há previsão de novos investimentos no setor por meio do Plano Plurianual (PPA) 2024-2027.

As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde.

Ministério da Saúde lança painel para monitorar vacinas no SUS

SAÚDE

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto; disse que não há motivo para alarme sobre surto de mpox
Ministra da Saúde Nísia Trindade disse que a situação do abastecimento de vacinas está normalizada – Foto: Sergio Lima

Por Poder360

Governo espera aumentar transparência e eficiência na distribuição dos imunizantes com a plataforma digital

O Ministério da Saúde desenvolveu um painel para monitorar o estoque de vacinas no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida foi anunciada em meio a relatos de falta de doses de imunizante em diferentes estados.

A expectativa do governo é de que a plataforma digital ofereça transparência e agilidade na distribuição das vacinas. A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que as situações de falta de vacinas são pontuais.

“A vacinação é a prioridade máxima do Ministério da Saúde, o que reflete nos nossos números. O aumento da cobertura continua sendo uma realidade. Não se pode falar de desabastecimento de vacina no Brasil”, disse Nísia.

Ela afirmou que não existe um desabastecimento generalizado no país. Citou a realização de um “dia D” de vacinação em vários municípios como evidência de que não há escassez de imunizante.

De acordo com Nísia, o país distribui anualmente cerca de 300 milhões de doses de vacinas para todos os 5.570 municípios, assegurando a continuidade das campanhas de imunização em todo o território nacional.

Vacinas anticovid venceram desde 2021

O Ministério da Saúde informou que perdeu ao menos 58 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 desde o início da campanha de imunização, em 2021. O volume de imunizantes perdidos equivale a R$ 2 bilhões.

De acordo com dados do ministério, a troca de 4,2 milhões de doses do imunizante da Moderna, num valor de R$ 240 milhões, amenizou parte do prejuízo com o vencimento de vacinas. O jornal Folha de S.Paulo obteve as informações por meio de pedido via Lei de Acesso à Informação.

Poliomielite: vacina oral contra doença é substituída por injetável no Brasil

SAÚDE

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Desde o dia 4 de novembro, o esquema vacinal contra poliomielite passou a ser composto apenas por uma dose de vacina inativada poliomielite (VIP). A mudança, segundo o MS, é baseada em evidências científicas e a dose é mais segura e eficiente

Fonte: Brasil 61

O esquema vacinal para os pequenos contra poliomielite no Brasil passou a ser  composto, de forma exclusiva, apenas por uma dose de vacina inativada poliomielite (VIP). Ou seja, não serão mais aplicadas as famosas “gotinhas” em duas doses de reforço. Segundo o Ministério da Saúde (MS), a dose aplicada agora é ainda mais segura e eficiente.

A decisão da  pasta da Saúde em substituir a forma de imunização levou em conta novas evidências científicas para proteção contra a pólio, e é baseada em critérios epidemiológicos e recomendações internacionais.

Segundo o MS, com o avanço tecnológico, será possível garantir maior eficácia do esquema vacinal. A mudança começou a valer no último dia 4.

O esquema vacinal anterior consistia na administração de três doses da VIP aos 2, 4 e 6 meses e duas doses de reforço da VOP, a ‘gotinha’, aos 15 meses e aos 4 anos de idade. Agora, será necessária só uma dose de reforço com VIP, que deve ser aplicada aos 15 meses.

Confira como o esquema vacinal passa a ser:

  • 2 meses – 1ª dose;
  • 4 meses – 2ª dose;
  • 6 meses – 3ª dose;
  • 15 meses – dose de reforço.

Segundo o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI) do Ministério da Saúde, Eder Gatti, a mudança é relevante e pode ser observada no mundo inteiro. Inclusive, os Estados Unidos e nações europeias já utilizam esquemas vacinais exclusivos com a VIP.

Cenário nacional

O Brasil ter erradicou o poliovírus selvagem do território nacional em 1989, o que foi resultado da intensificação da vacinação no país. Porém, o vírus ainda circula em outros países. Por isso, Eder Gatti, alerta tanto os profissionais de saúde quanto os pais ou responsáveis sobre a importância de imunizar as crianças.

“A poliomielite é uma doença que, por muitas décadas, causou paralisia e morte em muitas crianças. Só que essa doença não faz mais parte do nosso cenário epidemiológico graças à vacinação e o Brasil, desde 1989, não registra nenhum caso. Embora tenhamos eliminado a doença, ela ainda existe no mundo e pode ser reintroduzida no nosso país. Por isso, é muito importante que os pais levem seus filhos menores de cinco anos para checar a caderneta e atualizar a situação vacinal se necessário”, ressalta Gatti.

Segundo dados do MS, a população alvo na campanha contra pólio no país, que reúne bebês de 1 ano a crianças de 4 anos, soma mais de 10,5 milhões. Já as doses aplicadas totalizaram 3.789.258 até a última atualização do painel do MS datada em 10/09/2024, com dados contidos na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) até o dia 30/06/2024. A cobertura vacinal correspondia a 35,53% das crianças.

Hoje, existem cerca de 38 mil salas de vacinação nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em todo o país. A meta do Ministério da Saúde é que a cobertura vacinal alcance 95% até o fim de 2024.

POLIOMIELITE: entenda por que a OMS recomenda 95% de cobertura vacinal

Câncer de próstata: um a cada três homens com mais de 45 anos não pretende fazer exame de toque retal

SAÚDE

Foto: Freepik
Foto: Freepik

Por outro lado, 6 a cada 10 homens já fazem ou pretendem fazer esse exame no check-up urológico anual

Um a cada três homens com idade acima de 45 anos nunca fez e nem pretende fazer o exame de toque retal – considerada a principal forma de identificar o câncer de próstata. Por outro lado, seis a cada dez homens já fazem ou pretendem realizar esse exame no check-up urológico anual.

As informações constam de uma pesquisa realizada pela  A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, no âmbito do Novembro Azul, mês dedicado à prevenção da doença.

Além disso, 52% dos homens disseram que o câncer de próstata é uma doença típica da terceira idade. Para 30% dos entrevistados, o câncer de próstata sempre apresenta sintomas, então, é possível esperar esses sinais para procurar o médico.

No entanto, o urologista e andrólogo Emir de Sá afirma que, a partir do momento que a pessoa não procura ajuda, ela pode ter um diagnóstico tardio da doença, dificultando a cura. Segundo o especialista, o que facilita a cura da doença, como de qualquer outro câncer, é o diagnóstico precoce.

“O principal objetivo da prevenção do câncer de próstata, como o câncer de mama e útero, por exemplo, é o diagnóstico precoce. Então, o objetivo da prevenção é o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo se fizer o diagnóstico, melhores as chances de cura. Não tem como evitar o câncer de próstata, o câncer de mama, com exames. O exame é feito para uma prevenção precoce, um diagnóstico precoce”, destaca.

Ainda de acordo com o levantamento, 44% dos entrevistados desconhecem como prevenir o câncer de próstata. O estudo também mostra que aqueles com 60 anos ou mais, com ensino superior, renda acima de cinco salários mínimos e habitantes da região Sudeste do país foram os que mais disseram que sabem como prevenir a doença.

A pesquisa ouviu 966 homens com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação, entre 18 e 24 de setembro de 2024. A margem de erro no total da amostra é de 3 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.  (Site Barra).

Política Estadual: Fornecimento de Medicamentos à Base de Cannabis foi aprovado pela Alepe em segundo turno

PERNAMBUCO

Foto/Divulgação/Alepe

Proposta foi aprovada por unanimidade nesta terça-feira (12)

De acordo com informações do Blog da Folha, A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou, por unanimidade, nesta terça-feira (12), em segunda votação, o substitutivo aos projetos de lei dos deputados João Paulo (PT) e Luciano Duque (Solidariedade), que cria a Política Estadual de Fornecimento de Medicamentos e Produtos à Base de Cannabis para o tratamento de diversas patologias.

“Este é um passo importante para garantir que pessoas de baixa renda possam ter acesso a tratamentos com eficácia comprovada para diversos problemas de saúde”, afirmou o deputado João Paulo.

A proposta já havia sido aprovada também por unanimidade em primeira votação no dia 4 de novembro. Com a aprovação final no Legislativo, o projeto segue agora para sanção da governadora Raquel Lyra, o que permitirá a distribuição desses medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado.

“A aprovação definitiva do PL pelo plenário é um passo importante, mas o grande trabalho será fazer valer a legislação e fazer chegar o medicamento a quem realmente precisa”, pontuou o deputado Luciano Duque.

Projeto

O projeto de lei prevê o fornecimento gratuito de medicamentos e produtos derivados de Cannabis para fins medicinais em Pernambuco, seguindo os protocolos do SUS. As prescrições serão realizadas por profissionais de saúde, respeitando as normas do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Com essa aprovação, Pernambuco se junta a estados como São Paulo e Minas Gerais, que já regulamentaram a distribuição gratuita de medicamentos à base de Cannabis para atender pacientes com deficiências e outras condições associadas a dores crônicas. Nos últimos três anos, o governo estadual destinou mais de R$ 1 milhão para a compra desses medicamentos por meio de ordens judiciais. A nova política, que contará com o apoio de associações de pacientes, poderá reduzir os custos para o Estado.

Canabidiol melhora sintomas em 70% das crianças com autismo, diz estudo brasileiro

SAÚDE

CANABIDIOL: Crianças e adolescentes com autismo apresentam maior sociabilidade e redução de sintomas com uso terapêutico de CBD
CANABIDIOL: crianças e adolescentes com autismo apresentam maior sociabilidade e redução de sintomas com uso terapêutico de CBD. (Pixel-Shot/AdobeStock/Reprodução)

Cerca de 63% dos pacientes apresentaram avanços em disfunções sensoriais, enquanto 74% reduziram o uso de medicamentos convencionais, como antipsicóticos

Por Ligia Moraes/VEJA

Uma pesquisa conduzida pelo Hospital Universitário de Brasília (UnB) mostrou resultados positivos no tratamento de crianças e adolescentes com autismo moderado a grave com um fitoterápico à base de canabidiol (CBD) e tetraidrocanabinol (THC). O estudo, publicado na revista Pharmaceuticals e prestes a ser apresentado no 19º Congresso Brasileiro de Neurologia Infantil, acompanhou 30 pacientes de 5 a 18 anos ao longo de sete meses. Destes, seis meses foram dedicados ao tratamento e monitoramento contínuo com a formulação ajustada para cada paciente, com doses médias de 2 a 3 miligramas por quilo.

Os dados coletados indicaram que 70% dos pacientes apresentaram redução em comportamentos como agressividade e irritabilidade. Essa mudança permitiu melhor foco durante as atividades escolares e terapias, resultando em um aprendizado mais eficaz.

A pesquisa também destacou que 67% dos pacientes tiveram avanços na comunicação e na interação social, aspectos críticos para a melhoria da qualidade de vida. Essa evolução foi percebida em várias situações, desde a fala até a capacidade de se fazer entender e interagir de forma mais afetiva com familiares.

“Lembro de um paciente que eu acompanhava há seis anos e que nunca havia feito contato visual. De repente, ele começou a me olhar nos olhos. Isso foi impressionante”, comemora Jeanne  Mazza, neurologista infantojuvenil do Hospital Universitário de Brasília (UnB) e líder do estudo.

Além disso, 63% dos participantes relataram progresso em disfunções sensoriais, incluindo a aceitação de alimentos e o toque físico, que antes eram fontes de desconforto.

“O relato de crianças que começaram a manifestar afetividade, se permitir tocar e expressar preocupação é muito marcante. Essa aproximação afetiva consolida os laços familiares e facilita a comunicação, algo muito difícil de ocorrer em casos mais complexos de neurodivergência”, afirma Alexandre Valverde, psiquiatra pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que não teve envolvimento com a pesquisa.

Impacto nos comportamentos repetitivos e conexão com TDAH

A redução de comportamentos repetitivos, como o agitar das mãos e o balançar do corpo, foi outro ponto de destaque. Estes comportamentos, medidos por uma escala desenvolvida a partir do feedback das famílias, são importantes, pois o diagnóstico do autismo se baseia tanto nas dificuldades de comunicação e interação quanto nos comportamentos padronizados.

Como cerca de 60% dos pacientes com autismo também apresentam Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o estudo trouxe dados relevantes: 50% dos pacientes com TDAH demonstraram melhorias na hiperatividade e agitação. Esse efeito positivo permitiu um aprendizado mais efetivo, destacando o potencial do canabidiol como coadjuvante no tratamento do TDAH, mesmo não sendo um psicoestimulante.

Redução da polifarmácia 

Outro aspecto importante do estudo foi a redução do uso de medicamentos convencionais. Cerca de 74% dos participantes conseguiram diminuir ou suspender pelo menos um medicamento, o que representa um avanço significativo. “Essa redução da carga de medicação alopática é muito positiva pois permite uma diminuição da sobrecarga sobre o fígado e os rins”, observa Valverde.

Segundo o estudo, a principal vantagem do canabidiol é a baixa incidência de efeitos colaterais. “Enquanto medicamentos tradicionais, como a risperidona, podem causar ganho de peso, disfunções metabólicas e elevação de prolactina, o canabidiol não apresentou esses problemas. Apenas alguns pacientes relataram desconforto com o sabor, mas conseguimos contornar isso com suco”, afirma Jeanne.

Ao mesmo tempo, Valverde completa: “O aumento do apetite foi um efeito notado pelos pais, esperado devido ao uso do canabidiol com uma pequena quantidade de THC, embora o canabidiol puro tenda a diminuir o apetite”.

Perspectivas para o tratamento

Os resultados promissores do estudo abriram caminho para uma segunda fase de pesquisa com um número maior de pacientes e a inclusão de grupos de controle, com o objetivo de confirmar e expandir as descobertas.

Mas essas não são as únicas aspirações dos pesquisadores. “Esperamos que as evidências coletadas pelo estudo contribuam para a liberação do uso do canabidiol no tratamento do TEA, já que atualmente só é permitido para epilepsias graves em crianças e adolescentes. Isso limita muito as opções terapêuticas para pacientes com autismo. O acesso à medicação depende de ordens judiciais, o que é desgastante e sobrecarrega o sistema público”, manifesta Jeanne.

Nesse sentido, Valverde faz um apelo: “É fundamental que a classe política entenda que o canabidiol e outros derivados canábicos podem ter um impacto muito positivo em diversas condições, não só neurológicas, mas também psiquiátricas, como depressão, ansiedade e transtornos de pânico”.

Outro obstáculo é o custo do medicamento. A extração de canabidiol, que é uma das mais de 100 substâncias da cannabis, é cara e medicações com alta concentração de CBD têm um preço elevado. Isso impede o acesso dos pacientes e faz com que muitos retornem aos tratamentos convencionais, que não oferecem os mesmos resultados. “Foi triste ver pacientes que melhoraram durante o estudo voltarem a um estado próximo ao inicial quando o fornecimento do medicamento acabou”, diz Jeanne.

Apesar das intempéries, a expectativa é que, em médio prazo, a formulação utilizada possa ser considerada uma opção de tratamento reconhecida para o autismo, contribuindo para a melhora da qualidade de vida de muitas famílias.

Lula sanciona lei que indeniza agentes de saúde que usam carro próprio

SAÚDE

Imagem colorida de presidente Lula com microfone - Metrópoles
Foto/Ricardo Stuckert/PR

Agora, os funcionários serão reembolsados quando utilizarem o próprio veículo para demandas externas do trabalho

Por portal Metrópoles

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, nesta quarta-feira (6/11), a lei que altera o custeio da locomoção de agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate às endemias.

A partir de agora, esses funcionários deverão ser indenizados quando escolherem ir com o próprio carro ou motocicleta para a “execução de serviços externos”.

Antes, a determinação era fornecer ou pagar de forma terceirizada o transporte desses trabalhadores, mas não havia previsão de repasse de pagamento para quem usasse um veículo próprio.

A sanção no Palácio do Planalto foi transmitida, mas não houve fala de Lula.

Solidão é destaque com 100% de aprovação no Programa Saúde na Escola

SERTÃO DE PERNAMBUCO

Arte /Divulgação

Por  Dena Santos

O município de Solidão, no Sertão do Pajeú, alcançou um marco importante nas ações de saúde e educação. De acordo com o resultado final divulgado pelo Ministério da Saúde, Solidão obteve 100% de aprovação em todos os indicadores do Programa Saúde na Escola (PSE) em 2023, destacando-se como um dos municípios que melhor executaram as atividades previstas pelo programa.

O PSE é uma iniciativa conjunta dos Ministérios da Saúde e da Educação, com o objetivo de promover a saúde e o bem-estar dos estudantes da rede pública, integrando ações de prevenção e promoção da saúde com a rotina escolar. Entre as atividades desenvolvidas estão campanhas de vacinação, ações de higiene bucal, exames de saúde, práticas de atividades físicas e orientações sobre alimentação saudável.

Para alcançar esse resultado, a Secretaria de Saúde e a Secretaria de Educação de Solidão uniram esforços, realizando um trabalho integrado e eficiente que envolveu professores, profissionais de saúde, alunos e familiares. Com o apoio de toda a comunidade escolar, o município conseguiu atender a todos os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde, garantindo a cobertura total das ações do programa.

O desempenho de Solidão é motivo de orgulho e reflete o compromisso da gestão municipal com a saúde e o desenvolvimento das crianças e adolescentes do município. A conquista de 100% em todos os indicadores demonstra que, com planejamento, dedicação e trabalho em equipe, é possível implementar políticas públicas de grande impacto para a população.

Esse reconhecimento por parte do Ministério da Saúde reforça a importância do PSE e a eficácia das ações desenvolvidas em Solidão, que se tornam um exemplo para outros municípios. A gestão municipal já planeja expandir e aprimorar as atividades do programa para os próximos anos, visando manter o nível de excelência alcançado e proporcionar cada vez mais qualidade de vida e saúde para os estudantes solidanenses.

Alepe aprova distribuição gratuita de medicamentos à base de canabidiol pelo SUS

POLÍTICA

 (Blog Dantas Barreto)
Foto: Dantas Barreto

Proposta foi aprovada por unanimidade pelo Legislativo, Produtos medicinais são usados no tratamento de pessoas com deficiência, patologias associadas a dores crônicas, crianças com microcefalia e autismo severo doenças como Parkinson e epilepsia.

Por Blog da Folha

Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou, por unanimidade, nesta segunda-feira (04), em primeira votação, o substitutivo aos projetos de lei dos deputados João Paulo (PT) e Luciano Duque (Solidariedade), que institui a Política Estadual de Fornecimento de Medicamentos e Produtos à Base de Cannabis. Caso a proposta seja aprovada em segunda votação, prevista para este mês, e posteriormente sancionada pela governadora Raquel Lyra, a distribuição desses medicamentos passará a ser feita pela rede do Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado.

“Este é um passo decisivo para garantir que pessoas de baixa renda tenham acesso a tratamentos eficazes e comprovados para diversas condições de saúde graves”, destacou o deputado João Paulo.

Durante a sessão, o deputado Luciano Duque enfatizou que a regulamentação da lei pela governadora permitirá um acesso mais rápido e gratuito aos medicamentos, beneficiando especialmente crianças com microcefalia e autismo severo.

O texto aprovado foi um substitutivo de dois projetos de lei ordinária de autoria dos deputados estaduais Luciano Duque (Solidariedade) e João Paulo Lima e Silva (PT). Nas duas discussões, a lei foi aprovada por unanimidade pelos 32 parlamentares presentes. Catorze estavam ausentes e três, de licença.

O projeto de lei estabelece que o fornecimento gratuito de medicamentos e produtos derivados de Cannabis para fins medicinais em Pernambuco seguirá os protocolos estabelecidos pelo SUS. As prescrições serão realizadas por profissionais de saúde, respeitando as normas do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Com a aprovação dessa medida, Pernambuco se junta a estados como São Paulo e Minas Gerais, que já regulamentaram a distribuição gratuita de medicamentos à base de Cannabis para atender pacientes com deficiências e outras patologias associadas a dores crônicas. Nos últimos três anos, o governo estadual investiu mais de 1 milhão na compra desses medicamentos para cumprir ordens judiciais. A nova política, que terá o apoio das associações de pacientes, deve reduzir os custos para o Estado.

Governo federal custeará cirurgias ortopédicas de crianças com Zika Congênita em Pernambuco

SAÚDE

Sem poder comparecer presencialmente, a ministra Nísia Trindade anunciou o apoio
Sem poder comparecer presencialmente, a ministra Nísia Trindade anunciou o apoio – Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco

Ação em conjunto com o Governo Estadual visa a operação de mais de 200 crianças no Estado

Por Folha de Pernambuco

Foi iniciado nesta segunda-feira (4), na Fiocruz Pernambuco, o “Colóquio sobre Síndrome Congênita associada à infecção pelo Zika Vírus”.

Como uma das ações do encontro, o Ministério da Saúde, junto da Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco (SES-PE) e demais associações, apresentou apoio ao mutirão de cirurgias ortopédicas das crianças acometidas com microcefalia, por meio do “Programa Nacional de Redução das Filas”, compondo o custeio das cirurgias.

Além disso, foram reveladas e debatidas as estratégias para a elaboração de um plano nacional de combate à dengue e a arboviroses.

Entre 2015 e 2016, Pernambuco foi um dos principais focos da epidemia de Zika vírus. Como uma das decorrências da doença, o país registrou o nascimento de crianças com síndromes congênitas, interferindo na formação.

Hoje, com idade entre oito a nove anos, as crianças com microcefalia enfrentam problemas ortopédicos, que comprometem a qualidade de vida, principalmente com luxações nos quadris.

Conforme divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado, Pernambuco registra 121 crianças com a necessidade de realizar o procedimento. Dessas, 68 já receberam a indicação e devem realizar as cirurgias nos próximos meses.

Com um acordo orçado em R$ 3,8 milhões junto ao Hospital Maria Lucinda, o objetivo é de realizar 20 procedimentos por mês, passando das 200 cirurgias no biênio 2024/2025, como explicou a secretária da pasta, Zilda Cavalcanti.

Secretária de Saúde do Estado de Pernambuco, Zilda Cavalcanti afirmou que o objetivo do projeto é zerar a fila de operação de quadril em crianças com Zika Congênita
Secretária de Saúde do Estado de Pernambuco, Zilda Cavalcanti afirmou que o objetivo do projeto é zerar a fila de operação de quadril em crianças com Zika Congênita – Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco

Por Folha de Pernambuco

“Existe a garantia de repasse do valor, que é do Tesouro de Pernambuco, liberado pessoalmente pela Governadora Raquel Lyra, com o compromisso de atender o mais rápido possível todas essas crianças e mães”, iniciou

“Existe a previsão de 200 procedimentos, com a possibilidade de aditar quantos mais foram necessários, para que num futuro breve, seja zerado a necessidade de cirurgias pelas crianças com síndrome do Zika Congênita”, completou a secretária.

Presidente da União Mães de Anjos (UMA), associação que acolhe as crianças com microcefalia, Germana Soares celebrou o acordo, mas argumenta que ainda há muito pelo que lutar e que outras demandas também são necessárias.

“De 142 crianças, foram operadas 19. Falta muito para se cantar vitória. A fila de operação está andando, mas tudo pela insistência das mães”, começou.

“Não tem somente as cirurgias ortopédicas, tem outras várias, acima de tudo, tratamento. Há 10 anos, estávamos falando que nossos filhos iam precisar de fisioterapia, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, inúmeras coisas. Expor a necessidade é o princípio para definir caminhos de solucionar a situação”, concluiu.

Movimento Nacional de Enfrentamento 

Também durante o Colóquio, foi apresentado o Movimento Nacional de Enfrentamento à Dengue e outras Arboviroses, programa que visa a diminuição da incidência das doenças no país e os consequentes casos de mortes. Para isso, o Governo visa desenvolver novas tecnologias de controle vetorial, preparar a rede de atenção à saúde e garantir o abastecimento de insumos.

Conforme foi apresentado o plano pelo Secretário Adjunto da Secretaria de Vigilância e Saúde, Rivaldo Cunha, as ações passam por seis eixos: prevenção; vigilância; controle vetorial; organização de rede assistencial; preparação e respostas às emergências e comunicação e participação comunitária.

Para o controle vetorial das doenças, o Ministério anunciou a ampliação do método Wolbachiaum microorganismo que foi inserido nos ovos do Aedes aegypti e foi descoberto que ele bloqueia os arbovírus, perdendo a capacidade de transmissão como a Dengue, Zika e Chikungunya. O método será desenvolvido em uma nova biofábrica no Estado do Ceará.

Conforme revelado pelo Ministério da Saúde, em Pernambuco, cinco cidades estão elegíveis para a utilização desse método: Caruaru, Garanhuns, Olinda, São Lourenço da Mata e Ipojuca.

Por outro lado, visando proteger as comunidades indígenas do Estado, a pasta também revelou a possibilidade de lançar mão do método Aedes Estéril. Para esse empreendimento, estão elegíveis as cidades: de Pesqueira, da etnia Xucuru; Tacaratu, Jatobá e Petrolândia, da etnia Pankararu.

Microcefalia por zika: governo federal apresenta ações de apoio a mutirão de cirurgias ortopédicas em Pernambuco nesta segunda (4)

SAÚDE

Equipe em sala de cirurgia durante procedimento
Equipe em sala de cirurgia durante procedimento – Foto: Cloves Teodorico / SES-PE

Evento está mantido mesmo sem a presença da ministra da Saúde, Nísia Trindade, que era aguardada na capital pernambucana

Nesta segunda-feira (4), o Ministério da Saúde vai apresentar ações de apoio ao mutirão de cirurgias ortopédicas que será realizado em Pernambuco, durante o Colóquio sobre Síndrome Congênita Associada à Infecção pelo Vírus Zika, que acontece no Recife. De acordo com a assessoria da pasta, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, não poderá comparecer, mas o evento prossegue conforme o planejado.

A abertura do colóquio está prevista às 8h30, na Fiocruz Pernambuco, na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife e terá como tema central as estratégias de enfrentamento dos problemas de saúde gerados pela infecção pelo vírus Zika, especialmente em crianças com microcefalia.

Como trouxe a Coluna Saúde e Bem-Estar na última semana, crianças com microcefalia, muitas delas com idades entre 8 e 9 anos, enfrentam sérios problemas ortopédicos, incluindo luxações nos quadris. Essas condições exigem intervenções cirúrgicas que, segundo relatos, têm sido aguardadas por até cinco anos por suas famílias.

 

Casos de AVC aumentaram cerca de 15% em pessoas jovens; veja riscos

SAÚDE

AVC : ces 5 signes avant-coureurs doivent vous alerter immédiatement
Foto/Divulgação

Um estudo publicado neste mês na revista científica The Lancet Neurology mostrou que os casos de acidente vascular cerebral (AVC) cresceram 14,8% em pessoas com menos de 70 anos no mundo. No Brasil, cerca de 18% da incidência afeta a faixa etária de 18 a 45 anos, de acordo com dados da Rede Brasil AVC.

Para alertar sobre os riscos e prevenção do AVC, é reconhecido nesta terça-feira (29) o Dia Mundial do AVC. A condição decorre da alteração do fluxo de sangue ao cérebro, causando a morte de células nervosas na região atingida. Entre as causas para o acidente vascular estão a obstrução dos vasos sanguíneos (AVC isquêmico) ou a ruptura do vaso (AVC hemorrágico).

Globalmente, o número de casos de AVC aumentou 70% entre 1990 e 2021, segundo a pesquisa, com um aumento de 44% nas mortes por AVC e 32% no agravamento de condições relacionadas à doença. No total, foram 11,9 milhões de novos casos no mundo. No Brasil, cerca de 39.345 brasileiros perderam a vida devido ao AVC entre janeiro e agosto de 2024, uma média de seis óbitos por hora, de acordo com o Portal de Transparência do Registro Civil (ARPEN Brasil).

De acordo com Angelica Dal Pizzol, membro da Rede Brasil AVC e médica neurologista, estudos recentes já têm mostrado que o número de casos de AVC em pacientes jovens tem aumentado.

“Esse crescimento é atribuído a diversos fatores, incluindo o sedentarismo e hábitos de vida pouco saudáveis, como uma alimentação inadequada, que podem levar à obesidade, diabetes e hipertensão, mesmo entre pessoas mais jovens. Além disso, mudanças climáticas, altas temperaturas e a poluição ambiental também são fatores que contribuem para o aumento nos casos de AVC”, afirmou.

Fatores genéticos e hereditários podem aumentar o risco de AVC em pessoas jovens, incluindo doenças genéticas e hematológicas. “Jovens com esses fatores de risco precisam de um acompanhamento mais atento, além de um cuidado redobrado com outros fatores de risco. Manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente são essenciais para evitar a acumulação de riscos que possam elevar as chances de um AVC”, orienta a neurologista.

Principais sinais de acidente vascular cerebral

A dificuldade de movimentação e de fala são alguns dos sintomas comuns dos AVCs isquêmicos e hemorrágicos. De acordo com o Ministério da Saúde, os principais sinais de acidente vascular cerebral incluem:

Dor de cabeça intensa e de início súbito;
Fraqueza ou dormência na face;
Paralisia (dificuldade ou incapacidade de se movimentar);
Perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar;
Perda da visão ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos.
Também podem ocorrer sintomas como tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação, além de alterações na memória, dificuldade para planejar atividades diárias, náuseas, vômitos, confusão mental e perda de consciência.

Jovens têm mais chances de sobreviver a um AVC, diz neurologista, mas ainda existem desafios

De acordo com Dal Pizzol, pacientes jovens têm maiores chances de sobreviver ao AVC e de recuperar-se das sequelas a longo prazo. Isso acontece devido a uma melhor plasticidade neuronal em comparação aos pacientes idosos.

“Além disso, por apresentarem menos doenças crônicas, possuem um fator de proteção adicional que contribui para a redução da morbidade e da mortalidade”, explica a neurologista.

Mesmo assim, o tratamento e a recuperação do quadro de AVC podem ser desafiadores e exaustivos, como conta Cavinato. “Lembro que eu fazia terapias de segunda a sábado, começando às seis da manhã e terminando só à tarde. Era alucinante, quando eu paro para pensar”, relata.

“Depois do AVC, é super comum você começar a ‘correr contra o tempo’, os médicos falam que existe uma ‘janela de oportunidade’ no cérebro de recuperação entre 6 meses a 1 ano após o AVC”, complementa. “Então, basicamente, se você consegue recuperar nesse tempo, ótimo, mas, se não, temos que nos ‘adaptar a viver com as sequelas adquiridas’. Isso é bem desesperador para quem sofreu o AVC”, conta.

A empreendedora conta que o AVC impôs várias limitações na sua vida, como a afasia — distúrbio de comunicação que pode dificultar de se expressar e de compreensão.

“Saindo do hospital, eu via as placas [na rua] como se eu estivesse em outro país, como se estivessem escritas em russo ou em grego… Várias palavras incompreensíveis”, relembra. “Nesse momento, só falava algumas palavras soltas, escrevia meu nome todo errado e não conseguia me comunicar por muito tempo porque ficava cansada, exausta”, completa.

Para lidar com esses desafios, Cavinato realizou sessões de fonoaudiologia diariamente. Porém, além da fala, também sofreu sequelas motoras, com o lado direito do corpo paralisado e sem sensibilidade. “Eu era metade morta. No começo tiveram que me dar banho, trocar… Minha autonomia foi para o saco”, relata.

O processo de reabilitação do paciente com AVC pode ser iniciado no próprio hospital, visando restabelecer as habilidades funcionais, mobilidades e independência física e psíquica.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento do AVC é feito nos Centros de Atendimento de Urgência, que são os estabelecimentos hospitalares que desempenham o papel de referência para atendimento aos pacientes com AVC. Nessas unidades, são realizadas o procedimento com uso de trombolítico, que restaura o fluxo de sangue em uma artéria ou veia ao “desfazer” um coágulo sanguíneo. Já a reabilitação pode ser feita nos Centros Especializados em Reabilitação (CERS).

Reabilitação neurocognitiva

Diante dos desafios impostos para sua recuperação, Cavinato foi para Itália em busca de um novo tratamento. “A família do meu pai é da Itália e, por sorte, tenho um primo lá que é fisioterapeuta. Quando ele soube [do acidente], insistiu que me levassem para lá porque, no sistema de saúde italiano, havia uma reabilitação referência em tratamento de AVC”, conta.

Trata-se da reabilitação neurocognitiva Perfetti, desenvolvida pelo neurologista Carlo Perfetti na década de 1970. A técnica considera todos os processos motores, sensitivos e cognitivos envolvidos no movimento, diferentemente das abordagens tradicionais de reabilitação.

“Após uma lesão, é necessário realizar a reintegração dos diferentes processos cognitivos (percepção, memória, planejamento, raciocínio, entre outros). O objetivo principal é recuperar a unidade mente-corpo, onde o cérebro e o corpo operam em conjunto de forma harmônica”, conta Cavinato.

Na reabilitação neurocognitiva Perfetti, exercícios são elaborados sob medida para a problemática daquele paciente. Envolvem problemas a serem resolvidos mediante a construção de uma modalidade informativa específica e a ativação desses processos, trabalhando os aspectos cognitivos, sensoriais e motores ao mesmo tempo.

Nesse sentido, o terapeuta ajuda o paciente a buscar a informação que seu cérebro espontaneamente está com dificuldade para encontrar. Ao trabalhar juntos mente e corpo, o paciente retoma sua percepção e consciência, interagindo com o mundo de forma mais natural, com uma recuperação de maior qualidade.

“Fiquei 1 mês e meio na Itália e foi indescritível conseguir, pela primeira vez, sentir de novo o meu pé! Isso é muito impactante”, relata.

Diante da própria experiência, Cavinato decidiu tornar-se comunicadora sobre o AVC, iniciando um canal no YouTube e no Instagram para contar sua história. Em 2018, ela fundou o Instituto Avencer, visando capacitar profissionais de saúde brasileiros na reabilitação neurocognitiva Perfetti.

Por CNN Brasil

Fumaça de incenso é tão ou mais tóxica que fumaça de cigarro, alertam pneumologistas

SAÚDE

Médicos alertam que a queima de incenso apresenta riscos à saúde de toda a população
Médicos alertam que a queima de incenso apresenta riscos à saúde de toda a população – Foto: Pexels

Vapores de incenso contêm carbono, enxofre, óxidos de nitrogênio, formaldeído e outros compostos cancerígenos

Por Agência O Globo

Durante a Reunião Científica Anual da Universidade Americana de Alergia, Asma e Imunologia (ACAAI, sigla em inglês), que este ano está sendo realizada em Boston, eles apresentaram um novo caso clinicamente desafiador.

— Nossa paciente era uma mulher de 87 anos com histórico de asma e DPOC, que estava recebendo oxigenoterapia e tinha falta de ar inexplicável — diz o principal autor do artigo, Gomeo Lam.

— Um histórico médico detalhado revelou que ele queimava incenso diariamente. Recomendamos que ela parasse de queimar incenso, mas a paciente não queria fazê-lo porque queimar incenso em incensos diariamente permitia que ela expressasse homenagem e veneração por seus ancestrais.

Os médicos alertam que a queima de incenso apresenta riscos à saúde de toda a população, sendo os mais conhecidos as dores de cabeça, as disfunções respiratórias, a sensibilidade dermatológica e as reações alérgicas.

Mais tóxico que a fumaça do tabaco
Os vapores do incenso contêm carbono, enxofre, óxidos de nitrogênio, formaldeído e outros compostos voláteis aromáticos policíclicos que são cancerígenos. Após uma análise, observou-se que para cada grama queimada, as partículas de matéria geradas pelo incenso são de 45 mg, em comparação com 10 mg para os cigarros.

— As pessoas que queimam incenso podem não perceber que os membros da família, incluindo crianças, que são expostos ao fumo passivo enfrentam consequências para a saúde — diz a alergista Mary Lee-Wong, principal autora do estudo e membro da ACAAI.

Além disso, como o tabaco, a fumaça do incenso é arriscada quando concentrada em espaços fechados.

— Como a fumaça do tabaco, a fumaça do incenso de terceira mão pode permanecer em móveis, roupas e outros itens e se dissipar por meses depois — explica ela.

A paciente acabou sendo aconselhada a usar dispositivos elétricos para queimar incenso, “o que resultou em uma melhora em seus sintomas”, dizem os especialistas, que alertam que, além das implicações para a saúde, a combustão do incenso contribui para a poluição do ar e pode representar um risco de incêndio.

Eles recomendam que os queimadores de incenso sejam avisados de que existem mais alternativas e pedem aos profissionais de saúde que levem em consideração o significado sagrado da queima de incenso, mas também reconheçam que os riscos à saúde envolvidos nessa prática não podem ser negligenciados.

— Depois de examinar os pacientes quanto ao uso de incenso, os profissionais de saúde devem recomendar substituí-lo por vapores elétricos ou aromáticos, efeitos visuais simulados, melhor ventilação e limitação do tempo de queima como estratégias para mitigar danos e melhorar os sintomas — aconselham em seu estudo.

Lula aguarda avaliação sobre “estragos” da queda que sofreu no Alvorada

POLÍTICA

Lula trabalhou do Alvorada. Ele recebeu, nesta segunda-feira, o ministro Alexandre Padilha e o assessor especial da Presidência Celso Amorim - (crédito: Ricardo Stuckert)
Lula trabalhou do Alvorada. Ele recebeu, nesta segunda-feira, o ministro Alexandre Padilha e o assessor especial da Presidência Celso Amorim -Foto: Ricardo Stuckert

Presidente diz que acidente doméstico, no sábado, foi “grave”, mas não afetou “nenhuma parte mais delicada”. Segundo o chefe do Executivo, médicos vão determinar, em alguns dias, se houve danos causados pela batida na nuca

As informações são do Correio Brasiliense

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou esta segunda-feira trabalhando de casa, no Palácio da Alvorada, por recomendação médica. Ele se recupera de uma queda que sofreu no sábado, na qual bateu a cabeça e tomou cinco pontos na região da nuca. Apesar do susto, o chefe do Executivo aparentou boa saúde a quem o visitou.

Lula classificou o acidente como grave, mas disse que não causou problemas sérios. “Eu tive um acidente aqui, mas bobagem minha. Foi grave, mas não afetou nenhuma parte mais delicada. Eu tô cuidando porque qualquer coisa na cabeça é muito forte, né? Então, estou aguardando, porque os médicos disseram que eu tenho que aguardar pelo menos uns três, quatro dias para eles saberem qual foi o estrago que fez a batida”, contou o presidente ao candidato à Prefeitura de Camaçari Luiz Caetano (PT). A conversa, gravada por telefone, foi publicada nas redes sociais de Caetano.

O chefe do Executivo fará uma nova avaliação nesta terça-feira, no Hospital Sírio-Libanês, incluindo uma ressonância magnética. No momento, foi orientado a cancelar viagens longas de avião e a evitar grandes esforços, apesar de estar liberado para trabalhar normalmente. A expectativa é que, após a avaliação, ele seja liberado para fazer viagens curtas.

Devido ao ferimento, o presidente cancelou a viagem à Rússia para a Cúpula do Brics. Segundo o Planalto, ele deverá discursar, nesta terça-feira, na abertura do evento, por videoconferência. Porém, não havia mais definições sobre a participação do chefe do Executivo até o fechamento desta edição. Por exemplo, se a fala ocorrerá ao vivo ou gravada, e de quais outros eventos do Brics ele vai participar. O fuso horário em Kazan é seis horas à frente do horário de Brasília.

Na semana que vem, Lula estuda viajar à Colômbia, onde ocorrerá a COP16, a convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) para a biodiversidade.

Na manhã desta segunda-feira, ele recebeu o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Alexandre Padilha, e o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, para discutir o cenário político e a agenda internacional.

Após o encontro, Padilha conversou com jornalistas na frente do Alvorada e disse que Lula “está superbem”. Ele também minimizou a gravidade do acidente. “O presidente, em nenhum momento, teve nenhum tipo de perda de consciência ou desorientação. Ele mesmo que buscou socorro naquele momento, e a equipe médica também fez todos os exames de acompanhamento”, explicou o ministro, que é médico de formação.

A agenda de Lula prevê um evento de campanha em São Paulo, no sábado, ao lado do candidato à prefeitura paulista Guilherme Boulos (PSol). No domingo, ele vota em São Bernardo do Campo, Região Metropolitana de São Paulo. Por enquanto, porém, os compromissos estão em avaliação e dependem dos próximos pareceres médicos.

O acidente

O chefe do Executivo estava em um banheiro do Alvorada, no fim da tarde de sábado, sentado em um banco, quando escorregou. Ele bateu a parte de trás da cabeça e sofreu uma contusão e um corte na região. Foi socorrido pela equipe do Palácio e levado ao Hospital Sírio-Libanês, na Asa Sul, onde recebeu cinco pontos e foi examinado. O presidente foi liberado na mesma noite e voltou para casa. No domingo, voltou ao hospital para uma nova bateria de testes.

Traumatismo na cabeça requer atenção médica, já que pode evoluir rapidamente para quadros graves. No caso do presidente, porém, o risco de piora é considerado mínimo. Ele é acompanhado pelo cardiologista Roberto Kalil Filho.

O médico disse que Lula teve um pequeno sangramento cerebral mas, apesar disso, está bem. Por conta do quadro, a indicação é que o presidente faça novos exames. “Qualquer sangramento cerebral pode aumentar nos dias subsequentes, então a observação é importante”, explicou Kalil Filho.

Covid: Médicos alertam para falta de vacina, e doença passa de 5 mil mortes no ano

SAÚDE

Estados estão sem estoques de vacina contra a Covid-19
Estados estão sem estoques de vacina contra a Covid-19 — Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom

Estoques não conseguem atender a demanda, mesmo com procura em baixa; Ministério diz que concluiu pregão para compra de 60 milhões de doses

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) afirma que o número de vacinas contra Covid-19 adquiridas pelo governo neste ano não foi suficiente para abastecer postos de saúde, e que campanhas de comunicação tímidas não estão conseguindo elevar a cobertura vacinal para a doença, que caiu após o pico da pandemia.

Segundo Alberto Chebabo, presidente da entidade, seu grupo de médicos tem colhido relatos de falta de vacina em postos de saúde de grandes cidades, e os estoques são insuficientes mesmo para a baixa demanda que o produto está tendo agora.

Segundo o Ministério da Saúde, a cobertura para a vacina bivalente (a mais atualizada, que protege contra duas cepas do vírus) está em apenas 21,6%, nível considerado insuficiente pela SBI para conter epidemias. Para o ciclo de quatro doses da vacina monovalente a cobertura também é baixa, de 19,3% da população.

Com 5.160 mortes provocadas pela doença até agora em 2024, a Covid-19 ainda é a doença infecciosa que mais mata no país. Fica empatada com a dengue, mesmo tendo recuado bastante em relação ao período mais crítico da pandemia, em 2021. A dengue teve 5.219 mortes até o fim de agosto.

A Covid-19 estava em nível relativamente baixo na primeira metade do ano, com menos casos que no ano passado, mas a terceira semana de setembro teve uma alta preocupante, com mais de 300 óbitos.

— Está faltando vacina — diz Chebabo, que fez levantamento informal para sondar a disponibilidade do produto em postos de saúde — Aqui no Rio tem algumas poucos unidades em que há sobra de vacinas do último lote, e muitas simplesmente não têm.

Segundo o médico, a situação em outras capitais do país não é muito melhor.

— Isso é responsabilidade do Ministério da Saúde, principalmente, porque o que está acontecendo agora é uma falta de distribuição das vacinas. Não é uma questão de município ou estado — afirma.

A escassez de imunizantes não ocorre só com a Covid-19. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) alertou no mês passado que em 65% das cidades há falta de vacina para ao menos uma doença. Mas o coronavírus é o patógeno que mais preocupa agora.

Segundo Chebabo, pelo baixo nível de testagem que existe para o vírus hoje, é difícil dimensionar o tamanho do problema refletidos, por exemplo, nos casos da chamada Covid longa. As pessoas com sintomas duradouros muitas vezes se retiram do trabalho e dos estudos, causando impacto social.

— A gente vê muita complicação posterior a esses quadros virais, como trombose, aumento de doença cardiovascular ou neurológica e depressão — diz Chebabo. — Isso tudo está relacionado a um quadro que às vezes é até leve, e a pessoa nem correlaciona ao quadro gripal que ela teve anteriormente.

O Ministério da Saúde informa que liberou 3,17 milhões de doses de vacinas para distribuição no mês passado. Não houve distribuição em outubro ainda, segundo registros do Departamento de Logística em Saúde publicados no site do ministério.

A última vez que a pasta anunciou uma grande compra foi em abril, quando foram adquiridos 12 milhões de doses. As vacinas compradas do laboratório Moderna são a Comirnaty e a Spikevax, ambas monovalentes, atualizadas para cobertura contra cepas mais recentes do vírus.

O Ministério disse ao GLOBO, porém, afirma que ainda não conseguiu concluir a distribuição dessas doses.

“Em 2024, mais de 8,2 milhões de doses da vacina XBB contra a Covid-19 foram distribuídas aos estados”, afirma a pasta, em nota. “Em 4 de outubro, o Ministério da Saúde recebeu mais 1,2 milhão de doses, que já estão sendo enviadas aos estados. A distribuição semanal das doses segue a capacidade de recepção e armazenamento da rede de frio dos estados, que repassam as vacinas aos municípios”.

Em uma nota técnica anterior, em 26 de setembro, o órgão afirmou que o atraso se dava pela necessidade de despacho da Anvisa para distribuir parte dos lotes.

“A vacina, que é a mesma para crianças e adultos, difere apenas na dosagem. A oferta para a vacinação infantil foi menor, resultando em falta de doses em alguns estados. Durante o processo de vacinação, alguns lotes se aproximaram do vencimento, e o Ministério solicitou a substituição desses lotes por novos.”

Segundo o levantamento da CNM, a falta de doses infantis da vacina da Covid-19 afetava 770 municípios no final setembro, principalmente na região Sul. O Rio Grande do Sul anunciou que desde o último sábado já não tinha mais doses disponíveis.

Entre cidades grandes que já anunciaram paralisação na vacinação de Covid-19 em outros estados estão Feira de Santana (BA) e São José do Rio Preto (SP). No Rio, segundo a SBI, o trabalho de vacinação está sendo concentrado em alguns postos, porque não compensa abrir a vacinação em todos.

Segundo a entidade, é improvável que a epidemia volte a ter a mesma intensidade do pico em 2021, pois muitas pessoas já possuem anticorpos, ou por terem contraído o coronavírus ou por terem se vacinado. A vacinação anual, porém, é importante para conter o espalhamento de novas cepas do vírus e o aparecimento de casos graves em pessoas vulneráveis como idosos, pacientes de câncer ou transplantados.

Segundo Chebabo, a baixa demanda por vacina contribui para reduzir a pressão da sociedade pela compra do produto.

— É compreensível que exista um cansaço de todas as pessoas, porque a pandemia até 2022 foi um período muito ruim que as pessoas querem esquecer — diz o presidente da SBI. — Só que a doença continua aí. As pessoas podem até querer esquecer, mas o ministério não pode.

Em resposta às críticas da associação, o ministério afirma que já concluiu o pregão para a aquisição de mais 60 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 contra cepas atualizadas. “O contrato assegura a validade das doses em estoque e prevê a troca de vacinas, se necessário”, diz o comunicado, sem detalhar quando o produto será recebido.

Sobre campanhas de informação, o órgão afirmou que, desde 2023 “investiu R$ 58 milhões em campanhas publicitárias para alertar a população sobre a doença e a importância da vacinação”, mas não especificou quanto desse valor foi empregado em 2024. Fonte: Agência O Globo.

Lesões cerebrais estão por trás de sintomas de Covid longa, diz estudo

SAÚDE

Mulher cansada em frente ao computador
Foto/Divulgação

Estudo trouxe novas evidências de que os sintomas persistentes relacionados à Covid são resultado de lesões cerebrais provocadas pelo vírus

A Covid longa continua como um problema sério para parte da população mundial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até 20% dos pacientes que tiveram a doença convivem com fadiga, dor de cabeça, nevoeiro cerebral e ansiedade meses após a infecção ter acabado.

Um estudo feito nas Universidades de Cambridge e Oxford, ambas na Inglaterra, trouxe novas evidências de que os sintomas persistentes são resultado de lesões cerebrais provocadas pelo coronavírus. A pesquisa foi publicada na revista Brain, em 7 de outubro.

Os pesquisadores analisaram imagens de alta resolução do tronco cerebral de 31 pacientes que foram hospitalizados com Covid durante a pandemia. Todos pegaram a infecção nas primeiras ondas da pandemia, antes da distribuição das vacinas.

Os exames foram realizados três meses após a alta hospitalar e mostraram anormalidades estruturais no tronco cerebral dos pacientes. O tronco cerebral fica entre o cérebro e a medula espinhal e está envolvido em funções como o controle da pressão arterial, a deglutição, a respiração e os batimentos cardíacos.

As inflamações observadas pelos pesquisadores estavam presentes até 18 meses após os pacientes terem tido contato com o vírus.

“O fato de vermos anormalidades nas partes do cérebro associadas à respiração sugere fortemente que sintomas duradouros são um efeito da inflamação no tronco cerebral após a infecção por Covid-19. Esses efeitos estão além dos efeitos da idade e do gênero, e são mais pronunciados naqueles que tiveram Covid-19 grave”, afirmou a neurocientista Catarina Rua, em comunicado à imprensa.
As alterações foram mais evidentes em pacientes que enfrentaram quadros graves da Covid-19, ficaram longos períodos internados, tiveram respostas inflamatórias mais proeminentes e piores resultados funcionais.
“Mostramos que o tronco cerebral é um local de vulnerabilidade aos efeitos de longo prazo da Covid-19, com alterações persistentes evidentes nos meses após a hospitalização”, escreveram os cientistas no artigo científico.

Covid longa

A Covid longa é caracterizada por sintomas que permanecem ou aparecem pela primeira vez em até três meses após a infecção pelo coronavírus, que duram por pelo menos dois meses e que não podem ser explicados por outros motivos.

A condição pode afetar até mesmo as pessoas que tiveram formas leves de Covid-19, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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Dia do médico: O Programa Mais Médicos alcança quase 80% dos municípios de até 52 mil pessoas

SAÚDE

Brasília (DF), 17/08/2023 - A médica Ana Caroline Feitosa, que participa do 28° ciclo do Programa Mais Médicos. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No Dia do Médico, ministério destaca avanço do Mais Médicos pelo país

Nesta sexta-feira (18), quando é celebrado o Dia dos Médicos, o Ministério da Saúde destaca os números alcançados pelo Programa Mais Médicos, reestabelecido em 2023. Os dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (Saps) indicam que o programa alcança atualmente 80% dos 3,9 mil municípios com população entre 700 e 52 mil habitantes, com estimativa de cobertura populacional de 26,9 milhões de pessoas. O número representa 40,9% da população desses municípios.

 “É uma grande conquista ver o crescimento desse programa essencial para o SUS chegar a todo o país. O Mais Médicos é uma realidade e faz a diferença. Quando assumimos o governo, havia 13 mil profissionais. Até o final da gestão, alcançaremos a meta dos 28 mil”, diz a ministra da Saúde, Nísia Trindade.

Os municípios de maior vulnerabilidade social também tiveram avanços na cobertura do programa: 60% dos médicos estão nessas regiões. Na Amazônia Legal, nove municípios de alta vulnerabilidade passaram a ter médicos: Amapá do Maranhão, no Maranhão; Anori, Nhamunda, Quaticuru e Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas; Calcoene, no Amapá; Lizarda,    e Paranã, no Tocantins; e Santa Luiza do Pará, no Pará.

Também foi registrado crescimento do Mais Médicos na assistência à saúde indígena. Em dezembro de 2022, eram 224. Em setembro deste ano, esse número saltou para 570 profissionais ativos.

Desde o ano passado, os profissionais da área podem fazer especialização e mestrado por meio da Estratégia Nacional de Formação de Especialistas para a Saúde, que integra os programas de formação, provimento e educação pelo trabalho no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma novidade presente no 38º edital do programa foi a oferta de vagas afirmativas, no regime de cotas, para pessoas com deficiência e grupos étnico-raciais, como negros, quilombolas e indígenas.

Na última semana, o Ministério da Saúde promoveu, em parceria com o Ministério da Educação, o 3° Módulo de Acolhimento e Avaliação de 2024 do Programa Mais Médicos. Participaram 364 médicos intercambistas, todos brasileiros formados no exterior. Trinta desses profissionais atuarão na Saúde Indígena, dez no Consultório na Rua e 15 na Saúde Prisional. Fonte: Agência Brasil.

Nova variante da covid-19 é detectada no Brasil

SAÚDE

Cepa foi detectada no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Santa Catarina - (crédito: Reprodução/Unsplash/Fusion Medical Animation)
Cepa foi detectada no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Santa Catarina – (crédito: Reprodução/Unsplash/Fusion Medical Animation)

A descoberta é da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) após análise de amostras de dois pacientes diagnosticados com a doença em setembro

Uma nova linhagem da covid-19, chamada XEC, foi detectada no Brasil. A variante, que pertence à família da ômicron, foi encontrada no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Santa Catarina. A descoberta é da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) após análise de amostras de dois pacientes diagnosticados com a doença em setembro.

Essa nova linhagem está sendo monitorada mundialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade classificou a XEC com potencial “vantagem de crescimento” em relação a outras cepas em circulação. Segundo a Fiocruz, o achado foi possível graças à vigilância genômica, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

O monitoramento foi intensificado entre agosto e setembro, período no qual amostras de swab nasal de pacientes diagnosticados com Sars-CoV-2 por testes rápidos foram enviadas ao laboratório para sequenciamento genético.

Embora a XEC tenha sido identificada, a linhagem predominante no Brasil ainda é a JN.1, que circula de forma majoritária desde o fim de 2023. O surgimento da cepa é resultado de um processo conhecido como recombinação genética. De acordo com a Fundação, esse fenômeno ocorre quando um indivíduo é infectado simultaneamente por duas linhagens diferentes do vírus, o que pode levar à mistura dos genomas dos patógenos.

Dados da plataforma global de monitoramento genômico Gisaid indicam que a XEC já foi identificada em 35 países, com mais de 2,4 mil sequências genéticas registradas até 10 de outubro de 2024. A linhagem chamou a atenção pela primeira vez em junho e julho, com um aumento de casos na Alemanha. Desde então, a cepa se espalhou rapidamente, sendo detectada na Europa, Américas, Ásia e Oceania. Na Europa, o continente onde tem maior prevalência, há 13 países que confirmaram casos.

No Brasil, a vigilância genômica reforçada contribuiu para a detecção precoce da nova linhagem. No entanto, não há dados que sugiram que a XEC cause sintomas mais graves ou distintos das variantes anteriores. Os sintomas permanecem semelhantes aos de outras linhagens da ômicron, com febre alta, dor de garganta e cabeça, tosse, dor no corpo, além de fadiga.

Apesar de a OMS manter a XEC sob monitoramento, a entidade ainda não a classificou como uma “variante de preocupação”, categoria que engloba cepas com maior transmissibilidade ou potencial de causar casos graves. As doses das vacinas da covid-19 oferecem proteção contra as subvariantes da ômicron.

O presidente da Sociedade Paulista de Infectologia, Carlos Magno Fortaleza, tranquiliza a população sobre o risco de uma nova emergência de saúde pública. “Essa nova variante tem sido mundialmente monitorada. Aparentemente, a variante não causa doenças graves e não há comprovações de que seja mais transmissível. Então, o risco de mais uma emergência de saúde pública, como a pandemia, é muito pequeno. Não há necessidade, nesse momento, de nenhum cuidado especial da população”, afirmou.  Por Correio Brasiliense.

Medicamentos com preço regulado ficarão mais baratos com nova regra de cobrança de imposto; entenda

SAÚDE

A partir deste mês de outubro, medicamentos com preço regulado ficarão mais baratos devido a uma nova regra na cobrança de imposto.
A partir deste mês de outubro, medicamentos com preço regulado ficarão mais baratos devido a uma nova regra na cobrança de imposto. – Foto: Freepik/Reprodução

Segundo Anvisa, vários medicamentos terão redução de até 2,59% aos consumidores a partir deste mês

A partir deste mês de outubro, medicamentos com preço regulado ficarão mais baratos devido a uma nova regra na cobrança de imposto. A mudança acontece graças a uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que pode gerar uma redução de até 3,45% nos preços de fábrica e de até 2,59% nos preços ao consumidor.

A resolução foi publicada em agosto em atendimento a um acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a forma de definição do Preço Fábrica (PF) e do Preço Máximo ao Consumidor (PMC) dos medicamentos.

A medida vai impactar os preços de aproximadamente 3.181 medicamentos da lista da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que representa 36% do total de produtos.

A nova resolução entrou em vigor no começo de setembro. Os preços dos medicamentos serão atualizados na próxima lista do CMED, que ainda será divulgada neste mês.

Nesta lista, estão incluídos medicamentos novos, genéricos, similares, biológicos, fitoterápicos, e produtos de terapia avançada.

Na prática, a decisão do STF definiu a necessidade de desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da base de cálculo para fins de incidência do PIS/Pasep e da Cofins.

Dessa forma, os fatores que são levados em conta para composição dos preços de fábrica e preços máximos ao consumidor foram alterados, e consequentemente, farão com que os valores cobrados aos consumidores pela compra de vários medicamentos sejam reduzidos em até 2,59%. Por Agência O Globo.

Menos da metade das doses da vacina da dengue distribuídas em 7 meses foi aplicada

DENGUE

Blog da Saúde
Arte/Divulgação

Além disso, 521.497 crianças e adolescentes brasileiros receberam apenas a primeira dose e não voltaram para concluir o esquema vacinal

Das 4.792.411 vacinas contra dengue distribuídas pelo governo federal aos Estados e ao Distrito Federal desde fevereiro, apenas 2.341.449 doses (ou 48,88%) foram registradas como aplicadas no Sistema Único de Saúde (SUS) até o último dia 15 de setembro.

Além disso, 521.497 crianças e adolescentes receberam apenas a primeira dose e não voltaram para concluir o esquema vacinal. A recomendação do Ministério da Saúde e da farmacêutica Takeda, fabricante da Qdenga, é que a segunda dose do imunizante seja aplicada três meses após a primeira.

“Parte não teve o tempo ainda. Mas sabemos que há pessoas que já deveriam ter recebido e não voltaram”, destacou Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), durante a 26ª Jornada Nacional de Imunizações, em Recife.

O dado contrasta com o número de casos da doença no País. Dados do painel de monitoramento de arboviroses do ministério, contabilizados até o último dia 18, mostram 6.526.362 casos, 5.395 mortes em decorrência da doença e 1.814 óbitos em investigação.

Apenas no Estado de São Paulo, são 2.120.312 casos desde o início do ano, sendo 638.974 na capital.

O Estado contabiliza 1.703 mortes em investigação e 988 casos fatais, o que corresponde a uma taxa de letalidade de 6,73 em casos graves.

Plano para 2025

Gatti anunciou que o ministério pretende ampliar a vacinação contra dengue em 2025. “Já temos adquirido, para o ano que vem, 9 milhões de doses. Esperamos também a incorporação da vacina do Instituto Butantan”, destacou.

Recentemente, foram publicados os dados do estudo de fase 3 da vacina de dose única do Butantan, mostrando que o imunizante manteve a segurança e a eficácia 3,7 anos, em média, após a aplicação. Na época, Fernanda Boulos, diretora médica do instituto, afirmou que a expectativa era finalizar o processo de submissão à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda neste ano.

“Com a finalização da submissão em 2024, esperamos obter aprovação da Anvisa e disponibilizar a vacina para o Ministério da Saúde em 2025”, disse. Por Estadão Conteúdo.