Em nova decisão, Dino afirma que ordens de tribunais internacionais integrados pelo Brasil seguem com eficácia imediata

STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) – Foto: Antonio Augusto/STF

Ministro fez esclarecimento após despacho que veio na sequência de sanções impostas a Moraes pelos EUA por meio da Lei Magnitsky

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal ( STF), deu nova decisão nesta terça-feira e afirmou que ordens de tribunais internacionais dos quais o país é signatário, como o Tribunal Penal Internacional (TPI), seguem com eficácia imediata no Brasil.

Na segunda-feira, ele havia decidido que leis e ordens administrativas ou judiciais de outros países não produzem efeitos no Brasilde forma automática e necessitam de homologação da Justiça brasileira para terem validade. O despacho foi feito após os Estados Unidos sancionarem o ministro Alexandre de Moraes com a Lei Magnitsky, que impõe restrições econômicas como o bloqueio de contas bancárias e de bens em solo americano.

Os termos da decisão original, segundo o próprio ministro, provocaram dúvidas em juristas.

“Assim, cumpre assinalar no presente Despacho complementar que os tribunais internacionais, cujas competências são definidas em tratados incorporados ao Direito brasileiro, não se inserem no conceito de “tribunais estrangeiros”. Tribunais estrangeiros compreendem exclusivamente órgãos do Poder Judiciário de Estados estrangeiros, ao passo que tribunais internacionais são órgãos supranacionais”, escreveu Dino.

O ministro acrescentou que a primeira decisão trata “exclusivamente” de ordens “proferidas por tribunais estrangeiros que exigem homologação ou adoção de outros instrumentos de cooperação internacional para a produção de efeitos internos, preservada a jurisdição obrigatória de tribunais internacionais, uma vez reconhecida pelo Brasil, e os efeitos imediatos de suas decisões”.

Entenda o caso
No despacho anterior, Dino também convocou uma audiência pública para aprofundar a discussão e comunicou a decisão ao Banco Central, à Federação Brasileira de Banco (Febraban) e entidades do setor financeiro, para evitar que ordens externas interfiram em operações no Brasil sem chancela do STF. Como mostrou O GLOBO, bancos brasileiros contrataram escritórios de advocacia nos EUA para entender o alcance da medida e como deveriam agir de agora em diante.

Na decisão, Dino destacou que, nos últimos anos, “ondas de imposição de força de algumas nações sobre outras” passaram a agredir postulados essenciais do Direito Internacional, com tratados sendo “abertamente desrespeitados”, inclusive os que garantem proteção a civis em conflitos armados.

Ao fixar a tese, Dino estabeleceu que normas e decisões de outros países não têm validade automática no Brasil.

“Leis estrangeiras, atos administrativos, ordens executivas e diplomas similares não produzem efeitos em relação a pessoas naturais por atos em território brasileiro, relações jurídicas aqui celebradas, bens aqui situados, depositados, guardados, e empresas que aqui atuem”, escreveu o ministro.

Segundo a decisão, tais atos só podem produzir efeitos em território nacional caso sejam homologados pela Justiça brasileira ou incorporados ao ordenamento jurídico por meio de mecanismos formais de cooperação internacional. O ministro também determinou que estados e municípios brasileiros estão impedidos de propor novas demandas em tribunais estrangeiros.

‘Neocolonialismos’
A decisão foi tomada no âmbito da ação movida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que questionou a legalidade de municípios brasileiros contratarem escritórios estrangeiros para propor ações em cortes internacionais relacionadas a desastres socioambientais.

“Instituições do multilateralismo são absolutamente ignoradas. Tratados internacionais são abertamente desrespeitados, inclusive os que versam sobre a proteção de populações civis em terríveis conflitos armados, alcançando idosos, crianças, pessoas com deficiência, mulheres. Diferentes tipos de protecionismos e de neocolonialismos são utilizados contra os povos mais frágeis, sem diálogos bilaterais adequados ou submissão a instâncias supranacionais”, completou o ministro.

Evento vinculante
A decisão tem efeito vinculante e afasta a possibilidade de que determinações unilaterais de governos ou cortes estrangeiras interfiram em contratos, bens ou direitos estabelecidos no Brasil. Nos bastidores do STF, a avaliação é a de que a decisão de Dino serve como um “reforço” a respeito da não-aplicabilidade de leis e ordens judiciais estrangeiras no Brasil.

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O governo dos Estados Unidos anunciou no dia 30 de julho a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. Ele é o primeiro brasileiro sancionado diretamente pela norma. A sanção ocorre após a escalada da crise entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e governo e Judiciário brasileiros.

A inclusão de Moraes na Lei Magnitsky se deu no mesmo dia em que Trump formalizou o tarifaço de 50% contra exportações brasileiras, ainda que com exceções para quase 700 categorias de produtos, entre elas aviões, petróleo, suco de laranja e celulose.

A decisão de Dino aborda parâmetros gerais envolvendo decisões judiciais estrangeiras, sem entrar no mérito específico do caso envolvendo Moraes e a lei norte-americana. Citando a Constituição, o ministro do STF ressaltou que decisões judiciais estrangeiras só podem ser executadas no Brasil mediante homologação ou observados os mecanismos de cooperação judiciária internacional.

De acordo com Dino, os princípios constitucionais da soberania nacional e da igualdade entre os Estados tornam inadmissível que o Estado brasileiro se submeta à jurisdição de outro país, uma vez que as nações são consideradas iguais e, por isso, não podem exercer julgamento umas sobre as outras.

O Globo apurou que antes de tomar a decisão, Dino informou alguns colegas sobre a medida, explicando qual seria a extensão de seu entendimento. Integrantes do STF avaliam que a decisão foi positiva por esclarecer pontos que não estavam claros, e que a audiência pública convocada pelo relator do caso será uma oportunidade para que as entidades possam balizar suas atuações. Ainda não há data para que o encontro ocorra, mas a expectativa é que aconteça em outubro.

Na ação apresentada ao STF em 2024, o Ibram menciona ações apresentadas pelos Executivos municipais brasileiros em países como Estados Unidos, Alemanha e Holanda. Entre eles estão ações de ressarcimento relativas aos acidentes de Mariana e Brumadinho – tema que está em andamento também na Justiça brasileira.

Articulação no STF
Diante desse cenário e da perspectiva de ampliação das sanções para pessoas próximas a Moraes ou mesmo outros ministros do STF, os bancos brasileiros contrataram escritórios de advocacia americanos para obter orientação e respaldo jurídico.

De forma ainda incipiente, os pareceres vão na linha de que os bancos podem manter relacionamento com Moraes nas operações em reais. Ainda assim, há receio no setor: caso o entendimento da Justiça americana seja de que é preciso cortar totalmente o relacionamento com sancionados, quem mantiver alvos como correntistas pode até mesmo perder a capacidade de receber empréstimos de instituições estrangeiras.

Entre os maiores bancos do Brasil, apenas a Caixa Econômica Federal não tem operações nem ações nos Estados Unidos. Mas a estatal é sócia, com BB e Bradesco, da bandeira de cartões Elo e, como todo banco brasileiro, utiliza o sistema Swift para realizar transações internacionais.

De acordo com o Banco Central, um banco ou instituição bancária não são obrigados a abrir ou a manter conta corrente de clientes que considerem inviáveis.

“O banco pode estabelecer critérios próprios para abertura e manutenção da conta, desde que observadas a legislação e a regulamentação atual. Assim, caso não tenha interesse, ele pode se recusar a abrir ou manter conta corrente ou conta poupança para o cidadão”, diz a autarquia.

O que é a Lei Magnitsky?
Sancionada em 2012 pelo então presidente dos Estados Unidos Barack Obama, a lei Magnitsky prevê uma série de sanções que, na prática, extrapolam as fronteiras dos Estados Unidos e que podem ser decretadas sem necessidade de condenação em processo judicial. A rigor, basta um ato administrativo do governo americano, que pode ou não ser lastreado em informes de autoridades e organismos internacionais.

A principal sanção prevista na lei é o bloqueio de bens de pessoas ou organizações que estejam nos Estados Unidos. Isso inclui desde contas bancárias e investimentos financeiros até imóveis, por exemplo.

Os sancionados tampouco podem realizar operações que passem pelo sistema bancário dos Estados Unidos. Na prática, isso leva ao bloqueio de ativos dolarizados mesmo fora da jurisdição americana, bem como o bloqueio de cartões de crédito internacionais de bandeiras com sede no país.

A aplicação da norma a Moraes é controversa, uma vez que o ministro não é acusado de corrupção e suas decisões judiciais são referendadas pelo STF em um regime democrático. O Brasil é considerado uma democracia com poder Judiciário independente pelos principais projetos acadêmicos internacionais de democracia comparada, como o da organização americana Freedom House e do V-Dem.

Por Agência O Globo

VÍDEO: Eduardo zomba de Dino por decisão sobre leis internacionais no Brasil

STF

📸Vinicius Schmidt/Metropoles

Eduardo decisão desta segunda (18/8), o ministro Flávio Dino, do STF, deu recado indireto aos EUA após sanções ao ministro Alexandre de Moraes

Eduardo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) postou, na tarde desta segunda-feira (18/8), um vídeo com tom de deboche acerca da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no qual define que nenhuma empresa ou Eduardo órgão com atuação no Brasil poderá aplicar restrições ou bloqueios baseados em determinações unilaterais de outros países.

Confira: 

A decisão desta segunda de Dino reforça que apenas o Judiciário brasileiro tem competência para validar medidas desse tipo. Em vídeo publicado no X, Eduardo Bolsonaro ironiza o entendimento do magistrado brasileiro ao dizer que é óbvio que uma lei estrangeira não terá aplicação no Brasil.

Decisão de Dino

A decisão ocorre em meio ao movimento de municípios brasileiros que recorreram a tribunais estrangeiros em busca de indenizações maiores contra a mineradora Samarco, após o rompimento da barragem de Mariana (MG)

“Desse modo, ficam vedadas imposições, restrições de direitos ou instrumentos de coerção executados por pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País, bem como aquelas que tenham filial ou qualquer atividade profissional, comercial ou de intermediação no mercado brasileiro, decorrentes de determinações constantes em atos unilaterais estrangeiros”, escreveu Dino.

Em tese, a decisão de Dino reforça a soberania da jurisdição brasileira, impedindo que medidas estrangeiras — como as sanções dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes, baseadas na Lei Magnitsky — tenham efeito automático no país. No entanto, essas restrições seguem válidas no exterior.

Moraes foi alvo da legislação norte-americana que tem como objetivo punir autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos. O governo de Donald Trump citou o processo em curso no STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se tornou réu por tentativa de golpe de Estado após a eleição de 2022. Na ocasião, o líder dos EUA acusou a Justiça brasileira de promover uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro.

Por José Augusto Limão/ Portal Metrópoles

 

‘Vossa excelência não está sendo fiel aos fatos’: a discussão entre Barroso e Fux no STF

JUSTIÇA 

Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Os ministros discordaram sobre a conclusão de um julgamento realizado na quarta-feira.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, discutiu na sessão plenária desta quinta-feira 14 com o ministro Luiz Fux, que reclamou por ter sido substituído do posto de relator de um processo julgado na véspera.

A maioria da Corte decidiu na quarta-feira validar as alterações que ampliaram a incidência da Cide-Tecnologia, que incide sobre as remessas financeiras ao exterior a título de remuneração de contratos que envolvam o uso ou a transferência de tecnologia estrangeira.

As modificações na lei, realizadas em 2001 e em 2007, possibilitaram a cobrança sobre royalties e serviços técnicos, por exemplo.

Para Fux, a Cide-Tecnologia deveria recair apenas sobre negócios que envolvam importação de tecnologia, sem abranger remessas de valores a títulos diversos, como aquelas correspondentes à remuneração de direitos autorais (inclusive a exploração de de software sem transferência de tecnologia), serviços de advocacia, entre outros. Ele foi acompanhado pelos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Dias Tóffoli e Cármen Lúcia.

Como Fux ficou vencido em uma parte da discussão, a relatoria do acórdão passou para o ministro Flávio Dino. O caso voltou à tona nesta quinta.

“Nunca houve essa heterodoxia de se retirar do relator, vencido em parte mínima, a relatoria”, criticou Fux. “Eu não sou de pedir relatoria, mas entendi, com a devida vênia, e com essa tranquilidade eu falo ao plenário, que considerei essa manifestação completamente dissonante do que ocorreu até então no plenário.”.

Na resposta, Barroso afirmou ter oferecido a Fux a possibilidade de reajustar seu voto, a fim de manter a relatoria.

Fux alegou que não poderia alterar seu entendimento “por uma questão de lisura” com os colegas que o seguiram. Disse também ter ficado vencido “em uma pequena parte” e que Barroso não ofereceu a continuidade como relator. “Vossa excelência passou passou direto a relatoria.”.

“Absolutamente”, reagiu Barroso. “Vossa excelência não está sendo fiel aos fatos. Eu disse: ‘vossa excelência não quer reajustar para permanecer como relator?’. E vossa excelência disse: ‘não, porque isso seria uma desconsideração com quem me acompanhou’.

“Vossa Excelência está criando uma situação que não existiu. Desculpe, simplesmente não existiu. Nem estou entendendo essa confusão”, completou Barroso.

No caso concreto julgado na quarta-feira, o STF rejeitou o recurso da Scania Latin America e manteve a decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que admitiu a cobrança da Cide sobre remessas de recursos ao exterior em decorrência de contrato de compartilhamento de custos (cost sharing), referentes a pesquisa e desenvolvimento, assinado com a matriz da empresa (Scania AB), localizada na Suécia.

I – É constitucional a contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE) destinada a financiar o Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à Inovação, instituída e disciplinada pela Lei nº 10.168/2000, com as alterações empreendidas pelas Leis nºs 10.332/2001 e 11.452/2007;.

II – A arrecadação da CIDE, instituída pela Lei nº 10.168/2000, com as alterações empreendidas pelas Leis nºs 10.332/2001 e 11.452/2007, deve ser integralmente aplicada na área de atuação Ciência e Tecnologia, nos termos da lei.”.

Por carta Capital

Moraes diz que STF precisa aprender a se comunicar melhor, inclusive nas redes sociais

STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. – Foto: Rosinei Coutinho/STF

A declaração foi feita em encontro na manhã desta quinta-feira, 14, com 26 influenciadores digitais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes disse que a Corte precisa “aprender a se comunicar melhor”, inclusive por meio das redes sociais.

A declaração foi feita em encontro na manhã desta quinta-feira, 14, com 26 influenciadores digitais convidados pelo Supremo para participar de debates e atividades na sede do Tribunal.

O evento “Leis e likes: o papel do Judiciário e a influência digital” ocorreu também no ano passado e se insere dentro do projeto da gestão do presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, de aproximar o Judiciário da sociedade.

“Essa ideia hoje desse encontro do nosso presidente Barroso é uma ótima ideia, porque nós não sabemos nos comunicar bem. Primeiro que 80% das pessoas dormem enquanto a gente vota. Das 20% que ficam acordadas, 10% não entendem, e as outras 10% não concordam. Então, é uma dificuldade”, disse Moraes.

“Nós precisamos aprender a nos comunicar melhor, e precisamos aprender a nos comunicar melhor via redes sociais. Como a gente faz isso? Eventos como esse para vocês conhecerem exatamente como é aqui, qual é a ideia, e terem uma percepção mais fácil para passar nas redes sociais”, complementou.

Na roda de conversa, Moraes foi questionado por influenciadores sobre desafios no combate à desinformação e também foi instado a responder críticas da sociedade à atuação do Supremo – em relação a decisões monocráticas e a uma suposta rapidez no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em contraste com a ação sobre fraudes no INSS, por exemplo.

Moraes respondeu que todas as decisões monocráticas importantes passam por referendo dos colegiados – turmas ou plenário. “Ou a gente coloca para a referendo as decisões importantes, ou decisões que nós chamamos de interlocutórias são passíveis de recurso”, afirmou.

Sobre a suposta rapidez fora do comum para julgar Bolsonaro, Moraes disse que a ação penal deve ser mais célere quando há réus presos e os prazos processuais não são suspensos nos recessos do Judiciário. Em relação à crítica de que a ação teria andado mais rápido do que o caso do INSS, Moraes lembrou que a investigação sobre a tentativa de golpe começou há cerca de dois anos, já o escândalo do INSS veio à tona em abril.

Além disso, ressaltou Moraes, ele não é relator das ações sobre a fraude no INSS, que estão sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli. “Eu não sou o relator de tudo no mundo. Gostaria até de ser, mas não sou”, brincou.

Com informações do Estadão Conteúdo

Alexandre de Moraes autoriza Bolsonaro a ir ao hospital para exames, mas cobra atestado

STF

Jair Bolsonaro durante o interrogatório da trama golpista no STF. Foto: Evaristo SA / AFP

O ministro do STF também deu aval para o ex-capitão receber mais quatro visitantes em sua prisão domiciliar

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes decidiu, nesta terça-feira 12, autorizar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a deixar a prisão domiciliar no próximo sábado 16 para se submeter a exames médicos no Hospital DF Star, em Brasíl.

Na sequência, Bolsonaro terá até 48 horas para encaminhar ao STF o atestado de comparecimento, formalizando a data e os horários dos atendimentos médicos.

Ao solicitar a Moraes o aval para exames, a defesa mencionou a “necessidade de reavaliação dos sintomas de refluxo e soluços refratários, bem como da verificação das condições atuais de saúde” do ex-capitão.

Na decisão desta terça, o ministro também autorizou Bolsonaro a receber mais quatro visitantes: o vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo (PL); o senador Rogério Marinho (PL-RN); o deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ); e o deputado estadual de São Paulo Tomé Abduch (Republicanos).

“Ressalte-se o caráter provisório da presente decisão, que não dispensa o requerente do cumprimento das demais medidas cautelares a ele impostas”, reforçou Moraes.

Fonte: CartaCapital

Advogado de Trump manda recado a Alcolumbre

STF

Presidente do Senado Davi Alcolumbre 📸/Andressa Anholete/Agência Senado

Martin De Luca, advogado de Donald Trump, questiona decisão de Alcolumbre de não pautar pedido de impeachment de Moraes

Advogado de Donald Trump, Martin De Luca mandou um recado para Davi Alcolumbre depois de o presidente do Senado afirmar que não pautará o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

Advogado de Donald Trump, Martin De Luca questiona Alcolumbre por decisão sobre Moraes 📸/ Reprodução

“Se até mesmo a unanimidade no Senado é irrelevante, para onde o Brasil está indo?”, questionou De Luca. Ele se referiu ao fato de a oposição coletar 41 assinaturas para a abertura do processo de impeachment de Moraes e, na sequência, Alcolumbre dizer que “nem com todas as 81 assinaturas” colocaria o processo em pauta.

“Após semanas de protestos, censura desenfreada e crescentes detenções políticas, a maioria dos senadores brasileiros assinou um pedido formal de impeachment de Alexandre de Moraes”, escreveu De Luca

“Há 81 senadores no Brasil. Alcolumbre está dizendo que, mesmo que cada um deles peça o impeachment de Moraes, ele o bloqueará de qualquer maneira. Agora, a própria instituição com poderes para responsabilizar Moraes está sendo impedida de fazê-lo”, criticou o advogado de Trump.

A resistência em pautar o pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) colocou o presidente do Senado na mira das sanções de Donald Trump.

Por Paulo Cappelli/Metrópoles

 

Moraes decreta prisão domiciliar de Jair Bolsonaro

STF

Ex-presidente Jair Bolsonaro tem prisão domiciliar decretada pelo Supremo Tribunal Federal – 📸/Evaristo Sá/AFP

Ministro do STF considerou que o ex-presidente descumpriu medidas cautelares. Moraes ainda determinou apreensão de celulares

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou, nesta segunda-feira (4/8), a prisão domiciliar do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL).

O ex-presidente já estava submetido, por ordem de Moraes, a uma série de medidas cautelares. As medidas iniciais incluíam a proibição de ausentar-se do país, com uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar no período noturno (das 19h às 6h) e nos fins de semana.

Além disso, havia a proibição de aproximação e acesso a sedes de embaixadas e consulados, de manter contatos com embaixadores ou autoridades estrangeiras, e com demais réus e investigados. Crucialmente, Bolsonaro estava proibido de utilizar redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros.

A proibição de uso de redes sociais por Moraes deixava claro que não seriam permitidas transmissões, retransmissões, veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer plataforma de redes sociais, nem o uso desses meios para burlar a medida, sob pena de imediata revogação e decretação da prisão.

Na decisão desta segunda, Moraes argumenta que houve o descumprimento de medidas cautelares que haviam sido estipuladas anteriormente. O estopim para a preventiva foi a participação de Bolsonaro, via telefone, de uma manifestação bolsonarista realizada no último domingo (3/8) no Rio de Janeiro. Participação esse que foi republicada pelos filhos Carlos e Flávio Bolsonaro nas redes sociais.

Na data, Bolsonaro estava em casa, em Brasília, justamente por conta das medidas cautelares impostas anteriormente.

“A Justiça não permitirá que um réu faça de tola, achando que ficará impune por ter poder polpitico e econômico. A Justiça é igual para todos. O Réu que descumpre deliberadamente as medidas cautelares-pela segunda vez0 deve sofrer as consequências”, diz a decisão de Moraes.

Além da prisão domiciliar, Bolsonaro deverá cumprir as seguintes medidas:

1. Proibição de visitas, salvo de seus advogados regularmente constituídos e de outras pessoas previamente autorizadas pelo STF.
2. Proibição expressa de utilizar celulares, tirar fotos ou gravar imagens durante as visitas.
3. Proibição de uso de celular, diretamente ou por intermédio de terceiros.
4. Manutenção expressa das proibições anteriores de manter contatos com embaixadores e autoridades estrangeiras, bem como de utilização de redes sociais, direta ou indiretamente por terceiros.

Caso haja o descumprimento de qualquer de umas das regras da prisão domiciliar implicará na revogação da medida e na decretação imediata da prisão preventiva. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) foram imediatamente comunicadas para o cumprimento da decisão.

Por Manoela Alcântara(Colaboraram Deivid Souza e José Augusto Limão)

*Em atualização.

Justiça nega recurso de Bolsonaro contra Boulos por fala sobre Marielle

STF

defesa do ex-presidente alegava que as publicações e manifestações de Boulos nas redes sociais causaram danos morais e, por isso, pleiteava o pagamento de uma indenização no valor de R$ 50.000,00 e uma retratação pública 📸/Reprodução/Redes Sociais

Deputado do Psol questionou “possível ligação” do ex-presidente e sua família com o assassinato da vereadora

O TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) negou, nesta 5ª feira (31.jul.2025) um recurso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra o deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP). Bolsonaro pedia uma indenização de R$ 50.000 por danos morais, com base em publicações feitas por Boulos nas redes sociais em 2023. Leia a íntegra da decisão.

Nas postagens, o congressista questionava uma “possível articulação com milícias e envolvimento da família Bolsonaro com aqueles que mataram Marielle Franco”. A vereadora foi assassinada em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro.

A juíza Maria Isabel da Silva foi a responsável pela decisão que negou o recurso de Bolsonaro. Ela considerou os seguintes pontos:

temas de interesse público: as falas de Boulos tratam de assuntos relevantes para a sociedade e foram feitas no contexto do debate político. exercício do mandato parlamentar: as declarações foram realizadas enquanto Boulos exercia seu mandato, em tom de fiscalização e crítica política, sem acusação direta: não houve imputação criminal nem ofensa pessoal ao ex-presidente. liberdade de expressão: a magistrada entendeu que Boulos agiu dentro dos limites da liberdade de expressão garantida aos parlamentares, críticas a figuras públicas: como ex-presidente e presença ativa nas redes sociais, Bolsonaro está sujeito a críticas mais incisivas do que pessoas comuns. 

Por Fernanda Fonseca/ Poder360

Parlamentares da Europa pedem congelamento de bens de Moraes

STF

📸/ Reprodução

Um grupo composto por 16 parlamentares da União Europeia pede sanções contra Moraes por “censura” e “autoritarismo”

Um grupo de 16 parlamentares europeus enviou nesta quarta-feira (30/7) uma carta à Alta Representante da União Europeia para Relações Exteriores, Kaja Kallas, pedindo sanções contra o ministro Alexandre de Moraes (STF).

O documento solicita que a UE congele bens e imponha restrições de viagem ao magistrado por supostas violações de direitos humanos e ameaças à democracia.

Segundo os eurodeputados, Moraes estaria conduzindo uma campanha de “censura” e “perseguição política” no Brasil.

“Em muitas situações, o juiz Moraes tem agido unilateralmente, com poderes que lhe permitem, na prática, atuar como investigador, promotor e juiz ao mesmo tempo”, diz o texto.

Os signatários acusam Moraes de promover um “autoritarismo judicial”, comparando suas ações a regimes como China e Rússia. O documento ainda destaca que o ministro teria usado seu cargo para “banir Bolsonaro das redes sociais” e para proibir terceiros de veicularem “entrevistas, áudios ou vídeos” com o ex-presidente.

A carta foi assinada por 16 eurodeputados de partidos dos grupos ECR (Conservadores e Reformistas Europeus) e Patriots, incluindo Dominik Tarczyński, da Polônia, que classificou Moraes como “uma ameaça grave à democracia brasileira e global”.

No mesmo dia, o governo Trump anunciou sanções contra Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, medida que inclui o congelamento de ativos sob jurisdição norte-americana e a proibição de entrada nos EUA.

Paulo Cappelli

Alexandre de Moraes mantém prisão do general Braga Netto

JUSTIÇA 

📸 Marcwlo Casal Jr./Agência Brasil

Defesa argumentou que ação penal caminha para julgamento final

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira (16) manter a prisão do general Walter Braga Netto.

General da reserva e vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2022, o militar está preso desde dezembro do ano passado sob a acusação de obstruir a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado no país para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro negou pedido de soltura feito pela defesa do general, que ocupou os cargos de ministros da Casa Civil e da Defesa na gestão de Bolsonaro. Segundos os advogados, a ação penal do Núcleo 1 da trama golpista caminha para o julgamento final, e não há motivos para a manutenção da prisão.

Apesar de argumentação apresentada pela defesa, Moraes entendeu que a prisão de Braga Netto deve ser mantida.

“A situação fática permanece inalterada, tendo sido demonstrada a necessidade da manutenção da prisão preventiva para assegurar a aplicação da lei penal e resguardar a ordem pública, em face do perigo gerado pelo estado de liberdade do custodiado e dos fortes indícios da gravidade concreta dos delitos imputados”, decidiu o ministro.

Durante as investigações, a Polícia Federal identificou que o general, réu por ser um dos principais articuladores do plano golpista, tentou obter dados sigilosos da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Após a prisão, a defesa negou que Braga Netto tenha obstruído as investigações.

Por Agência Brasil

PGR pede ao Supremo condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de estado

POLÍTICA

Bolsonaro durante interrogatório na 1ª Turma do STF sobre trama golpista — Foto: Ton Molina/STF

Procuradoria apresentou as alegações finais contra o ex-presidente e outros 7 réus do “núcleo crucial” da trama golpista em 2022.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. As acusações fazem parte das alegações finais apresentadas na ação penal que apura a tentativa de ruptura institucional planejada pelo núcleo próximo ao ex-presidente.

Segundo a PGR, Bolsonaro liderou uma organização criminosa armada voltada a desacreditar o sistema eleitoral, incitar ataques a instituições democráticas e articular medidas de exceção.

Esta etapa representa a última oportunidade para acusação e defesa apresentarem argumentos baseados nas provas produzidas durante a instrução processual. Os ministros do colegiado analisarão os documentos finais de forma independente.

Segundo o pedido da PGR, Bolsonaro “figura como líder da organização criminosa [..], por ser o principal articulador, maior beneficiário e autor dos mais graves atos executórios voltados à ruptura do Estado Democrático de Direito”.

Ainda de acordo com a denúncia da PGR, o ex-presidente “instrumentalizou o cargo com a finalidade de prejudicar a alternância legítima de poder nas eleições de 2022 e minar o livre exercício dos demais poderes constitucionais, especialmente do Poder Judiciário”.

O processo contra o grupo denunciado pela procuradoria começou em fevereiro de 2025, quando a PGR apresentou a denúncia. A 1ª Turma do STF acatou a acusação em março, permitindo a abertura da ação penal. O caso passou pela fase de instrução de abril a junho, com coleta de provas, depoimentos e acareações.

A Procuradoria afirma que Bolsonaro atuou para que a sua “narrativa falaciosa” fosse replicada em canais de comunicação. O ex-presidente teria exercido liderança sobre o movimento golpista, segundo a PGR, “para fins pessoas e ilegais”.

Compõem o núcleo, além de Bolsonaro:

  • Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal e ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);.
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;.
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;.
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República);.
  • tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;.
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;.
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

Eles respondem por:

  • tentativa de golpe de Estado;.
  • tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito;.
  • deterioração de patrimônio tombado;.
  • dano qualificado; e participação em organização criminosa armada.
  • participação em organização criminosa armada.

O prazo para apresentação das alegações finais é de 15 dias para cada parte. A contagem dos prazos se dá de forma sucessiva, e não simultânea. Agora, a defesa de Mauro Cid terá 15 dias para apresentar seus argumentos. Cid se manifestará antes dos demais acusados por ter firmado acordo de colaboração no processo.

As defesas dos outros réus terão prazo conjunto de 15 dias para apresentarem suas alegações. Os prazos processuais continuarão correndo durante o recesso do Judiciário, de 2 a 31 de julho, por causa da presença do general Braga Netto como réu preso no processo.

Depois, o processo estará pronto para julgamento pela 1ª Turma do STF. A data do julgamento será definida para o 2º semestre de 2025. O colegiado analisará a situação de cada acusado individualmente e decidirá por maioria.

(Poder360)

Primeira Turma torna réus denunciados do núcleo 4 de trama golpista

STF

Fotografia/Metrópoles

Denúncia pela PGR no núcleo 4 de suposta trama golpista são acusados de disseminar notícias falsas sobre o processo eleitoral 

Os ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornaram réus, na tarde desta terça-feira (6/5), sete acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de integrar o núcleo 4 da suposta trama golpista que visava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.

A decisão foi unânime. Tornaram-se réus, nesta terça, os militares Ailton Gonçalves; Ângelo Martins Denicoli; Carlos Giancarlo Gomes Rodrigues; Guilherme Marques de Almeida; e Reginaldo Vieira de Abreu; o agente da PF Marcelo Araújo Bormevet; e Cesar Moretzsohn Rocha, engenheiro e presidente do Instituto Voto Legal.

O relator, ministro Alexandre de Moraes, votou pelo recebimento integral da denúncia e foi acompanhado por todos os colegas de turma: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Segundo a denúncia, apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, os investigados fazem parte de um grupo suspeito de disseminar notícias falsas sobre o processo eleitoral.

Em seu voto, indicando que aceitaria a denúncia, Moraes disse: “Sabemos todos que houve a montagem do chamado gabinete do ódio — núcleo de notícias fraudulentas; núcleo de financiamento de notícias fraudulentas; núcleo de produção, político, e de difusão de notícias fraudulentas”.

Para o relator, os acusados “fizeram parte de uma estrutura que incentivava parcela da população contra a Justiça Eleitoral, contra o STF”. Ainda segundo ele, “não se trata aqui de: ‘Ah, uma pessoa repassou uma notícia para a outra’”.

Demais votos

Após Moraes votar por tornar réus todos os denunciados, seus colegas de Primeira Turma começaram a votar. O primeiro foi o ministro Flávio Dino. “Fake news pode conduzir a desastres”, avaliou Dino. “Fake news pode conduzir a desastres”, seguiu ele, dizendo que uma notícia falsa pode “matar moralmente”. Dino acompanhou integralmente o voto de Moraes.

Em seguida, o ministro Luiz Fux acompanhou o voto do relator, formando maioria na Primeira Turma por tornar réus todos os denunciados.

“O que nós vimos foi a busca de uma destruição de toda simbologia que sustenta o processo democrático de uma sociedade que acabava de passar por uma eleição”, criticou a quarta a votar, ministra Cármen Lúcia, também indicando a aceitação da denúncia.

Fechando, em voto curto, Zanin acompanhou na íntegra o relator.

Defesas

Durante a manhã desta terça, as defesas dos sete denunciados tiveram até 15 minutos cada para apresentar seus argumentos. A própria PGR também se manifestou, representada pela subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio Marques, que pediu o recebimento integral da denúncia e a consequente abertura de ação penal contra todos os acusados. Após a pausa para o almoço, os ministros prosseguiram com a votação individual sobre o recebimento da denúncia.

Veja quem faz parte do núcleo 4:

  • Ailton Gonçalves Moraes Barros – major da reserva do Exército;
  • Ângelo Martins Denicoli – major da reserva do Exército;
  • Carlos Cesar Moretzsohn Rocha – engenheiro e presidente do Instituto Voto Legal;
  • Giancarlo Gomes Rodrigues – subtenente do Exército;
  • Guilherme Marques de Almeida – tenente-coronel do Exército;
  • Reginaldo Vieira de Abreu – coronel do Exército; e
  • Marcelo Araújo Bormevet – agente da Polícia Federal.

Com a aceitação da denúncia, os denunciados passam à condição de réus pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, envolvimento em organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado. A ação penal contra o grupo seguirá sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Nessa fase processual, o colegiado examinou apenas se a denúncia atendeu aos requisitos legais mínimos exigidos pelo Código de Processo Penal (CPP) para a abertura de uma ação penal. A conclusão foi de que a PGR demonstrou adequadamente que os fatos investigados configuram crimes (materialidade) e que há indícios de que os denunciados participaram deles (autoria).

Manoela Alcântara, Pablo Giovanni/Metrópoles

Auxílio creche para juízes, desembargadores e servidores do TJPE é aprovado por deputados estaduais

PERNAMBUCO

Palácio da Justiça de Pernambuco visto de dentro da Praça da República, no bairro de Santo Antônio, no Recife — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press
Palácio da Justiça de Pernambuco visto de dentro da Praça da República, no bairro de Santo Antônio, no Recife — Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press

Valor será na forma de indenização e poderá ser excluído do teto salarial para magistrados.

Os deputados estaduais aprovaram, nesta quarta-feira (23), dois projetos que criam auxílio creche para juízes, desembargadores e servidores do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Os projetos foram enviados em regime de urgência pelo presidente do Judiciário, desembargador Ricardo Paes Barreto, e apreciados em plenário pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

Para os servidores e para os magistrados, o auxílio será de R$ 300 para cada filho, com limite para duas crianças.

De acordo com Ricardo Paes Barreto, o auxílio creche para juízes e desembargadores já foi instituído pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em favor da magistratura nacional, por meio de resolução publicada em 2019.

Ele diz, também, que o auxílio creche, ou auxílio escolar, é concedido a trabalhadores que têm filhos de até seis anos, “por meio da disponibilização de vagas em instituições públicas, do pagamento de determinado valor mensal ou da restituição de despesas com escola”.

O presidente do TJPE também pede que o auxílio não seja incluído no teto constitucional de salários de magistrados. Isso porque, a rigor, o subsídio mensal dos juízes e desembargadores não pode ser maior que R$ 46.366,19, salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entretanto, são utilizados “penduricalhos”, em forma de indenizações e outros benefícios, para turbinar salários dos magistrados. Recentemente, a prática foi criticada pelo ministro do STF Flávio Dino, que disse que tais manobras “constrangem o Poder Judiciário”.

“O presente projeto está motivado na decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que acolheu pedido de providências da Associação de Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), estabelecendo enunciado administrativo que obriga tribunais de todo o Brasil a pagar auxílio-creche para seus magistrados”, justifica o presidente, no projeto enviado à Alepe.

Na Alepe, o projeto que cria os auxílios para os servidores foi aprovado por maioria simples, sem necessidade de votação nominal.

Já para os juízes e desembargadores, foi necessária a votação nominal. Na primeira discussão, foram 26 votos favoráveis e nenhum contrário. Na segunda, 28 deputados foram a favor e nenhum se opôs.

Sobre os projetos, o g1 perguntou ao TJPE o seguinte:

  • Qual o impacto mensal dos projetos?
  • Qual o posicionamento do tribunal sobre a fala do ministro Flávio Dino, que disse que “constrange o Judiciário” a criação de penduricalhos nos salários dos magistrados?

 

Por meio de nota, o TJPE disse apenas que o auxílio creche “visa a reduzir os impactos da dupla jornada sobre a relação entre pais/mães e filhos pequenos”.

“A implementação está amparada por decisão do Conselho Nacional de Justiça, em procedimento específico que garante a simetria das carreiras da magistratura e do Ministério Público”, disse o tribunal.

Juscelino pede demissão do Ministério das Comunicações; leia carta na íntegra

POLÍTICA

Segundo o ministro Juscelino Filho, a decisão pela demissão seria "um gesto de respeito ao governo e ao povo brasileiro".
Segundo o ministro Juscelino Filho, a decisão pela demissão seria “um gesto de respeito ao governo e ao povo brasileiro”. – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Por Agência O Globo

Político entregou carga de desligamento após ser denunciado pela PGR por suspeita de desvio de emendas parlamentares, quando era deputado. defesa nega irregularidades e diz que ainda não foi noticiada

O Ministro das Comunicações, Juscelino Filho, pediu demissão nesta terça-feira. O auxiliar de Luiz Inácio Lula da Silva é o décimo ministro a deixar o cargo no atual mandato do petista, mas o primeiro após um caso de suspeita de corrupção.

“Hoje tomei uma das decisões mais difíceis da minha trajetória pública. Solicitei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva meu desligamento do cargo de ministro das Comunicações. Não o fiz por falta de compromisso, muito pelo contrário. Saio por acreditar que, neste momento, o mais importante é proteger o projeto de país que ajudamos a construir e em que sigo acreditando”.

Segundo o ministro, a decisão pela demissão seria “um gesto de respeito ao governo e ao povo brasileiro”.

“Preciso me dedicar à minha defesa, com serenidade e firmeza, porque sei que a verdade há de prevalecer. As acusações que me atingem são infundadas, e confio plenamente nas instituições do nosso país, especialmente no Supremo Tribunal Federal, para que isso fique claro. A justiça virá! Retomarei meu mandato de deputado federal pelo Maranhão, de onde seguirei lutando pelo Brasil. Com o mesmo compromisso, a mesma energia e ainda mais fé”.

A demissão de Juscelino chegou a ser discutida em junho do ano passado, quando a Polícia Federal apresentou seu indiciamento.

a ocasião, pressionado pelo União Brasil, partido do ministro, Lula decidiu mantê-lo, mas traçou uma eventual denúncia como linha de corte para que a demissão ocorresse.

— O que eu disse para ele: só você sabe a verdade. Se o procurador indiciar (denunciar) você, você sabe que tem que mudar de posição. Enquanto não houver indiciamento (denúncia), ele fica como ministro. Se houver indiciamento (denúncia), ele será afastado — afirmou o presidente duas semanas após a PF apresentar o relatório apontando os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

O inquérito da PF apontou o envolvimento de Juscelino no desvio de recursos de emendas parlamentares para pavimentação de ruas de Vitorino Freire, no interior do Maranhão.

A cidade era comandada por sua irmã, Luanna Rezende, até o ano passado.

A defesa de Juscelino nega irregularidades e afirma que o papel do então deputado foi o de indicar as emendas parlamentares, sem ingerência sobre a contratação e a execução da obra.

Juscelino Filho tem 40 anos, é médico e empresário em São Luís (MA), e se licenciou da Câmara, onde cumpria seu segundo mandato como deputado federal, para assumir o Ministério das Comunicações em janeiro de 2023.

Sua indicação ao governo Lula foi costurada pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP).

Leia abaixo a íntegra da carta de demissão:

Carta aberta

Hoje tomei uma das decisões mais difíceis da minha trajetória pública. Solicitei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva meu desligamento do cargo de ministro das Comunicações. Não o fiz por falta de compromisso, muito pelo contrário. Saio por acreditar que, neste momento, o mais importante é proteger o projeto de país que ajudamos a construir e em que sigo acreditando.

Nos últimos dois anos e quatro meses, vivi a missão mais desafiadora — e, ao mesmo tempo, mais bonita — da minha vida pública: ajudar a conectar os brasileiros e unir o Brasil. Trabalhar por um país onde a inclusão digital não seja privilégio, mas direito. Levar internet onde antes só havia isolamento. Criar oportunidades onde só havia ausência do Estado.

Tive o apoio incondicional do presidente Lula. Um líder a quem admiro profundamente e que sempre me garantiu liberdade e respaldo para trabalhar com autonomia e coragem. Nunca tive apego ao cargo, mas sempre tive paixão pela possibilidade de transformar a vida das pessoas — especialmente das que mais precisam.

A decisão de sair agora também é um gesto de respeito ao governo e ao povo brasileiro. Preciso me dedicar à minha defesa, com serenidade e firmeza, porque sei que a verdade há de prevalecer. As acusações que me atingem são infundadas, e confio plenamente nas instituições do nosso país, especialmente no Supremo Tribunal Federal, para que isso fique claro. A justiça virá!

Retomarei meu mandato de deputado federal pelo Maranhão, de onde seguirei lutando pelo Brasil. Com o mesmo compromisso, a mesma energia e ainda mais fé.

Saio do Ministério com a cabeça erguida e o sentimento de dever cumprido. O Brasil está em outro patamar. Estamos levando banda larga a 138 mil escolas, destravamos o Fust – que estava parado há mais de duas décadas – para investimento de mais de R$ 3 bilhões em projetos de inclusão digital, entregamos mais de 56 mil computadores em comunidades carentes, estamos conectando a Amazônia com 12 mil km de fibra óptica submersa e deixamos pronta a TV 3.0, que vai revolucionar a televisão aberta no país.

É esse legado que deixo. E é com ele que sigo, de pé, lutando por justiça, pela democracia e pelo povo brasileiro.

Meu agradecimento a toda a minha equipe, ao presidente Lula, mais uma vez, ao meu partido União Brasil e, em especial, ao povo do Maranhão que me escolheu para ser seu representante na vida pública. Me orgulha muito ser maranhense e poder ter contribuído com meu Estado e meu País.

Juscelino Filho

Justiça Federal concede prisão domiciliar a Roberto Jefferson, mas outro mandado mantém ex-deputado na cadeia

STF

Roberto Jefferson — Foto: Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo

Decisão não garante retorno ao lar, pois ele tem outro mandado de prisão em vigor, que foi determinado pelo STF

A Justiça Federal concedeu prisão domiciliar ao ex-deputado Roberto Jefferson na tarde de quarta-feira (2). A decisão é da 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

A decisão do TRF2, no entanto, não significa a transferência imediata para o regime domiciliar, já que outra prisão preventiva, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está em vigor.

A relatora do TRF2 foi a desembargadora federal Andréa Esmeraldo, que levou em consideração o estado de saúde de Roberto Jefferson a partir de um relatório de uma junta médica da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

O documento afirma que as complicações de saúde do ex-deputado estão relacionadas com o ambiente hospitalar de infecção.

Caso seja levado ao regime domiciliar, Jefferson terá que cumprir algumas determinações, como não usar as redes sociais ou aplicativos para comunicação. Ele também não poderá sair do Estado do Rio de Janeiro, com exceção de emergências médicas comprovadas e comunicadas à Justiça Federal.

O ex-deputado teve cassados os documentos de posse e registros de armas de fogo.

Por g1 Rio

Ministro Alexandre de Moraes nega pedido para prender Bolsonaro

STF

Brasília (DF), 26/03/2025 - Ex-presidente Jair Bolsonaro durante declaração a imprensa após virar Réu no STF. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
Ex-presidente Jair Bolsonaro durante declaração a imprensa após virar Réu no STF. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Pedido foi feito por vereadora do PT que alega incitação ao crime

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quarta-feira (2) o pedido de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Moraes acolheu parecer enviado mais cedo pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra a medida.

A decisão é resposta a uma notícia-crime protocolada no mês passado pela vereadora Liana Cirne (PT-PE) pedindo que a medida fosse adotada. Na petição, a parlamentar alegou que Bolsonaro cometeu incitação ao crime ao convocar manifestações de seus apoiadores para defender a anistia para os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, quando apoiadores do ex-presidente invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília.

Segundo Moraes, a vereadora não tem legitimidade para solicitar a prisão.

“Diante do exposto, acolho a manifestação da Procuradoria-Geral da República e não conheço dos pedidos formulados por ilegitimidade de parte”, decidiu.

No parecer enviado ao STF, a PGR acrescentou que já avaliou a necessidade de prisão de Bolsonaro na denúncia sobre a trama golpista. A prisão do ex-presidente não foi solicitada.

Da Agência Brasil

Zanin marca para 25 de março julgamento da denúncia contra Bolsonaro por tentativa de golpe

STF

Após pedido de Moraes, Zanin marca para 25 de março o julgamento da denúncia da PGR contra Bolsonaro por suposta tentativa de golpe.| Foto: Rosinei Coutinho/STF

Braga Neto, Augusto Heleno também serão julgados pela Corte 

O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para o dia 25 de março a análise da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras sete pessoas. A análise vai ocorrer de forma presencial. Caso a denúncia seja aceita, Bolsonaro e os demais investigados virarão réus.

O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, liberou a denúncia para julgamento após a PGR apresentar uma manifestação rebatendo as respostas apresentadas pelas defesas contra a denúncia.

Os ministros da Primeira Turma vão decidir se os acusados vão responder a processo pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

As informações são do Jornal O Globo.

Ministro Gilmar Mendes diz que Oscar de ‘Ainda Estou Aqui’ ‘vem em boa hora para o Brasil’

CELEBRAÇÃO

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF)
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) – Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF

Por Estadão Conteúdo

No domingo, 2, Ainda Estou Aqui levou a estatueta de Melhor Filme Internacional

Decano do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes comemorou o Oscar de Ainda Estou Aqui em seu perfil no X, antigo Twitter. “Uma vitória que destaca a força e a resiliência de nossa cultura no mundo”, escreveu ele nesta segunda-feira (3).

“O filme, de maneira sensível, retrata os horrores do regime e suas consequências para a vida dos brasileiros. Eunice Paiva, interpretada com brilhantismo pela Fernanda Torres, é símbolo de resiliência e serve para nos lembrar que a luta pela democracia tem que ser constante”, afirmou o ministro.

Ainda na plataforma, Gilmar Mendes disse que o prêmio vem em boa hora para o País: “Celebramos, neste mês, 40 anos de nossa redemocratização. Em 15 de março de 1985, o então vice-presidente José Sarney tomava posse, encerrando duas décadas de ditadura no País”.

No domingo, 2, Ainda Estou Aqui levou a estatueta de Melhor Filme Internacional. O longa-metragem, que também tinha sido indicado nas categorias Melhor Filme e Melhor Atriz, mostra a transformação da família do ex-deputado Rubens Paiva depois de seu desaparecimento, com foco em sua mulher, Eunice Paiva. Rubens Paiva foi preso, torturado e morto pela ditadura militar.

O filme já foi comentado por outros membros da Corte e foi inclusive citado em decisões sobre crimes ocorridos durante o período. Para o ministro Flávio Dino, o longa atualizou o debate sobre a Lei da Anistia.

Recentemente, o STF reconheceu a repercussão geral de dois casos ocorridos na época – um deles o do desaparecimento de Rubens Paiva. Em um próximo momento, será julgado o mérito das ações. Os ministros decidirão se a Lei da Anistia se aplica aos crimes cometidos ou se os acusados podem ser punidos por eles.

Um dos processos trata do desaparecimento de Rubens Paiva e de Mário Alves de Souza Vieira, cujos corpos nunca foram encontrados, e da morte de Helber José Gomes Goulart.

Já o segundo consiste na acusação, por parte do Ministério Público Federal no Pará, dos militares Lício Augusto Ribeiro Maciel e Sebastião Curió Rodrigues de Moura. Maciel é acusado de matar e ocultar os restos mortais de três membros da Guerrilha do Araguaia. Contra Moura, consta a acusação de atuar na ocultação de cadáveres entre 1974 e 1976.

PGR denuncia Bolsonaro e mais 33 por tentativa de golpe de Estado

STF

foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Grupo é acusado de “trama conspiratória armada”

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta terça-feira (18) o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. A acusação também envolve outros militares, entre eles Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. 

Confira a íntegra da denúncia: 

Denúncia PGR

As acusações da procuradoria estão baseadas no inquérito da Polícia Federal (PF) que indiciou, em novembro do ano passado, o ex-presidente no âmbito do chamado inquérito do golpe, cujas investigações concluíram pela existência de uma trama golpista para impedir o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A denúncia será julgada pela Primeira Turma do Supremo, colegiado composto pelo relator, Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Se a maioria dos ministros aceitar a denúncia, Bolsonaro e os outros acusados viram réus e passam a responder a uma ação penal no STF.

Pelo regimento interno da Corte, cabe às duas turmas do Tribunal julgar ações penais. Como o relator faz parte da Primeira Turma, a acusação será julgada pelo colegiado.

A data do julgamento ainda não foi definida. Considerando os trâmites legais, o caso pode ser julgado ainda neste primeiro semestre de 2025.

Conspiração 

Na parte sobre Bolsonaro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o ex-presidente e o general Braga Netto, ex-ministro e vice na chapa com Bolsonaro – derrotada nas eleições de 2022, exerceram papel de liderança para realização de uma “trama conspiratória armada e executada contra as instituições democráticas”.

“A organização tinha por líderes o próprio presidente da República e o seu candidato a vice-presidente, o general Braga Neto. Ambos aceitaram, estimularam, e realizaram atos tipificados na legislação penal de atentado contra o bem jurídico da existência e Independência dos poderes e do Estado de Direito democrático”, afirmou Gonet.

Gonet diz que a denúncia contra Bolsonaro narra os fatos cometidos por uma “organização criminosa estruturada” para impedir a concretização da vontade popular demonstrada com o resultado das eleições de 2022, quando Lula foi eleito presidente.

” O presidente da República [ Bolsonaro] adotou crescente tom de ruptura com a normalidade institucional nos seus repetidos pronunciamentos públicos em que se mostrava descontente com decisões de tribunais superiores e com o sistema eleitoral eletrônico em vigor. Essa escalada ganhou impulso mais notável quando Luiz Inácio Lula da Silva, visto como o mais forte contendor na disputa eleitoral de 2022, tornou-se elegível, em virtude da anulação de condenações criminais”, afirmou. Com informações da Agência Brasil. 

Dino nega bloqueio de repasses do governo para emendas da Saúde

STF

O ministro Flávio Dino, durante sessão do STF
O ministro Flávio Dino, durante sessão do STF – Foto: Divulgação/STF

Partido Novo também pedia que a Polícia Federal fosse instada a investigar o caso, para “apurar eventuais práticas criminosas relacionadas à burla deliberada de decisões” do STF

Por Estadão Conteúdo

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, negou um pedido do Partido Novo para bloquear repasses do governo Lula à Saúde, classificados como despesa obrigatória – as quais, segundo o partido, estariam sendo usadas “indevidamente visando compensar perdas parlamentares decorrentes da suspensão” das emendas de relator e de comissão – espólio do orçamento secreto.

O pedido era pela suspensão do empenho, liquidação e pagamento de verbas dos Programa de Atenção à Saúde da População para Procedimentos em Média e Alta Complexidade, e ao Piso de Atenção Primária à Saúde.

O Novo queria que os repasses fossem sustados até “devido esclarecimento” pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e pelo Ministério da Saúde.

A legenda também pedia que a Polícia Federal fosse instada a investigar o caso, para “apurar eventuais práticas criminosas relacionadas à burla deliberada de decisões” do STF – no caso, a derrubada do orçamento secreto.

Dino negou a suspensão argumentando que o pedido havia sido feito no bojo da ação que analisa, no STF, a validade das emendas Pix.

O ministro frisou que o Novo questionava a execução das rubricas próprias do Executivo, “que são possuidoras de suas próprias regras constitucionais, legais e regulamentares”.

De acordo com o despacho, o Novo deve entrar com uma ação a parte para questionar os repasses, por se tratarem de “fatos novos distintos das controvérsias sobre as emendas parlamentares – individuais ou coletivas – ao Orçamento Geral da União”.

O Novo acionou Dino sob o argumento de “fortes indícios de desvio de finalidade e burla” à decisão do STF que derrubou o orçamento secreto.

“As evidências apontam para a utilização de verbas em desacordo com seu caráter obrigatório, desvirtuando seu propósito original em favorecimento de interesses políticos e em detrimento do princípio da impessoalidade. A continuidade de tais práticas compromete a eficácia das decisões anteriormente proferidas por este Supremo Tribunal Federal, além de configurar grave violação ao ordenamento jurídico e potencial prejuízo ao interesse público”, sustenta o partido.

“Ocorre que a presente ação direta tem como objeto as chamadas “emendas PIX” (RP 6), ao passo que o pedido formulado pelo amicus curiae refere-se à execução das rubricas próprias do Executivo, classificadas como despesas primárias obrigatórias (RP 1). Tampouco quaisquer das ações conexas tratam sobre programações do Poder Executivo, e sim sobre emendas parlamentares ao Orçamento, que são possuidoras de suas próprias regras constitucionais, legais e regulamentares”, disse o ministro.

Dino ainda afirmou que o pedido não poderia ser aceito porque o Novo não é uma das partes diretamente envolvidas na ação e atua apenas como interessado no caso.